sábado, 28 de março de 2020

Cúpula militar dá primeiros sinais de apoio à troca de Bolsonaro por Mourão


Informação é do jornalista Afonso Benites, do El Pais, que fala nas possibilidades de impeachment ou renúncia, após as reações irresponsáveis de Jair Bolsonaro à pandemia de coronavírus

28 de março de 2020

Hamilton Mourão (Foto: Reuters)

247 – Os militares já estão prontos para apoiar a substituição de Jair Bolsonaro por Hamilton Mourão, segundo informa o jornalista Afonso Benites, do El Pais. "A cúpula das Forças Armadas acendeu um sinal de alerta nos últimos dias diante das reações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à crise do novo coronavírus. Nesta semana, representantes da Aeronáutica, Exército e Marinha sinalizaram ao até então nem tão bem-quisto vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), que poderiam contar com o apoio deles, caso o ocupante do Palácio do Planalto deixasse o cargo por meio de um impeachment ou renúncia", diz ele, em reportagem.

Embora o debate sobre renúncia ou impeachment não seja de curtíssimo prazo, o debate sobre a incapacidade e a irresponsabilidade de Bolsonaro tem se intensificado. "Militares têm feito seguidas reuniões em Brasília, inclusive com aliados de Bolsonaro e membros civis de seu primeiro escalão. Nesta semana, ao menos dois encontros ocorreram. Neles foram debatidos cenários hipotéticos para o médio e longo prazo", informa o jornalista. "O grupo está preocupado com um possível aumento repentino de registros e mortes provocadas pela doença e que isso seja vinculado ao discurso negacionista feito por Bolsonaro sobre a gravidade da Covid-19."


Brasil 247

sexta-feira, 27 de março de 2020

MST produz álcool 70% para abastecer hospitais, com receita artesanal e sustentável


Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) produziram álcool 70% para a rede pública de saúde em Curitibanos, no interior do estado de Santa Catarina

27 de março de 2020

MST produz álcool (Foto: Reproduç

Do Brasil de Fato - Agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) produziram álcool 70% para a rede pública de saúde em Curitibanos, no estado de Santa Catarina. A produção piloto da iniciativa aconteceu na última terça-feira (24), em resposta ao desabastecimento do produto no município.

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Saúde do Estado nesta quinta-feira (26), 149 catarinenses testaram positivo para a covid-19.

Em meio ao preocupante cenário, a utilização do álcool 70% tem sido amplamente indicada para higienização pessoal e limpeza de espaços coletivos como forma de conter a transmissão do novo coronavírus.

Porém, no início da semana, o município de Curitibanos possuía apenas álcool 46% em suas prateleiras. 

Foi então que o químico Cristian Soldi, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), teve a ideia de transformar os produtos disponíveis em álcool 70% por meio da destilação, já que a capacidade de higienização com essa concentração é maior.

Sabendo que os agricultores do Assentamento 1º de Maio possuíam uma destilaria para a produção de cachaça artesanal, o maquinário adequado para que o álcool mais concentrado fosse produzido, o docente fez o convite aos assentados, que prontamente se colocaram à disposição.

Soldi explica que a técnica de destilação consiste em um processo de separação de substâncias líquidas com diferentes pontos de ebulição. 

“A ideia é que separemos a água do álcool. Tiramos a água que está na solução de 46% e aumentamos a concentração de álcool etílico. E para isso usamos um destilador, e eles [assentados] possuem um destilador de fluxo contínuo”, afirma o químico.

O assentado Lulis Girotto se orgulha do resultado que a primeira produção rendeu: Em uma hora, com 76 litros de álcool 46%, foram produzidos 30 litros de álcool 70 % líquido, destinados à higienização de superfícies e ambientes hospitalares.


“Nos sentimos muito felizes por estar contribuindo nesse momento difícil pelos quais as pessoas estão passando. E os responsáveis por essas instituições estão apurados para conseguir atender as demandas. É um momento muito especial para nós”, conta o produtor, que disponibilizou a máquina e a mão de obra de forma voluntária. Já as unidades de álcool 46% foram fornecidas pela prefeitura.

Família Girotto se orgulha da primeira produção de álcool 70% durante a pandemia da covid-19 / Foto: Arquivo Pessoal

Girotto aponta que o Brasil está entre os países com as maiores produções de álcool do mundo, a partir das plantações de cana-de-açúcar, e que não faz sentido algumas cidades não abastecidas com os produtos durante a pandemia.

“Se tivéssemos um governo preocupado com esse problema, fazia uma solicitação e a indústria, produzindo álcool durante meio dia, atende o Brasil. Nós, com um mini destilador, conseguimos solucionar o problema por alguns dias para postos de saúde de um município com mais de 50 mil habitantes”, aponta.

Perspectivas

Até o momento, apenas os 30 litros da produção teste foram entregues à prefeitura. Mas Girotto garante que, se depender dele e de sua família, não faltará álcool 70% em Curitibanos.

Os agricultores do Assentamento 1º de Maio, que possui 30 unidades de produção, também contam com o auxílio de técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) para a produção da cachaça artesanal e, agora, para as adaptações que forem necessárias para a produção do álcool 70%.

“Vamos fazer uma remessa mais significativa para garantir ao menos para as nossas unidade de saúde”, planeja Girotto.

O químico Cristian Soli afirma que, após a primeira leva dos produtos, uma empresa já manifestou interesse para uma nova parceria com o assentamento, que está sendo afinada com a prefeitura. 

“É um equipamento muito bom. Conseguimos trabalhar o tempo inteiro, sem parar. É só alimentar o equipamento com álcool 46%. Nos nossos cálculos, é possível produzir em torno de 200 litros por dia de álcool 70%, se tivermos o 46% disponível”, diz o docente.

Ele destaca a importância de parcerias entre instituições públicas como a UFSC, Epagri e prefeitura no combate à pandemia.

“Existe uma grande diversidade de conhecimento, então podemos nos unir e trabalharmos juntos, em diferentes áreas, para controlarmos essa situação. Os centros de saúde necessitam desse material porque médicos e enfermeiros estão em contato direto com os pacientes. Nesse momento emergencial é importante a união entre as instituições públicas e com quem tem experiência em produzir, no caso do álcool, os produtores rurais. Eles são a parte mais importante do processo”, ressalta.

O docente comenta que, caso a iniciativa cresça, é justa a remuneração da mão de obra dos assentados que participam do projeto e estão dedicando seu tempo para dar suporte à saúde pública. 

Para o agricultor Lulis Girotto, a parceria explicita a importância das universidades públicas e da pesquisa brasileira em momentos de crise.

“Se não tivéssemos essa unidade da universidade aqui [em Curitibanos], não estaríamos produzindo esse álcool e estaríamos perecendo com a falta do produto. E isso é um resultado do trabalho da universidade. E nosso, da reforma agrária, que conquistamos a terra e lutamos por tanta coisa”, conclui.


Brasil 247

Le Monde traça trajetória do Exército brasileiro: 'do positivismo à paranoia do anticomunismo'


Em reportagem desta sexta-feira, 27, o jornal Le Monde diz que forças armadas que dão as cartas no Brasil há mais de um século

27 de março de 2020

Jair Bolsonaro durante Cerimônia Comemorativa do Dia do Exército (Foto: Marcos Corrêa/PR)

247 - O jornal francês Le Monde publicou nesta sexta-feira, 27, reportagem em que retrata a trajetória dos militares brasileiros na conjuntura política do Brasil. 

"Desde o estabelecimento da república em 1889, o Brasil já foi governado por dez presidentes do exército. Se os ideais da esquerda chegaram a prevalecer nos anos 20 do século passado, eles se transformaram, em seguida, em uma paranoia, viraram uma ditadura e resultaram na era Bolsonaro", diz o jornal francês. 

Leia, abaixo, a reportagem na íntegra com tradução de Sylvie Giraud:

O exército brasileiro, do positivismo à paranoia do anticomunismo

Por Bruno Meyerfeld

Embora, para vigiar seus 16.800 quilômetros de fronteiras e equipar seus 360.000 soldados, o "gigante" brasileiro dedique apenas 1,5% do seu PIB à defesa – frente à media global de 2,1% - são as forças armadas que dão as cartas no país há mais de um século. "Os militares sempre quiseram se intrometer na política e governar. Após a ditadura, sua presença na vida pública se fez apenas mais discreta", afirmou João Roberto Martins Filho, especialista do universo militar e professor da Universidade Federal de São Carlos.

Em 15 de novembro de 1889, é ele quem vem derrubar um império já cambaleante e proclamar a República, dando ao país seu primeiro presidente, o marechal Deodoro da Fonseca. Nos últimos 37 anos, mais de um quarto de sua história moderna, o Brasil já foi governado por dez presidentes militares. O capitão Jair Bolsonaro é tudo, menos uma exceção.

No final do século XIX, o Exercito brasileiro é um exército de tendência progressista, influenciado pela França e pela filosofia positivista de Auguste Comte. No poder, ele decreta a separação entre a igreja e o Estado, cria o primeiro Ministério da Educação e proclama que sua nova divisa será "Ordem e Progresso”.

"Cavaleiro da Esperança"

Os quartéis altamente politizados se tornam então palco de debates febris e revoltas incessantes, muitas vezes para exigir melhores salários. Eles chegam também a acolher ideais de esquerda, como, na década de 1920, com o movimento tenentista, liderado pelo capitão Luis Carlos Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", por Jorge Amado. À frente de uma coluna "vermelha" de centenas de soldados amotinados, Prestes percorre mais de 25.000 quilômetros em uma "longa marcha" pelo Brasil, de 1925 a 1927, tentando sublevar a população por seu caminho.

