quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Nota de falecimento: a engenharia nacional morreu


28 de Dezembro de 2016


Por Mauro Santayana



A Engenharia Brasileira está morta. Será cremada no altar da Jurisprudência da Destruição, do entreguismo e da ortodoxia econômica. Suas cinzas serão sepultadas em hora e local a serem anunciados no decorrer deste ano de 2017.

Em qualquer país minimamente avançado, a engenharia é protegida e reverenciada como o outro nome do poder, da prosperidade e do desenvolvimento. Não há países que tenham chegado a algum lugar sem apoiar soberana e decisivamente sua engenharia.

Assim como não existem nações que tenham crescido econômica e geopoliticamente sabotando, inviabilizando, destruindo, execrando, ensinando seu povo a desprezar, odiar e demonizar essa área, seus técnicos, trabalhadores, suas empresas, projetos, líderes e empresários, como o Brasil está fazendo agora.

Sem engenharia, os soviéticos não teriam derrotado a Alemanha nazista, com suas armadilhas para Panzers e seus portentosos tanques T-34. Nem enviado o primeiro satélite artificial, o Sputnik, para a órbita terrestre, nem feito de Yuri Gagarin o primeiro homem a viajar pelo espaço.

Sem engenharia, os Estados Unidos não teriam construído suas pontes e arranha-céus, monumentos inseparáveis da mística do american way of life no século 20. Nem produzido a primeira bomba atômica, ou chegado à lua em menos de 10 anos, a partir do desafio estabelecido pelo presidente John Kennedy em 1961.

Desde a consolidação do Império Britânico, ela mesma filha direta, dileta, da Revolução Industrial inglesa; desde a substituição de importações pelos Estados Unidos após a independência, e pela URSS, depois da Revolução de Outubro de 1917, o mundo sabe: não existem nações dignas desse nome que consigam responder a questões como para onde avançar, como avançar, quando avançar, sem a ajuda da engenharia.

Como fez Juscelino Kubitschek, por exemplo, com o binômio “Energia e Transporte” e seus “50 anos em 5”, e os governos militares que – embora o tivessem combatido e perseguido em várias ocasiões – o seguiram na adoção do planejamento como instrumento de administração pública e no apoio a grandes empresas brasileiras para a implementação de grandes projetos nacionais.

Empresas e grupos que estão sendo destruídos, agora, pelo ódio, a pressão e a calúnia, como se tivessem sido atingidos por uma devastadora bomba de nêutrons.

Com a maior parte de seus executivos presos em algum momento, as maiores empreiteiras do país foram levadas a avalizar a transformação de doações legais de campanha e de caixa dois em propina – retroativamente, nos últimos três anos.

A aceitar, na ausência de provas cabais de pagamentos de corrupção na escala bilionária apresentada pela imprensa e aventada pelo Ministério Público a todo momento, a imposição de multas punitivas “civis” a título de nebulosas “indenizações por danos morais coletivos” da ordem estratosférica de bilhões de dólares.

A render-se a discutíveis acordos de delação premiada impostos por uma operação que já acarretou para o país – com a desculpa do combate à corrupção – R$ 140 bilhões em prejuízo, a demissão milhares de trabalhadores, a interrupção de dezenas de projetos na área de energia, indústria naval, infraestrutura e defesa, a quebra de milhares de acionistas, investidores e fornecedores.

Diante de tudo isso, não podemos fazer mais do que comunicar o falecimento da engenharia brasileira, famosa por ter erguido obras pelo mundo inteiro, de rodovias no deserto mauritaniano a ferrovias e sistemas de irrigação no Iraque; passando pela perfuração de galerias e túneis sob as montanhas dos Andes; pelo desenvolvimento de sistemas de resfriamento contínuo de concreto para a construção de Itaipu; ou pela edificação de enormes hidrelétricas na África Subsaariana.

