terça-feira, 22 de maio de 2018

Mistério da Lava Jato: quem acobertou a fuga do doleiro Dario Messer?

20 de Maio de 2018

Por Jeferson Miola


O “doleiro dos doleiros” do Brasil, como Alberto Youssef – o doleiro-delator íntimo do Moro, dos procuradores e dos policiais da Lava Jato – se refere a Dario Messer, foi o alvo principal da operação “Câmbio, Desligo!”, executada pela Polícia Federal em 3 de maio, depois das delações dos doleiros Vinícius Claret e Cláudio Barbosa.

Dario Messer, provavelmente avisado que seria alvo de mandado de prisão preventiva, conseguiu fugir e não foi encontrado nos endereços conhecidos no Brasil naquele dia da operação Câmbio, Desligo!.

A prisão do doleiro era tida como líquida e certa, tanto que o jornalista tarimbado e dono de fontes privilegiadíssimas d´O Globo, Lauro Jardim, no dia da operação anunciou que “Dario Messer, alvo principal da operação da Lava-Jato de hoje, e finalmente preso, é um personagem ligado aos escândalos nacionais desde o caso Banestado”.

Na coluna d´O Globo de 6 de maio de 2018, o taribado Lauro Jardim publicou a nota “Tudo errado”, com a notícia errada de que Dario Messer tinha sido“preso na quinta-feira passada”. É difícil imaginar tamanha “barrigada” jornalística de profissional bem abastecido de informações e depois de 3 dias do fato consumado! Houve alguma falha na linha direta de comunicação Globo-Lava Jato – só não se conhece o motivo para tal falha.

Aventou-se a hipótese de que Dario Messer pudesse estar escondido na sua mansão no Paraguai, porém lá também não foi encontrado.

Joaquim Carvalho, em minuciosa reportagem no Diário do Centro do Mundo, cita que “Antigos aliados acreditam que ele esteja em Israel, onde também tem cidadania, por ser judeu. Messer não foi o único a escapar. O doleiro René Maurício Loeb fugiu do Rio de Janeiro para a Europa a bordo de um navio de luxo, semanas antes da operação ser deflagrada”.

A fuga e o desaparecimento de Dario Messer adquire ainda maior relevância e valor investigativo depois da denúncia feita por doleiros acerca da existência de esquema mafioso mediante o qual o advogado Antônio Figueiredo Basto recebia US$ 50 mil dólares mensais como “taxa de proteção” para garantir que “eles [doleiros] seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro” [DCM].

Esse mesmo advogado é considerado o especialista em delação premiada no Brasil – ou da indústria da delação, como o GGN e o DCM vêm investigando – cuja experiência inaugural foi a delação premiada de Alberto Youssef no rumoroso caso Banestado, conduzido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e pelo juiz Sérgio Moro.

O ministério público reconhece que a denúncia dos doleiros tem efeito devastador nos meios jurídicos, políticos e empresariais e, pode-se inferir, também sobre a força-tarefa da Lava Jato.

Não é a primeira vez que denúncias dessa índole são feitas em relação ao universo que se revela cada vez mais obscuro da chamada “república de Curitiba”, tão incensada pela Rede Globo.

Em novembro de 2017, o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, denunciou que Carlos Zucolotto Júnior, amigo íntimo e padrinho de casamento de Sérgio Moro, intermediou acordo de delação premiada com redução de multas e sanções judiciais por US$ 5 milhões. Na ocasião, Zucolotto mencionou que um interlocutor com a sigla DD [na Lava Jato só se conhece Deltan Dallagnol com estas iniciais] seria o avalizador final do acordo.

Na sessão de 11 de abril de 2018 do STF, Gilmar Mendes denunciou que “a corrupção já entrou na Lava Jato, na Procuradoria”. Arrolando casos como o de irmão de procurador [Doutor Castor] que promove acordos de delação com a Lava Jato, Gilmar denunciou que “Estamos escolhendo advogados para delação. Ou aqueles que não poderiam sê-lo. Veja como este sistema vai engendrando armadilhas”.

