terça-feira, 2 de junho de 2015

PETROBRAS CAPTA US$2,5 BI EM VOLTA AO MERCADO EXTERNO


Sob o comando de Aldemir Bendine, estatal emitiu um raro título de 100 anos, pagando um rendimento de 8,45 por cento ao investidor, na primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato; a conclusão da operação externa está prevista para ocorrer em 5 de junho, disse a petroleira em comunicado

2 DE JUNHO DE 2015 ÀS 05:45


(Reuters) - A Petrobras emitiu nesta segunda-feira 2,5 bilhões de dólares em um raro título de 100 anos, pagando um rendimento de 8,45 por cento ao investidor, na primeira investida da companhia no mercado internacional de capitais desde o estouro da Operação Lava Jato, confirmou a petroleira em comunicado.

A conclusão da operação externa está prevista para ocorrer em 5 de junho, disse a estatal em comunicado.

O novo título carrega um cupom de 6,85 por cento e foi vendido a 81,07 por cento do valor de face. O rendimento ficou 549,3 pontos básicos acima dos títulos de referência do Tesouro dos Estados Unidos. A demanda superou 13 bilhões de dólares, segundo fontes do IFR, serviço da Thomson Reuters.

O rendimento ficou abaixo do preço inicial em discussão de 8,85 por cento e no piso da orientação para o yield de 8,55 por cento, mais ou menos 10 pontos básicos. Mas ainda oferece um spread em relação a curva de rendimento dos títulos de 30 a 100 anos do México, único país da América Latina que lançou nos últimos anos títulos de 100 anos.

O montante da emissão superou intervalo esperado, de 1 bilhão a 2 bilhões de dólares, segundo fontes contatadas pelo IFR.

A rara emissão de 100 anos chamou a atenção, mas alguns questionaram se a empresa, que ficou fora do mercado de capitais por mais de um ano, não estava sendo muito ambiciosa ao optar por um vencimento tão longo.

A Petrobras, que ainda se recupera de um grande escândalo de corrupção, busca dar uma indicação forte sobre a sua capacidade de crédito com o primeiro lançamento de um título corporativo de 100 anos da América Latina em quase 20 anos, de acordo com dados IFR.

"A ideia é fazer um movimento ousado", afirmou mais cedo uma fonte do setor bancário. "Fazer algo que só tem sido feito por um seleto grupo mostra força."

As taxas apresentadas são bastante atrativas para os investidores, disse a analista da corretora Concordia Karina Freitas.

"Pouco mais de um ano atrás, a Petrobras vinha captando com taxas que eram praticamente a metade disso", frisou Karina.

"Então talvez conseguir essa emissão não seja necessariamente uma sinalização de que o mercado está tão receptivo à companhia."

Alguns agentes de bancos disseram que a Petrobras poderia ter pago substancialmente menos se tivesse optado por um título mais curto.

Para o gerente de renda fixa da corretora Guide Investimentos, Bruno Carvalho, uma operação dessa natureza deve interessar apenas governos.

"Não vejo como pessoas físicas ou empresas privadas poderiam se interessar", destacou Carvalho.

Como a Petrobras ainda não se pronunciou sobre o tema, analistas destacaram que não está claro qual o objetivo da companhia com esta iniciativa, se é rolar dívidas ou garantir a capacidade para realizar os investimentos necessários.

O mais provável, segundo Carvalho, será a rolagem de dívidas, já que a empresa já mostrou que irá investir menos. Mas, por trás da estratégia, a estatal está buscando mostrar para o mercado uma confiança no desenvolvimento da companhia no longo prazo, acrescentou.

O negócio é a primeira emissão de bônus em dólares da companhia desde março de 2014, segundo dados do IFR, quando a petroleira fez uma emissão em seis tranches de 8,5 bilhões de dólares.

RATINGS

O analista da corretora Spinelli Elad Revi destacou que a empresa está se endividando ainda mais enquanto luta para reduzir indicadores de alavancagem.

Em março, o Conselho de Administração da petroleira havia autorizado que a estatal fizesse captações de até 19,1 bilhões de dólares líquidos em recursos ao longo de 2015.