A engenharia nacional está perecendo. Foi ferida de morte por um sistema judiciário que pretende condenar, a priori, qualquer contato entre empresas privadas e o setor público, e desenvolveu uma Jurisprudência da Destruição de caráter descaradamente político, que não concebe punir corruptos sem destruir grandes empresas, desempregar milhares de pais de família, interromper e destroçar dezenas de projetos estratégicos.

Um sistema judiciário que acredita que deve punir, implacável e estupidamente, não apenas as pessoas físicas, mas também as jurídicas, não interessando se esses grupos possuem tecnologia e conhecimento estratégicos, desenvolvidos ao longo de anos de experiência e aprendizado, se estão envolvidos em projetos vitais para o desenvolvimento e a segurança nacional, se deles dependem, para sobreviver, milhões de brasileiros.

A engenharia brasileira faleceu, com seus escritórios de detalhamento de projetos, suas fábricas de bens de capital, seus estaleiros de montagem de navios e plataformas de petróleo fechados, suas linhas de crédito encarecidas ou cortadas, seus ativos vendidos na bacia das almas e seus canteiros de obras abandonados.

E o seu sepultamento está marcado para algum momento de 2017.

Será sacrificada no altar da estúpida manipulação midiática de factoides econômicos, com atitudes desastrosas como a antecipação suicida pelo BNDES – em plena recessão – do pagamento de R$ 100 bilhões ao Tesouro. Um dinheiro que poderia ser imediatamente aplicado em infraestrutura, vai em troca de uma insignificante, irrelevante, pouco mais que simbólica redução de 1% na dívida pública, quando, sem fazer alarde, os dois últimos governos reduziram a Dívida Nacional Bruta de 80% em 2002 para 67% em 2015, e a Dívida Líquida de 60% para 35% no mesmo período, pagando US$ 40 bilhões devidos ao FMI, e economizando mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais nos anos seguintes.

A engenharia brasileira está será sepultada, ou cremada, porque não pode mais sobreviver, a longo prazo, em um país que aceitou aumentar os gastos públicos apenas pelo índice de inflação do ano anterior, durante os próximos 20 anos, engessando estrategicamente o seu desenvolvimento, com uma imbecil e limitante camisa de força, enquanto outros países e regiões, como os Estados Unidos e a Europa, muito mais endividados – e desenvolvidos – do que nós, continuarão a se endividar, a se desenvolver e a se armar cada vez mais, já que seu discurso neoliberal e ortodoxo só serve para enganar e controlar trouxas de terceira categoria como os nossos, e quase nunca é aplicado no caso deles mesmos.

Esse hipócrita discurso para trouxas não é apenas econômico, mas também jurídico. E nesse caso, gera ganhos reais, que vão além da eliminação ou diminuição da concorrência de potenciais competidores em campos como o da engenharia.

Da estratégia geopolítica das nações mais poderosas do mundo, não faz parte apenas fortalecer permanentemente a sua própria engenharia e suas maiores empresas, mas, também, sabotar as empresas e a engenharia de outros países, usando desculpas de diferentes matizes, que são repetidas e multiplicadas pela mídia sabuja e babosa desses mesmos lugares.

Não é outra coisa o que os Estados Unidos fazem por meio de órgãos como o Departamento de Justiça e de iniciativas como o próprio Foreign Corrupt Practices Act, sob o manto do combate à corrupção e da proteção da concorrência. Leniente com suas próprias companhias, que não pagam mais do que algumas dezenas de milhões de dólares em multa, os Estados Unidos costumam ser muito mais duros com as empresas estrangeiras.

Tanto é que da lista de maiores punições de empresas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por corrupção em terceiros países – incluídos alguns como Rússia, que os Estados Unidos não querem que avancem com apoio de grupos europeus como a Siemens – não consta nenhuma grande empresa norte-americana de caráter estratégico.

A Lockheed Martin e a Halliburton, por exemplo, pagaram apenas uma fração do que está sendo imposto como punição, agora, à Odebrecht brasileira, responsável pela construção do nosso submarino atômico e do míssil ar-ar da Aeronáutica, entre outros projetos, que deverá desembolsar, junto com a sua subsidiária Braskem, uma multa de mais de R$ 7 bilhões, a mais alta já estabelecida pelo órgão regulador norte-americano contra uma empresa norte-americana ou estrangeira.


