YGOR SALLES
da Reportagem Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje na festa de 1º de maio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em São Paulo, que não poderia falar sobre eleições. "A legislação não me permite falar de candidatos.". O público presente no evento reagiu à declaração de Lula com o coro "olê, olê, olá, Dilma, Dilma".
Na festa da CUT, Lula chora ao lembrar que seu governo está acabando
Mesmo dizendo que não falaria de eleição, Lula defendeu a continuidade de seu governo. "Não é possível resolver o problema de 500 anos em oito. É preciso um sequenciamento. Dilma, você ouviu o que eu disse? Sequenciamento..."
Lula aproveitou a festa para defender sua política econômica e externa, inclusive repercutindo o fato de ter entrado na lista da revista americana "Time" como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
"Daqui a pouco meu ego não vai caber nas minhas calças. Vou ter que ir a um alfaiate, porque o ego engorda", disse o presidente diante de um público de cerca de 10 mil pessoas.
Veja imagens do evento promovido pela Força Sindical neste sábado
Dilma se apodera pela segunda vez de mote de Serra
Oposição entrará com nova representação contra Lula por propaganda eleitoral
Segundo Lula, o seu destaque no cenário interno se deve, entre outros motivos, à política de aproximação com outros países latino-americanos, além de africanos e árabes. "Oito anos atrás fizemos uma campanha falando em fortalecer o Mercosul e que não queríamos a Alba, porque seria a supremacia do potencial tecnológico dos americanos", disse Lula, lembrando que visitou muitos países pelos quais nunca havia passado um presidente brasileiro. "Antes só iam para Frankfurt, Paris, Londres, Nova York, Washington..."
Choro
Lula aproveitou o evento para lembrar de seu passado sindical, e chorou ao dizer que voltará à mesma vida depois de deixar a Presidência.
"Quando eu deixar a Presidência vou continuar morando no mesmo apartamento, na mesma distância do sindicato que me projetou na política", disse, já chorando. "o que vai mais me dar orgulho é que vou poder acordar de manhã e olhar para qualquer trabalhador e dizer para ele 'bom dia, companheiro.'"
No seu discurso em tom de despedida, o presidente ainda revelou que tinha medo de não ser um bom presidente porque "demoraria mais um século para um trabalhador poder pleitear ser presidente". "Hoje eu durmo colocando minha cabeça no travesseiro tranquilo."
Esta foi a primeira vez que Lula foi a um evento de 1º de Maio das centrais sindicais como presidente do país. E o fez em grande estilo, participando de quatro eles. Pela manhã, foi ao da Força Sindical; à tarde, no Dia do Trabalhador Unificado --feito pelas centrais UGT, Nova Central e CTB-- e da CUT. Ainda hoje irá à festa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).
sábado, 1 de maio de 2010
Enem 2010 será realizado nos dias 6 e 7 de novembro
Amanda Cieglinski*
Enviada Especial
Foz do Iguaçu (PR) - O Ministério da Educação (MEC) vai realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 6 e 7 de novembro. A expectativa é de que a edição deste ano tenha 6 milhões de inscrições. Geralmente o Enem é realizado em outubro, mas, por causa do primeiro e do segundo turnos das eleições, o calendário teve que ser alterado para novembro.
Com essa data, o resultado das provas deve estar disponível na primeira semana de janeiro para ser usado por instituições públicas de ensino superior como forma de ingresso. Em 2009, 51 aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que ofereceu 47,9 mil vagas.
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2010 já estava marcado para o primeiro fim de semana de novembro e, devido ao Enem, deverá ser adiado.
Em 2009, 4,1 milhões de estudantes se inscreveram no Enem e 3,2 milhões fizeram as provas. A data para o início das inscrições de 2010 ainda não foi fechada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Em junho, o MEC fará uma nova rodada de inscrições do Sisu. Os alunos que tiverem interesse em disputar as vagas a serem oferecidas por instituições públicas de ensino superior vão usar a nota do Enem de 2009.
As 51 instituições que participaram da primeira edição do sistema manifestaram interesse em permanecer no processo, mas ainda não é possível saber quantas vão participar da etapa de junho, já que nem todas fazem processos seletivos duas vezes ao ano.
*A repórter viajou a convite do Ministério da Educação
Edição: Juliana Andrade // Matéria alterada para acréscimo de informações
Enviada Especial
Foz do Iguaçu (PR) - O Ministério da Educação (MEC) vai realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 6 e 7 de novembro. A expectativa é de que a edição deste ano tenha 6 milhões de inscrições. Geralmente o Enem é realizado em outubro, mas, por causa do primeiro e do segundo turnos das eleições, o calendário teve que ser alterado para novembro.
Com essa data, o resultado das provas deve estar disponível na primeira semana de janeiro para ser usado por instituições públicas de ensino superior como forma de ingresso. Em 2009, 51 aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que ofereceu 47,9 mil vagas.
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2010 já estava marcado para o primeiro fim de semana de novembro e, devido ao Enem, deverá ser adiado.
