sexta-feira, 29 de maio de 2015

DONO DE RESTAURANTE EM QUE MANTEGA FOI VAIADO É LIGADO AO PSDB


A colunista Mônica Bergamo entregou o nome do restaurante italiano onde o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi hostilizado ao relatar que "o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ovacionado no mesmo lugar"; o dono do Aguzzo, um ex-maitre do ultrachique restaurante Fasano, tem ligações políticas "muito claras", escreve Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania; "Osmânio Luiz Resende também é sócio de um restaurante de alto luxo (o La Doc) em Sorocaba, cidade governada pelo tucano Antonio Carlos Pannunzio, vice-líder do governo FHC na Câmara dos Deputados"

29 DE MAIO DE 2015 ÀS 15:51


Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

Na última segunda-feira (25/5), a Folha de São Paulo noticiou que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega fora "hostilizado" em "um restaurante italiano da capital paulista". Na matéria, o jornal lembrou que, na semana anterior, o ex-ministro da Saúde e atual secretário de Fernando Haddad Alexandre Padilha também fora agredido em um restaurante.

Após a agressão a Mantega, que já não era a primeira e que se somou à agressão a Padilha, este Blog opinouque ou os petistas reagem a esse tipo de agressão ou param de ir a redutos de rico casca-grossa. Porém, investigação recente feita por esta página revela que ao menos a agressão a Mantega pode não ter sido espontânea.

A matéria da Folha que noticiou a agressão recente a Mantega tratou de não dar detalhes sobre o estabelecimento em que ele foi agredido, o que pareceu estranho. Porém, a coluna da jornalista Monica Bergamo da última quinta-feira entregou o nome do estabelecimento ao relatar que "O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ovacionado no mesmo lugar" e que "Clientes aplaudiram de pé o tucano e chegaram a formar fila para 'selfies' com ele".

Segundo a colunista, o estabelecimento em questão se chama "Aguzzo" e fica incrustado no elegante bairro paulistano conhecido como "Alto de Pinheiros", na rua Simão Alvares 325. O Blog ligou para lá (telefone 3083-7363), conversou com a funcionária Patrícia e obteve a informação de que um jantar com vinho e sobremesa escolhido no menu "econômico" sai por volta de 200 reais por pessoa. Porém, se a escolha for do menu "normal", a conta fica ao redor de 300 reais por pessoa.


Como já se disse nesta página, nada contra alguém frequentar um bom restaurante, se tiver recursos para tanto. A casa oferece iguarias sofisticadas e que despertam os instintos dos endinheirados gourmets paulistanos.

Há pratos como "Panna cotta di vaniglia con salsa di lampone" (creme de leite fresco cozido com favas de baunilha e calda de framboesa) ou "Gamberi in salsa di prosecco e risotto di asparagi" (Camarões ao molho de "prosecco" e risoto de aspargos).


As instalações também ajudam a oferecer uma noite agradabilíssima a essa elite desmemoriada, mal-educada e mesquinha que infesta o país e que se reproduziu em São Paulo como em nenhuma outra parte do país.


Porém, dentre todos os restaurantes que Mantega poderia escolher, foi cair em um reduto tucano. Como se sabe, essa gente se frequenta, se apoia mutuamente e o dono do Aguzzo, um ex-maitre do ultrachique restaurante Fasano, tem ligações políticas muito claras. Ligações que parecem estar por trás do seu sucesso empresarial.

Osmânio Luiz Resende também é sócio de um restaurante de alto luxo em Sorocaba, cidade governada pelo tucano Antonio Carlos Pannunzio. Trata-se do restaurante La Doc.


A foto no alto da página mostra o momento em que Pannunzio e sua mulher entregam a Resende, em seu restaurante sorocabano, um prêmio concedido por quem mesmo? Pela revista "Veja São Paulo", claro, que faz intensa publicidade dos restaurantes Aguzzo e La Doc.

O entusiasmo do tucano Pannunzio com Resende parece abrir muitas portas ao empresário. Uma revista editada pela unidade do Centro das Indústrias de SP em Sorocaba também homenageou o dono dos restaurantes para ricaços.

Ano retrasado, aliás, treze "primeiras-damas" (mulheres de prefeitos tucanos) sereuniram em Sorocaba para apresentar os projetos desenvolvidos pelos respectivos Fundos Sociais das cidades da região metropolitana da cidade. A recepção foi feita por Maria Inês Moron Pannunzio.