É incrível que até hoje nem o STF, nem a PGR, nem a OAB e nem a Lava Jato instauraram investigações sobre denúncias tão comprometedoras e feitas por um juiz da suprema corte.

A fuga de Dario Messer, salvo a ocorrência de incríveis coincidências, foi facilitada por aqueles que fogem do “doleiro dos doleiros” como o diabo foge da cruz. É preciso, por isso, esclarecer urgentemente 3 aspectos nebulosos:

quem acobertou a fuga de Dario Messer?;
quem se beneficia com a “fuga” de Dario Messer?; e
por que é preciso esconder Dario Messer e evitar seus depoimentos?


Brasil 247

DAMOUS VAI DENUNCIAR MORO POR CONFLITO DE INTERESSES DA PETROBRAS

Deputado Wadih Damous (PT-RJ) vai ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para denunciar conflito de interesses envolvendo Sergio Moro, a Petrobras e um escritório de advocacia de São Paulo; na semana passada, Moro palestrou em um evento em Nova York que teve entre os financiadores um escritório contratado pela estatal; Damous enxergou grave violação do Código de Ética da Magistratura, que ele lembra que diz ser dever do magistrado recusar benefícios ou vantagens de ente público, de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional

22 DE MAIO DE 2018 

247 - O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) vai denunciar Sergio Moro no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por conflito de interesses envolvendo a Petrobras e um escritório de advocacia de São Paulo. Na semana passada, Moro palestrou em um evento em Nova York que teve entre os financiadores um escritório contratado pela estatal, conforme denúncia feita pelo jornalista Joaquim de Carvalho, do DCM.

Damous enxergou grave violação do Código de Ética da Magistratura, que ele lembra que diz ser dever do magistrado recusar benefícios ou vantagens de ente público, de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional. "Vejam: o Código afirma que possam comprometer, não exige que comprometam", reforçou.

"Ele fez um périplo, nas últimas semanas, pelos EUA. Foi a Nova York, em um evento com a participação de João Doria, com quem ele tem relações promíscuas, como, aliás, tem com todo tucanato", acusou.

Para Damous, o juiz Sérgio Moro precisa ter claro que quem se arvora, quem se apresenta como campeão do combate à corrupção, tem que parecer honesto, tem que ter uma vida franciscana, uma conduta irrepreensível. "Parece não ser o seu caso. Por isso, o senhor será questionado no Conselho Nacional de Justiça", enfatizou.



Brasil 247

Azeredo, a exceção que confirma a regra da Justiça política


POR FERNANDO BRITO · 22/05/2018


Eduardo Azeredo foi condenado hoje por supostos crimes cometidos em 1998, objeto de denúncia formal, aceita em dezembro de 2007 pelo Supremo Tribunal Federal.

Passaram-se, portanto, quase 11 anos e quatro desde que, em 2014, o processo foi enviado para a Justiça mineira, em razão da renúncia do ex-presidente do PSDB ao mandato e, em consequência, do foro privilegiado.

Azeredo era – e agora, já nem isso – um zumbi político desde então, sem serventia para nada, a não ser a que lhe encontraram agora: a de ser a “prova” da “imparcialidade” do Judiciário.

Foi para o matadouro, como se lançam bois às piranhas no Pantanal.

Alguém, bem parecido com ele, disse em uma gravação que, para certos serviços, tinha que ser alguém “que a gente mata ele antes de fazer delação”.

O baile segue e o Judiciário vai cumprindo seu papel de ser, como sempre, o garantidor do status quo neste país.

Nem que para isso tenha de condenar e prender bandidos de sua predileção.



Brasil 247

O conto da contabilidade: engenheiros desmontam “salvação da Petrobras”


POR FERNANDO BRITO · 18/05/2018



A Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET) publicou texto onde desmonta a história da “salvação” da Petrobras pela gestão Michel Temer-Paulo Parente. Desmonta porque mostra que a Petrobras, apesar de todos os desvios graves que possam ter acontecido, estava não apenas muito longe de quebrar, mas produzia ganhos semelhantes aos que produz hoje, mesmo sem a política suicida de preços que está praticando.