Em 2009, 4,1 milhões de estudantes se inscreveram no Enem e 3,2 milhões fizeram as provas. A data para o início das inscrições de 2010 ainda não foi fechada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Em junho, o MEC fará uma nova rodada de inscrições do Sisu. Os alunos que tiverem interesse em disputar as vagas a serem oferecidas por instituições públicas de ensino superior vão usar a nota do Enem de 2009.
As 51 instituições que participaram da primeira edição do sistema manifestaram interesse em permanecer no processo, mas ainda não é possível saber quantas vão participar da etapa de junho, já que nem todas fazem processos seletivos duas vezes ao ano.
*A repórter viajou a convite do Ministério da Educação
Edição: Juliana Andrade // Matéria alterada para acréscimo de informações
Lula e Dilma confirmam presença no 1º de Maio Unificado
O presidente da CTB, Wagner Gomes, confirmou nesta quinta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata à Presidência da República Dilma Rousseff estarão presentes ao 1º de Maio Unificado, em São Paulo, no próximo sábado, Dia Internacional do Trabalhador. Segundo Wagner, Lula e Dilma chegarão à festa às 15 horas.
“Certamente vamos fazer uma grande recepção ao presidente e à pré-candidata. E seguramente ambos vão aproveitar muito, pois são fãs da boa música brasileira”, afirmou o presidente da central.
Neste ano, a CTB, a UGT e a Nova Central vão comemorar o Dia do Trabalhador em um grande show sertanejo e ato político na Avenida Marquês de São Vicente, zona oeste da capital paulista. As festividades devem começar às 11 horas.
“As três centrais vêm trabalhando muito bem, em conjunto, no sentido de proporcionar à massa um belo show. Esperamos que todos os que estiverem em São Paulo no próximo sábado prestigiem nossa festa”, declarou Wagner Gomes.
O 1º de Maio Unificado terá seis bandeiras de lutas: redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário; ratificação da Convenção 158 da OIT (que proíbe demissões imotivadas); fim do Fator Previdenciário; direito à igualdade de oportunidade; desenvolvimento nacional com valorização do trabalho; e 70 anos do salário mínimo.
Haverá também programação artística e cultural. O 1º de Maio Unificado promete “o maior concerto sertanejo já organizado na capital”, com várias duplas do gênero, além de shows da sambista Leci Brandão e do padre Fabio de Melo. A expectativa das centrais é levar ao ato um público superior aos 200 mil reunidos no Dia do Trabalhador do ano passado.
Da Redação, com informações do Portal CTB
“Certamente vamos fazer uma grande recepção ao presidente e à pré-candidata. E seguramente ambos vão aproveitar muito, pois são fãs da boa música brasileira”, afirmou o presidente da central.
Neste ano, a CTB, a UGT e a Nova Central vão comemorar o Dia do Trabalhador em um grande show sertanejo e ato político na Avenida Marquês de São Vicente, zona oeste da capital paulista. As festividades devem começar às 11 horas.
“As três centrais vêm trabalhando muito bem, em conjunto, no sentido de proporcionar à massa um belo show. Esperamos que todos os que estiverem em São Paulo no próximo sábado prestigiem nossa festa”, declarou Wagner Gomes.
O 1º de Maio Unificado terá seis bandeiras de lutas: redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário; ratificação da Convenção 158 da OIT (que proíbe demissões imotivadas); fim do Fator Previdenciário; direito à igualdade de oportunidade; desenvolvimento nacional com valorização do trabalho; e 70 anos do salário mínimo.
Haverá também programação artística e cultural. O 1º de Maio Unificado promete “o maior concerto sertanejo já organizado na capital”, com várias duplas do gênero, além de shows da sambista Leci Brandão e do padre Fabio de Melo. A expectativa das centrais é levar ao ato um público superior aos 200 mil reunidos no Dia do Trabalhador do ano passado.
Da Redação, com informações do Portal CTB
Problemas com as urnas eletrônicas da Índia
Por foo
Seria ótimo se estes mesmos pesquisadores pudessem ter acesso e avaliar a segurança da urna brasileira. Mas a postura do TSE é absolutamente irresponsável.
Do G1
Teste mostra que urna eletrônica da Índia poderia ser controlada via celular
Diversos pesquisadores da Holanda, da Índia e dos Estados Unidos trabalharam juntos em um projeto de pesquisa cuja conclusão foi a de que as urnas eletrônicas usadas na Índia são vulneráveis a adulterações. Segundo os especialistas, alguém com a intenção de mudar os resultados das eleições só precisaria de pouco tempo para instalar um componente na urna que seria difícil de detectar e poderia mudar os votos dos eleitores.
O estudo foi organizado e liderado por Hari Prasad, um indiano que foi desafiado a mostrar que as urnas poderiam ser alteradas. Mas a comissão eleitoral indiana decidiu não permitir o teste e não cedeu a Prasad uma urna para que pudesse conduzir sua pesquisa. Os pesquisadores afirmaram que obtiveram a urna por meio de uma fonte anônima, já que o governo indiano não cede o equipamento para testes independentes.
