quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Avisado que Carlos seria preso, Bolsonaro ligou aos prantos para Moraes, diz Paulo Pimenta


“O Machão aos prantos ligou para Alexandre de Moraes, implorando, pedindo perdão, e prometendo ‘nunca mais’ ofender o STF ou seus Ministros. Quem assistiu relata a patética e vergonhosa cena”, escreveu o deputado Paulo Pimenta (PT) no Twitter

29 de setembro de 2021
(Foto: Reprodução/Instagram @carlosbolsonaro | ABr)


247 - O deputado federal Paulo Pimenta (PT) afirmou no Twitter, nesta quarta-feira, 29, que Jair Bolsonaro foi avisado por Michel Temer que seu filho e vereador Carlos Bolsonaro seria preso depois dos atos bolsonaristas no dia 7 de setembro e, por isso, ligou aos prantos para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo perdão.

“Bolsonaro foi avisado por Temer que Carluxo seria preso depois depois do 7 de setembro. O Machão aos prantos ligou para Alexandre de Moraes, implorando, pedindo perdão, e prometendo ‘nunca mais’ ofender o STF ou seus Ministros. Quem assistiu relata a patética e vergonhosa cena”, escreveu o deputado, que é jornalista por formação.


Brasil 247

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Miriam Leitão já faz propaganda de Eduardo Leite, que disputa as prévias do PSDB


Jornalista diz que ele saneou o Rio Grande do Sul e tem projetos sociais

28 de setembro de 2021

Eduardo Leite (Foto: Itamar Aguiar/Palácio Piratini)


247 – A campanha da mídia alinhada ao capital financeiro, que defende a terceira via em 2022, como foi explicitado na entrevista de Alfredo Setubal ao Globo, já começa a esquentar. É o caso da coluna desta terça-feira da jornalista Miriam Leitão, que faz propaganda de Eduardo Leite, governador gaúcho que disputa as prévias do PSDB. "O governo Eduardo Leite assumiu o Rio Grande do Sul quando o estado estava há três anos atrasando os salários, estava há três meses sem pagar hospitais, com atraso de seis meses de repasse para as prefeituras e devia a fornecedores da saúde R$ 1,1 bilhão. Além disso, as alíquotas dos impostos estavam aumentadas. Ele iniciou uma reorganização do estado. Começou pelas privatizações e reforma de carreiras dos policiais e professores. Pagou as dívidas e em breve vai reduzir as alíquotas majoradas dos impostos", escreve a jornalista.

Ela também afirma que Leite tem projetos sociais. "Leite defende que o país faça um programa de transferência de renda que tenha como foco as 17 milhões de crianças que vivem abaixo da linha da pobreza", escreve. "Ele diz que o Bolsa Família focou, com razão, na extrema pobreza, e que seriam necessários, para esse novo programa, um valor adicional quase igual ao atual Bolsa Família, de R$ 35 bilhões."


Brasil 247

Dono da holding do Itaú ataca volta de Lula e pede terceira via em 2022


Alfredo Setubal afirma que o ex-presidente Lula foi "bom presidente", mas explicitou o desejo do capital financeiro por um nome mais alinhado a seus interesses

28 de setembro de 2021
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Tayze/Comunicação Brisa Bracchi/Reprodução/Facebook)


247 – A posição predominante do capital financeiro para as eleições de 2022 foi explicitada pelo empresário Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa, holding controladora do Itaú, em entrevista ao jornal O Globo, concedida a Rennan Setti e Mariana Barbosa. "O Lula foi um bom presidente. Seu primeiro mandato manteve a politica econômica bem apertada, a inflação baixa, o Brasil cresceu. Ele se beneficiou do boom das commodities, de condições favoráveis que se encerraram com a crise do Lehman Brothers", disse ele.

Setubal, no entanto, critica o segundo mandato e fala em "terceira via". "Eu não acho que é um sentimento anti-Lula, eu acho que é um sentimento de mudança, esse modelo não está dando certo. Por isso que se fala da terceira via. Lula e Bolsonaro já passaram pelos governos. O Brasil precisa renovar", disse.

O empresário também disse que seu preferido é o tucano João Doria, do PSDB. "Pessoalmente, prefiro o (João) Dória. Ele tem se mostrado um grande gestor público, tem feito um governo excepcional, embora as pesquisas não deem a ele esse mérito. São Paulo vai crescer 8% este ano. No ano passado, o PIB do estado ficou estável. Eu não tenho todas as condições de julgar o Leite. É jovem, parece que faz um bom governo no Rio Grande do Sul, conseguiu fazer coisas que a Constituição Gaúcha proibia, privatizações. Mas moro em São Paulo e vejo o que acontece aqui", afirmou.



Brasil 247

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

TSE julgará ação que pode cassar a chapa Bolsonaro-Mourão em outubro e ministros dizem que provas são "material forte"


O Tribunal Superior Eleitoral deve julgar em outubro a ação que pede a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por impulsionamento ilegal de mensagens em massa. As provas que o ministro do STF Alexandre de Moraes enviou ao TSE revelam o núcleo político que integra uma organização criminosa digital que atua desde 2018

27 de setembro de 2021

TSE, Bolsonaro e Mourão (Foto: ABr | Alan Santos/PR)


247 - O Tribunal Superior Eleitoral irá julgar em outubro a ação que pede a cassação da chapa Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão por impulsionamento ilegal de mensagens em massa pelo WhatsApp. De acordo com a reportagem do jornal Valor Econômico, as novas provas que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes aportou ao inquérito são um “material forte”. Elas indicam a existência de um núcleo político no comando da campanha de fake news.

O material inclui dados obtidos a partir de quebras de sigilo de pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa digital que atua desde 2018 em um esquema de financiamento, produção e publicação de notícias falsas e ataques às instituições democráticas.

Na avaliação dos ministros do TSE há condições técnicas para cassar a chapa Bolsonaro-Mourão. Os quatro processos que correm na Corte revelam que foram cometidas irregularidades durante a campanha eleitoral de 2018.

Abuso de poder econômico e uso indevido das redes sociais se destacam entre as violações das leis cometidas pela campanha de Jair Bolsonaro.

Atualmente, tramitam no TSE quatro ações eleitorais, conhecidas como Aije (Ações de Investigação Judicial Eleitoral), envolvendo a chapa Bolsonaro-Mourão. Elas apuram desde o uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir disparos em massa aos eleitores à existência de uma “estrutura piramidal de comunicação” para disseminar desinformação.

As provas de irregularidades cometidas pela chapa encabeçada por Bolsonaro foram compartilhadas com o TSE a partir de uma decisão proferida em julho pelo ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF e da Corte eleitoral. Há indícios de que o material possa ter relação com as eleições passadas.


Brasil 247

TromPetista toca música de Lula em frente ao prédio de Ciro (vídeo)


Músico fez uma brincadeira na porta do prédio de Ciro Gomes, no Ceará

27 de setembro de 2021

Fabiano Leitão, o TromPetista (Foto: Reprodução)


247 - O músico Fabiano Leitão, conhecido como "TromPetista", fez uma brincadeira na porta do prédio de Ciro Gomes, no Ceará, na noite deste domingo (26). Ele resolveu tocar a música célebre do ex-presidente Lula, “Olê, olê, olé, olá, Lula, Lula”, no local e recebeu aplausos.

“Eu não poderia ir embora de Fortaleza sem me despedir do meu “amigo” Ciro 6%. Até breve querido!”, disse o músico em suas redes. O vídeo conta com centenas de compartilhamentos, comentários e curtidas.



Brasil 247

sábado, 25 de setembro de 2021

Renan promete novidades sobre fake news após revelação sobre Luciano Hang e Allan dos Santos

"As fake news foram a causa de muitas mortes", diz o senador que é também relator da CPI da covid-19

25 de setembro de 2021

Renan Calheiros e Bolsonaro discursando na ONU (Foto: Pedro França/Agência Senado | REUTERS/Eduardo Munoz/Pool)


247 – O senador Renan Calheiros (MDB-AL) prometeu novidades após a notícia de que o empresário bolsonarista Luciano Hang patrocinou um esquema de fake news e ataque às instituições coordenado pelo blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. "As fakes news foram causa de muitas mortes. A CPI sabe do macabro Gabinete do Ódio: muitos pagos com dinheiro público. Novidades virão", disse Renan, que é relator da CPI da covid-19.