Brasil 247

“CULPA DA MÍDIA”: CRESCE INCERTEZA NA ECONOMIA COM TEMER-MEIRELLES


O Indicador de Incerteza da Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) aumentou pelo segundo mês seguido em dezembro, ao passar de 126,4, no mês anterior, para 136,4 pontos - o maior nível desde julho; em dezembro, o que mais contribuiu para a alta do índice foi o componente "mídia"; segundo o estudo, o resultado sinaliza um aumento expressivo no número de notícias com menção à incerteza em matérias sobre economia na imprensa brasileira; Fernando Brito, do Tijolaço, afirma que "a queda é devastadora e leva o índice para as cercanias do que tinha sido registrado no pré-impeachment"; "Curioso é que boa parte da queda nas expectativas vem do efeito da mídia que, como no período anterior à derrubada de Dilma, pesava mais no pessimismo que a situação objetiva dos negócios"

28 DE DEZEMBRO DE 2016


247 - O Indicador de Incerteza da Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) aumentou pelo segundo mês seguido em dezembro, ao passar de 126,4, no mês anterior, para 136,4 pontos - o maior nível desde julho passado.

Em dezembro, o que mais contribuiu para a alta do índice foi o componente "mídia". De acordo com o estudo, o resultado sinaliza um aumento expressivo no número de notícias com menção à incerteza em matérias sobre economia na imprensa brasileira.

O componente "expectativa" também contribuiu para o aumento do indicador geral em dezembro, enquanto o item "mercado" manteve-se estável no mês.

“O resultado confirma a reversão da tendência de queda observada entre julho e outubro, e o retorno a um período de elevada incerteza econômica no Brasil. Apesar do aumento expressivo na margem, é necessário ressalvar a alta volatilidade deste indicador, que vem sendo bastante influenciado pelos acontecimentos políticos ao longo de todo ano”, afirma o economista Pedro Costa Ferreira da FGV\IBRE, em nota.

Abaixo texto do Tijolaço sobre o resultado:

Incerteza da economia sobre 10 pontos em um mês, diz FGV

Saiu agorinha cedo o Índice de Incerteza da Economia, da Fundação Getúlio Vargas, que agrega a avaliação atual e as expectativas de cada setor econômico.

A queda é devastadora e leva o índice para as cercanias do que tinha sido registrado no pré-impeachment.

Passou de de 126,4, em novembro, para 136,4 pontos em dezembro. “Com a alta de 10 pontos, o indicador atinge o maior nível desde julho passado (138 pontos)”, diz a FGV.

Curioso é que boa parte da queda nas expectativas vem do efeito da mídia que, como no período anterior à derrubada de Dilma, pesava mais no pessimismo que a situação objetiva dos negócios.

As farsas, inevitavelmente, têm um encontro marcado com a realidade.


Brasil 247

Escola sem partido




Diário do Centro do Mundo   -   DCM

A “manipulação” das consciências pela “força da insistência”, por Marcelo Auler


Marcelo Auler
(A partir de “Perdemos Todos“, de Claudio Fonteles – 05/12)

“Um obstáculo a tal crescimento pode vir da manipulação realizada por alguns meios de comunicação social, que impõem, pela força de uma bem orquestrada insistência, modos e movimentos de opinião, sem ser possível submeter a um exame crítico as premissas sobre as quais se fundamentam.” (leia-se: Centesimus Annus – nº 41 – pg. 78).


O pensamento acima é uma reflexão de João Paulo II em sua Carta Encíclica “Centesimus Annus”. Com a devida autorização do autor, colhi do artigo do ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles – “Perdemos Todos“. Foi escrito em contraponto ao artigo com o mesmo nome do jornalista Ricardo Noblat. Sua leitura me trouxe à mente as insistentes notícias de processos e investigações que estão sendo movidos contra Luis Inácio Lula da Silva e tentados contra Dilma Rousseff.