Depois disso, a empresa contratou uma série de financiamentos com diversos bancos e informou em abril que já havia coberto necessidades para este ano. Entretanto, que continuaria a avaliar oportunidades de financiamento visando antecipar parte das necessidades de 2016.

"O fato de ela vir realmente a emitir bônus dessa natureza, mesmo depois de ter falado que já tinha cumprido suas necessidades (de financiamentos), mostra uma certa instabilidade para com o plano de negócios", afirmou Revi.

A emissão é vista como positiva para a perspectiva do rating da estatal pelas agências de classificação de risco.

"Se a Petrobras conseguir colocar esta emissão proposta, isso vai ser visto como um passo positivo para recuperar o acesso aos mercados de capitais de dívida, do qual depende para sustentar seu plano de investimento e necessidades de financiamento", disse Lucas Aristizabal, diretor sênior da Fitch, em comunicado.

A Fitch e a Standard & Poor's classificaram a emissão da Petrobras em "BBB-", mesmo rating dado à estatal, conforme comunicados divulgados nesta segunda-feira.

"Esperamos que a empresa use os recursos para propósitos corporativos gerais, incluindo o financiamento de seu plano de investimentos", afirmou a S&P, em seu comunicado.

O Deutsche Bank e o JP Morgan coordenaram a emissão.

(Por Davide Scigliuzzo, Paul Kilby, John Balassi, em Nova York, com reportagem adicional de Marta Nogueira, no Rio de Janeiro)


Brasil 247

LEITOR JÁ SE INFORMA MAIS PELO CELULAR DO QUE PELA TV


Consumidor gasta quase 2,2 horas por dia com aparelhos móveis (97 minutos no smartphone, 37 minutos no tablet), 37% do tempo diário dedicado ao consumo de mídia – em seguida vêm a TV (81 minutos), computador (70), rádio (44) e impresso (33); mudança de comportamento tende a acelerar o declínio dos veículos impressos

2 DE JUNHO DE 2015 ÀS 06:21


247 – O celular se tornou a mídia mais consumida no mundo. Segundo relatório divulgado nesta segunda (1º) pela Associação Mundial de Jornais e Publishers de Jornais (WAN-IFRA), o consumidor global já gasta quase 2,2 horas por dia com aparelhos móveis (97 minutos no smartphone, 37 minutos no tablet), 37% do tempo diário dedicado à mídia.

Em seguida vêm TV (81 minutos), computador (70), rádio (44) e impresso (33).

A circulação digital paga também aumentou 56% em 2014 e 1.420% entre 2010 (leia mais na reportagem de Raul Lores).


Brasil 247


segunda-feira, 1 de junho de 2015

NOVO RECORDE NO PRÉ-SAL: 715 MIL BARRIS/DIA


Um dos sinais mais vigorosos da força da Petrobras, a produção de petróleo na camada de pré-sal chegou a 715 mil barris diários no mês de abril, segundo divulgou nesta segunda (1º) a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); o total de petróleo em todos os campos no país, no mesmo período, foi 2,394 milhões de barris diários; a produção de gás natural atingiu 94,3 milhões de metros cúbicos por dia; de acordo com a ANP, houve aumento de 11,6% na produção de petróleo nacional, comparada a abril de 2104, e crescimento de 13,9% na produção de gás natural

1 DE JUNHO DE 2015 ÀS 19:44


Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

A produção de petróleo na camada de pré-sal chegou a 715 mil barris diários no mês de abril, divulgou hoje (1º) a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No pré-sal, a produção foi originada de 49 poços, que também forneceram 27,1 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.

O total de petróleo em todos os campos no país, no mesmo período, foi 2,394 milhões de barris diários. A produção de gás natural atingiu 94,3 milhões de metros cúbicos por dia. De acordo com a ANP, houve aumento de 11,6% na produção de petróleo nacional, comparada a abril de 2104, e crescimento de 13,9% na produção de gás natural na mesma base comparativa.

Os campos operados pela Petrobras foram responsáveis pela produção de 94,3% de petróleo e gás natural, dos quais 93,3% do petróleo e 76,5% do gás foram extraídos de campos marítimos. O campo de Roncador, na Bacia de Campos, foi o de maior produção de petróleo, com 344,8 mil barris por dia. O campo de Lula, na Bacia de Santos, foi o campeão de gás natural, com produção média diária de 14 milhões de metros cúbicos.

A produção nacional foi extraída de 313 concessões, operadas por 24 empresas. No total, são 9.064 poços, sendo 820 marítimos e 8.244 terrestres. As informações completas podem ser obtidas na página da ANP na internet (www.anp.gov.br).


Brasil 247

Como a Folha, por medo da Globo, perdeu a chance de investigar a corrupção no futebol. Por Paulo Nogueira

Postado em 01 jun 2015

Teixeira agia movido a propinas


A Folha é engraçada.

Diz, acusatória, que a PF abriu 13 inquéritos contra a CBF em 15 anos, e nenhum deles deu em nada.

Vaias para a PF, portanto.

Mas e a Folha, um jornal a serviço do Brasil? O que ela fez? Promoveu uma única investigação sobre a CBF?

E chances não faltaram. Faltou coragem de mexer num universo, o da CBF, em que um dos protagonistas é a Globo.

Todo mundo no Brasil morre de medo da Globo, do governo às demais empresas de mídia.

É a razão pela qual a Globo faz o que quer, e escapa mesmo de sonegações fartamente documentadas.

Chances para a Folha não faltaram.

Os arquivos provam. Uma notícia da Folha de dezembro de 2006 – resgatada e posta para circular nos últimos dias, depois do escândalo da Fifa – tinha o seguinte título: “Globo paga menos e leva dois Mundiais.”

O texto dava as cifras. A Globo pagou 100 milhões de dólares pela Copa de 2010 e 120 milhões pela de 2014.

O extraordinário, aí, é que a Record foi preterida com uma oferta de 180 milhões de dólares por Copa. Isso daria, portanto, 360 milhões de dólares, contra os 220 milhões da Globo.

Vistas as coisas hoje, é fácil entender o milagre. Na época da decisão, e da matéria da Folha, Ricardo Teixeira e João Havelange dominavam a CBF e eram influentes na Fifa.

Uma hipótese benevolente é acreditar que a Globo levou todas pela voz de Galvão, ou coisa parecida.

Mas, como disse Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.

Habitualmente tão desconfiada quando se trata do PT, a Folha publicou o seguinte.

“A Folha apurou que a Fifa levou em consideração não apenas as propostas financeiras.”

É aí que entra a voz de Galvão, ou coisa do gênero. Ou propinas.

Mesmo um admirador fervoroso da Folha há de convir que foi miserável a apuração do jornal do estranho caso da concorrência vencida pela pior proposta.

O jornal deveria pedir desculpas a seus leitores, mas não.

Em sua coluna de ontem, a ombudsman tocou no escândalo da Fifa, em outro contexto, naturalmente.

Ela criticava uma manchete sobre o episódio porque tomara o lugar da derrota do Distritão.

O secretário de redação, Sérgio Dávila, não se rendeu.

Disse que a escolha pela Fifa se devia à tradição da Folha de cobertura “crítica” do mundo do futebol, “inigualável” no Brasil.

De novo: a Folha aponta para a PF, no fracasso em investigar a corrupção na CBF, quando deveria olhar para o próprio espelho.

Em seu marketing, o jornal apregoa não ter o rabo preso com ninguém. Poderia acrescentar: exceto com a Globo.

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Diário do Centro do Mundo

A ‘revelação’ de Mariana Godoy sobre os apresentadores da Globo. Por Paulo Nogueira

Postado em 31 mai 2015

Agora ela pode fazer perguntas


As pessoas pareceram surpresas, nas redes sociais, com uma declaração da jornalista Mariana Godoy, ex-Globo, sobre os apresentadores da emissora.

Numa entrevista, ela se disse feliz com seu novo emprego na Rede TV porque, finalmente, pode fazerperguntas, e não simplesmente ler as que os outros fazem por ela.

Outros não. Outro: Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo.

As pessoas achavam que os apresentadores da Globo tinham luz própria para fazer alguma coisa além de declamar.

Não.

Mariana fez questão de incluir Bonner na lista dos que são papagaios de Kamel.

Numa discussão entre jornalistas no Twitter, alguém ponderou que, a rigor, não havia novidade.