O encontro aconteceu na Biblioteca Municipal de Sorocaba e reuniu representantes de Alumínio, Boituva, Capela do Alto, Iperó, Itu, Jumirim, Piedade, Pilar do Sul, Porto Feliz, Salto de Pirapora, São Roque, Tietê e Votorantim. Também estiveram presentes a deputada Maria Lúcia e Patrícia Aragão, que representou a presidente do Fundo Social do Estado, Lu Alckmin.


Após o encontro, as "primeiras-damas" foram almoçar no restaurante La Doc, de Osmânio Luiz Rezende, dono do Aguzzo. Ele fez as "honras da casa". Antonio Carlos Pannnunzio e Edith Maria Garboggini Di Giorgi (prefeito e vice-prefeita de Sorocaba) também compareceram. Cada convidado recebeu um guardanapo com o nome bordado. O menu de cinco tempos (couvert, entrada, primeiro e segundo pratos e sobremesa) também foi especialmente elaborado para a reunião.

O tucano Pannunzio foi vice-lider do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara dos deputados e hoje governa Sorocaba. Está em seu terceiro mandato como prefeito daquela cidade.

Em 2008, quando era deputado federal, Pannunzio foi condenado, entre outras penalidades, à suspensão dos direitos políticos por três anos e multa de R$ 100 mil. Ele foi acusado de ter contratado 811 funcionários para a Prefeitura de Sorocaba durante período eleitoral, quando prefeito, em 1994.

A condenação na segunda instância foi decidida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Consultado na noite de 30 de janeiro de 2008, o tucano afirmou que a condenação não o assustava e que já recorrera. Como todo tucano, Pannunzio tem muitas razões para confiar na Justiça paulista.


Brasil 247

"AÇÃO DO FBI NA FIFA FOI GEOPOLÍTICA E IMPERIALISTA"


Para o advogado americano John Shulman, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard, a ação das autoridades americanas na Fifa tem objetivos geopolíticos e de dominação; "No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas", afirmou; segundo o americano, "todo mundo sabe" que a Fifa é corrupta, "Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol"; "Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a Fifa, pode ter certeza", garantiu 

29 DE MAIO DE 2015 ÀS 15:21


247 - A operação deflagrada nesta semana pelos Estados Unidos contra a corrupção na Fifa, que levou à prisão 14 figurões do futebol mundial, não foi exclusivamente para coibir práticas criminosas em seu território ou moralizar os negócios por trás do esporte. O objetivo principal é geopolítico. 

Quem defende o argumento é o advogado americano John Shulman, professor convidado da Fundação Dom Cabral, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard. 

"Com essa ação, os EUA enviam dois recados. Para o mundo, o de que o nosso sistema legal pode te pegar se você estiver fazendo algo errado. Internamente, mostramos que tomamos a iniciativa de resolver a corrupção dos outros", diz o professor. "Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a FIFA, pode ter certeza", garantiu. 

Para o professor, há vários pontos obscuros no envolvimento americano nas investigações. "A logística de uma operação internacional deste porte simplesmente não vale a pena. Até porque não há um número de vítimas nos EUA que justifiquem tamanha mobilização", argumenta.

"Para mim, trata-se claramente do seguinte: são os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas". 

John cita ainda a chance para os EUA desestruturarem uma organização que, corrupta ou não, tem tentáculos de poder que fogem ao seu alcance. "A ONU está presente em vários países, mas os EUA têm poder sobre ela. Isso não acontece com a FIFA, o que causa uma ruptura da hegemonia americana". "É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol", completa John.


Brasil 247

Por que a Polícia Federal se sentou em cima das fraudes da CBF nestes anos todos? Por Kiko Nogueira

Postado em 29 mai 2015

Tiveram que se coçar


Foi necessária a pressão no cangote da secretária de Justiça americana Loretta Lynch para a PF tomar uma atitude com relação à CBF. Um inquérito foi aberto no Rio. O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, acha que há indícios de que os crimes apurados pelo FBI tenham sido cometidos aqui. Bidu.


Na noite anterior, quarta-feira, a PF deu uma geral em companhias do empresário Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo ligado a J. Hawilla, delator do esquema da Fifa.

De acordo com as autoridades dos EUA, a investigação remonta a 24 anos de irregularidades. Nesse período, a CBF, que está no centro do caso, operou com gás total. Onde estava a PF nesse tempo todo? Onde as detenções barulhentas, as operações com nomes criativos?

Segundo a Folha, houve 13 sindicâncias em 15 anos contra a CBF. Nenhuma jamais deu em nada. Uma reportagem do Lance de quatro anos atrás oferece alguns motivos.

Em 2009, a CBF foi a principal patrocinadora do IV Congresso Nacional da Associação de Delegados Federais, em Fortaleza. A confederação teria desembolsado 300 mil reais. Ricardo Teixeira, presidente à época, foi convidado a participar de um painel sobre a Copa de 2014.

