quinta-feira, 22 de maio de 2014

Acabou. Nova agenda esvazia CPI de Pasadena

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Nem o depoimento do ex-homem bomba Nestor Cerveró ressuscitou a CPI da Petrobras de seu fim; esvaziada, investigação parlamentar perde interesse dos políticos; predomínio de maioria do PT e do PMDB e mudança de agenda da eleição presidencial desmotivam até mesmo o PSDB de insistir com caminho de comissão mista; denúncias cumpriram seu papel de desgastar governo, mas, como se diz, entre mortos e feridos salvaram-se todos; cena acima foi espécie de cerimônia do adeus; às vésperas da Copa do Mundo, com uma nova pesquisa na praça e suficiente agitação sindical para manter quadro de volatilidade, agenda virou outra
22 de Maio de 2014 às 18:09


247 - Acabou. Sem vela nem corpo presente, foi sepultada politicamente hoje a CPI da Petrobras. O depoimento do ex-homem bomba Nestor Cerveró não atraiu um único integrante da comissão montada para investigar a estatal, à exceção dos três integrantes da mesa. Não foi apenas o predomínio do PMDB, na presidência, e do PT, na relatoria, que acabaram com os planos da oposição para levar adiante a iniciativa que, claramente, desgastou o governo. Houve, especialmente, uma mudança de agenda na sucessão presidencial. A agitação das ruas, a proximidade da Copa do Mundo e o rumo das pesquisas de opinião, confirmando a consolidação do favoritismo da candidatura da presidente Dilma Rousseff mas, também, o crescimento da oposição e a reduçao dos indecisos, mudaram a agenda dos políticos. Para a oposição, toda a batalha para a instalação da CPI acabou valendo pelo desgaste imposto ao governo. Para este, a batuta do presidente do Senado, Renan Calheiros, e a coordenação entre a senadora petista Gleisi Hoffman e seu colega Humberto Costa mostraram seu valor.


Pedro Peduzzi e Karine Melo - Repórteres da Agência Brasil

Durante depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor da Área Internacional da petrolífera Nestor Cerveró, autor do relatório que, em 2006, embasou a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), disse que a omissão de algumas cláusulas contendo detalhes contratuais é prática comum, desde que não apresentem impedimentos ao cumprimento do plano estratégico da estatal. Cerveró voltou a tirar, da presidenta Dilma Rousseff, a responsabilidade pela decisão de compra da refinaria.


"A presidenta Dilma não foi responsável porque as decisões são colegiadas e aprovadas por unanimidade. O responsável pela compra somos todos nós. Foi uma compra acertada. Foi um acerto coletivo, colegiado. E eu sou coparticipante dessa decisão", disse o ex-diretor, que também destacou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da reunião para fechar o acordo sobre a compra de Pasadena em 2006. Na época, Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da Petrobras.


De forma enfática, ele negou ter preparado o resumo com a intenção de enganar Dilma. "Para fazer isso, eu teria de enganar todo o conselho", disse. O resumo do documento de compra, analisado pelo Conselho de Administração da Petrobras, não continha as cláusulas Marlim e Put Option que faziam parte do contrato. O primeiro assegurava à Astra Oil, que era sócia da Petrobras no negócio, uma rentabilidade mínima de 6,9% ao ano, mesmo em condições adversas do mercado. Já a opção de venda - o Put Option - obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra Oil em caso de conflito entre os sócios.


"Não se coloca, no resumo, detalhes contratuais porque não têm interferência na informação necessária para aprovação pelo conselho. Eu conhecia o contrato e os detalhes do parecer jurídico. Não omiti as cláusulas. Consideramos que elas não representavam nenhum impedimento quanto à aprovação do projeto, que se dá em cima da aderência ao planejamento estratégico, de expansão do refino do petróleo da Petrobras e do refino de petróleo pesado", disse.


Ainda segundo o ex-diretor é comum a estatal despriorizar alguns projetos, a exemplo do que ocorreu com a Refinaria de Pasadena, após a Petrobras optar por direcionar seus investimentos no pré-sal. "A Petrobras tem centenas de bons projetos que não foram realizados. Não significa que esse projeto não seja bom. Ele apenas não é tão interessante quanto o pré-sal", afirmou.


Por falta de quórum, a CPI não conseguiu votar hoje nenhum requerimento para novos depoimentos, como anunciado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) no início da reunião. Além do presidente, só o relator senador José Pimentel (PT-CE) e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), todos da base aliada ao governo, participaram da sessão desta quinta-feira. De acordo com o calendário da CPI, na próxima terça-feira (27) será ouvida a presidenta da estatal, Graça Foster.


Mídia divulgou números falsos sobre o valor de Pasadena, diz Cerveró

Agência Senado - Ex-responsável pela área de negócios internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró negou, em depoimento à CPI do Senado na manhã desta quinta-feira (22), que a refinaria de Pasadena fosse "sucata" ou "ferro-velho" quando foi adquirida pela petrolífera brasileira em 2006.


- O valor pago pela Astra Oil foi muito explorado pela mídia. Mas não foram US$ 48 milhões, como amplamente noticiado. Isso é totalmente irreal. A Astra teve que investir nessa unidade e para colocá-la em operação gastou US$ 360 milhões. Não era uma refinaria sucateada e não custou só 48 milhões - enfatizou.


Cerveró explicou que Pasadena pertencia a uma empresa americana tradicional na área de refino. Mas havia sérios problemas administrativos, trabalhistas e ambientais.
- A Astra aproveitou a oportunidade, negociou, resolveu os problemas trabalhistas e ambientais, e ainda teve que investir numa unidade de processamento de gasolina para atender requisito de qualidade do mercado americano - explicou.


Segundo Nestor Cerveró, hoje, sete anos depois, Pasadena virou uma refinaria padrão e premiada nos Estados Unidos, o que é motivo de orgulho para a Petrobras.


Relatório

O ex-diretor da área internacional da empresa foi o autor do relatório que serviu de base para a aprovação dada pelo Conselho Administrativo da Petrobras à compra da refinaria de Pasadena, em 2006.


A negociação teve aval da presidente Dilma Rousseff, que, na época era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho. Depois das denúncias de que o negócio deu grande prejuízo à estatal, Dilma classificou o documento de carente de informações e "juridicamente falho".


A reunião segue sem participação de integrantes da oposição. Eles apostam na comissão parlamentar mista, com instalação prevista para a próxima semana, que também deverá participação de deputados e onde terão representatividade maior. A CPI da Petrobras em funcionamento no Senado é composta de 13 senadores, sendo 10 da base aliada do governo.



Brasil 247

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