quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A valorização dos imóveis no Rio


Do Globo.com

Preço do metro quadrado dos imóveis na Zona Sul dobra e é encontrado por até R$ 50 mil

RIO - Apesar da fartura de lançamentos nas regiões de Barra e Jacarepaguá, os cariocas, como sempre, continuam de olho nas novidades de bairros da Zona Sul. Pensando neste público, algumas construtoras estão conseguindo abocanhar os últimos terrenos e casas, com bom espaço para construção, em Ipanema e no Leblon. O fato é que o valor do metro quadrado pago por esses achados quase dobrou nos últimos três anos, enquanto o tamanho dos imóveis vem sendo reduzido a mais da metade.

Entre 2008 e 2010, era possível encontrar lançamentos na orla e em ruas próximas às praias do Leblon e de Ipanema de apartamentos com áreas entre 220 e 770 metros quadrados e custo entre R$ 25 mil e R$ 27 mil por metro quadrado. Já este ano, o valor do metro quadrado está chegando a R$ 50 mil e as dimensões de grande parte das unidades foram enxugadas, variando entre 73 e 90 metros quadrados.

De acordo com o vice-presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário do Rio (Ademi), Paulo Fabrianne, a forte valorização dos imóveis localizados na orla e nas quadra próximas à praia deve-se ainda à alta demanda dos consumidores por apartamentos nesses bairros.

- Esses lançamentos são os últimos biscoitos do pacote. Com a alta procura e as poucas ofertas, o preço do metro quadrado aumentou bastante. Quem quer comprar um imóvel mais perto da praia pode chegar a pagar R$ 50 mil pelo metro quadrado. Na orla, quem sabe até mais - explica Fabrianne.

A Cyrella, que acaba de lançar um empreendimento no último terreno livre de Ipanema na quadra da praia, entre as ruas Aníbal de Mendonça e Garcia d'Ávila, está pedindo entre R$ 38 mil e R$ 50 mil pelo metro quadrado construído. Com conclusão prevista para março de 2014, a obra do Wave, que terá 1.813 metros quadrados de área total, já começou. São 84 unidades, entre 73 e 85 metros quadrados, incluindo duas suítes e plantas personalizáveis. Os apartamentos dos fundos terão vista para a praia, devido ao prédios baixos daquele trecho da Vieira Souto. De acordo com o vice-presidente da Cyrella, Rogério Jonas Zylbersztajn, o mix de plantas escolhido "está de acordo com a demanda daquela localização":

- Atende a vários perfis de compradores, em especial aos solteiros, divorciados, à Terceira Idade e a investidores.

O vice-presidente da Ademi reforça a tese de que a redução das medidas dos apartamentos é uma tendência no Rio, por conta da valorização do preço do metro quadrado na cidade.

- As famílias estão menos numerosas, e o último censo do IBGE mostrou que a população do Rio está envelhecendo. Há mais pessoas solteiras, gente saindo de casa mais cedo. Esse tipo de público não vai procurar apartamentos grandes para morar - afirma Fabrianne.

O Rêve Leblon, da Incasa, que está sendo lançado este ano num dos últimos terrenos do bairro, na rua Visconde de Albuquerque, confirma a tendência de redução do tamanho dos imóveis: a maior parte deles tem entre 83 e 90 metros quadrados. Já as coberturas apresentam áreas maiores, variando entre 130 e 225 metros quadrados. O metro quadrado do apartamento, situado numa quadra que não está colada à praia, custa entre R$ 28 mil e R$ 32 mil.

2008 a 2010: imóveis maiores e preços mais baixos

No ano passado, a Concal conseguiu negociar a construção do Conde de San Remo no lugar da última casa da Rua José Linhares, no Leblon. O valor do metro quadrado do imóvel, dúplex com 200 metros quadrados, estava entre R$ 21 mil e R$ 25 mil. Este ano, o valor dobrou, segundo afirmação da diretora comercial da construtora, Bianca Carvalho:

- Um cliente comprou um apartamento por R$ 8 milhões e vendeu por R$ 16 milhões este ano.

Em 2008, a Mozak Engenharia comprara o último terreno disponível da Praia do Leblon, na Avenida Delfim Moreira com Rua Aristides Espínola, para erguer o residencial Exclusivité Leblon, com preço do metro quadrado girando em torno de R$ 25 mil. Os imóveis, cinco ao todo, incluindo uma cobertura tríplex, têm áreas entre 450 e 770 metros quadrados.

De O Globo.com

RIO - Os preços cobrados nos estacionamentos dos aeroportos do Rio decolaram - e a jato. Neste mês, as tarifas aumentaram até 192% no Tom Jobim e 183% no Santos Dumont. Os maiores reajustes foram aplicados sobre os valores do pernoite e da mensalidade. Segundo a Infraero, a nova tabela, que entrou em vigor em 1 de outubro, no Galeão, e no dia 15 no Santos Dumont, visa a desestimular usuários a deixarem seus carros no pátio dos terminais enquanto estão viajando, atenuando assim o problema da escassez de vagas.

Mas a grita dos cariocas contra os altos preços não fica apenas nos terminais. Aterrissa também nas garagens de shoppings e centros comerciais, onde, em alguns casos, parar o carro sai caro, sobretudo na Zona Sul. Deixar o veículo por três horas na garagem da galeria Fórum de Ipanema, por exemplo, custa R$ 44.