Brasil 247

Eliane Cantanhêde sofre com apagão em Brasília e reclama das privatizações


Colunista foi também criticada por defender governos privatistas

25 de setembro de 2021

Bolsonaro - preços de gasolina (Foto: Reprodução)


247 – A jornalista Eliane Cantanhêde, vítima ontem de um apagão na rede da empresa Neonergia, que assumiu o controle da CEB, em Brasília, reclamou de um super blecaute na noite de ontem e do descaso da empresa. Em seguida, foi também criticada por sempre defender governos privatistas e alinhados à direita brasileira. Confira:


Brasil 247

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Rui Falcão e jurista Marco Aurélio vão ao TSE contra tentativa da família Bolsonaro de internacionalizar esquema de fake news


O deputado Rui Falcão (PT-SP) e o jurista Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas, fizeram referência à iniciativa de Carlos e Eduardo Bolsonaro de contratar uma empresa internacional para atuar nos disparos de fake news e, em consequência, driblar o Judiciário. O parlamentar do PT e o jurista alertaram para que "graves fatos" sejam "alvos de investigação"

23 de setembro de 2021
Marco Aurélio de Carvalho Eduardo e Carlos Bolsonaro e Rui Falcão (Foto: Divulgação | Câmara dos Deputados | Câmara RJ)


247 - O deputado federal Rui Falcão (PT-SP), formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), e o jurista Marco Aurélio de Carvalho, membro do Grupo Prerrogativas, apresentaram ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luis Felipe Salomão uma petição para que sejam tomadas providências contra a iniciativa do vereador Carlos Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre um plano com o objetivo de "driblar" a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no combate a fake news. A ideia dos irmãos seria contratar uma empresa internacional para promover os chamados "disparos", principalmente nos aplicativos de conversas.

O parlamentar do PT e o jurista alertaram para que "graves fatos" sejam "alvos de investigação". "Ao terceirizar o serviço de disparo, se utilizando de uma empresa no exterior, Carlos dificultaria o controle de órgãos do Estado contra os chamados 'avatares', ou robôs difusores de notícias falsas ou retiradas de contexto. Desta forma, a produção dos 'farms' - que é a reunião de três ou mais avatares, mas, neste caso, seriam milhares - contaria com o uso de VPNs (Virtual Private Network - ou Redes Privadas Virtuais) para tentar mascarar os chamados IPs (o registro dos avatares)", destacaram.

"O uso de VPNs passaria a impressão de que o IP estaria sendo usado no Brasil, mas na verdade seria controlado fora do país, o que impediria o efetivo controle dos órgãos de fiscalização", complementaram.

De acordo com reportagem do portal Uol, para driblar investigações do STF e do TSE, a conexão fora do país estaria sendo feita por Eduardo Bolsonaro, que estreitou relação com o marqueteiro norte-americano Steve Bannon. O parlamentar é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

No documento, Falcão e Marco Aurélio citaram que o telegram será cada vez mais usado por forças políticas com o objetivo de perpetuar o esquema criminoso de fake news. "Que o TSE busque contato, por todos os meios disponíveis com a empresa russa responsável pelo aplicativo de troca de mensagens Telegram para que a mesma formalize representação comercial no solo brasileiro, nos termos exigidos pela lei 9.504/97 para as empresas de tecnologia que são utilizadas como ferramenta de propaganda eleitoral e coopera na elaboração de acordos e protocolos lisura e normalidade das eleições brasileiras", recomendaram.

"Requer-se que sejam feitas audiências públicas para se discutir, a partir da infraestrutura da internet no Brasil, a existência de meios técnicos capazes de impedir que conteúdos ilícitos divulgados em sites e aplicativos internacionais sejam acessados no Brasil", complementaram.


Brasil 247

Lula poderia vencer no primeiro turno, aponta pesquisa Ipec


Ex-presidente aparece com a 45% a 48%, enquanto Bolsonaro fica entre 22% e 23%. Reprovação ao governo atinge recorde de 69%


Publicado 22/09/2021 

Ricardo Stuckert


São Paulo– O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria entre 45% a 48% dos votos, se as eleições presidenciais fossem hoje. Dentro da margem de erro da pesquisa Ipec, divulgada na noite desta quarta-feira (22), as intenções de voto em Lula chegam a ultrapassar a soma da votação dos demais adversários. Desse modo, Lula poderia vencer o pleito em primeiro turno. No cenário em que Lula aparece com 48% – com cinco supostos candidatos –, Jair Bolsonaro (sem partido) vem em segundo com 23%. Já num levantamento com 10 nomes, Lula teria 45% e o atual ocupante do Palácio do Planalto, 22%.

Na primeira simulação, a pesquisa Idec traz também os nomes de Ciro Gomes (PDT), que teria 8% das intenções de voto; e João Doria (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), ambos com 3%. Não sabem, brancos e nulos somariam nessa hipótese 1`4%.

Em uma segunda consulta, a pesquisa Ipec diversifica mais os outros potenciais postulantes. Também neste caso, o total de votos dos adversários – Ciro (6%), Sergio Moro (sem partido, 5%), José Luiz Datena (PSL, 3%), Doria (2%), Mandetta (2%), Rodrigo Pacheco (DEM, 1%), Alessandro Vieira (Cidadania, 0%) e Simone Tebet (MDB, 0%) – não superaria a votação de do ex-presidente. Assim, a depender da margem de erro, também neste levantamento Lula teria chances de liquidar a eleição no primeiro turno.

A pesquisa Ipec sobre as tendências para 2022 foi divulgada pelo Jornal Nacional e pelo portal g1. O levantamento do Ipec – ex-Ibope – foi feito de 16 a 20 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Avaliação do governo Bolsonaro

A pesquisa Ipec apurou ainda que, em três meses, a reprovação (taxa de ruim/péssimo) do governo Bolsonaro subiu de 49% para 53%, enquanto o nível de aprovação piorou. A avaliação ótimo/bom caiu de 24% para 22%.

Aumentou também no período – de 66% para 68% – a desaprovação à forma de governar de Jair Bolsonaro, enquanto a taxa de aprovação caiu de 30% para 28%.

Desde fevereiro, quando foi apresentada a primeira pesquisa Ipec, a confiança dos brasileiros em Bolsonaro só piora. O nível dos que dizem confiar nele caiu de 36% para 28%. Já os que dizem não confiar são hoje 69%, ante 60% no início do ano.



REDE BRASIL ATUAL



quarta-feira, 22 de setembro de 2021

No discurso da vergonha, o medo de Lula


"A mitomania e a paixão de Bolsonaro pela mentira são um aviso: a guerra vai ser muito suja em 2022 se ele for candidato", alerta a jornalista Tereza Cruvinel ao avaliar o discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia-geral da ONU

22 de setembro de 2021

(Foto: REUTERS/Eduardo Munoz/Pool | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)


Por Tereza Cruvinel

O discurso que o Itamaraty preparou para Bolsonaro ler na ONU buscava melhorar a imagem do país e de seu governante. Já em Nova York, Bolsonaro e seu filho Eduardo enxertaram os "cacos" ideológicos e negacionistas que produziram críticas caudalosos mundo afora, para vergonha dos brasileiros, em meio a delírios mitômanos sobre um êxito inexistente. Bolsonaro mentiu diante do mundo da primeira à última linha.

Os "cacos" ideológicos, como a pregação do uso de drogas ineficazes, o famigerado tratamento precoce, e a negação do passaporte vacinal, foram afagos na extrema direita interna e externa, que está festejando o discurso da mentira e da vergonha. Já foram muito comentadas as mentiras sobre êxitos do governo em áreas onde ele é fracasso, como meio ambiente, combate à pandemia, gestão econômica, combate ao racismo, proteção aos índios e tudo o mais.

