sexta-feira, 28 de julho de 2017

Maia miou; Temer ganhará porque liquidou a Lava Jato




28 de Julho de 2017 

Alex Solnik


Uma coisa tem que ser reconhecida. Dilma deixou a Lava Jato nadar de braçadas porque não tinha nada a temer. E também porque não sabia como acabar com ela. A Lava Jato cresceu e se transformou num totem. Num tabu. Ninguém pode mexer com a Lava Jato. A Lava Jato passou a ser adorada como o bezerro de ouro na travessia do deserto.

A Lava Jato passou a mandar e a desmandar sob o olhar omisso de Dilma e de seu governo, conspirando, inclusive, contra a presidente sem que ela tivesse outra reação senão o discurso, nada além do discurso.

Faltou a Dilma a percepção de que a presidente era ela e estava acima de um juiz de primeira instância de Curitiba investido do papel de paladino da moralidade.

Faltou a Dilma perceber que deveria de alguma forma estancar a Lava Jato, ainda que tivesse a consciência limpa porque ela conspirava contra Lula, contra ela e contra o PT.

Temer, que derrubou Dilma com a missão de proteger seus aliados da Lava Jato, entrou com a firme decisão de matar a operação. E achou a maneira mais prática e rápida de fazê-lo: tratando a Polícia Federal a pão e água. Sem verba não tem investigação e sem investigação não há como apresentar um inquérito razoável para Moro. Moro é o ponto final da Lava Jato, mas se não for suprido pela PF fica sem ter o que fazer.

Temer percebeu que não precisava derrubar Moro nem o chefão da Polícia Federal para estancar a sangria, bastava cortar a grana da Polícia Federal.

A Lava Jato acabou.

Os votos que Temer vai receber na próxima semana serão em agradecimento pelo serviço prestado aos votantes até agora e na esperança de que enquanto ele for presidente da República as verbas da Polícia Federal vão chegar, assim como a sua popularidade, próximo de zero.

A opção Maia miou porque ele não deu garantias à maioria corrupta da Câmara de que seria tão diligente como Temer no combate ao combate da corrupção.


Brasil 247

quinta-feira, 27 de julho de 2017

CNI/IBOPE: SÓ 5% APROVAM A CATÁSTROFE TEMER

O fracasso do golpe de 2016 foi revelado por nova pesquisa CNI/Ibope; governo Michel Temer já é considerado ruim ou péssimo por 70% da população e apenas 5% dos brasileiros o aprovam; primeiro ocupante da presidência formalmente denunciado por corrupção em toda a história do Brasil, Temer vem comprando votos de parlamentares para se salvar, enquanto promove o maior aumento da gasolina em 13 anos; embora prometesse resgatar a confiança, promoveu a maior depressão econômica da história do Brasil e arruinou as contas públicas, com um déficit recorde de R$ 56 bilhões no primeiro semestre deste ano

27 DE JULHO DE 2017 


247 – O fracasso do golpe de 2016 foi revelado por nova pesquisa CNI/Ibope.

Segundo o levantamento, o governo Michel Temer já é considerado ruim ou péssimo por 70% da população e apenas 5% dos brasileiros o aprovam.

Primeiro ocupante da presidência formalmente denunciado por corrupção em toda a história do Brasil, Temer vem comprando votos de parlamentares para se salvar, enquanto promove o maior aumento da gasolina em 13 anos.

Embora prometesse resgatar a confiança, ele promoveu a maior depressão econômica da história do Brasil e arruinou as contas públicas, com um déficit recorde de R$ 56 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Abaixo, reportagem da Agência Brasil:

Andreia Verdélio, repórter da Agência Brasil - O governo do presidente Michel Temer foi considerado ruim ou péssimo por 70% da população, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope. Já 5% consideram ótimo ou bom, 21% regular e 3% não sabem ou não responderam. O levantamento foi divulgado hoje (27) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A pesquisa CNI-Ibope do segundo trimestre de 2017 foi realizada entre 13 e 16 de julho, com 2 mil pessoas em 125 municípios e revela a avaliação dos brasileiros sobre o desempenho do governo federal. No último levantamento, divulgado em março, 10% dos entrevistados avaliaram o governo como ótimo ou bom, 31% como regular, 55% como ruim ou péssimo e 4% não souberam ou não responderam.

A margem de erro da pesquisa é de 2% e o nível de confiança utilizado é de 95%.



Brasil 247

ALMIRANTE DOS EUA DIZ QUE SE TRUMP ORDENAR LANÇARÁ ATAQUE NUCLEAR CONTRA A CHINA


Comandante da Frota do Pacífico dos EUA, Scott Swift, afirmou estar pronto a lançar um ataque nuclear contra a China na próxima semana caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepare o respetivo decreto; almirante discursava em uma conferência de segurança em uma universidade australiana e após ser indagado se cumpriria a ordem de lançar um ataque nuclear contra a China na semana que vem, caso Trump ordenasse, Scott Swift deu resposta afirmativa; relações entre China e EUA estão tensas em razão da disputa pelas ilhas do Mar do Sul da China e pelo programa de mísseis da Coreia do Norte

27 DE JULHO DE 2017 


Sputnik - O comandante da Frota do Pacífico dos EUA, Scott Swift, afirmou estar pronto a lançar um ataque nuclear contra a China na próxima semana caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepare o respetivo decreto, informa a agência Assoсiated Press.
O almirante discursava em uma conferência de segurança em uma universidade australiana após os exercícios conjuntos entre os EUA e a Austrália. Quando um dos cientistas lhe perguntou se ele cumpriria a ordem de lançar um ataque nuclear contra a China na semana que vem, caso Trump ordenasse, Scott Swift deu resposta afirmativa.

O almirante sublinhou que cada militar norte-americano jurou cumprir as ordens do comandante-chefe, segundo a agência.
As relações entre Washington e Pequim têm passado por uma fase complicada. Nomeadamente, na semana passada, um caça chinês interceptou, pela terceira vez nos últimos meses, um avião da Marinha dos EUA sobre o mar do Sul da China. No início de julho, a China acusou Washington de violar de modo grave a sua soberania e o direito internacional após um destróier norte-americano ter entrado nas águas das ilhas disputadas de Paracel, que a China considera seu território.

Para além disso, foi informado que a administração de Donald Trump estava desenvolvendo novas sanções contra pequenos bancos chineses e outras instituições que têm laços de negócios com a Coreia do Norte. As restrições podem ser aprovadas nas próximas semanas, afetando pequenas instituições financeiras ligadas ao programa nuclear e de mísseis de Pyongyang.



Brasil 247

EM PLENA CRISE FISCAL, CARF ANULA COBRANÇA DE R$ 775 MILHÕES DO ITAÚ

CELSO AMORIM: PARTE DA ELITE NÃO QUER UM BRASIL INDEPENDENTE

"Nós tivemos a ilusão de que depois do impeachment do Collor as instituições democráticas Brasil tinham ficado mais fortalecidas. Infelizmente não foi o caso. Quando se viu que havia uma chance de derrubar um governo, e não só um governo, mas um projeto que era de aprofundamento da democracia, de maior igualdade social e de maior independência em termos internacionais, vimos que as instituições não resistiram", diz o ex-chanceler Celso Amorim

27 DE JULHO DE 2017 

Por Léa Maria Aarão Reis, na Carta Maior

Há poucas semanas o Embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Lula e titular da pasta da Defesa no período da presidente Dilma, foi categórico quando analisou a lamentável situação do Brasil de hoje no concerto das nações, numa recente entrevista disponível no youtube. "O mundo vê o Brasil com perplexidade. As pessoas lá fora nem entendem direito o que está se passando aqui, e também é muito difícil explicar toda essa confusão política, jurídica, judicial", disse ele, acrescentando: "O Brasil caiu muito, de um modo geral, para quem espera dele um comportamento como país", afirmou.

Há cerca de dez dias, o ex-Chanceler, hoje presidente do Conselho da Unitaid, organização que pretende facilitar o acesso das populações de países pobres aos medicamentos para malária, tuberculose, AIDS, entre outras ações (como quebra de patentes, por exemplo),* voltou a lamentar a situação do nosso país no jogo atual da política internacional embora até pouco tempo atrás ocupasse posição de destaque como nação de prestígio, com um governo legítimo.

Carta Maior conversou com Amorim durante uma manhã de sol, no seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, entre uma e outra viagem desse carioca apaixonado por cinema e um dos protagonistas, idealizadores e executor das políticas externas brasileiras e independentes do nosso passado bem recente.

Ele abordou vários aspectos do Brasil atual – impeachment da presidente Dilma, política interna, relações com os Estados Unidos de Trump, a ruptura da liderança dos países da América Latina, integração com o continente e o Mercosul, desmantelamento de um projeto progressista nacional - e reforçou: ''Eu não tenho qualquer dúvida que o objetivo desse processo todo de impeachment da presidente Dilma era atingir um projeto político progressista com duas dimensões principais: a dimensão social e a dimensão internacional."

"O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, mas isto estava sendo progressivamente combatido. Na dimensão internacional, não interessa a grande parte da elite brasileira que o Brasil tenha uma projeção maior e o país fale com sua própria voz." E acentuou: "Esses, da elite, são ligados, são os intermediários e os instrumentos da dependência do Brasil."

A nossa conversa:

Carta Maior – Ainda podemos ser, ao menos, um pouco otimistas ao pensar o futuro?

Celso Amorim – O Brasil é um país muito grande, fisicamente. Sua economia está entre as maiores do mundo apesar da recessão, embora esteja caindo e agora chegando à oitava posição. Eu acho que tudo isto vai passar e o país voltará a ter um papel de destaque. Há um problema que não é só do governo Temer, mas agravado por ele, até com a percepção externa da falta de legitimidade: o Brasil sempre ou quase sempre atuou um pouco abaixo da sua real capacidade. Além do seu passado colonial, do complexo de vira latas, mais antigos, você tinha sempre um déficit democrático que perdurou por anos e anos. O Brasil nem sequer se candidatou ao Conselho de Segurança da ONU para não virar alvo de criticas e também porque não tinha estabilidade econômica - e isto retirava um pouco a sua credibilidade, pelo menos diante de certos setores.

CM – E o déficit da justiça social?

CA – Justamente: o grande déficit que se esperava que o Brasil reduzisse, e foi retirado em parte, era o déficit da justiça social. A desigualdade no Brasil é um grande tema. Então, a superação progressiva, ainda que nesse caso fosse mais uma expectativa, o governo Lula ajudou muito para que isto ocorresse e o Brasil se afirmasse, mas, evidentemente, o impeachment da presidente Dilma, da maneira como ocorreu, traumático, dividiu o país. Agora, a busca do Brasil de maior igualdade, de equidade, está sendo destruída, desmantelada.

CM – Com o objetivo?

CA – De montar uma agenda inteiramente neoliberal atrelada a outros interesses, ao capital financeiro internacional. Claro que numa visão geopolítica mundial há a dominação do capital financeiro internacional. Mas nós tivemos a ilusão de que depois do impeachment do Collor as instituições democráticas Brasil tinham ficado mais fortalecidas. Infelizmente não foi o caso. Quando se viu que havia uma chance de derrubar um governo, e não só um governo, mas um projeto que era de aprofundamento da democracia, de maior igualdade social e de maior independência em termos internacionais, vimos que as instituições não resistiram.

CM – Em outros países existe a figura do impedimento presidencial.

CA – Sim. Um jornalista da BBC, certa vez, até me disse 'ah, mas nos EUA... ', e eu disse, sim, mas lá não se poderia imaginar que o vice do Nixon faria uma aliança com o partido oposto. Ou no caso do Clinton, que o Al Gore faria uma aliança com a extrema direita. Aqui, houve uma distorção total da instituição do impeachment. Muitas pessoas, inclusive, discutem se se trata de uma figura que cabe num sistema presidencialista. Em minha opinião, eu até acho que, em teoria, ele cabe sim, mas com limitações.

CM – Por exemplo?

CA - No Supremo, para falar com toda franqueza, sem entrar no mérito, não sou jurista, mas o Supremo, na ocasião, se comportou muito... 'formalista'. É o mínimo a se dizer. Argumentam: 'ah, as formalidades da lei, em parte, foram realizadas... ' Não. O Supremo não procurou entrar no conteúdo da matéria. Dizia que não era de competência dele. Mas em outros casos, quando foi de seu interesse, considerou o conteúdo. Então, eu não tenho dúvida que o objetivo desse processo era atingir um projeto político progressista. A história não é a mesma, mas, por exemplo, o que levou à queda de Vargas (não vamos falar de Jango porque Jango já herdou uma situação meio instável), o caso de Vargas e com o Lula também, houve uma combinação dessas duas coisas: destruir uma ação de independência do país e de promoção de justiça social.

CM – Na recente cúpula dos 20 o Brasil foi completamente ignorado. Esse isolamento permanecerá?

CA - Enquanto houver este governo (vai durar mais 15 dias? um mês?), enquanto perdurar essa situação de falta de legitimidade, o país não voltará a se agregar; é uma situação que vai se prolongar.

CM – O Brasil corre o risco de ser expurgado dos BRICS? CA - Não. Permanecerá em banho-maria. Repito: o Brasil é muito grande. Há setores que funcionam. Na área da saúde, por exemplo, à qual estou ligado, o país está defendendo posições positivas no âmbito dos BRICS; não sei se por descuido... Na área de trabalho não. O Brasil está violando certas convenções; mas na área da saúde defende posições positivas. No caso de licenças compulsórias, de patentes, por exemplo. São aspectos técnicos, são coisas importantes. Há vários setores da burocracia e setores empresariais, não muitos, que continuam atuando lá fora com independência. Na área da AIDS o Brasil progrediu. Agora mesmo, há uma medicação importante que está sendo feita em relação à hepatite C. Enfim, tudo isto foram posições que continuam sendo defendidas e iniciadas lá atrás, no BRICS.

CM – Mas há que se destinar recursos para implementação dessas posições na área da saúde, por exemplo.

CA – Claro, porém o que eu acho mais grave nesse governo ilegítimo foi congelar gastos durante 20 anos a partir de uma base baixíssima, a base da recessão. Muitas vezes, sabe-se, o gasto do governo não é gasto. É investimento. Muito da saúde, educação e segurança é custeio. Botar segurança policial na rua é custeio. Botar um hospital funcionando é investimento, mas também é custeio. Outro dia, na UERJ, um professor de São Paulo foi fazer uma palestra e de repente faltou luz. 'Seja bem-vindo à UERJ... ' É uma falta de apreço ... Não é nem a manutenção de uma proporção do PIB; é estancar no nível que ele está pela inflação. Supondo que o Brasil vai voltar a crescer, e nós temos que imaginar isto porque todas as economias se recuperam quando chegam ao fundo do poço, o que vai ocorrer é que a proporção do governo como dispêndio do PIB vai cair drasticamente. E você não pode esperar que a iniciativa privada vá cuidar do bem estar do povo. Tudo isto afeta a nossa posição internacional. Mas volto a dizer: a situação é passageira. Com um governo eleito de volta, o país terá, outra vez, legitimidade.

CM - Há o prejuízo a ser recuperado em curto prazo. Mas e outros? Algumas coisas perdidas agora, também na área da política externa, serão resgatadas daqui a gerações, talvez.

CA – Sim. Por exemplo, investimentos no comércio com a África não estão saindo. Isto acaba desacreditando bastante o país. O Brasil fez promessas, no passado, e tinha intenção de cumpri-las o que não está ocorrendo.

CM - E a liderança interrompida do país no continente? E o Brasil em relação ao Mercosul?

CA - Certo mal estar que pode existir no Itamaraty leva a alguma pressão. Acabamos por não fechar as embaixadas na África, por exemplo. O básico é difícil mudar. Dizem por exemplo: 'ah, o Mercosul vai deixar de ser área aduaneira para passar ao livre comércio'. Não estão falando mais sobre isto, pelo menos neste momento. Queriam fazer o acordo com os EUA, o Acordo de Parceria Transpacífico, o TPP, mas o próprio Trump se encarregou de acabar com essa ilusão. Pelo menos ficamos devendo a ele essa iniciativa.

CM – E a pretensão do Brasil de entrar na OCDE, Organização para a Cooperação Econômica, como membro pleno?

CA – Houve tentativas, no passado, de entrar para a OCDE. Os EUA sempre resistiram à ideia. Agora, então, mais ainda. Não querem se comprometer demais com o atual governo sabendo que ele é muito frágil e transitório. Ou talvez não queiram parecer que estão apoiando muito um governo sem legitimidade. Ou porque não querem que a entrada do Brasil mude o peso relativo das influências dentro da organização. Mas o Roberto Azevedo, no passado, assumiu a presidência e está lá até hoje. A nossa voz sempre foi ouvida na OCDE e o Brasil era tratado com muita distinção assim como participa de alguns comitês. Mas entrar como membro pleno implicaria em assumirmos muitas obrigações que não estamos prontos para assumir e não são do nosso interesse assumi-las!

CM - E a relação do país com o governo Trump?

CA - Felizmente o Trump não está muito interessado na America do Sul - exceto em Cuba, Venezuela e México. A sua política do 'american first ' não nos afeta muito. Mas isto não quer dizer que na hora, por exemplo, dele achar que o aço brasileiro está entrando lá, que ele não tomará uma medida de proteção. Isto é óbvio. Mas vamos ser francos: isto também aconteceria com os democratas.

CM – Então o Trump não está sendo negativo para o Brasil?

CA - O Trump é muito negativo para aqueles países que tinham uma grande expectativa em ter uma relação ''especial '' com os EUA como é o caso de parte da Europa, no que diz respeito à defesa principalmente, e o México, no caso econômico. Para os russos, eu não diria que o Trump é pior do que era o governo democrata. Como ele foi muito atacado, internamente, por causa de supostas denúncias de participação meio consentida nas eleições, se retraiu, mas ele é imprevisível.

CM – Apenas rosna?

CA – Só de rosnar faz mal e afeta. Alguns países já percebem que podem tirar algum partido da atuação do Trump. A Alemanha está percebendo isto e se mostra querendo consolidar a União Européia com a liderança dela para ser um contraponto aos EUA.

CM - Mas voltando à relação Trump - América do Sul.

CA - O fato de os EUA não terem, atualmente, uma política para a América do Sul até seria uma oportunidade para reforçarmos a nossa integração, caso tivéssemos governos com liderança. Uma chance de ouro.

CM – Como a de consolidar a liderança continental abandonada?

CA - No começo do governo Lula já havia a ideia de promover uma interação mais ampla, de reforçar o Mercosul. Veio então a crise da Venezuela e o Brasil criou o grupo Amigos da Venezuela que possibilitou um referendo revogatório. A situação, dentro do que era possível lá dentro, se normalizou. Agora, há uma crise de grande gravidade na Venezuela e o Brasil está totalmente ausente e incapacitado de fazer qualquer coisa. Por quê? Por razões claramente oportunistas, de política interna. Os ministros de Relações Exteriores... O presidente mal falou nesse assunto. O governo atual fez uma condenação tão violenta, tão radical ao governo de Caracas que não tem capacidade de mediar nada. Na mais recente reunião da OEA, acabamos levando uma chapoletada da ministra venezuelana. O governo, sem legitimidade, não pode se projetar e, mais ainda, porque adotou posições que impossibilitam qualquer ação mediadora. Tornou-se inoperante. O secretário Rex Tillerson disse para o Serra recentemente, na Europa: 'ah, era tão bom se o Brasil pudesse ajudar na crise da Venezuela'. Ora, o Brasil simplesmente não tem condições...