No caso, arrisco a dizer que a manipulação imposta “pela força de uma bem orquestrada insistência”, nas palavras de João Paulo II, entre nós não é fruto apenas da imprensa. Mas, também, e principalmente de policiais, procuradores e juízes. Eles têm consciência de como jogar com jornais e jornalistas, para, manipulando informações, criarem um clima que favoreça seus objetivos.

Da forma como o noticiário é veiculado, parece que apenas Lula cometeu possíveis crimes e somente as contas eleitorais de Dilma Rousseff – no caso na companhia de Michel Temer porque não conseguiram separá-los, apesar de tentarem – são suspeitas de irregularidade. Quanto aos demais políticos, as notícias e denúncias surgem e desaparecem.



No caso, a persistência nas acusações, a facilidade na abertura de processos em estreitos lapsos temporais, bem como a realização de operações em datas pouco usuais, como ocorreu nesta terça-feira, durante o recém-iniciado recesso do judiciário só contribuem para fomentar o clima descrito pelo ex-papa “da manipulação pela força de uma bem orquestrada insistência“.

Mais grave ainda é o fato de o espaço destinado à defesa não guardar qualquer semelhança com o usado nas acusações. Em geral, na mídia tradicional, trata-se de mera formalidade em uma tentativa de evitar acusações de parcialidade, quando esta parcialidade já é tamanha que perceptível por uma grande parte dos eleitores/leitores. Pelo que advogados denunciam, a mesma formalidade/parcialidade se repete nos inquéritos e processos. Tudo leva a crer que se cria um clima que culminará com a condenação.


Ricardo Noblat, coluna de 14 de novembro: “Perdemos todos”.

O mais curioso é que o artigo de Fonteles rebate um de Noblat – “Perdemos todos” (O Globo, 14.11.2016) – no qual ele, a pretexto de criticar a imprensa norte-americana por ter apostado na eleição de Hillary Clinton, concluía que a falta de credibilidade da imprensa não está sendo provocada pela chamada mídia tradicional. Segundo ele:

“O deslocamento da mídia da realidade, seja por cegueira deliberada ou acidental, seja por partidarismo ou qualquer outro interesse inconfessável, não é um fenômeno Made in USA. Tem a ver com a crise universal do jornalismo, abalado pelo surgimento de novas mídias sem compromisso com a verdade. E só faz mal à democracia e à construção de um mundo menos desigual.” (grifei)

Coube a Fonteles rebater:


“Situação idêntica aconteceu em nosso Brasil.

Se é certo que a agremiação política a que pertencem – o Partido dos Trabalhadores -, por lideranças nefastas, deixou-se contaminar e, assim, sucumbiu ao mais deletério jogo de poder, traduzido no “toma lá, dá cá”, na inescrupulosa barganha política, para se perpetuar liderando a nação brasileira, o aparato midiático transformou esse partido, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nos responsáveis únicos e exclusivos pelo negativo estado de coisas em que nós, brasileiras e brasileiros, mergulhamos. (grifei)

Onde está o compromisso com a verdade, ponto essencial, e que no dizer de Ricardo Noblat marca “a crise universal do jornalismo”? (grifo do original)

O artigo do ex-procurador-geral é do início de dezembro, portanto, anterior ao vazamento das delações premiadas dos executivos da Odebrecht. Ainda assim, mesmo com todo o noticiário a respeito do envolvimento da turma que ocupou, pelo golpe do impeachment, o Palácio do Planalto, persiste válido o comentário sobre a forma como a grande mídia (insisto em incluir no mesmo rol, juízes e procuradores e policiais) lida quando as denúncias atingem outros políticos, bem diferentemente do que fazem com Lula e Dilma:



“Insistência que não se vê, porque reduzido a poucos dias de noticiário, em relação aos sucessivos escândalos que corroem o governo Temer e seus personagens de confiança: Henrique Eduardo Alves; Romero Jucá; Geddel Vieira Lima – esses já em situação de investigação consolidada-; Moreira Franco e Eliseu Padilha, em apuração; recordando-se, outrossim, o recebimento de denúncia, pelo Supremo Tribunal Federal, contra Renan Calheiros. Todos esses personagens – e não nos esqueçamos, também, de Eduardo Cunha – pertencem ao PMDB.

