segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Guerra ao Brasil. Venceremos?


SEG, 22/06/2015 - 12:39

Numa guerra convencional, a nação derrotada é normalmente destroçada, seus líderes presos e a reconstrução da infraestrutura nacional é objeto da disputa entre os grupos econômicos dos países que venceram a guerra.

É um desenho banal.

Como já assinalei em artigo anterior, a guerra que é movida contra o Brasil pretende: desmoralizar o governo, desmoralizar o país, e nos impedir de alcançar um modelo de desenvolvimento autônomo e auto-sustentado onde o Estado possa encomendar ás megaempresas nacionais os grandes projetos de infraestrutura e defesa cruciais para o desenvolvimento e para a Soberania. O Brasil é um gigante capaz de tornar-se um poder hemisférico inquestionável e uma nação próspera e democrática.

A luta contra a corrupção vem abrindo espaços para ações voltadas para o esfacelamento da economia nacional, o que é desproporcional, lesivo à pátria e a esse futuro.

Mais uma vez, não se trata de não punir corruptos, mas, se a Odebrecht for quebrada naquilo que se convencionou chamar de "excessos" da Operação Lava Jato, serão prejudicados projetos que vão de Belo Monte aos estaleiros de onde sairão (ou sairiam) os submarinos nucleares brasileiros para a defesa do.... Pré Sal... (observe-se que em escândalo incomparavelmente maior o HSBC foi tão somente multado na Suíça – e não quebrado - ou que não se cogita de quebrar a FIFA apesar de, novamente, escândalo de enormes proporções).

Vejamos o que diz o juiz Moro, conforme o G1 sobre a Odebrecht, que já está proibida de contratar com a Petrobrás, justificando a prisão do seu presidente: “As empreiteiras não foram proibidas de contratar com outras entidades da Administração Pública direta ou indireta e, mesmo em relação ao recente programa de concessões lançado pelo Governo Federal, agentes do Poder Executivo afirmaram publicamente que elas poderão dele participar, gerando risco de reiteração das práticas corruptas, ainda que em outro âmbito”. A proibição de contratar com o poder público em todas as esfereas, dado o perfil da Odebrecht será suficiente para quebrá-la.

Hoje, O Estadão noticia que "A Lava Jato terá a coopeação dos EUA para chegar ao Operador da Odebrecht". O MPF solicitou, sem passar, aparentemente, pelo Itamaraty, essa preciosa colaboração, pois é nos EUA segundo o jornal que se encontra "a mais estruturada e eficiente rede de combate à corrupção do mundo"... O problema é que os EUA estão sendo trazidos, não para uma lógica da punição de culpados, mas para a lógica da interdição de uma empresa que é concorrente direta das suas prórprias em outros países e no futuro no próprio Brasil.

Se continuarmos assim, sem querer reconhecer a verdadeira guerra em andamento, a nação vai ser esfacelada e o botim (os megacontratos) partilhados entre as empresas dos países vitoriosos. Exatamente como numa guerra “de verdade”.

Um mínimo de unidade nacional, como a que tivemos contra o Canadá na questão da Embraer X Vaca Louca, fundamental para o enfrentamento desse inimigo multitentacular e sem rosto que se move contra nós, é hoje uma quimera. No parlamento, em vez disto, o que se desenha é a redução da importância da Petrobrás no Pré-Sal, exatamente no momento em que se tornou a maior empresa de petróleo do mundo...

Nada disto é por acaso.

Esse navio chamado Brasil está adernado e tem um rombo no casco. Ainda há o que fazer, mas essa janela de oportunidade está se fechando.

Ou a nação se levanta através dos seus poderes constituídos, Executivo, Legislativo e Judiciário, com medidas contundentes que possam coibir os excessos e transbordamentos da Lava Jato sobre a Economia e a Soberania Nacional, ou vamos ao fundo.

Será a primeira vez desde a invasão holandesa.

Se formos ao fundo não haverá pré-sal, não haverá submarinos nucleares, não haverá potência militar de primeira linha, sairemos dos BRICS, não teremos royalties de petróleo para a saúde e educação, e voltaremos a ser aquele país desprezível de pires na mão atrás de recursos do FMI.

Que as autoridades constituídas assumam as suas responsabilidades. Se algo não for feito logo será inútil fazer depois.

Depos, retomando a imagem do navio, será como lembrar de Castro Alves em Navio Negreiro:

E existe um povo que a bandeira empresta
Pr'a cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...


Jornal GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário