quarta-feira, 28 de março de 2012

Morre no Rio de Janeiro, aos 88 anos, Millôr Fernandes

Paulo Virgílio e Renata Giraldi
Repórteres da Agência Brasil

Rio de Janeiro e Brasília – Depois de várias internações, o humorista e escritor Millôr Fernandes, de 88 anos, morreu ontem (27) à noite em casa, em Ipanema, na zona sul do Rio, de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr era também desenhista, dramaturgo, jornalista, e tradutor.

Nascido no bairro do Méier, na zona norte do Rio, o escritor gostava de contar que o sonho de sua mãe, de ter um filho chamado Milton, foi transformado por um erro do tabelião, no cartório, quando o pai foi registrá-lo. Em vez de Milton Viola Fernandes, ele foi foi registrado como Millôr.

Amanhã (29), a partir das 10h, o corpo será velado no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária, do Rio. Em seguida, será cremado, como ele havia recomendado à família e a amigos.

Millôr escreveu seu primeiro livro aos 10 anos, depois não parou mais. Trabalhou em jornais e revistas. Na revista O Cruzeiro, durante anos a principal do país, ele assinou a coluna Pif-Paf.

Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, que se tornou emblema da crítica à ditadura (1964-1985). Como autor, escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de fazer exposições. Traduziu obras clássicas de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.

Agência Brasil

terça-feira, 27 de março de 2012

Mais um líder do MST é assassinado em Pernambuco

Como passam-se os anos e não conseguimos solucionar o problema do acesso e propriedade da terra para os pequenos produtores agrícolas no Brasil, tornou-se quase uma rotina virmos periodicamente aqui lamentar o assassinato de um sem terra ou de uma liderança do setor. Hoje, com pesar, registramos a morte, em uma emboscada na região do Agreste pernambucano, de Antônio Tiningo, coordenador do acampamento da fazenda Ramada e trabalhador rural sem terra no Estado.

Tiningo foi assassinado quando se dirigia ao acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, também na regiãl do Agreste. Edilson Barbosa, da direção estadual do Movimento dos Sem Terra (MST) em Pernambuco, afirmou que todas as suspeitas da responsabilidade pelo crime recaem sobre “Brecha” Maia, apelido de um empresário do ramo de confecção e especulação imobiliária, dono da fazenda Ramada.

“Ele tinha feito várias ameaças. Já ameaçou o acampamento, pistoleiros fizeram um despejo por conta própria... É uma coisa praticamente anunciada”, lamenta Edilson Barbosa. O acampamento da Ramada já existe há três anos e, mesmo assim, a fazenda foi comprada por Brecha no final de 2011.

Artigo veiculado pelo MST sobre o assassinato denuncia: “Logo que comprou a área, o fazendeiro - que possui outras fazendas na região - expulsou ilegalmente as famílias, sem nenhuma ordem judicial ou presença policial”. Ainda de acordo com este artigo do MST, na semana passada Brecha havia declarado que faria o despejo das famílias “por bem ou por mal”, o que não passaria de 6ª feira, exatamente o dia em que Tiningo foi assassinado.

A violência referente à questão agrária em Pernambuco, assim como em outros Estados, sempre foi um problema latente. O MST exige que seja indicado um delegado especial para apurar o caso, uma vez que é “uma região em que os poderes públicos locais possuem uma relação estreita com os proprietários de terra”. A direção do movimento também solicita a presença do Ouvidor Agrário Nacional, Dr. Gercino Filho. Toda solidariedade ao MST movimento e aos amigos e familiares de Antonio Tiningo.

Blog do Zé Dirceu

Surrealismo

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Ophir Cavalcanti
Interessante! É o mínimo que se pode dizer da defesa feita pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, em sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta 2ª feira, para que o órgão estenda a aplicação da Lei da Ficha Limpa ao Poder Judiciário. Ophir considera que esta ampliação é um "anseio social", que a proposta "vai ao encontro dos anseios da sociedade e dos interesses do CNJ, de punir os desvios de conduta no âmbito do Judiciário".

A apreciação da proposta defendida pelo presidente do órgão máximo dos advogados do Brasil foi suspensa ontem por um pedido de vistas e agora não tem data para voltar a ser examinada. Ela propõe que pessoas condenadas (em até 2ª instância judiciária) por atos hoje tipificados como causa de inelegibilidade sejam proibidads de ocupar função de confiança ou cargo em comissão no Poder Judiciário.