Do ponto de vista prático, os milhões roubados por Paulo Roberto Costa e sua turma são incomensuravelmente menores que aqueles que viraram prejuízo para a empresa, com a venda, num momento de baixa do preço do petróleo, de campos exploratórios, produtivos e de ativos de distribuição, cujo valor se equipara ao valor do produto com que lidam?

Não são milhões, são bilhões. Mas está tudo “legalizado”
Esclarendo o “Petrobras esclarece”


Depois da AEPET ter publicado o Editorial: “Parente e o balanço, autoengano ou encenação”, a administração da empresa encaminhou mensagem, via correio eletrônico, aos petroleiros, segundo eles “com o objetivo de não deixar que informações imprecisas se transformem em fatos que prejudiquem a reputação e a imagem de nossa empresa”.

Em primeiro lugar queremos deixar bem claro que o que pretendemos é discutir quais os melhores planos para a Petrobrás, como empresa estatal que é, para o atendimento das necessidades da população brasileira e o desenvolvimento da Nação. O resultado de uma empresa estatal não se mede apenas pelo lucro ou prejuízo registrado no seu balanço, mas sim pelo desenvolvimento que ela promove para o país e a forma como contribui para distribuir a renda petroleira em favor dos seus verdadeiros donos: os brasileiros.

Infelizmente hoje a discussão se limita a comparar resultados contábeis entre um período e outro, verificar o desempenho das ações na bolsa de valores, informar quais os ativos vão ser entregues para terceiros para antecipar a redução de uma dívida que já foi chamada de “impagável”, redução da força de trabalho e dos benefícios dos empregados e imposição de pesados e injustos encargos aos participantes do plano de aposentadoria, ao mesmo tempo em que são aprovadas regras para antecipar dividendos aos acionistas e pagar indenização bilionária aos especuladores estrangeiros.

O que a AEPET sempre fez, em toda a sua história, foi defender a reputação e a imagem da Petrobrás. Quem criou a imagem de que a empresa estava quebrada? Quem inventou que a dívida era impagável? Quem gasta páginas do relatório anual para falar em Lava Jato, mas não dispende uma linha para falar das riquezas do pré-sal descoberto? Quem disse que endeusaram o pré-sal, em tom de menosprezo?

Todo este “circo” foi montado baseado na mentira de que a Petrobrás passava (e passa) por problemas financeiros. Por isso precisa vender ativos altamente rentáveis e entregar o pré-sal para as petroleiras estrangeiras.

Já falamos muitas vezes sobre isto, mas não custa repetir. O que mostra se uma empresa tem ou não problemas financeiros são os seus registros contábeis.

Muitos consideram que o principal indicador financeiro de uma empresa é a sua Geração Operacional de Caixa. É o caixa disponível depois de cobertos todos os custos e despesas. É o caixa apto para pagamento da dívida, fazer investimentos e pagar dividendos.

No caso da Petrobrás os números são os seguintes:

Geração Operacional de Caixa US$ bilhões

2011   2012   2013   2014   2015   2016   2017
33,03  27,04  26,30  26,60  25,90  26,10  27,11



Vejam que a Geração Operacional de Caixa da Petrobrás é inabalável.

Onde está o efeito da corrupção que muitos disseram que quebrou a Petrobrás?

Onde está o efeito dos subsídios concedidos (2010/2014) que muitos calculavam em bilhões e bilhões?

Onde está o efeito dos “impairments” (2014/2016) que causaram os prejuízos econômicos astronômicos?

Onde está a dependência do preço do petróleo no mercado internacional em relação à sua capacidade de gerar valor?

Onde está a empresa quebrada?