Mas outro notou que era a primeira vez que alguém, com autoridade, dizia tão cruamente isso.

A primeira constatação é que Kamel não é um grande perguntador, dado o nível de entrevistas da Globo.

A segunda é que ele é um centralizador doentio. Um chefe inspirador recruta ou forma apresentadores capazes de fazer perguntas a quem quer que seja.

Se seus comandados não são capazes de conduzir uma conversa, o problema está em você, e não neles.

Ensine-os a pescar, em vez de dar-lhes os peixes.

Outra coisa é como é ruim trabalhar na Globo. A emissora dá visibilidade, mas não oferece as coisas que realmente tornam atraente uma atividade, a começar por autonomia.

Você pode miseravelmente pouco quando não é um Marinho na Globo, ou alguém de seu círculo mais próximo.

O que Mariana não disse, por ir além do que ela via, é que as perguntas de Kamel são devidamente aprovadas previamente por João Roberto Marinho, o irmão que cuida do conteúdo da Globo.

Não me refiro, obviamente, às perguntas triviais, mas às que verdadeiramente contam.

Por exemplo, as que foram feitas no Jornal Nacional aos candidatos à presidência.

O que os apresentadores devem saber fazer é lidar com as respostas. Patrícia Poeta, pelo que se noticiou, não foi aprovada na maneira como encaminhou, ou desencaminhou, a entrevista com Marina, e foi tirada do JN.

Mas o mais relevante, no debate, é que o que ocorre na Globo é um lugar comum nas corporações de mídia. Só quem manda são os donos.

Na Veja, o diretor de redação Eurípides Alcântara executa, apenas, as vontades dos Civitas.

Em outros tempos, você tinha um certo equilíbrio no jornalismo brasileiro. Os donos, compreensivelmente, eram de direita. Mas as redações eram, também compreensivelmente, progressistas.

Na Folha, Claudio Abramo puxava o jornal para um lado e Octavio Frias para o outro, e o resultado era um conteúdo frequentemente instigante.

O equilíbrio se perdeu a partir de 2003, com a ascensão de Lula.

Os donos buscaram obsessivamente chefes de redação afinados com eles, ou ao menos completamente submissos, como Eurípides na Veja ou Kamel na Globo.

Para facilitar seu trabalho, estes também se cercaram de replicantes.

Na Globo, ascenderam, por essa lógica, jornalistas como Erick Bretas, diretor de mídias digitais da empresa – e com um viés antipetista tão intenso que, em março, ele convocou seus seguidores no Facebook para uma manifestação contra o governo. Avisou, é claro, que estaria na rua.

Ainda na Globo, outro jornalista que cresceu sob tal ambiente é Diego Escosteguy, que fez da Época uma Veja, como se uma não bastasse.

Semanalmente, sob Escosteguy, a Época, como a Veja, se dedica a semear denúncias “bombásticas” contra Lula e o PT que não dão em nada.

A Época não se detém diante de nada. Na campanha presidencial, publicou uma pesquisa de um certo Instituto Paraná pela qual Aécio hoje estaria na presidência, tamanha a vantagem que lhe davam.

Mais recentemente, o mesmo instituto foi usado pela revista para dizer que, se fossem hoje as eleições, Aécio levaria. O leitor poderia responder: se fosse pelo instituto e pela revista, Aécio já teria sido eleito em outubro.

Esta, enfim, é a mídia brasileira. Se não é a pior do mundo, disputa esse título acirradamente.

Mariana Godoy apenas mostrou, para os iludidos, como é o ambiente dentro das redações: péssimo, como o jornalismo que sai delas.


Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Diário do Centro do Mundo

Piloto do helicóptero de cocaína está solto e dá aulas em SP

DOM, 31/05/2015 - 14:21



Do Diário do Centro do Mundo


Por Joaquim de Carvalho

Enquanto a Policia Federal segue nas ações espetaculares, com delegados e agentes efetuando prisões e realizando diligências em Brasília acompanhados de fotógrafos e cinegrafistas, o caso do Helicoca continua sem nenhuma punição. O Ministério Público Federal pediu a absolvição do empresário Élio Rodrigues, dono da fazenda no Espírito Santo onde o helicóptero do senador Zezé Perrella fez o pouso com 445 quilos de cocaína, em novembro de 2013.