O que não se apontou ainda, nas avaliações do discurso, foi que também ali, na tribuna da ONU, Bolsonaro fez campanha extemporânea, jogando "cacos" contra seu principal adversário eleitoral, em demonstração do medo que ele tem de Lula.

Foi contra Lula que ele afirmou que o Brasil esteve à beira do socialismo. Certamente não falava do governo pós-golpe de seu aliado Temer, mas dos governos de Lula e Dilma. Apontando-os como socialistas, Bolsonaro busca disseminar lá fora o temor do mundo capitalista com a volta de Lula. Ironicamente, para Bolsonaro, Lula vai se consolidando, inclusive junto a setores da elite econômica, como o único que pode salvar o Brasil, liderando um projeto de reconstrução do país destruído pelo bolsonarismo.

O outro "caco" anti-Lula foi aquele em que Bolsonaro desencavou a velha história de empréstimos que o BNDES teria feito, sem garantias, a "governos comunistas". Bolsonaro passou a campanha e os primeiros meses de seu governo falando numa tal caixa preta do BNDES, até que o segundo presidente do banco, por ele nomeado, reafirmou sua inexistência. Os empréstimos, como sabido, foram feitos a empresas brasileiras de construçao que ganharam licitações para realizar obras lá fora. Tais obras geraram empregos para brasieiros e vendas para a indústria de material de construção.

A lenda de que bilhões de reais foram "dados" a governos "amigos do PT", entretanto, foi uma das fake news disparadas em 2018 que mais funcionaram para tirar votos do candidato petista Fernando Haddad. Bem perto do segundo turno, um pequeno comerciante me explicou por que, tendo sempre votado em Lula e a pedido dele, em Dilma, não votaria em Haddad, mas em Bolsonaro. "É por isso aqui", disse ele me mostrando uma mensagem no celular.

Ela listava os milhões do BNDES que teriam sido dados a governos do Peru, Cuba, Angola e outros países.

- Fazem isso com nosso dinheiro enquanto aqui no bairro falta asfalto, esgoto e segurança - disse-me o comerciante.

Eu ainda não sabia mas os disparos de fake news por whatsapp estavam acontecendo naquele momento.

A mitomania e a paixão de Bolsonaro pela mentira são um aviso: a guerra vai ser muito suja em 2022 se ele for candidato.

Quanto ao discurso na ONU, com ele Bolsonaro cavou mais fundo para rebaixar o Brasil. Mas lá fora quem tem discernimento sabe que o Brasil não é irrelevante. Irrelevante e desprezível é seu governante atual, fruto de um engano coletivo cometido em 2018, mas ele vai passar. Bolsonaro foi à ONU falar não como chefe de governo e nem como chefe de Estado, mas como eterno animador de falanges radicais.


Brasil 247

Comandante da Aeronáutica curte postagens racistas de Sérgio Camargo


Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior curtiu postagens racistas de Sérgio Camargo, que chamou militantes de “afromimizentos” e agradeceu a Bolsonaro por permiti-lo fazer com que a Fundação Palmares deixasse de ser uma “senzala vitimista”

22 de setembro de 2021

Carlos de Almeida Baptista Júnior e Sérgio Camargo (Foto: Divulgação)


247 - O Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, curtiu diversos posts racistas do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo no Twitter e apoiou ataques abertos ao movimento negro.

A informação é de Guilherme Amado, do Portal Metrópoes. Em um dos posts endossados pelo comandante, no dia 19 de setembro, Camargo chamou militantes de “afromimizentos” e agradeceu ao presidente Bolsonaro por permiti-lo fazer com que a Fundação Palmares deixasse de ser uma “senzala vitimista”.

De acordo com o jornalista, no início do mês Baptista Júnior curtiu outro tuíte em que Camargo disse que, para prosperar, “pretos não precisam do movimento negro, precisam de valores”.

O comandante também curtiu uma postagem em que Camargo disse que militantes do movimento negro “defendem bandidos”. No mesmo, o presidente da Fundação Palmares dizia que os “cidadãos pretos de bem” não podiam ser representados pelo grupo.



Brasil 247

Após discurso na ONU, Bolsonaro é retratado como Pinóquio no metrô de Nova York


O desenho foi acompanhado das palavras “mentiroso”, “péssimo” e “perdedor”

22 de setembro de 2021

(Foto: Reprodução)


247 - A passagem de Jair Bolsonaro por Nova York, nos Estados Unidos, por conta de sua participação na 76ª Assembleia Geral da ONU deixou marcas negativas para o governante brasileiro.

Além das manifestações de opositores e de seu trágico desempenho em discurso na ONU, Bolsonaro recebeu também uma "homenagem" em uma estação de metrô da cidade nesta quarta-feira (22).

Bolsonaro foi retratado em um desenho como o Pinóquio, personagem da Disney conhecido por apresentar um alongamento no nariz após mentir, e a imagem foi acompanhada das palavras “mentiroso”, “péssimo” e “perdedor”.


Brasil 247

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

União entre Haddad e Boulos colocaria esquerda na frente na disputa para o governo de São Paulo


Juntos na mesma chapa, Haddad e Boulos teriam 28%, com presença garantida no segundo turno, contra 26% de Geraldo Alckmin

20 de setembro de 2021

Ex-prefeito de SP Fernando Haddad e o líder do MTST, Guilherme Boulos (Foto: Stuckert)


247 – A primeira pesquisa Datafolha sobre sucessão para o governo de São Paulo deve reforçar os apelos por união entre Fernando Haddad, do PT, e Guilherme Boulos, do Psol. Isso porque se estiverem unidos na mesma chapa os dois estarão com presença garantida no segundo turno turno e, mais do que isso, com a liderança.

"O ex-governador Geraldo Alckmin, que está com a sua saída anunciada do PSDB, encabeça a corrida eleitoral para o Governo de São Paulo em 2022, com 26% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Fernando Haddad (PT) vem numericamente em segundo, com 17%, e lidera com 23% em um cenário sem Alckmin. No primeiro cenário estimulado pelo instituto, após Alckmin, aparecem Haddad (17%), o ex-governador Márcio França (PSB, com 15%, empatado tecnicamente com o petista) e o líder de movimentos de moradia Guilherme Boulos (PSOL, com 11%)", aponta a reportagem da Folha.

Ou seja: mais do que isso, unidos, os dois teriam 28% dos votos, contra 26% de Alckmin. "O desempenho de Boulos na pesquisa, ao mesmo tempo em que Haddad aparece em ascensão, tem potencial para elevar a pressão sobre os dois pré-candidatos em torno de uma eventual aliança, já que a manutenção das duas pré-candidaturas tende a dividir os votos da esquerda", escreve ainda o jornalista Fábio Zanini.


Brasil 247

domingo, 19 de setembro de 2021

Haddad: “Lula terá de fazer um governo de reconstrução e é o único capaz de exercer essa liderança”


“Ele vai ter que reorganizar o país com forças políticas novas, vai ter que ter uma renovação política, quadros técnicos novos, reconstrução dos órgãos públicos, das políticas públicas”, disse Haddad à TV 247, em entrevista na qual falou sobre todo o cenário eleitoral de 2022.

17 de setembro de 2021

Ex-presidente Lula e Fernando Haddad (Foto: Stuckert)


247 - O ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato a presidente da República Fernando Haddad (PT), em entrevista à TV 247, afirmou que o ex-presidente Lula (PT) terá que fazer um governo diferente do que já fez caso volte ao poder a partir da eleição de 2022. O petista ainda falou sobre sua visão acerca do próximo ano eleitoral, comentando até mesmo sobre o que pensa acerca do nome a ser escolhido como candidato a vice de Lula.

O foco da nova gestão, segundo ele, tem de ser a reconstrução do país, arrasado desde o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo bolsonarismo. “O Lula está bem, conversando com todo mundo, fazendo os acenos devidos porque ele precisará fazer um governo diferente, ele vai ter que reorganizar o país com forças políticas novas, vai ter que ter uma renovação política, quadros técnicos novos, reconstrução dos órgãos públicos que estão destroçados, das políticas públicas que foram aniquiladas. Então é efetivamente um governo de reconstrução, que vai ter que contar com a boa vontade de muita gente nova. Mas eu acho que o Lula é o único que tem condições de exercer essa liderança hoje no país, até pelo prestígio internacional. Facilitará muito o trabalho do Brasil você não ter dúvidas de quem preside o país”.
Terceira via

Fazendo uma análise do que virá pela frente nas próximas eleições presidenciais, o petista falou sobre a chamada “terceira via”, representada por nomes de centro e direita que aparecem nas pesquisas com desempenhos ruins até o momento, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

“O espaço para a terceira via é um espaço reduzido. Quando você pergunta sobre rejeição a Lula e Bolsonaro dá 20%. Quando você abre a rejeição a um candidato da terceira via, ela também é alta. Então o teto da terceira via está baixo e os nomes que estão colocados para a terceira via tem uma rejeição igual ou superior aos dois que estão liderando as pesquisas. Então é uma situação muito estranha a da terceira via”.

Vice

Questionado sobre o texto escrito por Lula em homenagem à empresária Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza, e sobre os rumores de que ela seria uma possível candidata a vice-presidente em uma chapa com o ex-presidente, Haddad afirmou que enxerga para Lula outro tipo de composição.

“Eu acho que o perfil de vice do Lula é de outra natureza, na minha opinião. Acho que é um pacto pela democracia e pela política, pela afirmação da política e da democracia. A saída é pela política e o meio é a democracia, o meio de achar a saída é a democracia. Então acho que o perfil tem que estar muito sintonizado com esse espírito. E obviamente que não pode ser um neoliberal, não tem condição. Essa turma está destruindo o país”.

Haddad, no entanto, elogiou Luiza e reconheceu nela um nome diferenciado dentre a categoria de empresários.

PT em 2022

O papel do PT no próximo ano eleitoral, para Haddad, é garantir a presença de candidatos progressistas em todos os estados do país concorrendo ao cargo de governador, sendo do próprio partido ou não. “A gente tem um tabuleiro com 27 unidades da federação. Precisamos ter palanques competitivos, e não precisam ser necessariamente do PT, mas precisam ser competitivos. Se a gente vai apoiar um candidato em Pernambuco que não seja do PT, ele tem que ser competitivo. Se vamos apoiar alguém no Rio que não seja do PT tem que ser competitivo. Se não tiver um nome competitivo progressista o PT tem que lançar candidato. E tem que ser competitivo para ganhar”.

São Paulo

Em São Paulo, onde o líder do MTST e ex-candidato a presidente Guilherme Boulos já se coloca como candidato a governador, Haddad preferiu não cravar uma candidatura própria.


Brasil 247

Daniel Cara: Paulo Freire era radical, o oposto de sectário, que não está disposto a dialogar


Educador explica a distinção entre radical e sectário na teorização de Paulo Freire e faz uma relação com os atos do MBL no dia 12. “O Paulo Freire não iria, por motivos muito simples. Porque se tratava de um ato de sectários, que não estão dispostos de fato a dialogar"

17 de setembro de 2021

Daniel Cara e Paulo Freire (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Maurício Novaes/Divulgação Itaú Cultural)


247 - O educador Daniel Cara, professor da USP e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, explicou à TV 247, em entrevista que vai ao ar neste sábado (18) o perfil “radical” de Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Freire completaria neste domingo (19) 100 anos.

"Uma das páginas mais belas da teorização do Paulo Freire é a em que ele faz a distinção entre o sectário e o radical. O sectário, para Paulo Freire, é quem tem uma visão pronta do mundo, inquestionável, totalmente amarrada. Uma visão que determina todas as respostas, mas que não conversa com a realidade. Tenta se impor em relação à realidade", disse Cara, complementando: "e o radical freireano é essa pessoa que se encanta com o diálogo, com a divergência. Mas não é a pessoa que se encanta com a divergência e vai para um debate de maneira simplesmente a ceder. Não, porque isso é anti-freireano. Quem cede é oprimido. A questão não está entre ceder e não ceder, está na qualidade do diálogo, para Paulo Freire. E o radical é aquele que enfrenta a qualidade do diálogo"

Cara faz uma relação das definições citadas com a mobilização do MBL contra Jair Bolsonaro no último dia 12 de setembro. “O Paulo Freire não iria, por motivos muito simples. Porque se tratava de um ato de sectários, que não estão dispostos de fato a dialogar. Eles estão dispostos única e exclusivamente a fazerem uso das outras pessoas - essa é uma característica do sectário. E quem vai para lá na verdade está colaborando com o sectarismo, e o objetivo de Paulo Freire é o inverso, é fazer uma conversa verdadeira".


Brasil 247

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

VALTER POMAR: O PAÍS DEPOIS DO 7 DE SETEMBRO




Opera Mundi

Folha abraça ideias neoliberais de Edmar Bacha e ataca PT no campo da economia


Jornal da elite paulista reproduz a ideia de que Lula representaria um risco para a economia – embora a história prove o contrário

15 de setembro de 2021

Guru tucano vê economia brasileira enferma (Foto: WILTON JUNIOR)


247 – Ainda que o governo Lula seja bastante recente e tenha sido o período de maior crescimento com inclusão social, ajuste fiscal e inflação controlada da história do Brasil, o jornal Folha de S. Paulo defendeu, em editorial, as ideias ultrapassadas do economista tucano Edmar Bacha sobre um inexistente risco Lula na economia.

"Em entrevista à Folha, o economista Edmar Bacha apontou que Jair Bolsonaro representa um risco para a democracia, e Luiz Inácio Lula da Silva, para a economia do país. Rebatido em artigo dos petistas Aloizio Mercadante e Guilherme Mello, Bacha decerto tocou em um ponto sensível para o partido", escreve o editorialista.

"O partido prefere louvar políticas que começaram a ser adotadas ainda sob Lula e marcaram o governo Dilma Rousseff, como o relaxamento da austeridade fiscal (que se fez acompanhar de embustes orçamentários), a distribuição de subsídios e o intervencionismo", pontua.

"O PT parece apostar mais uma vez na ambiguidade. Acena com moderação e pragmatismo a setores políticos e empresariais, enquanto mantém as velhas promessas às bases ideológicas e corporativistas. Por mais habilidoso que já tenha se mostrado seu líder, esse será um equilibrismo difícil", prossegue. "Como bem sabe o presidenciável petista, em economia as consequências não esperam os fatos —bastam as expectativas", finaliza, em tom de ameaça.


Brasil 247

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Bom dia 247: A verdade sobre a fakeada se impõe (14.9.21)




Brasil 247

Frota diz que Adélio estava na área vip dos seguranças de Bolsonaro no dia da fakeada


Essa cena é mostrada pelo documentário de Joaquim de Carvalho, produzido pela TV 247, “Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil”. “Como ele estava na área vip dos seguranças?”, perguntou o deputado federal Alexandre Frota (PSDB)

13 de setembro de 2021
Alexandre Frota e momento da facada em Bolsonaro
Alexandre Frota e momento da facada em Bolsonaro (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados | Reprodução/Facebook)

247 - Ex-aliado de Jair Bolsonaro, o deputado federal Alexandre Frota (PSDB) afirmou, em entrevista à TV 247, afirmou que Adélio Bispo, que deu a suposta facada no atual presidente durante a campanha eleitoral de 2018, estava na área vip reservada aos seguranças.
Essa cena é mostrada pelo documentário de Joaquim de Carvalho, produzido pela TV 247, “Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil”. “Como ele estava na área vip dos seguranças?”, perguntou Frota.

Saiba mais sobre o documentário:

O documentário "Bolsonaro e Adélio - uma facada no coração do Brasil", feito pelo repórter investigativo Joaquim de Carvalho, pelo cineasta Max Alvim e pelo cinegrafista Eric Monteiro, com produção da TV 247 e financiamento coletivo de seus assinantes e apoiadores, demonstrou todos os furos do episódio usado por Jair Bolsonaro na disputa presidencial de 2018 para fugir dos debates e assim se tornar presidente da República sem ser confrontado.