Se compararmos a Geração Operacional de Caixa da Petrobrás com outras grandes petroleiras temos o seguinte:

Geração Operacional de Caixa US$ bilhões
                     2012     2013     2014     2015     2016      2017
Petrobrás    27,04    26,30    26,60    25,90    26,10     27,11
Chevron      38,80    35,01    31,50    19,50    12,90     20,52
Exxon          56,20    44,90    45,10    30,30    22,10     30,12
Shell            45,14    40,44    45,04    29,81    20,62     35,65



Importante lembrar que estas petroleiras (principalmente Exxon e Shell ) tem receitas 3 vezes superior à da Petrobrás.

A tabela mostra claramente o efeito da variação do preço do barril na geração operacional das petroleiras estrangeiras. Efeito que não se vê na Petrobrás.

Mas a atual política de preços não tem o objetivo de seguir a cotação internacional do barril?

Então por que de 2016 para 2017 todas as grandes petroleiras tiveram expressivo aumento de geração operacional enquanto na Petrobrás o número permanece estável?

Venda de ativos rentáveis? Perda de participação no mercado? Ociosidade das refinarias?

Outro importante indicador financeiro é a Liquidez Corrente. Ela indica a capacidade da empresa de cumprir com seus compromissos de curto prazo. É resultado da divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. A tabela a seguir mostra os números:

Liquidez Corrente
                   2012 2013 2014 2015 2016 2017
Petrobrás   1,7    1,5    1,6     1,5   1,8     1,9
Chevron     1,6    1,5    1,3     1,3   0,9     1,0
Exxon         1,0    0,8    0,8     0,8   0,9     0,8



Vejam que a liquidez corrente da Petrobrás sem mantem sempre superior a 1,5. Significa dizer que para cada R$ 1 que a empresa precisa pagar ela dispõe de R$ 1,5 ou mais.

Notem que a situação da Petrobrás é muito mais confortável do que a das maiores petroleiras americanas.
Bom lembrar que as petroleiras americanas tem classificação de risco AAA ( nível máximo ) enquanto a Petrobrás fica 12 níveis abaixo B+.


A liquidez corrente mostra que a Petrobrás não tem nem nunca teve problemas financeiros.

Interessante de se verificar também o volume de recursos mantidos em caixa pela empresa. Vejam a tabela a seguir:

Saldo de caixa US$ bilhões
                    2012    2013   2014   2015   2016    2017
Petrobrás   13,52   15,87  16,66  25,06  21,20   22,52
Chevron     20,94   16,25  12,29  11,02    6,99     4,81
Exxon           9,58     4,65    4,62    3,71    3,65     3,20


Reparem que as grandes petroleiras americanas vêm reduzindo sistematicamente o caixa desde 2012 enquanto a Petrobrás mantém caixa elevadíssimo a partir de 2015.

A Exxon que tem uma receita 3 vezes maior que a da Petrobrás, mantem um caixa muito menor.

A única explicação é que o caixa é mantido elevado para permitir a venda de ativos. Se fosse utilizado o caixa não haveria necessidade de venda de ativos. Pasmem…
Isto fica muito claro quando vemos os quadros de Usos e Fontes dos Planos de Negócio e Gestão-PNG feitos pela atual administração.


Usos e Fontes do PNG 2017/2021

Este plano mostra uma geração operacional de caixa de US$ 158 bilhões (já pagos os dividendos, não informado o montante), uma utilização de US$ 2 bilhões do caixa e a venda de US$ 19 bilhões de ativos. Como no final de 2016 havia mais de US$ 20 bilhões em caixa, os ativos estão sendo vendidos para manter o caixa elevado. Além disso a empresa vendeu US$ 13,6 bilhões de ativos em 2016 e só recebeu US$ 2 bilhões. Restavam US$ 11 bilhões a receber. Mais ainda a Petrobrás já tinha um crédito com a Eletrobrás de US$ 6 bilhões.

O grande absurdo vem à tona quando olhamos o Usos e Fontes do PNG 2018/2022.

Usos e Fontes do PNG 2018/2022

Estranhamente a geração operacional cai para US$ 142 bilhões (já pagos os dividendos), uma queda de US$ 16 bilhões em relação ao plano anterior (US$ 158 bilhões).