CM– Estamos perdendo oportunidades preciosas.

CA - Não temos liderança no que está acontecendo na América do Sul, na América Latina. Atualmente, seria até uma chance para atrair um pouco mais o México e a América Central para o nosso lado em função das dificuldades que ambos estão tendo com os EUA. Mas como não temos um governo legítimo e não temos qualquer liderança, qualquer influência, a oportunidade se perde.

CM - E a ausência do Brasil no grupo da Nova Rota da Seda, dos chineses? Do continente sul-americano, a Argentina e a Bolívia estiveram na reunião, em Pequim, no primeiro semestre. É a perspectiva de um projeto de mundo multipolar que se abre. O Brasil não foi à reunião.

CA - Não indo a uma reunião de alto nível como foi essa, você não pode ser considerado. Na Europa, a Nova Rota está sendo examinada e analisada. Na Itália, por exemplo, que esteve na origem da Rota da Seda - não na seminal, mas durante a Idade Média -, estão percebendo que deve haver um equilíbrio na relação internacional. Não se pode colocar todos os ovos na cesta norte-americana. Aí também o Brasil está perdendo a chance de ter uma atuação mais forte.

CM – Apesar de ser difícil encontrar a saída para o impasse em que se encontra o Brasil o que acha que precisa ser feito, urgente, além de eleições diretas?

CA – Eu já fui muito criticado por achar importante um entendimento entre Lula e Fernando Henrique aproveitando o momento em que o Congresso está tão desacreditado como agora. Talvez seja o momento de forçar um encontro dessas lideranças para conseguir uma reforma um pouco melhor e não deixar o Congresso fazê-la sozinho. Há uma dificuldade, sim, um preconceito de parte dos dois lados de um conversar com o outro. Vão me criticar por dizer isto, mas eu acho necessário. Cada um deles governou oito anos, o país foi razoavelmente democrático durante esse período, coisas certas ou erradas foram feitas. Claro que não estou de acordo com as privatizações do Fernando Henrique - com a maioria delas pelo menos -, mas o Brasil era visto com certo respeito, embora não com a projeção que ganhou com o Lula. Não era esse desastre de hoje.

*A Unitaid nasceu como desdobramento da campanha do presidente Lula contra a fome e a pobreza. Foi criada por Lula, Jacques Chirac, Ricardo Lagos e Kofi Anan. Ela é financiada por oito países – Brasil inclusive.



Brasil 247

Meireles ganhou, em um ano “25 Lulas” em consultorias. E lá fora, em “trustee”



POR FERNANDO BRITO · 26/07/2017




Os jornalões ainda não deram, mas não vão poder esconder.

A reportagem Filipe Coutinho,do Buzzfeed, que mostra, com documentos, que Henrique Meirelles recebeu, apenas no ano passado, R$ 217 milhões por serviços de consultoria em contas no exterior, na maior parte.

A matéria é sensacional e merece ser lida na íntegra.

Posto um pequeno resumo, que já dá para entender metade da ópera.

Homem mais poderoso da economia do país, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu, três meses antes de assumir a pasta, R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior e que foram usadas para receber pagamentos de grandes empresas, incluindo a J&F, do delator Joesley Batista.

O ministro recebeu, ainda, outros R$ 50 milhões quatro meses depois de ocupar a Fazenda.

As duas transações foram feitas para Meirelles a partir das contas da empresa de consultoria dele, cujo nome atual é HM&A. Nos dois casos, o objeto da empresa, até aquele momento, era assessorar grandes empresários, dar palestras e fazer investimentos.

Portanto, Meirelles recebeu, em um ano, para vender seus próprios serviços como palestrante e orientador de investimentos, 25 vezes o que Lula recebeu ao longo de seis anos, e depositado direitinho aqui no Banco do Brasil, enquanto Meirelles tem o seu com um trustee – igual ao de Eduardo Cunha – lá fora.