O pedido de absolvição ocorreu depois que o Tribunal Federal da Segunda Região mandou devolver o helicóptero à família Perrella, anulando decisão do juiz de primeira instância, que queria o confisco, com base na lei de combate ao tráfico. Segundo a legislação, bens usados usados no preparo, transporte ou venda de drogas devem ter sua propriedade transferida ao Estado.

A participação do senador Zezé Perrella foi sumariamente descartada pela PF neste caso, alguns dias depois do flagrante, e com isso o Tribunal entendeu que não seria justo deixá-lo sem o helicóptero. Os policiais federais também desistiram de investigar o local onde a aeronave, vinda do Paraguai com a droga e a caminho do Espírito Santo, pousou e deixou a mercadoria guardada por uma noite.

O local é em Jarinu, na Grande São Paulo, e segundo um dos pilotos fazia parte de um hotel fazenda. No dia seguinte, o helicóptero voltou para lá e recarregou a cocaína, menos duas sacolas, com 50 quilos de droga, que ficaram.

Apesar de a delegada que assina relatório do inquérito recomendar investigação dos proprietários do local, que poderiam ser os verdadeiros donos da cocaína, não se tem notícia no processo de que algo tenha sido feito nesse sentido.

No processo que tramita em Vitória, capital do Espírito Santo, sobraram quatro pessoas para ir a julgamento: os dois pilotos, além de um jardineiro e um pequeno empresário de Araruama, Rio de Janeiro, os dois que aguardavam em solo para ajudar a descarregar a droga, colocá-la em um carro e levá-la para um ponto, de onde, ao que o inquérito indica, seguiria para a Europa.

O julgamento deve ocorrer em junho, mas dificilmente haverá prisões após a sentença, ainda que alguém seja condenado, já que caberá recurso.

Depois que foram presos em flagrante, em novembro de 2013, os quatro homens acusados de tráfico permaneceram seis meses na prisão. Há um ano, foram soltos depois que o procurador do caso levantou a hipótese de farsa da Polícia Federal, que teria efetuado as prisões com base numa escuta clandestina. Por conta disso, os advogados de defesa querem anular o processo.

Enquanto aguarda em liberdade, um dos pilotos voltou a voar, e até dá aulas para quem quer pilotar helicóptero. Alexandre José de Oliveira Júnior, que aparece no inquérito da Polícia Federal como o piloto que organizou a viagem que trouxe a droga do Paraguai, assina como testemunha um contrato de aulas de voo, celebrado entre um aluno e a escola Unifly Heicópteros, que opera em Arujá, na Grande São Paulo.

Quem assina como representante legal da escola é Airton Ginez Dantas, mas, segundo o aluno, todas as tratativas foram feitas com o próprio Alexandre. “Ele falava como se também fosse dono da empresa”, conta o aluno.

O contrato foi assinado no ano passado, mas, sem a realização das aulas, o aluno temeu que pudesse estar sendo vítima de um golpe, pesquisou na internet o nome deAlexandre e descobriu sua relação com o Helicoca.

Depois de um período sem aulas, o piloto do Helicoca retomou a rotina de ensino, voa com frequência e até posta as fotos no Facebook. Em sua página, Alexandre publicou um vídeo em que sobrevoa o bairro do Tatuapé, em São Paulo.

Alexandre tem hoje três helicópteros: um Robinson 44 e dois Robinson 22. O helicóptero de Perrella, que ele usou para buscar cocaína no Paraguai, é um Robinson 66. Na velocidade de seus negócios, livre e solto, Alexandre ainda chega lá. Quem o conhece não tem dúvida disso.





Jornal GGN

A cumplicidade entre Globo e CBF explicitada por um diretor da Globo. Por Kiko Nogueira

Postado em 31 mai 2015



Marcelo Campos Pinto, da Globo: “eterno presidente José Maria Marin”



O discurso do diretor da Globo Marcelo Campos Pinto na festa de encerramento do campeonato paulista de 2015 derruba, sozinho, a pretensão da emissora de vender uma isenção diante do Fifagate.