A gravidade da conduta de Geddel Vieira Lima, para focarmos dado de que já não se fala, pessoa da mais estreita confiança de Michel Temer, gravidade, repito, já esquecida pela grande mídia, todavia generosa em destacar que:

Em todas as respostas, o presidente tratou de colocar claramente o seu estilo de resolver as coisas evitando confrontos diretos. A coisa que mais fiz na vida foi arbitrar conflitos, disse Temer, referindo-se ao ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que teria gravado a última conversa que teve no gabinete presidencial, atitude que Temer chamou de “agressiva, ilógica, indigna e desarrazoada.” (jornal Coreio Braziliense de 28.11.2016 – pg. 2).

Ora, não há conflito a ser arbitrado entre a conduta funcional, corretíssima, do então Ministro Marcelo Calero e a conduta funcional, de óbvia ilicitude, do então Ministro Geddel Vieira Lima.

A partir desta análise de Fonteles, relembro o tratamento que a mídia – recém-beneficiada com aumentos expressivos de verba publicitária pelo governo golpista -, dispensa quando um dos petistas se envolve em algo parecido. Geddel Vieira queria liberar a construção ilegal de um prédio onde tinha interesses pessoais assim como outros parentes. Lula, por conta do apartamento que não chegou a ter – queira-se ou não o imóvel jamais lhe pertenceu – sofre perseguição há mais de ano.

Enquanto no caso de Lula dão voz e manchete a um candidato a vereador que tentou se aproveitar do caso na campanha eleitoral, no episódio de Geddel criticaram o autor da denúncia, cujo comportamento começou a ser questionado. Fonteles encara de outra forma o papel dele:


O primeiro manteve irretocável postura, pela negativa, ante as pressões, dissimuladas ou claras, que sofria de Geddel Vieira Lima com o beneplácito do colega Eliseu Padilha e o envolvimento direto de Michel Temer para que, em detrimento do interesse público, privilegiasse investimento patrimonial pessoal, totalmente ilegal:autorizar construção de unidades habitacionais verticalizadas em manifesto comprometimento do patrimônio histórico-urbano como afirmado pelos competentes órgãos da administração pública federal.

Também a circunstância de Marcelo Calero ter gravado as conversas que caracterizam esse ilegal cenário nada tem de “agressivo, ilógico, indigno e desarrazoado”, como publicamente enfatizou Michel Temer, beneplacitado pela grande mídia.

Constrangido, acuado, por servidores públicos de seu mesmo nível hierárquico, mas que notoriamente privavam, e privam, da amizade estreita do Chefe Maior, justo para que, ulteriormente, não se voltasse exclusivamente contra si a responsabilidade pela ilícita decisão, que se lhe cobrava, insistentemente, a Marcelo Calero só restava garantir-se, e garantir-se cuidando de obter meios, claros e concretos, à demonstração da verdade”.

Esse jogo de manipulação da informação exige toda a atenção pois como já ficou claro, a Força Tarefa da Lava Jato sabe que precisa ter nos jornalistas aliados, assim como sabe que vazamento, ainda que ilegais, são fundamentais para criar o clima favorável ao “justiçamento” e não à Justiça como a maioria dos brasileiros deseja. Ainda que não se falte com a verdade, a notícia, nos dias atuais, esconde interesses nem sempre decifráveis em uma primeira leitura. Fonteles, no alerta que fez em seu blog, mostrou que a mesma preocupação já foi manifestada pelo atual papa Francisco. É dele a citação, reproduzida pelo ex-procurador-geral em seu artigo:


“No mundo atual, com a velocidade das comunicações e a seleção interessada dos conteúdos feita pelos meios de comunicação social, a mensagem que anunciamos corre mais do que nunca o risco de aparecer mutilada e reduzida a alguns dos seus aspectos secundários.” (leia-se: Evangelii Gaudium – nº 34 – pg. 31, grifos do autor).