Brasil 247

FROTA: ESTRANHEI A DEMORA DO EDUARDO CHEGAR A JUIZ DE FORA, COM O PAI 'E...



Brasil 247

Justiça penhora R$ 30 mil de Augusto Nunes por insultar Gleisi Hoffmann


Jornalista de extrema-direita foi condenado e não chegou sequer a apresentar sua defesa no processo

14 de setembro de 2021

Gleisi Hoffmann e Augusto Nunes (Foto: Agência Senado / Reprodução)


247 – "A Justiça penhorou R$ 30 mil da conta bancária do apresentador da Jovem Pan Augusto Nunes para o pagamento de indenização à presidente do PT, Gleisi Hoffmann. De acordo com sentença, ele foi intimado para fazer o desembolso, mas 'permaneceu inerte'", informa a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S. Paulo.

"Augusto Nunes foi condenado em maio por danos morais causados a Gleisi Hofflann, a quem repetidas vezes chamou de 'amante' em textos publicados nos portais da revista Veja e no R7, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. O apresentador foi condenado à revelia, já que, citado, nunca se defendeu no processo", informa a ainda a jornalista.


Brasil 247

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

GILMAR MENDES: O QUE FAZER COM O SISTEMA DE JUSTIÇA?




Opera Mundi

Bom dia 247 - Fiasco do MBL comprova: é Lula ou fascismo (13.9.21)




Brasil 247

Exclusivo: Novas informações reforçam necessidade de reabrir inquérito da fakeada


Joaquim de Carvalho publica documentos do inquérito e revela bastidores do documentário que escancarou as inverdades da narrativa oficial sobre o episódio que levou Bolsonaro à Presidência da República

13 de setembro de 2021
Bastidores do documentário (Foto: Reprodução)


Em julho deste ano, após conversarmos sobre um projeto de reportagem, disse a Leonardo Attuch, do 247, que a ideia de investigar o episódio da facada em Juiz de Fora não daria em nada, já que todas as evidências divulgadas levavam à conclusão de que houve, sim, um atentado contra Jair Bolsonaro. Dois meses depois e após dezenas de entrevistas e análise de peças do processo, não tenho receio de dizer que o inquérito sobre a facada precisa ser reaberto, já que há indícios fortíssimos de que houve fraude. A Polícia Federal não considerou a hipótese plausível de que ocorreu em Juiz de Fora um auto atentado, uma armação para interferir na campanha eleitoral

Com a compromisso de que o 247 publicaria o resultado da minha apuração, mesmo que ela confirmasse a versão oficial, fui a Juiz de Fora, Montes Claros, onde Adélio Bispo de Oliveira nasceu e se criou, e Florianópolis, onde ele morava até dez dias antes da facada ou suposta facada. Em Juiz de Fora, ao conversar com pessoas envolvidas na investigação, minha primeira surpresa foi descobrir que a faca apresentada como o instrumento do crime tinha percorrido um caminho tortuoso naquele 6 de setembro de 2018 antes de chegar à mesa do delegado Rodrigo Morais, e de ser encaminhada para a perícia.

Ela não foi apreendida com Adélio, mas entregue à Polícia Federal por um PM do serviço reservado e por um paramédico vinculado a uma rede de militares e de seguranças que compunham uma espécie de célula bolsonarista na cidade, um troço bem esquisito. Renato Júlio dos Santos é o nome do paramédico. Ele deu depoimento à Polícia Federal e, quase três anos depois, eu o localizei por telefone. Depois de atender à minha ligação e ser informado do assunto, pediu dez minutos para estacionar o carro e não atendeu mais às minhas ligações nem respondeu às minhas mensagens por WhatsApp.

Mas eu consegui entrevistá-lo, depois de ficar três horas de plantão em frente à sua casa, em um condomínio para pessoas de baixa renda no Jardim de Alá, periferia de Juiz de Fora. Uma seguidora da TV 247 me reconheceu e comentou que ali perto um jovem tinha sido assassinado por traficantes alguns dias antes. Era, portanto, um lugar perigoso, mas, depois de interfonar para a casa dele, sem sucesso, e também para vizinhos, ele acabou me retornando, para uma conversa gravada de quase uma hora, que fiz no próprio carro.

Renato fez um relato que, mais tarde, eu descobriria ter inconsistências.

Ele disse ter pisado em cima de uma faca no calçadão da rua Halfeld, local do crime, depois que Adélio tinha sido levado por seguranças voluntários de Bolsonaro para o segundo andar de um prédio onde funcionavam (e funcionam) um chaveiro e uma escola profissionalizante. Em vez de entregar o objeto para a polícia — havia muitos ali, tanto federais quanto militares e civis, alguns à paisana, outros não —, ele deixou com um vendedor de frutas que trabalha num carrinho instalado na esquina.

O segurança Renato Júlio e a faca apresentada depois do episódio(Photo: Reprodução)Reprodução


“Guarda isso”, teria dito a Luiz Perensin, o vendedor de frutas, um homem já idoso, segundo me relatou o dono do carrinho, patrão de Perensin na época. Algum tempo depois — Luciano, o patrão, não soube precisar quanto, mas disse que foi no mesmo dia —, Renato voltou com outro homem e pediu a faca, que foi colocada em uma sacola plástica e levada para a Polícia Federal, onde foi periciada.

Os peritos não encontraram as digitais de Adélio na faca — nem nenhuma outra; a conclusão dos investigadores é que ela tinha sido tocada por muita gente e, portanto, havia digitais sobrepostas, o que não permitiu identificar nenhuma delas.

Na época, alguma autoridade vazou à imprensa que a faca era de uso comum na pensão onde Adélio morava e talvez isso justificasse a ausência de digitais rastreáveis. No inquérito, entretanto, está registrada a informação de que a faca teria sido comprada por Adélio em Florianópolis, e fazia parte de um conjunto com outra, nunca apresentada. Portanto, se verdadeira a informação, a faca não tinha sido manipulada por muitas pessoas, já que não era de uso comum. Mas vá lá, as digitais sobrepostas poderiam ser do próprio Renato, do policial que o acompanhou, do empregado e do dono do carrinho de frutas

Mas aí surge outra contradição. “Quando peguei a faca, ela tinha sangue na lâmina”, me disse o Renato. “Não tinha sangue nenhum, eu mesmo entreguei a faca para os homens que vieram buscar”, declarou o dono do carrinho. Luiz Perensin, que tem 74 anos de idade, já não trabalha mais como vendedor de frutas. Ele teve um bar no bairro Fábrica, perto de sua residência, um sobrado num conjunto de moradias precárias que parece uma favela, a que se tem acesso por uma viela.

Localizei Perensin e travei com ele um diálogo tenso, eu na viela, ele no segundo andar da casa. “Você não levou facada nem eu, então não vou falar nada”, disse. Quando insistia para conversar com ele, apareceu a filha, muito nervosa, e tentou nos expulsar da viela (eu e o cinegrafista), um local público. Logo depois, ela desceu correndo, passou por mim e pelo cinegrafista e trancou o portão da viela. Quando tentei abrir, ela me agrediu com vários golpes com o celular na minha mão, ela do lado de fora do portão. Com esforço e, mesmo com a mão machucada, eu afinal consegui abrir aquele portão.

Por que ela queria me prender ali? Era para chamar a polícia? Se não tinha invadido o local — a viela é um acesso público —, a presença da polícia era desnecessária. Se fosse esse o caso, seria muito fácil me localizar, já que, mesmo de longe, eu me identifiquei como repórter do 247 e mostrei minha carteira de identidade, expedida pela Federação Nacional dos Jornalistas, que por lei tem o mesmo valor do RG. Dias depois, eu recebi o telefonema de uma pessoa que se dizia amiga dela e com uma ameaça velada para que não publicasse nada sobre Luiz Perensin.

Renato Júlio dos Santos, o homem que teria entregue a faca para Perensin, disse ainda na entrevista gravada que estava no ato de Bolsonaro como segurança dos vereadores bolsonaristas Charles Evangelista e Delegada Sheila, que acabariam se elegendo respectivamente deputado federal e deputada estadual. Charles confirmou que estava no ato, mas garantiu que a Delegada Sheila, hoje sua namorada, nem estava ali.