O superintendente da PF na ocasião, responsável pela investigação contra Teixeira, era o amigo Valdir Lemos de Oliveira. Os delegados ainda disputaram um torneio na Granja Comary, onde a seleção treina, cedida por Teixeira.

Um ano depois, a CBF bancou uma viagem de um coral de policiais federais aposentados para a Argentina. Uma nota oficial assegurava que o investimento foi “pontual”: “O patrocínio da CBF ao coro de vozes, realizado em 2010 para o evento Cantapueblo, na Argentina, foi única e exclusivamente de caráter cultural”.

Se isso não é conflito de interesses, o que é?

Nos últimos meses, a Polícia Federal tornou-se objeto de devoção de debiloides fascistas revoltados on line por causa de sua suposta cruzada moralizadora. Ninguém acha estranho, por exemplo, que todos os envolvidos no caso Helicoca, inclusive os traficantes apanhados em flagrante, estejam livres, leves e soltos.

Gente como Teixeira, Marin, Del Nero, Hawilla et caterva vem dizimando o futebol brasileiro há décadas, impunemente, enquanto se locupleta. Vamos ver se um agente da nossa valorosa PF tem a coragem de praticar tiro ao alvo com uma foto de Loretta Lynch, como fizeram com Dilma.


Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


Diário do Centro do Mundo

RECEITA COBROU MAIS DE R$ 4 BI EM FRAUDES NO FUTEBOL


Em nota, a Receita informou que desde 2002 investiga fraudes ligadas ao futebol e que identificou e autuou pessoas físicas e empresas que mantêm relações comerciais com entidades responsáveis pela organização do esporte no país, de âmbito nacional ou regional; ao todo, "foram investigadas 96 pessoas físicas e jurídicas. Essas auditorias resultaram em cobrança de tributos, multas e juros no valor de R$ 4,47 bilhões", diz o comunicado

29 DE MAIO DE 2015 ÀS 17:53


Da Agência Brasil

A Receita Federal informou hoje (29), por meio de nota, que desde 2002 investiga fraudes ligadas ao futebol. Segundo o comunicado, o Fisco identificou e autuou pessoas físicas e empresas que mantêm relações comerciais com entidades responsáveis pela organização do esporte no país, de âmbito nacional ou regional.

A revelação foi feita dois dias após a Justiça americana determinar prisões de dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) envolvidos em um grande esquema de corrupção. Entre os detidos está o vice-presidente da Confederação Brasileira do Futebol (CBF), José Maria Marin, que foi afastado do cargo.

"Foram realizadas três operações especiais de fiscalização desde 2002, onde foram investigadas 96 pessoas físicas e jurídicas. Essas auditorias resultaram em cobrança de tributos, multas e juros no valor de R$ 4,47 bilhões", diz a nota.

A Receita destacou que algumas pessoas citadas na recente operação promovida no âmbito do Poder Judiciário dos Estados Unidos estão na lista de autuações aplicadas no Brasil. O Fisco diz que, em função do sigilo fiscal, não pode informar os nomes dos envolvidos.

A Receita Federal brasileira entrou em contato com a americana, para conhecer a operação promovida contra pessoas ligadas à Fifa, que incluiu vários brasileiros.


Brasil 247

REFORMA DA CÂMARA CONSERVA O PIOR DO SISTEMA


29/05/2015 


O mais grave defeito do sistema político-eleitoral brasileiro é o excessivo número de partidos. Ninguém discorda disso. Ele produz tamanha dispersão dos votos na eleição de deputados que impede a formação de uma maioria ou de uma base parlamentar consistente para garantir a governabilidade. O resultado é o presidencialismo de coalizão, movido a concessões, nomeações e negociações permanentes para garantir os votos de que todo governo precisa para implementar suas políticas.

Entretanto, a reforma política que a Câmara está votando não moveu uma vírgula para mudar esta realidade. Nesta quinta-feira foram mantidas as coligações em eleições proporcionais (deputados e vereadores) e aprovado um arremedo de cláusula de barreira, pelo qual terão direito ao fundo partidário e ao tempo de televisão os partidos que elegerem pelo menos um deputado ou senador.