As medidas da Infraero já estão surtindo efeito para reduzir o número de pernoites de veículos nos aeroportos. O supervisor de marketing André Simas, de 37 anos, foi informado por seu chefe de que, após os aumentos, a empresa onde ele trabalha não vai mais reembolsá-lo pelo valor gasto no estacionamento do Galeão. No último dia 7, após deixar seu carro por três dias, 15 horas e 13 minutos no terminal, ele desembolsou R$ 190, 192% a mais do que na semana anterior, quando permaneceu o mesmo tempo.

- Anteriormente, essas mesmas horas custavam R$ 65. Eu moro em São Gonçalo e viajo pelo menos duas vezes por mês a trabalho. A partir de agora, vou pegar ônibus ou táxi para chegar à Ilha do Governador. Não tem outro jeito. O mais grave é não terem me avisado quando entrei no aeroporto em 4 de outubro, três dias após os reajustes - criticou Simas.

Usuários protestam contra aumentos

O inconformismo dos usuários está no novo sistema de cobrança pelo pernoite no Tom Jobim. Até setembro, as primeiras 24h custavam R$ 29. Depois disso, a cada dia ou fração, R$ 12. Agora, até o terceiro dia de permanência, a diária custa R$ 50; do terceiro ao sexto dia, o usuário paga R$ 40 por cada 24 horas; do sexto ao nono, R$ 35, e a partir do nono dia, R$ 30. Além disso, o cliente arca com as horas excedentes. Os outros períodos também sofreram reajustes, porém, menores do que o aplicado à diária. Duas horas, por exemplo, passaram de R$ 6 a R$ 8 - um aumento de 33,3%. Até uma hora não houve aumento: o preço continua R$ 6.

A situação no Santos Dumont é semelhante e também está gerando apreensão entre passageiros e funcionários de companhias aéreas. Os mensalistas passaram a pagar R$ 310, em vez dos antigos R$ 130 (reajuste de 183%). A diária passou de R$ 38 para R$ 53 (39,4%), enquanto o período de duas horas pulou de R$ 7 para R$ 10 (42,8%).

A estatal, que administra os terminais do país, reiterou que os aumentos visam a beneficiar usuários que permanecem menos tempo nos estacionamentos. Segundo a Infraero, as áreas estão sobrecarregadas pelo grande número de motoristas que deixam seus veículos nos pátios por mais de um dia. A empresa alega ainda que a tabela não era reajustada desde 2006, no Galeão, e desde janeiro de 2010 no Santos Dumont.

Já em alguns shoppings e galerias da cidade, deixar o veículo por pouco tempo no estacionamento não garante economia. Parar por meia hora na garagem do Fórum de Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, custa R$ 10. O período de uma hora sai a R$ 18; duas horas, a R$ 32; e três custam R$ 44.

- Só parei aqui porque não achei vaga na rua e eu tinha uma consulta médica - protestou a produtora de eventos Cristina Campos, de 34 anos, que desembolsou R$ 18.

O empresário Antônio Machado, de 75, deixou R$ 10 no estacionamento do Fórum, 21 após chegar.

- Eles se beneficiam da falta de estacionamentos na região e cobram o que bem entendem. Respeito a lei e não paro em lugar proibido, então não tenho para onde correr - justificou Machado.

Quem vai de carro para o shopping Rio Design Leblon também precisa se preparar. Meia hora custa R$ 7,50. Por cada 30 minutos excedentes, são cobrados mais R$ 2,50. Clientes que gastarem R$ 150 ou mais nas lojas têm desconto de R$ 5.

Mesmo comprando um presente de casamento, o benefício não chegou ao bolso da psicomotricista Maria Guimarães, de 30 anos:

- Fiquei 15 minutos e vou pagar R$ 7,50, pois gastei R$ 70 no presente. Eles ganham muito em cima do cliente.

Ao lado do Rio Design, o Shopping Leblon cobra R$ 2 por 30 minutos; R$ 4 por uma hora; R$ 6 a cada hora e meia; R$ 8 até duas horas e R$ 9 até duas horas e meia. A partir daí, R$ 0,50 a cada meia hora.

A produtora Cristina Campos: R$ 18 reais por uma hora no Fórum de Ipanema (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Autora da polêmica lei que obrigou os estacionamentos a cobrarem por período fracionado e não por período único, a deputada estadual Cidinha Campos (PDT) classificou como um absurdo os preços fixados pelos shoppings. Embora os valores tenham disparado depois da medida, provocando uma enxurrada de críticas de usuários, Cidinha alega que esses aumentos não são uma reação à lei, que está suspensa por uma decisão do Tribunal de Justiça, contra a qual cabe recurso.

- É uma barbaridade, eles metem a mão mesmo. Os supermercados não aproveitaram brecha alguma e se disciplinaram. Mas há shoppings que exigem R$ 8 por 20 minutos. É um escárnio.

A Estapar, empresa que administra o estacionamento do Fórum de Ipanema, afirma que se trata da galeria mais famosa do bairro, "conhecida mundialmente" e que os preços variam de acordo com carga tributária, estudos de mercado e localização do empreendimento. Acrescenta ainda que os clientes têm à disposição sala VIP e manobristas. O Rio Design argumentou que oferece serviço de manobrista e que, às segundas-feiras, após 20h, dá isenção a clientes que apresentarem nota fiscal de algum restaurante do shopping. Procurado, o Shopping Leblon preferiu não se pronunciar.

CIDADE MARAVILHOSA

Blog do Luis Nassif


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