Vi centenas de fotos tiradas pelo jornalista Felipe Couri, do jornal A Tribuna, o único fotógrafo profissional que registrou toda a caminhada de Bolsonaro e apoiadores, do início, na Câmara Municipal, até o cruzamento da Halfeld com a Batista de Oliveira, onde ocorreu o episódio da facada ou suposta facada. E não localizei Renato nas fotos, em que é possível ver Charles Evangelista.

Procurado, o hoje deputado federal desmentiu Renato. “Eu não tinha nenhum segurança, nem conheço essa pessoa”, disse, na troca de mensagens por WhatsApp. Depois da entrevista gravada, Renato voltou ignorar minhas chamadas e minhas mensagens.

Procurei também outro integrante dessa rede de militares e paramilitares em Juiz de Fora que estava no ato como segurança voluntário, Hugo Alexandro Ribeiro. Foi ele quem protegeu Adélio logo depois do facada ou suposta facada, juntamente com um jovem musculoso, que estava de camiseta regata de bloco carnavalesco.

Os dois levaram golpes de apoiadores de Bolsonaro, mas preservaram a integridade física de Adélio. Hugo prestou depoimento à polícia, mas o jovem musculoso não —uma pessoa a quem mostrei a foto disse que ele é policial militar de um município vizinho, mas não soube dizer o nome, e ele não aparece no inquérito.

Seguranças protegem Adélio logo depois da suposta facada(Photo: Foto: Felipe Couri)Foto: Felipe Couri


Também não aparece um jovem de cabelos cortados no estilo modernoso, como um DJ, que nas fotografias aparece o tempo todo ao lado de Adélio e, depois da facada ou suposta facada, em vez de procurar socorrer Bolsonaro, como outros fizeram, ou de agredir o autor do atentado, se aglomera ao lado dos seguranças, apenas para observar Adélio, sem agressividade.

Quando cheguei à casa do Hugo, o único entre eles que prestou depoimento, soube que havia falecido em fevereiro deste ano. A viúva, muito nervosa, falou por telefone e me ameaçou processar se escrevesse sobre o marido. Hugo tinha 44 anos e em fevereiro foi encontrado sem vida no prédio em que trabalhava de madrugada como porteiro. Ele estava sentado e, de acordo com médicos, teve um ataque cardíaco, me revelou um dos dois amigos que entrevistei, um bolsonarista fanático, outro apoiador hoje sem muito entusiasmo. Este, que sucedeu Hugo na presidência da associação de moradores do bairro de Costa Carvalho, contou que dias antes de falecer ouviu dele uma queixa sobre Bolsonaro.

“Ele me disse que estava magoado porque Bolsonaro nunca o procurou para agradecer pelo que fez naquele dia”, afirmou. Em 2019, Hugo chegou a registrar um boletim de ocorrência contra uma mulher que publicou no Twitter post em que levantava a hipótese da facada ter sido armação. Ele também foi atacado por bolsonaristas, por ter sido presidente do PSOL em Juiz de Fora antes da guinada para a extrema direita e de aderir a um grupo que se intitula Direita de Minas Gerais. Foi aí que acendeu a luz amarela. Adélio também foi do PSOL.

Se Hugo foi capaz de mudar radicalmente, o que garante que Adélio fosse mesmo um militante de esquerda quando, segundo depoimento dele, ouviu Deus lhe ordenar que esfaqueasse Bolsonaro. A apuração revelaria a hipótese de que uma ordem nesse sentido poderia ter sido mesmo dada a ele, mas não de Deus, mas de uma voz bem humana, a de Carlos Bolsonaro, mas esta é uma história que será relatada mais adiante. Fiquemos, por enquanto, com o perfil de Adélio.

Em seu primeiro depoimento ao delegado Rodrigo Morais, Adélio disse que atentou contra Bolsonaro por ter uma "ideologia diametralmente oposta” à do então candidato. Na sentença sobre o caso, o juiz destacou esse ponto, a partir da denúncia do Ministério Público Federal. “A motivação declarada pelo denunciado, com a ressalva da ilegitimidade da conduta que perpetrou, é compatível com seu histórico de militância”, afirmou o magistrado, para em seguida, com base na denúncia do MPF e o inquérito policial, lembrar que Adélio foi filiado ao PSOL, entre 2007 e 2014.

Mas o que a sentença não destaca é que Adélio, depois de sua desfiliação ao PSOL, procurou abrigo no PSD, que nunca foi um partido para brasileiros com “ideologia de esquerda”. Em 2016, Adélio enviou uma carta à justiça eleitoral em Uberaba, onde morava, para pedir desfiliação do partido de Gilberto Kassab e, em seus pertences, foi encontrado um cartão do então deputado Marcos Montes, do PSD, e um dos mais atuantes parlamentares da bancada ruralista até o fim 2018.

Nesta carta, Adélio pede à Justiça Eleitoral em 2016 desfiliação do PSD(Photo: Reprodução do inquérito da PF)Reprodução do inquérito da PF


Montes foi o autor de um projeto de lei que altera o processo de demarcação de terras indígenas e outro que pretendia criar uma CPI para investigar a atuação da Funai e do Incra durante o governo de Dilma Rousseff. Em 2018, ele perdeu a eleição, mas foi contemplado em 2019 por Jair Bolsonaro com um cargo importante no Ministério da Agricultura. Foi nomeado secretário-executivo, o número 2 da pasta.

A referência ao PSD e a Marcos Montes nunca foi destacada pela imprensa, talvez em razão de não haver autoridade que vazasse essa informação. Com a luz amarela acionada, minha atenção se concentrou para esclarecer a dúvida. E se Adélio, assim como o segurança que o protegeu, não fosse mais um militante de esquerda?

Numa noite de insônia, no hotel em Juiz de Fora, voltei a assistir aos vídeos de um enigmático canal do YouTube, o True or not, e encontrei a resposta. O autor fez um vídeo com postagens de Adélio no Facebook que o aproximavam da ideologia de Jair Bolsonaro.

Em 8 de setembro de 2013, quando já estava afastado do PSOL, mas ainda não formalmente desligado, ele defendeu pedágios militares nas fronteiras do Brasil, inclusive com a Venezuela, na época já uma obsessão dos bolsonaristas, para impedir a entrada de armas e drogas, ao mesmo tempo em que as instituições religiosas assumissem o trabalho de recuperação de dependentes químicos.

Em 2014, ano em que Bolsonaro já iniciava suas andanças pelo Brasil com vistas à eleição presidencial em 2018, Adélio defende que a Engenharia do Exército assuma a construção e a manutenção das rodovias federais. No mesmo ano, ele propõe a construção de mais hospitais militares, para que 50% dos seus leitos sejam destinados ao SUS. “Até a sociedade comum estaria usufruindo de seus serviços”, escreveu.

Em 18 de agosto, ele fez um post que poderia ser escrito por Bolsonaro ou um de seus filhos. Chamou Renan Calheiros, então presidente do Senado, de canalha, por supostamente ter escolhido o “melhor momento” para colocar em votação o projeto de emenda constitucional que reduzia a maioridade penal para 16 anos.

Para Adélio, foi "um tiro contra o cidadão de bem deste país”. Pouco antes, deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio tinha feito um discurso muito parecido. Adélio ainda escreveu que os policiais fizessem uma greve para forçar o governo — na época, Dilma Rousseff era presidente — a realizar um referendo para aprovar a redução da maioridade penal.

“89% dos brasileiros querem esta mudança”, destacou. E registrou que a polícia teria força para “obrigar o governo federal a fazer um referendo”. No post, ele ainda diz que a polícia já “está cansada de prender hoje e a Justiça solta amanhã”. Ele conclui o texto com uma mensagem dirigida aos "policiais do Brasil”: “Que Deus vos abençoe”.

Bolsonaro também dava muitas entrevistas sobre o tema e lembrava que o autor da proposta de redução da maioridade penal era ele. Ao falar do apoio da sociedade, citou um número pouco diferente do de Adélio: 90%.