A geração operacional deveria ter aumentado e não caído. Qual é a causa? Não é dada nenhuma explicação.

A venda de ativos rentáveis fez cair a geração? Ou está previsto pagamento de dividendos muito elevados? Não existe clareza.
Consta a venda de US$ 21 bilhões de ativos, ao mesmo tempo em que o caixa é aumentado em US$ 8,1 bilhões. O que é isto? Estão vendendo ativos para aumentar o caixa? Mas o caixa já tem mais de US$ 20 bilhões. Das vendas de ativos feitas em 2016 ainda resta receber US$ 8 bilhões e o crédito com a Eletrobrás de US$ 6 bilhões continua.


Simplesmente ridículo.

Bem, voltemos ao “Petrobrás esclarece” que afirma: “Para não deixar dúvidas a única vez que registramos resultado em torno de R$ 7 bilhões foi em 2013, quando tivemos um lucro de R$ 7,7 bilhões e o barril do petróleo estava em torno de US$ 100. Agora conseguimos resultado semelhante com a cotação a US$ 67 o barril. Ou seja é o nosso esforço para recuperar a empresa usando todas as ferramentas do plano de negócios que explica o bom desempenho da companhia”

Porque falam em torno de US$ 100 o barril? É só olhar o relatório do 1º trimestre de 2013, o preço médio do barril era de US$ 94. Mas em 2013 o governo subsidiava o consumo no mercado interno, mantendo os preços internos abaixo dos preços internacionais. Portanto este preço de US$ 94 não serve como parâmetro. Esqueceram?

Por outro lado não apenas o preço do barril deve ser avaliado, o câmbio é outro fator tão importante quanto.
No 1º trimestre de 2013 o dólar custava em média R$ 2,00 enquanto que no 1º trimestre de 2018 passou para R$ 3,24. Vão querer continuar enganando?


E continuam mesmo “A Petrobrás tem um programa de parcerias e desinvestimentos desde 2012 muito antes da posse da atual administração. Não se pode, assim, atribuir a este programa qualquer motivação partidária ou ideológica “ Parece que aqui eles vestiram a carapuça. E continua “ Em dois anos entre 2012 e 2014 a empresa se desfez de US$ 10,8 bilhões de ativos no exterior, campos de produção e áreas exploratórias. Esta portanto é uma ferramenta de gestão usada em diversos momentos e por diversas e distintas administrações da empresa para ajudar a reduzir seu endividamento”.

Entre 2012 e 2014 são três anos e não dois o que dá uma média de US$ 3,6 bilhões/ano. É normal na atividade da empresa comprar e vender ativos. Mas nunca se falou em venda de ativos como NTS, Liquigás e BR Distribuidora. Por outro lado a venda de ativos não era feita para reduzir dividas, pois naquele momento é que a empresa mais investiu e se endividou.

Quanto se privatizou entre 2012 e 2014 em comparação com US$ 35 bilhões planejados pela atual administração? Onde estavam e quais ativos foram privatizados nos dois períodos?

Agora tentam esconder a verdade “Neste trimestre a entrada em caixa com parcerias e desinvestimentos teve impacto de R$ 2.2 bilhões no lucro líquido, impacto reduzido quando comparado ao lucro de R$ 7 bilhões”

No relatório aparecem ganhos de R$ 3,2 bilhões com a venda de Lapa, Iara e Carcará. Mas pode ser que exista algum ajuste para chegar no efeito no lucro líquido. De qualquer forma o lucro a ser comparado é de no máximo R$ 4,7 bilhões (6,9-2.2)
No 1º trimestre de 2015 o lucro líquido foi de R$ 5,3 bilhões. Então que história é esta de melhor resultado dos últimos 5 anos?