Na defesa apresentada na reunião do CNJ, Ophir previu que, aprovada pelo CNJ, a proposta estimulará o Poder Executivo a adotar a Lei da Ficha Limpa como política de Estado. E, acrescenta o dirigente da OAB-nacional, impedirá nepotismo no Judiciário (???). No dia 16 de fevereiro pp., por 7 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou como constitucional a Lei da Ficha Limpa, que determina a inelegibilidade, por 8 anos, dentre outros, de políticos condenados em 2ª instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação.

Acusado de receber há 13 anos sem trabalhar defende moralidade

O interessante e que chama a atenção nessa disposição de Ophir Cavalcanti de ir à tribuna do CNJ defender a extensão da Filha Limpa ao Judiciário é que ele responde a uma ação civil proposta por dois advogados paraenses para devolver ao erário público R$ 1,5 milhão que recebeu indevidamente. Segundo a denúncia à Justiça, Ophir, procurador do Estado do Pará, está licenciado há 13 anos, mas recebe R$ 20 mil mensais do Estado sem trabalhar.

Ophir confirma o recebimento do salário, mas diz não haver ilegalidade nisso. Pode ser legal, no sentido de dispositivos das leis, mas é ilegítimo e uma excrescência. Pior nessa história toda, o grande problema que eu vejo, também - além da indecência de receber sem trabalhar há 13 anos - é que nossa mídia passou a mão na cabeça do Ophir. Esconde esta e todas as demais denúncias que surgem contra ele, que continua a posar de Catão.

A imprensa, um ou outro veículo, até registrou o fato quando da entrada do processo na Justiça. Mas ao contrário do seu comportamento habitual, não o lembra agora, e em outras situações em que Ophir, mesmo com esta biografia e passado, desfila publicamente, como fez ontem, com pose de vestal.

Foto Antonio Cruz/ABr

Blog do Zé Dirceu

Eduardo Campos descarta aliança com Serra

Da Agência Estado

Campos sinaliza por candidatura própria do PSB ou apoio a Haddad em SP

Presidente nacional da sigla praticamente descartou aliança com Serra na disputa pela prefeitura

Rosa Costa, da Agência Estado

O presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, praticamente descartou nesta terça-feira, 27, o apoio do partido a José Serra, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo. Campos disse que na disputa da prefeitura da capital paulista, considera "mais provável" o PSB lançar candidato próprio. Caso isso não ocorra, ele acredita que a tendência do partido é de se coligar com o candidato do PT, Fernando Haddad.

a própria, o mais provável hoje é que iremos para a aliança que sempre tivemos", afirmou Campos, referindo-se à base de apoio da presidente Dilma Rousseff, da qual faz parte. "Esse é o sentimento que eu acolho. Agora, a decisão só vai vir em junho. Isso está em movimento, está em debate e quem vai decidir tem de levar em conta a situação municipal e nacional", ressaltou.

Eduardo Campos falou no Senado, após solicitar ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que encaminhe em regime de urgência a proposta de liberação do empréstimo do Banco Mundial, no valor de US$ 3,5 bilhões, para Estados da Região Nordeste.

O governador avaliou que a prefeitura de São Paulo, por ser "a mais expressiva cidade do Brasil", tem de ser analisada em todos seus aspectos. "É necessário ouvir o conjunto do partido no País", frisou. "Eu não acho provável que o partido decida nessa direção", reiterou, referindo-se ao apoio a José Serra. "Mas respeito o tempo do debate do município para que, quando (o assunto) chegar à direção geral, eu possa expressar opinião com muita clareza. Não vamos atropelar o debate".

Sobre a conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador disse que não viu o pedido de Lula para que apoie Fernando Haddad como um "apelo", mas sim como um diálogo político. "A palavra de Lula é muito importante para o partido, temos respeito pela sua biografia e pela história que temos juntos". Ele informou que dos 1.200 pré-candidatos do PSB nas eleições municipais, pelos menos 10 dos 15 interessados em disputar as prefeituras de capitais manterão a candidatura até o final.

Blog do Luis Nassif

Comissão do Senado aprova fim do décimo quarto e décimo quinto salários de parlamentares

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou hoje o fim do décimo quarto e do décimo quinto salários dos parlamentares. O projeto de decreto legislativo prevê que deputados e senadores só terão direito a receber os auxílios-mudança e transporte no início e no fim do mandato parlamentar. Hoje, os parlamentares recebem essas ajudas de custo duas vezes por ano. A matéria vai agora para a Mesa Diretora da Casa.