Adélio escreve seus textos num português ruim, mas curiosamente suas postagens tem ilustrações que parecem sair de banco de imagens. “Um servente de pedreiro como ele não saberia usar esses recursos”, diz Fábio Morato, formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina, hoje morador da Nova Zelândia.

Ele pesquisou as redes sociais de Adélio e fez uma descoberta alarmante. Em 18 de julho deste ano, mesmo trancado num presídio de segurança máxima e proibido de usar a internet, o perfil de Adélio foi desativado no Facebook.

“Nesse mesmo dia, você e o Leonardo Attuch anunciaram numa live do 247 que fariam um documentário sobre o caso da facada”, disse-me ele, depois encaminhar dois prints. Um do horário em que fez a pesquisa, no dia da live, outro de algumas horas depois, quando retornou da academia e não encontrou mais as postagens de Adélio.

Uma postagem que já tinha sido salva pelo canal True or not mostra outra obsessão de Adélio ligada à ideologia de Bolsonaro, o projeto que criminaliza a homofobia. Ele publicou uma ilustração, falsamente atribuída a movimentos LGBTs, em que aparecem duas crianças se beijando e a frase “Ninguém nasce homofóbico”. Em texto próprio, Adélio rebateu.“Ninguém nasce gay, mas pode ser induzido a ser, inclusive nas escolas públicas”.

Postagem de Adélio no Facebook: contra LGBT(Photo: Reprodução)Reprodução


Um militante de esquerda escreveria algo desse tipo? Fábio Morato suspeita que o Facebook de Adélio poderia já estar sendo usado naquela época como parte de uma rede favorável a Bolsonaro, uma espécie de embrião do gabinete do ódio. Mas não há dúvida de que o próprio Adélio concordava com o ideário, como diz um sobrinho dele, Jéfferson Ramos de Souza.

Jéfferson me contou que acompanhou o tio em várias pregações dele em igrejas evangélicas de Montes Claros e ouviu Adélio falar sobre o kit gat (fake news muito difundida pelos bolsonaristas) e também atacar projeto que tramitava no Senado para criminalizar a homofobia.

"Ele falava muito sobre a liberdade religiosa e alertava para a ameaça dos pastores serem obrigados a realizar casamento homossexual”, disse. “As bandeiras do meu tio eram bolsonaristas. Ele só poderia ser chamado de esquerda por ser pobre e por defender maiores salários para os trabalhadores. Só nisso havia identificação alguma bandeira que poderia ser chamada de esquerda”, acrescentou.

Mesmo assim, minutos depois da facada ou suposta facada em Juiz de Fora, Adélio Bispo de Oliveira já era apresentado em rede nacional como o militante-de-esquerda-que-tentou-matar-Bolsonaro e pipocou a pergunta ainda hoje frequente entre os bolsonaristas: “Quem mandou matar Bolsonaro?”

Cacau Menezes, jornalista conhecido por suas posições de direita em Florianópolis, publicou em sua coluna na imprensa a foto de Adélio Bispo de Oliveira ao lado do ativista Luciano Mergulhador, e o texto:

"Adélio Bispo De Oliveira, de camisa vermelha na foto, suspeito de esfaquear o candidato Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (6) em Juiz de Fora, andou por Floripa seguindo a turma do '"Fora Temer'”.

Logo depois, o site O Antagonista, na época apoiador entusiasmado da candidatura Bolsonaro, publicou a notícia de que Adélio visitara a Câmara dos Deputados em agosto de 2013 e tinha um registro de entrada naquele mesmo dia. Logo surgiu a tese de que ele tinha contatos no parlamento e alguém teria tentado criar um álibi para ele, caso conseguisse sair com vida e sem ser notado do episódio em Juiz de Fora.

Esse registro, muito explorado pela imprensa, não faz sentido algum, pois foi criado por volta das 18 horas daquele 6 de setembro, quando Adélio já tinha sido preso. Porém cumpriu uma função na narrativa que se seguiu ao episódio em Juiz de Fora. Em live, um dos diretores do Antagonista, Cláudio Dantas, disse que poderia ser um álibi para livrar Adélio da acusação de um crime.
Registro da entrada de Adélio na Câmara dos Deputados(Photo: Reprodução)reprodução


Radialistas e jornais menores repercutiam raciocínios estapafútdios como este. O que nenhum jornalista procurou saber é quem procurou os registros de entrada na Câmara justamente para encontrar o nome de Adélio.

O inquérito da Polícia Federal informa que foram dois policiais legislativos, que agiram por iniciativa própria, sem que houvesse uma investigação formal sobre o caso. É razoável supor que alguém tenha dado a informação a eles, que foram buscar registro para vazar a veículos alinhados a Bolsonaro.

O funcionário que fez a busca a pedido dos policiais legislativos disse à PF ter gerado um novo registro de Adélio porque era a única forma de saber se ele tinha passado antes pela portaria. Esse funcionário disse que criou um segundo registro por ter feito nova pesquisa, por “curiosidade”.

Adélio estava prestando seu primeiro depoimento ao delegado Rodrigo Morais quando a “pesquisa” foi feita. Não foi o delegado quem solicitou, mas os policiais legislativos já tinham os dados sobre Adélio.

Logo surgiu a especulação de que Adélio teria ido à Câmara para visitar Jean Wyllys, do PSOL, desafeto de Bolsonaro. Foi uma fake news que se encaixou à narrativa que já estava sendo construída, a do militante-de-esquerda-que-tentou-matar-Bolsonaro.

De novo: em agosto de 2013, Adélio já estava distante do PSOL, mas continuava muito interessado em política, se aproximando do PSD e fazendo postagens de bandeiras conservadoras no Facebook.

A imprensa também não procurou saber quem era Luciano Mergulhador, o ativista que segurava um cartaz Renuncia Temer e Políticos Inúteis quando tirou foto com Adélio, em frente à Catedral de Florianópolis.

Luciano Carvalho de Sá é de Canoas, no Rio Grande do Sul, filho de um empresário do setor de calçados e que morou na Nova Zelândia, depois de fazer um curso de Ciências Sociais no estado gaúcho.

Ele se tornou amigo do jornalista Oswaldo Eustáquio quando foi para o Paranaguá para denunciar vereadores, liderando uma campanha que forçou a renovação do Parlamento nas eleições de 2016.

Logo depois, ele foi para Brasília, numa caravana de ultradireitistas, que invadiram o Congresso Nacional. Eu o entrevistei por quase duas horas no mesmo local onde tirou foto com Adélio. Luciano contou que treinou aqueles militantes para a invasão do Parlamento e mostrou uma foto publicada na primeira página da Folha de S. Paulo, em que aparece tentando impedir o deslocamento de um ônibus da Polícia Legislativa, que tentava dispersar os invasores.

Na foto, ele aparece com pés apoiados no pára-choque e com as mãos segurando o limpador do pára-brisa. Ele e os demais manifestantes pediam intervenção militar. Era a pauta da extrema direita na época.

Bolsonaro se manifestaria mais tarde, em maio de 2018, favorável à renúncia de Temer. Uma semana depois, Luciano Mergulhador acrescentava a sua lista de cartazes a mesma mensagem, encampada por Adélio ao tirar foto com o ativista.

Luciano diz que não conhecia Adélio, mas apresentou uma versão inconsistente ao dizer porque se encontrou com ele. O ativista disse que havia naquele dia duas manifestações, uma dos vestidos de amarelo e outra dos vestidos de vermelho. Adélio estaria entre os vestidos de vermelho e se aproximou dele, que estava no meio, para tirar a foto.

Ele não foi apenas fotografado, mas fotografou outras pessoas com Luciano Mergulhador. Uma delas é Leninha, que Luciano Mergulhador disse estar ali também participando da manifestação de esquerda. Ele próprio me passou o contato dela. Eu a procurei.

Leninha contou que não participava de manifestação alguma naquele dia.