E parte dos valores foi recebida quando no exercício do cargo!

Os grandes jornais, até agora, não publicaram uma linha.

Vão acabar tendo de publicar.

Mas eu disse que a matéria do Buzzfeed conta metade da ópera.

Porque a outra metade está revelada na matéria e este Tijolaço foi investigar.

E foi acabar chegando ao quarto andar do Bahamas Financial Centre.

Mas isso é assunto parao próximo post.



Tijolaço

Kishiyama, a ponte Meirelles-Bahamas?



POR FERNANDO BRITO · 26/07/2017




Os rolos empresariais de Henrique Meirelles vêm de longe.

Em 2004, o PSDB pediu a sua demissão do Governo Lula porque seu primo (e procurador) Marco Túlio Pereira de Campos, foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando embarcava para Brasília levando na pasta R$ 32 mil em espécie.

Ele era acusado de ter aberto uma empresa quando já estava no Governo, a Catenária Participações, aberta em Goiás, em 2003, tendo o então presidente do BC e a mãe, Diva, que tinha então 94 anos, como sócios. Ele, com R$ 299.970 e a mãe com meros R$ 30.

Não é louvável a atitude de premiar a mãe, idosa, com 0,01% do capital de uma empresa?

A Dona Diva morre em 20 de julho de 2006, aos 97 anos, mas isso não impede que a empresa seja transferida, em 27 de outubro seguinte para São Paulo, ainda com ela constando como sócia. Não é uma acusação leviana, o documento de registro na Junta Comercial está aqui.

No ano seguinte, em 16/02/2007 , é feito um aumento de capital para R$ 400 mil. Dona Diva, lá no céu, continua com 30 reais, apenas.

Só em abril de 2012 ela é retirada da sociedade, assumindo, com participação societária de R$ 1 , um certo Lourival Kos Antunes Maciel, diretor e responsável pela empresa, ex- Fininvest, que acabara de deixar o cargo de diretor presidente da Distribuidora Finabank de Títulos e Valores Mobiliários, comprada por um grupo colombiano.

Aparece aí pela primeira vez um sobrenome japonês, Kishyiyma. Eduardo torna-se sócio da Catenária, com participação de 16 reais.

Pouco antes, em 22/07/2011 , a Catenária havia fundado a “Nova Catenária” , empresa de capital registrado de apenas R$ 10 mil (dos quais R$ 9.999,00 de Henrique Meirelles, com o objeto social de promover “Serviços de Organização de Feiras, Congressos, Exposições e Festas”, além de treinamento e desenvolvimento gerencial. O registro na Junta Comercial está aqui.

Em fevereiro de 2012, ela muda de nome para Nova Catenária Consultoria Empresarial e passa a prestar serviços de “Consultoria em Gestão Empresarial” e, dois meses depois, muda o nome para Henrique Meirelles & Associados, com R$ 1.099.999 e O Lourival com R$ 485 e Eduardo Kishyiama, com os tais 16 reais.

Então aparece o personagem Fernando Hideo Kishiyama,

Até então um desconhecido, que só saíra nos jornais por ter escapado com vida de um acidente no Jabaquara, em 2004, Fernando assume em 2015 o lugar de Lourival Kos e se torna sócio também de Henrique Meirelles numa pequena empresa, de mil reais de capital registrado, a Campos Meirelles Participações Societárias. Registro aqui.

Mas o que tem de mais o senhor Fernando Kishiyama?

Pois ele é “testa” de duas empresas off-shore das Bahamas, a Aosta e a a Horus, ambas localizadas no Bahmas Fibnacial Centre, na Shirley& Chalotte Street, na capital, Nassau, quarto andar, endereço manjadíssimo do “Panamá Papers“.

Tudo isso com duas horas de Google.

Imaginem se o Lula tem 5% desta história, que powerpoint daria? Imaginem se o Lula pusesse a Dona Lindu com 30 reais de sócia de suas empresas?



Tijolaço