terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Direita vence no Chile, com 52% de abstenção



POR FERNANDO BRITO · 17/12/2017




Tido como um país de alta cultura, o Chile mostra o quanto avança o desinteresse pela política.

Sebastian Piñera, pela segunda vez, vai presidir o país, com 3,8 milhões de votos, 600 mil a mais que i seu contendor, Alejandro Gullier, um ex-jornalista vagamente de centro-esquerda.

Não se questiona a legitimidade da vitória, claro, mas é preocupante que os 7 milhões de votos (incluindo brancos e nulos) representem apenas 48% dos 14,3 milhões de eleitores chilenos.

Nas eleições de 1970, quando os chilenos elegeram Salvador Allende (na época, a eleição era em dois turnos, um direto e o segundo pelo Congresso), a participação foi de 83,7% dos eleitores populares.

Em 2013, o Chile adotou primeira vez o voto facultativo em 2013. O resultado foi que a abstenção, que girava em torno de 15%, saltou para a metade do eleitorado.

Não se surpreenda se, aqui, os adeptos da exclusão social partirem para a extinção do voto obrigatório.

A rejeição à política serve ao conservadorismo, que domina os meios de comunicação e joga sempre, como vemos agora, no “são todos a mesma porcaria”.

O voto direto e universal, conquista de milênios de história humana, é a partilha de um destino comum.

Piñera assumirá com o voto de 27,1% dos eleitores chilenos.

Quem não precisa da vontade nacional para se eleger, depende do poder econômico e da mídia para se sustentar.


Tijolaço

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