Tijolaço

Stédile: “as massas voltarão, e com mais força”


POR FERNANDO BRITO · 21/05/2018


João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadore Sem Terra, em entrevista a Renato Dias, no Diário da Manhã, de Goiás:

Primeiro, a deposição, sem crime de responsabilidade, de Dilma Rousseff. Segundo, as reformas ultraliberais. Terceiro, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva. Três atos, interligados, de um golpe único?

João Pedro Stédile – Claro. Não precisamos ser paranóicos para apreender que tudo isso estava planejado. Em um script. É assim que funciona a lógica dos interesses dos capitalistas e das empresas transnacionais – leia-se império dos Estados Unidos no Brasil. Tudo começou por causa da crise econômica de 2008 e que veio com força ao Brasil, a partir de 2013. Quando há crise, cessa o crescimento, os lucros, o excedente de bens. Nesse contexto, a burguesia precisa ter o controle absoluto do Estado, para aplicar medidas que a protejam da crise e joguem todo peso da recuperação sobre a classe trabalhadora. É a história do capitalismo e se reflete aqui no Brasil também.
Veja que em fevereiro de 2017, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, escreveu um longo artigo no Valor e comparou a situação do Brasil, ao Titanic, que estava afundando e sem comando, sem direção. Ele só se esqueceu de seguir a descrição e dizer que nessas circunstâncias a primeira classe se apodera dos botes e se salva, e a segunda e terceira classes se afogam. Ainda eles tiveram o escárnio de botar a orquestra a iludir os que não teriam botes. É o papel da Rede Globo. Iludir. Os botes para burguesia se salvar são o controle dos poderes Judiciário, do Congresso Nacional e com o golpe do Executivo.

1954, 1956, 1959, 1961, 1964, 1985, 2016 e 2018, na História do Brasil República, possuem um fio de continuidade?

João Pedro Stédile – A situação atual tem uma similaridade mais apropriada com o que foram as crises de 1930, da década de 60 e a dos anos 80. Três períodos em que houve uma grave crise econômica no país. Sempre que há crise econômica, se acirra a disputa da luta de classes. Como consequência, a crise social. Os mais pobres pagam a conta, e uma crise politica, no sentido de que é necessário se criar uma nova maioria, uma nova hegemonia, que apresente um projeto de país. O capitalismo não representa mais progresso e solução para as maiorias. A saída da crise dependerá de um novo projeto, de uma nova hegemonia.

É possível Luiz Inácio Lula da Silva sair da cadeia?

João Pedro Stédile – Primeiro, Lula não cometeu nenhum crime. Não trocou nenhum favor de empresas. Com favorecimentos do seu governo. Não há absolutamente nada. Receber recursos de empresas para o Instituto Lula não é crime. O Instituto Fernando Henrique Cardoso vive com contribuições das mesmas empresas. A armação da Lava Jato com a fantasia do tríplex caiu por terra com a ocupação do MTST, que demonstrou a vergonha que é o apto. O juiz de Direito Sérgio Moro colocou na sentença uma nota fiscal de um elevador, que não existe. E fica por isso mesmo. A perseguição ao Lula é para impedi-lo de ser candidato, porque ele é o único representante da classe trabalhadora, com chances de ganhar da burguesia. Então, para a burguesia consolidar seu golpe e manter o poder por mais quatro anos, para ela poder sair da crise, ela precisa tirar o Lula do páreo, que significa tirar a classe trabalhadora, as maiorias do jogo eleitoral. A eleição sem Lula é uma fraude. Que não devemos obedecer.

Mesmo Lula preso, o PT registrará sua candidatura.Existe um Plano B para a Presidência da República?

João Pedro Stédile – Falar em Plano B é oportunismo eleitoral. Um suposto Plano B seria, na prática, condenálo e aceitar que o julgamento teria sido justo. Lula é inocente.

O fascismo assombra como um espectro o Brasil?

João Pedro Stédile – Uma onda reacionária e conservadora nas classes dominantes brasileiras vigorou em toda historia. Leia: Jessé de Souza A elite do atraso. O autor diagnostica a raiz desse pensamento, com 400 anos de escravidão. Casa Grande e Senzala. Aqui, no Brasil, temos ideias fascistas defendidas abertamente pela internet, mas não há um movimento fascista clássico. Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado podem representar uma parcela da elite reacionária.