Os dois benefícios equivalem, cada um, ao salário do parlamentar, de R$ 26,7 mil. Por ano, o Senado gasta R$ 4,3 milhões com o pagamento dos auxílios-mudança e transportes aos 81 senadores. Ao fim do mandato de oito anos, a despesa chega a R$ 34,4 milhões. Se a matéria for aprovada no Senado e na Câmara, o gasto com mudanças dos senadores cairá para R$ 4,3 milhões.

O relator do projeto, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que o pagamento se justificava "na época em que os transportes eram precários e os parlamentares se deslocavam para a capital do país a cada ano e lá permaneciam até o fim do ano legislativo". Hoje, acrescentou, os parlamentares têm a oportunidade de viajar para os respectivos estados todo fim de semana. Para o relator, isso torna injustificável a manutenção desses benefícios.

O projeto para acabar com os salários extras foi apresentado em 2011 pela então senadora e hoje ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. "A prática não se justifica nem sob o argumento de que ela representa uma forma de complementação remuneratória para os parlamentares", disse o relator.

Agência Brasil

Ipea aponta maior confiança estrangeira no Brasil

Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O atual ambiente político do Brasil tem contribuído de forma positiva sobre a decisão de empresas estrangeiras investirem mais no país. A avaliação consta na sexta edição do Monitor da Percepção Internacional do Brasil divulgada hoje (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o estudo,os agentes internacionais (embaixadas, câmaras de comércio, empresas com controle estrangeiro e organizações internacionais com repre­sentação no Brasil) percebem influência positiva do atual ambiente político doméstico sobre a decisão de grandes corporações com sede no exterior a investirem no Brasil.

O indicador relativo ao tema atingiu 45 pontos na edição de março, valor mais alto observado desde o início da pesquisa. Do total de entrevistados, 28% avaliam que tal influência é muito positiva, 51% creem que é ligeiramente positiva e os demais entendem que não há influência (5%) ou que ela é ligeiramente negativa (13%) ou muito negativa (3%).

Ampliando a tendência já observada na edição de agosto de 2011, os agentes internacionais revelam-se bastante otimistas em relação ao fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) direcionado ao país. O indicador relativo ao tema aumentou de 43 pontos, em agosto de 2011, para 51 pontos, em março de 2012.

Pela primeira vez desde o início da pesquisa, o Brasil foi apontado “entre os três primeiros colocados” na questão que pede a opinião sobre o “ranking dos países que mais recebem IED no mundo, nos próximos 12 meses”. Esta opção foi escolhida por 38% dos entrevistados, seguida pela resposta “entre o quarto e o quinto colocado”, com 36% do total.

Outro indicador que apresentou evolução favorável foi o de qualidade da infraestrutura, que alcançou 12 pontos, frente aos -8 pontos da edição de agosto de 2011. Este é o maior valor registrado nas últimas cinco edições da pesquisa, inferior apenas ao da edição de julho de 2010, que foi de +13 pontos.

Todos os índices ligados à política externa do Brasil também registraram significativos aumentos. Merece destaque a evolução da percepção sobre a influência do Brasil em organismos multilaterais, cujo indicador subiu de 15 pontos para 40 pontos entre as duas últimas pesquisas, e a respeito da importância do país para a América Latina, cujo medidor saltou de 30 pontos para 54 pontos.

Agência Brasil

Demóstenes Torres pede afastamento da liderança do DEM no Senado


Marcos Chagas*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu afastamento da liderança do DEM no Senado, no começo da tarde de hoje (27), em carta enviada ao presidente nacional da legenda, José Agripino Maia (RN). No texto, Demóstenes sinaliza que precisa de mais tempo para se dedicar à defesa das denúncias que o envolvem com o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.

“A fim de que possa acompanhar a evolução dos fatos noticiados no últimos dias, comunico a Vossa Excelência meu afastamento da Liderança do Democratas no Senado Federal”, disse o senador, na correspondência.

O corregedor do Senado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), enviou pedido de informações ao Ministério Público para saber se há envolvimento de Demóstenes no esquema de corrupção investigado pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. Depois dessas informações, Vital do Rêgo definirá se o caso será remetido ao Conselho de Ética da Casa.

Em meio às denúncias de irregularidades, Demóstenes confirmou apenas que havia recebido presentes de casamento – uma geladeira e um fogão importados – de Cachoeira. Porém, vieram à tona informações que o senador mantinha uma linha telefônica para conversar com o empresário.

*Colaborou Renata Giraldi

Agência Brasil