Aproveitando um impasse em torno da votação da duração dos mandatos com o fim da reeleição, Eduardo Cunha negociou com os líderes a votação imediata das duas medidas. “Foi um ardil, pois estávamos preparados para votar estas matérias só na terça-feira. Teríamos tido tempo para articular alternativas”, reclamou o deputado tucano Marcus Pestana. Pela ordem de votação combinada, o próximo ponto a entrar em pauta era a cota de cadeiras para mulheres. Cunha rebate, dizendo que todos os líderes participaram do acordo, inclusive o do PSDB. Com a votação, ele honrou um acordo com os pequenos partidos, inclusive o PC do B, que apoiaram o distritão em troca de apoio para que fosse mantida as coligações proporcionais.

Estas coligações criam uma das maiores distorções de nosso sistema. Na eleição para deputados (federal e estadual) um partido grande se coliga com um pequeno, oferecendo a este vantagens financeiras e outros recursos de campanha. Os votos obtidos pelos candidatos do pequeno partido ajudam a engordar o somatório da coligação, aumentando o número de cadeiras conquistadas pelo partido maior. Às vezes, sobra para um ou dois do partido menor. “O plenário optou por manter a indústria da criação de partidos”, protestou Silvio Costa (PSC-PE). Ele explica o jogo: quem cria um partido vende dois produtos no mercado eleitoral. Tempo de TV para os candidatos a prefeito, governador e presidente, e coligação proporcional nas eleições para deputados e vereador. E ainda recebe o jabá do fundo partidário.Dos recursos do fundo, que este ano terá de mais de R$ 800 milhões, 5% são divididos igualmente entre todos os 32 partidos. O restante é dividido segundo o número de votos obtidos por cada um na última eleição para a Câmara. Assim, mesmo não tendo elegido nenhum deputado, um partido que, pela soma da votação de seus candidatos em todo o pais tiver obtido 500 mil votos receberá anualmente cinco milhões de reais. É de pouco mais de R$ 10 o valor da cota do fundo por cada voto válido no pleito anterior. Que negócio pode ser melhor que este? É por isso, caro leitor, que existem tantas siglas e volta e meia elas te incomodam com seus programas na televisão. A cláusula aprovada é quase nada. Basta a eleição de um deputado ou senador para o pequeno partido continuar vendendo produtos e recebendo do Fundo Partidário, afora o tempo de televisão.

Por ora, a ousadia da reforma de Cunha foi acabar com a reeleição, que garantiu aos governos de oito anos de FHC e de Lula a implantação de políticas que exigiam mais tempo de maturação, nas áreas econômicas e social, respectivamente. Mas ainda que não se reconheça benefício algum na reeleição, nunca esteve nela a origem dos males mais graves do sistema.

Até agora, aplica-se à reforma em curso o famoso dito do príncipe Falconeri, em Il Gatopartido, de Tomasi de Lampeduza: “Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude.”



Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247.


Blog da Tereza Cruvinel   -   Brasil 247

EUA DESENHAM CAMINHO DA PROPINA QUE ATINGE A GLOBO



Na entrevista coletiva em que apresentou ao mundo as vísceras da corrupção na Fifa, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Loreta Lynch, foi didática, até desenhou o caminho da corrupção na entidade; entre os personagens que pagaram propina para adquirir direitos de transmissão da Copa do Mundo, Libertadores, Copa América ou Copa do Brasil, estão os grupos de mídia que transmitem os eventos; segundo Lynch, a corrupção é "sistêmica, desenfreada" e funciona há pelo menos 24 anos; se a Globo é dona dos direitos de todos os campeonatos investigados e mantém relações empresariais com o pivô do escândalo, o brasileiro José Hawilla, dono da maior afiliada da emissora, a TV TEM, e réu confesso de crimes de extorsão e lavagem de dinheiro, fica difícil acreditar no editorial da edição de quarta-feira do "Jornal da Globo" de que "não pesam suspeitas sobre as empresas de mídia que compraram desses intermediários os direitos de transmissão"

29 DE MAIO DE 2015 ÀS 17:21


247 – Na entrevista coletiva em que apresentou ao mundo as vísceras da corrupção na Fifa, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostrou, didaticamente, o que pode ser chamado de fluxograma da propina, que, se as investigações avançarem no Brasil, pode atingir em cheio as Organizações Globo, da família Marinho.

O esquema é de fácil compreensão e trata-se basicamente de uma reação de corrupção em cadeia: os organizadores de um evento de futebol, seja a própria Fifa, ou as confederações dos continentes, regionais ou até nacionais, como a CBF, são quem primeiro detêm os direitos de transmissão e marketing dos eventos. Para comprar esses direitos, empresas de Marketing Esportivo, como a Traffic Group, do brasileiro José Hawilla, pagavam milhões às confederações, e outros milhões de dólares em propina para os dirigentes das entidades.