Qual o futuro de Michel Temer após deixar o Palácio do Planalto?

João Pedro Stédile – Só o diabo sabe! Até as pedras conhecem os esquemas de corrupção que foram praticados antes e durante o golpe. Não somente em favor do PMDB. O seu patrimônio é incompatível com o salário de promotor, de professor ou deputado, funções que exerceu.Em São Paulo, o MST ocupou, em forma de protesto, uma fazenda de 1.200 hectares, que está no nome de um coronel da reserva, apenas um laranja.

O processo de Reforma Agrária no Brasil está parado?

João Pedro Stédile – A reforma agrária esta parada. Ela só se viabiliza com um projeto de desenvolvimento nacional do país. Como não há projeto para a agricultura brasileira, o que prevalece é o modelo do capital, o agronegócio, para a agricultura obter o máximo de lucro privado e espoliar a natureza. Não produzem alimentos. Não geram emprego. Não desenvolvem os municípios. Basta olhar a situação social dos municípios de Goiás. Em que o agronegócio tomou conta com a cana, o milho e a soja. O que ficou para o povo goiano? Nada, ou melhor, a migração, as favelas e o desemprego. O agronegócio quer apenas lucro. A maior parte do lucro produzido pela soja, cana, milho vai para o capital financeiro, e para as empresas que controlam o mercado mundial. Os fazendeiros ficam com apenas 13% da renda agrícola do agronegócio.

O que apontam os números da violência no campo?

João Pedro Stédile – Sempre que há uma crise, que a burguesia tem hegemonia total no poder, com o Judiciário, a mídia, o Congresso Nacional e o Executivo, a violência contra os trabalhadores aumenta. A vida dos trabalhadores que resistem, não vale nada para eles. Usam pistoleiros, Polícia Militar. Eles sabem que estarão impunes. A violência é maior nas regiões de fronteira agrícola. O capital disputa as terras públicas, os recursos da natureza e a mineração. Saímos de um padrão anual de 30 assassinatos, para mais de 70 por ano, depowis do golpe, segundo os levantamentos da CPT.

Não há, hoje, uma apatia dos movimentos sociais urbanos e rurais?

João Pedro Stédile – Sim. Há uma apatia geral do povo brasileiro. Mas, o povo, agora, percebeu que o golpe foi contra ele e ele está pagando com desemprego, trabalho precarizado, perda de direitos, de moradia, aumento do gás, para aumentar o lucro dos acionistas da Petrobras. Com reflexo nos movimentos populares Apenas mediações do povo. A história, porém, demonstra que isso é passageiro. O movimento de massas se move, às vezes com refluxo, adormecido, mas volta e com mais força. Eles que nos aguardem


Tijolaço

Mello Franco e os coices de Bolsonaro


POR FERNANDO BRITO · 22/05/2018


Bernardo de Mello Franco, em O Globo, descreve o discurso de embrulhar o estômado feito por Jair Bolsonaro no almoço oferecido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a Firjan.

É um retrato chocante não apenas da selvageria do candidato da extrema direita, mas da decadência da elite empresarial, que prefere se atrelar a algo que não tem a menor sintonia com o mundo moderno, em troca, apenas realizar seus ódios.

Está aí, com certeza, uma das razões do atraso da economia brasileira. Nossos industriais, to tempo da luz de LED, parecem adoradores do Lampião. Não o de querosene; o jagunço, mesmo.

Bolsonaro diz que país sofre fuga de cérebros. Ele é um sintoma

Bernardo de Mello Franco, em O Globo

“Se eu fosse rei de Roraima, em 20 anos teria a economia próxima à do Japão”. Assim Jair Bolsonaro começou o discurso de ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Cerca de 300 empresários pagaram entre R$ 180 e R$ 220 para ouvi-lo. O ingresso dava direito a almoço, com opções de carne, massa e bacalhau.