É uma elegia à picaretagem, sem qualquer meio tom, orgulhosa de sua sabujice. Foi proferido no início de maio, alguns dias antes de Marin ser preso na Suíça a mando do FBI.

Marcelo é o cabeça da Globo Esporte. No palco, foi introduzido por Tiago Leifert. Reinaldo Carneiro Bastos, sucessor de Marco Polo Del Nero como presidente da FPF, mereceu lágrimas e voz embargada.

A promiscuidade entre a Globo e a CBF fica explicitada ali, na bajulação de um homem que depende, como dizia Tenessee Williams, da bondade de estranhos.

A Justiça americana investiga 24 anos de roubalheira. A Copa do Mundo é transmitida pela rede Globo desde 1970.

Você precisa ser um inocente completo, ou um mal intencionado, para acreditar que ninguém da TV sabia de nada enquanto milhões passavam voando nas negociações dos direitos. Ricardo Teixeira foi poupado pelo jornalismo global até ficar ridículo escondê-lo.

Mesmo assim, em 2011, ele ficou magoado com o que considerou uma traição. Fez chegar até alguns colunistas uma história de que tornaria públicas gravações de Marcelo Campos Pinto, segundo ele, manipulando horário de partidas de times e da seleção para atender a seus próprios interesses.

As palavras de encorajamento de Pinto à quadrilha que comanda o futebol brasileiro ganharam o status, desde a semana passada, de imortais pelos piores motivos:


Mais importante do que comprar um campeonatos é conviver com o mundo do futebol. É um prazer imenso (…)

Excelentíssimo senhor Juan Ángel Napout, ilustre presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol. Excelentíssimo senhor Marco Polo Del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, com quem tenho o privilégio de conviver assiduamente há mais de 11 anos.

Ilustríssimo presidente, ex-presidente, da Confederação Brasileira de Futebol, mas como muito bem acentuou Marco Polo, o eterno presidente José Maria Marin. (…)

2015 vai entrar na história do futebol brasileiro como um grande ano. O ano em que há poucas semanas o presidente José Maria Marin passou o bastão para o presidente Marco Polo.

Presidente Marin, em nome do grupo Globo, em meu nome, eu gostaria de agradecer todo o carinho, toda a atenção com a qual o senhor sempre nos brindou, sempre aberto a discutir os temas que interessam ao futebol brasileiro, dos quais me permito destacar, o novo formato da Copa do Brasil, que deu mais charme a essa competição promovida pela CBF, que é a verdadeira competição do futebol brasileiro. (…)

A sua visão de homem do futebol fez com que a CBF passasse a patrocinar essas competições e melhorasse o nosso futebol.

A Granja Comary, toda reformada, para a formação de nossos futuros craques. E por que não dizer da sede da CBF, a José Maria Marin? Presidente, o senhor inscreveu o seu nome na história do futebol, tendo sucedido um grande presidente, que foi Ricardo Teixeira.

Presidente Marco Polo, quero lhe dizer que repito as palavras de atenção e carinho, de colaboração, a você. Espero continuar essa parceria de sucesso que foi feita na Federação também na CBF. Desejo sucesso a você, não é uma dúvida, é uma garantia, dado o seu passado, de um homem que conhece profundamente o futebol.

Querido Reinaldo, fico até um pouco emocionado em lhe homenagear como um pai de família, como um amigo carinhoso, como uma pessoa que veio construindo seu nome no futebol e que sabe realmente o alfabeto do futebol que é tão complexo. O parabenizo, e também ao Marco Polo, pelo Campeonato Paulista de 2015, recorde de público e de renda quebrados, jogos eletrizantes, semifinais inacreditáveis, com estádios lotados, duas finais de tirar a emoção de todos nós, com públicos presentes e audiências jamais vistas.

Parabéns a todos vocês. Parabéns ao presidente Modesto Roma, do glorioso Santos. Parabéns ao presidente Paulo Nobre, do não menos glorioso Palmeiras. E um detalhe importante para encerrar e não tomar o tempo de vocês. Dois clubes que lutaram com dificuldades financeiras extremas, mas graças a dedicação e competência de seus dirigentes, que mostraram que administrações austeras também podem ser campeãs. Parabéns.




Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


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