De acordo com o esquema desenhado pelo governo americano, as empresas de marketing esportivo, de posse dos direitos de transmissão de campeonatos importantes, como a Copa do Mundo, Libertadores, Copa América ou até a Copa do Brasil, revendia-os aos grupos de comunicação e patrocinadores, que também pagavam propina às empresas para fecharem os contratos.

Não é novidade para os brasileiros que as Organizações Globo detêm há décadas o monopólio na transmissão de eventos internacionais de futebol. Só da Copa do Mundo, a parceria com a Fifa vem desde o mundial de 1970. Todos os campeonatos em que foi identificado pelo FBI o pagamento e recebimento de propina, a emissora da família Marinho é a transmissora oficial no Brasil (leia aqui reportagem do 247 sobre o assunto).

Segundo a secretária de Justiça dos EUA, Loreta Lynch, a corrupção em jogos comandados pela Fifa e suas confederações subalternas existe de forma "sistêmica e desenfreada" há pelo menos 24 anos. 

Se a Globo é dona soberana dos direitos de transmissão no Brasil dos principais eventos mundiais do futebol desde os anos 70, e mantém relações empresariais com o pivô do escândalo, o brasileiro J. Hawilla, dono da maior afiliada da emissora, a TV TEM, e réu confesso de crimes de extorsão, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, fica difícil acreditar no editorial do "Jornal da Globo" de quarta-feira 27 de que "não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão".

O que você, leitor, acha?

Prender Dirceu e Genoíno é fácil. Difícil, no Brasil, é prender Marin. Por Paulo Nogueira

Postado em 27 mai 2015




No Brasil, um intocável

A prisão de Marin é um retrato do Brasil: ele foi obrigado a viajar para ser preso.


Marin é, ou era, um daqueles intocáveis no país. Apesar da ficha carregada de delinquências, ele jamais foi importunado pela justiça, pela polícia e, muito menos, pela imprensa.


Isso com 83 anos.

Fosse mais comedido, ou menos ávido por propinas e atividades, Marin teria chegado ao túmulo bem longe de coisas desagradáveis como cadeia.

Prender Dirceu e Genoíno é fácil no Brasil destes tempos. Mas Marin pertence a outra casta: a do 1%. Isso significa imunidade.

Por exemplo: ele só virou notícia policial na Globo por causa dos investigadores americanos que descobriram, com trabalho duro, a fábrica de propinas que ele montou na CBF.

A CBF sempre foi parceira da Globo na rapinagem do futebol brasileiro. Enquanto ao longo dos anos ambas acumularam fortunas fabulosas com o futebol brasileiro, este, em si, virou uma ruína.

Estádios vazios e precários, times incapazes de segurar os melhores jogadores e por aí vai: não pode funcionar uma parceria em que alguém ganha muito e o outro só perde.

É o jeito Globo de operar.

Também no cinema é o mesmo quadro. A Globofilmes se dá bem e os outros – produtores, diretores, atores – vivem de migalhas.

O caso Marin oferece também uma chance de confrontar o trabalho policial entre os Estados Unidos e o Brasil.

Os investigadores americanos não fizeram, ao contrário do que é tão comum na Polícia Federal, coisas como basear ações em recortes de jornais e revistas.

É patético ver juízes e policiais acusarem alguém e, impávidos, citarem uma reportagem da Veja, ou da Folha, como se a mídia não tivesse fortíssimos interesses por trás de denúncias frequentemente sem nenhum fundamento.

No Mensalão, um juiz começou um magnífico pronunciamento dizendo que não havia um dia que não abrisse os jornais e encontrasse um escândalo.

A quem apelar?

Mais arguto, ele teria questionado a obsessão da mídia em publicar escândalos contra o PT. Mas não: o juiz tratou a mídia como se ela também pertencesse ao STF.

(Recentemente, Marta Suplicy fez o mesmo ao explicar por que saiu do PT. Citou a mídia.)

No episódio Marin, os policiais dos Estados Unidos suaram. Não entraram no Google para ver o que a imprensa tinha a falar de Marin.

Uma das cenas mais marcantes da Operação Lava Jato foi uma em que um réu perguntou respeitosamente a Moro se fazia sentido ele estar preso fazia cinco meses quando a grande evidência que pesava contra ele era uma reportagem da Veja.

Como disse Mino Carta, a Veja mente todos os dias. Mas a Justiça brasileira enxerga nela uma fonte de informações acima de qualquer suspeita.

O caso Marin oferece muitas reflexões. A principal delas é o caráter hipócrita e partidário do combate à corrupção promovido pelo 1%, ao qual interessa apenas a manutenção de privilégios e mamatas.

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Diário do Centro do Mundo