Serão necessárias décadas para profissionalizar essa tropa turbulenta. Nesse sentido, a missão militar francesa no Brasil, liderada pelo General Gamelin, ao final da Primeira Guerra Mundial, foi decisiva: disciplina reforçada, centralização do comando, treinamento avançado, desenvolvimento de indústrias essenciais ao armamento..."O novo conceito de defesa abrangeu todos os aspectos relevantes da vida nacional", salienta o historiador José Murilo de Carvalho em seu trabalho de referência “Forças armadas e política no Brasil”, publicado em 2019. A consagração chega durante a Segunda Guerra Mundial quando mais de 25.000 pracinhas são enviados para a frente de combate na Europa, ao lado dos Aliados, conquistando várias vitórias notáveis ​​nos Apeninos italianos contra a Alemanha nazista.

A revolta de 1935 inaugura "a associação entre o comunismo e o “mal”, o primeiro passando a ser representado como uma doença".

Ideologicamente, no exército, o positivismo e os ideais socialistas foram abandonados há muito tempo. Pelo contrário, segundo Martins Filho, "o exército se destaca por um anticomunismo paranoico", cujo episódio fundador é sem dúvida, a Intentona de 1935. Naquele ano, um punhado de militares, principalmente ligados ao movimento comunista, fomentam um golpe. Dominado rapidamente, o evento constituirá um trauma que virá dar a luz à "a associação do comunismo com o “mal”, chegando a representá-lo como uma doença", explica o historiador Celso Castro na sua obra “A Invenção do Exercito brasileiro”, publicada pela Zahar em 2002. Em outras palavras, a ideia de uma quinta coluna, permanentemente escondida na sombra.

Foi essa "paranoia" que levou os militares, com o apoio de Washington, e escaldados pelo precedente histórico de Fidel Castro em 1959 em Cuba, a realizar outro golpe em 1964. O presidente progressista João Goulart, eleito democraticamente três anos antes, foi então derrubado. Os generais, que nutrem uma eterna atração pelo poder, mantiveram as rédeas do Estado por vinte e um anos - a ditadura militar mais longa do subcontinente. A repressão matou oficialmente 434 pessoas, contra estimativas de 30.000 mortos na Argentina e 3.000 no Chile. O que levou Jair Bolsonaro a declarar em 2016 que o erro da ditadura brasileira havia sido o de ter somente “torturado e não matado”.


Brasil 247



Tijolaço   -   TV Afiada

Quarentena irá durar mais seis semanas, por Amilcar Tanuri





TV GGN

Em carta, Trump pede para americanos ficarem em casa por coronavírus


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendou o isolamento em casa, além de evitar contato com idosos. O mandatário havia dito mais de uma vez que as pessoas saudáveis podem voltar ao trabalho

27 de março de 2020

(Foto: Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou cartas à população norte-americana com recomendações para o combate ao coronavírus, dentre elas o isolamento em casa, além de evitar contato com idosos. Intituladas "Diretrizes de Coronavírus do Presidente Trump para a América", as cartas são datadas de 16 de março.

O mandatário havia dito mais de uma vez que as pessoas saudáveis podem voltar ao trabalho. Também defendeu que muitos americanos serão infectados pela doença, mas apresentarão poucos ou nenhum dos sintomas.


Brasil 247

Reinaldo Azevedo diz que chegou a hora do impeachment


"Chegou a hora de pôr fim à angústia de Bolsonaro e de lhe dar o impeachment", escreve o jornalista Reinaldo Azevedo em sua coluna desta sexta-feira na Folha de S.Paulo

27 de março de 2020


Reinaldo Azevedo e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Reuters)

247 - "O presidente Jair Bolsonaro busca desesperadamente o impeachment. Nem ele sabe disso. Já escrevi a respeito no meu blog. Trata-se de uma fantasia narcísica da qual, obviamente, ele não tem consciência", escreve Reinaldo Azevedo. 

"Um dado puramente técnico: na minha conta, ele já cometeu 10 crimes de responsabilidade, com 15 agressões à lei 1.079. Na leitura desta Folha, foram 15 crimes autônomos. Tanto faz. Para sustentar uma denúncia, basta um. O único seguro do governante, nesse caso, é impedir que se forme uma maioria qualificada de dois terços da Câmara em favor do impeachment. Com 342 deputados, já era! Não será o Senado a segurá-lo". 

"As ruas decidirão a sorte de Bolsonaro, mesmo essas enclausuradas nas sacadas e janelas. A canção de resistência do Brasil, a 'Bella Ciao' destas plagas, entre 20h e 20h30, tem outro refrão: “Fora Bolsonaro”, sem vírgula. O comportamento do presidente na crise do coronavírus está transformando essas duas palavras numa divisa civilizatória".




Brasil 247