Ele encerra o texto mostrando, na sua visão, quedo é que realmente todos sairão perdendo:


“Importa, e aqui radica a essência vital da imprensa: informar, para formar, jamais deformar.

Se não for assim: “perdemos todos.””


Jornal GGN

Um meio de ter proteção nuclear sem os custos de fazer a bomba, por J. Carlos de Assis

QUA, 28/12/2016 - 08:00


Movimento Brasil Agora

Um meio de ter proteção nuclear sem os custos de fazer a bomba

por J. Carlos de Assis

O Brasil se apresenta como uma nação pacífica, amiga dos EUA. Mas os EUA se comportam como se fossem inimigos do Brasil. Muitos especialistas em política internacional, como o infatigável Moniz Bandeira, tem apontado essa contradição, mas a realidade veio à tona quando se divulgou que a NSA, principal agência de espionagem norte-americana, espionou a Petrobrás e a Presidenta Dilma. A reação da Presidenta foi simbólica: adiou uma visita a Washington. Já a Petrobrás não teve espaço para reagir, pois os próprios EUA, como se sabe hoje, trataram de usar o juiz Sérgio Moro para divulgar os escândalos de seus diretores.

Foi a partir dessa espionagem que se tornaram mais frequentes as viagens do juiz Sergio Moro para palestras e recepção de prêmios nos Estados Unidos. Hoje se sabe com bastante segurança que o juiz e os procuradores da Lava Jato não apenas receberam informações sobre a Petrobrás de autoridades americanas, oriundas da espionagem, como transmitiram ilegalmente a elas informações obtidas em delações premiadas não apenas sobre a Petrobrás mas também sobre a cadeia de empresas privadas em torno dela. Não sou jurista mas, no meu entender, acho que se trata de uma clara situação de crime de lesa-pátria.

O povo ainda não se deu conta de que a corrupção – inequívoca, é verdade – está sendo usada para mascarar a conquista da soberania brasileira pelo capital financeiro e pelas petrolíferas internacionais, com foco nos EUA. Isso já não se faz com canhoneiras, exceto se uma convulsão social instigada no Brasil pelos próprios americanos resultar numa guerra civil cuja parte contrária às posições deles ameaçar ganhar. Nesse caso entrarão para “defender” a democracia como fizeram no Iraque, na Líbia, no Egito, na Síria, através não só de marines mas principalmente das ONGs que se apresentam como defensoras dos direitos humanos e paladinos contra a corrupção.

Os Estados Unidos não nos dão sequer o status de inimigos. Isso é para a Rússia e a China, que são potências nucleares. Nós, cujo projeto atômico secreto do Exército foi liquidado pelo “democrata” Collor de Mello, merecemos a posição de subalternos. Por imposição deles, sem qualquer contrapartida, assinamos o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Eles não se deram sequer ao trabalho de garantir a nós, e ao mundo, que jamais usarão bombas nucleares em primeiro lugar contra nós ou contra qualquer país. Ao contrário, se dão o direito de tomar a iniciativa de destruir o mundo com a estratégia de “guerra nuclear protegida” – a ideia de desfechar um primeiro ataque e proteger o próprio território tecnologicamente.

Propusemos aos Estados Unidos transformar o Atlântico Sul, nosso vizinho, numa zona não nuclearizada. Já que desistimos de fazer a bomba atômica que nos dessem ao menos o direito de não ter armas atômicas nas nossas costas. Riram de nós. Reativaram a IV Frota, com seu poderio nuclear, certamente com vistas à “proteção” do nosso pré-sal, descoberto por nós com tecnologia nossa, e agora visado por eles com sua ganância peculiar. Apenas num ponto ficaram assustados: quando nos aliamos à China, à Rússia e à Índia na criação dos BRICS. A partir daí passaram a nos sabotar, e o meio adotado foi, adivinhem, a corrupção da cúpula do poder no Brasil. A propósito, estudo do Bank of America Merryl Linch acaba de decretar abertamente que “é hora de dividir os BRiCS”, grupo que “nunca fez muito sentido”.