“Eu trabalhava no centro, ali pertinho. Era horário de almoço, eu e minha colega fomos ali na Catedral comer um pastel e toar um caldo de cana. O Luciano Mergulhador estava lá, e eu já o conhecia de vista. Aí o Adélio pediu para eu tirar uma foto dele com o Luciano Mergulhador, e eu bati a foto, porque eu queria conhecer mais o Luciano. Eu bati a foto e foi só. Eu não participava de manifestação nenhuma. Eu só estava lá e o Adélio veio, bem gentil, e pediu para eu bater uma foto dele com o Luciano, e foi o que eu fiz”, disse Leninha ao 247.
Joaquim e Luciano Mergulhador(Photo: Imagem: Eric Monteiro)Imagem: Eric Monteiro


Ao aparecer na foto ao lado de Adélio, Luciano Mergulhador, que tem proximidade com Luciano Hang, dono da Havan e investigado no inquérito sobre financiamento dos atos democráticos, foi alvo de ataques de bolsonaristas que não o conheciam.

“Eu tive que sair de Florianópolis e ficar escondido um tempo, porque poderia ser alvo de alguma violência”, afirmou. Mergulhador reclamou da falta de solidariedade de Bolsonaro e de seus filhos. “Eles poderiam ter se manifestado e dito que me conheciam e sabiam que eu não tinha nada a ver com a ideologia de Adélio”, disse. Em 2014, contou, ele se manifestou publicamente em defesa de Bolsonaro, quando o então deputado (e já em andanças pelo país com vistas à campanha de 2018) era criticado por ataques a mulheres.

Se Luciano fosse defendido pela família Bolsonaro — como ocorreu em relação a um dos seguranças atacados por bolsonaristas por aparecer dando um soquinho no então candidato a presidente quando este era carregado depois da suposta facada —, a narrativa de que Adélio era um militante de esquerda perderia força.

Luciano Mergulhador acha que foi abandonado à própria sorte, e foi mesmo. No entanto, continua na militância de direita — ele convocou seus seguidores para o protesto organizado por Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro. Ele também apoiou o ato deste dia 12 organizado pelo MBL.

Em abril de 2020, Luciano Mergulhador deu entrevista a Oswaldo Eustáquio, em que falou ter ouvido de Adélio elogio a Jean Wyllys. Ele depois se retratou perante a Polícia Federal, e não fazia nenhum sentido este elogio de Adélio. Em seu Facebook, Adélio, fiel da Igreja do Evangelho Quadrangular, criticava as posições defendidas por Jean Wyllys sobre homofobia. No Facebook , ele não critica Jean Wyllys, mas uma das principais bandeiras que este defendia.

Florianópolis foi o palco de fatos que precisam ser devidamente investigados, não apenas o que está por trás daquela foto, tirada quatro meses antes do episódio em Juiz de Fora. Carlos Bolsonaro e o Clube Ponto 38 tentaram esconder que o filho de Bolsonaro dividiu o mesmo estande de tiro com Adélio. Na dinâmica normal das relações sociais, a probabilidade desse encontro seria muito pequena. Adélio era uma pessoa que vivia em condições quase miseráveis, mas muito focado em política.

Ao falar sobre o caso para a jornalista de extrema direita Leda Nagle, Carlos Bolsonaro diz que esteve em Florianópolis no último dia do curso de Adélio, 5 de julho de 2018. Ele omite que esteve no mesmo local que o autor do suposto atentado.

A porta voz do Clube de Tiro .38, Júlia Zanatta, mentiu à imprensa ao dizer que Adélio esteve uma única vez no local, e fez um cadastro e nunca mais voltou. Também declarou que Adélio não teria encontrado Carlos Bolsonaro no clube.

Chamado a depor, um dos donos da escola, Tony Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, admitiu o encontro, e o instrutor de tiro, Rafael Machado, também depoente, narrou até o comportamento de Adélio naquele dia, o último de seu curso.

Carlos Bolsonaro, o dono do clube de tiro e trecho do inquérito(Photo: Reprodução)Reprodução


O instrutor de tiro de Adélio e trecho do depoimento à PF(Photo: Reprodução)reprodução


“Adélio, durante o intervalo, não permaneceu com o grupo (de que fazia parte Carlos Bolsonaro), tendo ido sentar em uma poltrona localizada a poucos metros de onde estavam os demais”, afirmou.

Procurei a escola, falei com o responsável pelo marketing e, por orientação dele, enviei e-mail. Pedi entrevista aos dois e também imagens do circuito interno do dia 5 de julho de 2018. Ninguém respondeu à minha mensagem.

O Clube de Tiro .38 surgiu depois de um escândalo que envolveu o desaparecimento de jóias que em R$ 660 mil. Em 1980, um avião da Transbrasil se chocou contra o Morro da Virgínia, em Ratones, no norte da Ilha de Santa Catarina, onde fica a maior parte de Florianópolis.

O titular da Delegacia de Homicídios da capital, Tim Omar de Lima e Silva, ficou responsável pelas jóias legais apreendidas da bagagem de um dos mortos, Manoel José do Nascimento, que estava se mudando para Florianópolis com o objetivo de abrir uma joalheria. Ele já tinha até sala alugada no Ceisa Center.

Dois anos depois, quando houve troca no comando da Secretaria de Segurança Pública do Estado, a caixa lacrada onde as jóias tinham sido guardadas foi aberta, e encontraram ali apenas pedras e dois blocos de argamassa. As jóias — guardadas sob a responsabilidade de Tim Omar de Lima e Silva — foram furtadas e jamais encontradas.

O policial José Paulo Martins Cardoso foi apontado por Tim como culpado pelo sumiço e o prendeu, mas o policial, em entrevista, disse ser inocente.

– Me sequestraram e me deixaram nove dias preso, incomunicável e sob tortura para eu confessar. Eu era o culpado perfeito, eles me odiavam porque eu era contra o sistema, era de esquerda – afirmou Matins Cardoso no documentário Transbrasil PT-TYS Voo 303, O Acidente que Florianópolis não Esqueceu, de Gilson Gihel.

O Clube de Tiro .38, dirigido hoje por dois filhos do delegado Tim Omar de Lima e Silva, é um dos dois em atividade na capital catarinense e municípios vizinhos, como São José, onde está sediado. O .38 é o maior e frequentado pela elite da região. A ligação com Carlos Bolsonaro fica evidente logo na entrada.

Na parede à esquerda, existem três quadros com homenagens que Carlos, em nome do Poder Legislativo do Rio de Janeiro, deu aos proprietários da empresa.

Depois de dividir com Adélio o mesmo espaço em 5 de julho de 2018, Carlos é visto dois meses depois a cerca de quatro metros de distância de Adélio. Foi no Parque Halfeld, Juiz de Fora, onde Bolsonaro iniciava a caminhada para, 300 metros adiante, ocorrer o episódio da facada ou suposta facada.

Uma gravação em vídeo mostra Adélio atrás do carro onde Bolsonaro, em cima do capô de uma Pajero preta, discursava. Atrás de Adélio havia policiais militares, que observavam um grupinho que protestava contra o então candidato. Adélio caminhava de um lado para o outro, com um jornal enrolado na mão. Ao ver Adélio, ele para e olha para o filho do candidato, que dá as costas e entra no carro rapidamente.

A Leda Nagle, ele diz que viu quando Adélio caminhava na sua direção. Ele diz que não saiu mais do carro. Estranho. Se suspeitou das intenções de Adélio, poderia chamar um dos muitos seguranças que o acompanham, juntamente com o pai. Além disso, como tinha dividido o mesmo espaço com Adélio no Clube de Tiro (um espaço pequeno, diga-se), ele poderia se lembrar dele.

A cena mais parece a reação de um homem preocupado em não ser visto conversando com Adélio naquele dia, 30 minutos antes da cena no cruzamento do calçadão da Halfeld com a rua Batista de Oliveira. Adélio, efetivamente, olha para ele, mas não parece ameaçador. Parece mais uma pessoa à espera de alguma orientação.

O caso, definitivamente, precisa ser reaberto, para seguir a linha de investigação que a Polícia Federal desprezou, a do auto-atentado.

 




Brasil 247