“Nada pode ser feito lá”, reclamou o deputado, referindo-se à terra que elege Romero Jucá. Ele não explicou a mágica que igualaria o estado de menor PIB do Brasil ao terceiro país mais rico do mundo. No entanto, aproveitou para atacar os alvos de sempre: índios, ambientalistas, quilombolas.

Para Bolsonaro, o problema da Amazônia não é o desmatamento, e sim a proteção da floresta. De olho no voto ruralista, ele prometeu frear a criação de reservas e rebaixar o Ministério do Meio Ambiente, que passaria a ser subordinado à Agricultura. “A questão ambiental dá pra driblar. É ter um ministro que seja patriota”, afirmou.

O capitão acusou a ONU de tramar a criação de “novos países” em território brasileiro. Em seguida, abandonou o tom nacionalista e defendeu parcerias com os Estados Unidos para explorar as riquezas da floresta. “Estive duas vezes com autoridades americanas”, disse. E quem seriam seus interlocutores no governo Trump? “Sem entrar em detalhes”, despistou.

Depois da viagem amazônica, Bolsonaro engrenou o discurso radical que o impulsionou nas pesquisas. Prometeu combater a violência “com mais violência ainda”. Ameaçou reprimir ocupações com “chumbo”. Chamou os sem-terra de “marginais” e “terroristas”. Afirmou que pretende invadir o Ministério da Educação “com um lança-chamas, para tirar tudo que é simpatizante do Paulo Freire de lá”.

O deputado defendeu mudanças na lei para dificultar a punição de policiais acusados de homicídio. “Matar um vagabundo com um tiro ou 20 tem que ser a mesma coisa”, disse. Ele discursava a poucos metros da Candelária, palco da chacina que matou oito crianças e adolescentes em 1993.

Bolsonaro estava acompanhado por Paulo Guedes, seu favorito para o Ministério da Fazenda. Chegou a apresentar o economista como namorado, “heteramente falando” (sic). “Nossos cérebros estão fora do Brasil. Aqui não é um terreno fértil”, comentou. Pela animação da plateia, o capitão deve ter alguma razão.


Tijolaço

GLOBO SUGERE GOLPE MILITAR COMO SAÍDA NA VENEZUELA

Em editorial publicado nesta terça, o jornal O Globo, que apoiou os golpes de 1964 e 2016 no Brasil, sugere um caminho para a derrubada de Nicolás Maduro, na Venezuela: a intervenção militar, tese já defendida pelos Estados Unidos; segundo a publicação dos irmãos Marinho, para o fim do chavismo, reeleito no último domingo, "falta a explicitação de alguma grave dissensão no grupo militar que sustenta Maduro"


22 DE MAIO DE 2018 


247 – Em editorial publicado nesta terça, o jornal O Globo, que apoiou os golpes de 1964 e 2016 no Brasil, sugere um caminho para a derrubada de Nicolás Maduro, na Venezuela: a intervenção militar, tese já defendida pelos Estados Unidos. Segundo a publicação dos irmãos Marinho, para o fim do chavismo, reeleito no último domingo, "falta a explicitação de alguma grave dissensão no grupo militar que sustenta Maduro".


"A etapa final do drama ganha velocidade com o desmantelamento da estrutura de produção de petróleo, que parece entrar em colapso. Sequer divisas, com o hidrocarbureto em alta, a Venezuela consegue captar. Enquanto isso, credores externos começam a arrestar bens da estatal PDVSA em outros países. Para completar o cenário do fim, falta a explicitação de alguma grave dissensão no grupo militar que sustenta Maduro", sustenta o texto do Globo.


No entanto, como na Venezuela Maduro controla as forças armadas, uma das hipóteses, levantadas pelo professor Igor Fuser, em entrevista à TV 247, seria uma guerra por procuração na América do Sul, em que os Estados Unidos fomentariam uma guerra regional, com a participação de países como Colômbia e até mesmo Brasil.


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