O movimento que demos na direção de uma relativa autonomia geopolítica e geoeconômica, contra a tendência asfixiante da globalização financeira, foi reforçado pela nossa conquista no desenvolvimento de centrífugas para enriquecimento de urânio até 20%, o que nos possibilitará ter combustível nosso para o submarino nuclear que estamos construindo com tecnologia transferida pelos franceses. Provavelmente por ordem dos Estados Unidos o esquema do juiz Moro mandou para a cadeia, com pena de 43 anos, o herói nacional Almirante Othon, do qual não conseguiram arrancar em delação premiada, justamente por ser um herói, a rota no mercado negro dos equipamentos usados para construir as centrífugas.

Espero que os militares leiam e reflitam sobre esse artigo. Se quisermos preservar nossa soberania temos que nos aliar a potências não subalternas aos Estados Unidos. O caminho é óbvio. Um tratado de proteção recíproca no âmbito dos BRICS pelo qual se ofereça à Rússia e à China, e preferivelmente às duas simultaneamente, uma base militar na costa brasileira em condições de defender o pré-sal e o Atlântico Sul. O presidente que se opuser a isso deve ser afastado por desídia em relação a interesses fundamentais do Brasil. Com esse tratado poderemos dormir em paz sem precisar de armas nucleares sob nosso controle, obedecendo ao que ordenou a Collor o governo norte-americano.


Jornal GGN

FHC SE DIZ PRONTO PARA DIALOGAR COM LULA


Brasil 247

FOLHA JÁ ABRE ESPAÇO PARA A DEGOLA DE TEMER


Ao noticiar a operação de busca e apreensão nas gráficas que atuaram na campanha presidencial de 2014, Folha de S. Paulo manchetou que o alvo foi a "campanha de Temer", e não a "campanha de Dilma" ou "Dilma-Temer"; a sutileza significa que o objetivo da ação movida pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral será a cassação de Temer; a questão é saber se depois do chamado "golpe dentro do golpe", o Brasil terá eleições diretas, como querem 63% dos brasileiros, segundo o Datafolha, ou indiretas, com um novo presidente escolhido por um Congresso com mais de 200 parlamentares investigados



28 DE DEZEMBRO DE 2016 



247 – Rejeitado por pelo menos 77% dos brasileiros, Michel Temer, se souber ler as entrelinhas dos jornais, já pode se preparar para deixar a presidência em 2017.

Ao noticiar a operação de busca e apreensão nas gráficas que atuaram na campanha presidencial de 2014, Folha de S. Paulo manchetou que o alvo foi a "campanha de Temer", e não a "campanha de Dilma" ou "Dilma-Temer", como seria normal.

A sutileza significa que o objetivo da ação movida pelo PSDB no Tribunal Superior Eleitoral será a cassação de Temer.

A questão é saber se depois do chamado "golpe dentro do golpe", o Brasil terá eleições diretas, como querem 63% dos brasileiros, segundo o Datafolha, ou indiretas, com um novo presidente escolhido por um Congresso com mais de 200 parlamentares investigados.


Leia, abaixo, artigo de Esmael Morais, em que ele diz que a PF trabalha pela cassação de Temer:

PF trabalha pela cassação de Temer

Por Esmael Morais

A Polícia Federal realização ação nesta terça (27) em empresas que trabalharam pela chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014.

A PF está nas ruas hoje por determinação do Tribunal Superior Eleitoral. É o golpe dentro do golpe em acelerada marcha.

O ilegítimo Temer deverá ser cassado até 31 de março de 2017, daí, segundo cálculos de golpistas, o Congresso Nacional elegerá indiretamente o novo presidente da República.

Por outro lado, brasileiros comprometidos com a democracia defendem eleição direta já para presidente. Ou seja, só o povo é soberano para fazer a escolha de rumo do país.




Brasil 247