O componente criado pelos pesquisadores permite que um criminoso controle como a urna contará os votos remotamente usando um telefone celular. Prasad contou com o auxílio de Alex Halderman, professor da Universidade de Michigan com experiência em urnas eletrônicas e de Rop Gonggrijp, um ativista que foi responsável por urnas eletrônicas serem banidas nos Países Baixos.
Os pesquisadores alegam que sistemas de armazenamento eletrônico direto, sem um papel para verificação do eleitor e para viabilizar uma recontagem dos votos. Essa é a solução proposta pelos especialistas, cuja pesquisa incluiu diversas medidas de proteção possíveis que são “ineficazes”.
No Brasil, o TSE também não cede urnas para testes independentes. O máximo que se fez até agora foi permitir que especialistas analisassem o equipamento por apenas quatro dias. Já a impressão do voto será obrigatória no Brasil a partir das eleições de 2014.
http://g1.globo.com/tecnologia-e-games/noticia/2010/04/teste-mostra-que-urna-eletronica-da-india-poderia-ser-controlada-celular.html
Autor: luizhenriquemendes - Categoria(s): Eleições, Internacional
Do blog do Nassif
Seria ótimo se estes mesmos pesquisadores pudessem ter acesso e avaliar a segurança da urna brasileira. Mas a postura do TSE é absolutamente irresponsável.
Do G1
Teste mostra que urna eletrônica da Índia poderia ser controlada via celular
Diversos pesquisadores da Holanda, da Índia e dos Estados Unidos trabalharam juntos em um projeto de pesquisa cuja conclusão foi a de que as urnas eletrônicas usadas na Índia são vulneráveis a adulterações. Segundo os especialistas, alguém com a intenção de mudar os resultados das eleições só precisaria de pouco tempo para instalar um componente na urna que seria difícil de detectar e poderia mudar os votos dos eleitores.
O estudo foi organizado e liderado por Hari Prasad, um indiano que foi desafiado a mostrar que as urnas poderiam ser alteradas. Mas a comissão eleitoral indiana decidiu não permitir o teste e não cedeu a Prasad uma urna para que pudesse conduzir sua pesquisa. Os pesquisadores afirmaram que obtiveram a urna por meio de uma fonte anônima, já que o governo indiano não cede o equipamento para testes independentes.
O componente criado pelos pesquisadores permite que um criminoso controle como a urna contará os votos remotamente usando um telefone celular. Prasad contou com o auxílio de Alex Halderman, professor da Universidade de Michigan com experiência em urnas eletrônicas e de Rop Gonggrijp, um ativista que foi responsável por urnas eletrônicas serem banidas nos Países Baixos.
Os pesquisadores alegam que sistemas de armazenamento eletrônico direto, sem um papel para verificação do eleitor e para viabilizar uma recontagem dos votos. Essa é a solução proposta pelos especialistas, cuja pesquisa incluiu diversas medidas de proteção possíveis que são “ineficazes”.
No Brasil, o TSE também não cede urnas para testes independentes. O máximo que se fez até agora foi permitir que especialistas analisassem o equipamento por apenas quatro dias. Já a impressão do voto será obrigatória no Brasil a partir das eleições de 2014.
http://g1.globo.com/tecnologia-e-games/noticia/2010/04/teste-mostra-que-urna-eletronica-da-india-poderia-ser-controlada-celular.html
Autor: luizhenriquemendes - Categoria(s): Eleições, Internacional
Do blog do Nassif
Vanuchi diz que Comissão da Verdade pode avançar apesar da decisão do STF
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a interpretação que a Lei da Anistia perdoou inclusive quem cometeu crimes comuns, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que pode haver, nesse momento, um efeito paradoxal e o anteprojeto para criar a Comissão Nacional da Verdade avançar. “O ruído de punição não ajuda o entendimento”, comentou o ministro citando votos do STF que defenderam o direito à memória e à verdade.
Criméia Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, não tem a mesma percepção. “Não acho que seja possível uma Comissão da Verdade com impunidade”. Para o general Gilberto Barbosa de Figueiredo, presidente do Clube Militar, “nada impede que se apure. O direito da verdade existe é essencial”.
Na próxima quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar um anteprojeto de lei propondo a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar violações contra os direitos humanos cometidos na ditadura militar (1964-1985), segundo informação de Vannuchi.
A comissão não terá caráter punitivo como um tribunal. Terá como atribuição verificar quem foi torturado, quem torturou e onde estão os corpos das pessoas desaparecidas por causa da repressão do regime militar. “Se não há mais corpos, deverá saber porque foram destruídos, como e quando”, salientou o ministro. Não está decidido se haverá apuração de supostos crimes cometidos por quem atuou na resistência armada à ditadura.
O anteprojeto proporá as funções da comissão e o perfil dos componentes. Em princípio, a escolha dos nomes será do presidente da República. Vannuchi espera que sejam escolhidas pessoas que não tenham envolvimento com vítimas, familiares ou militares envolvidos em na guerrilha ou na repressão.
O ministro dos Direitos Humanos evitou usar a palavra “notáveis”, mas disse que deverão compor a comissão “pessoas de ilibada reputação, trajetória democrática e respeito aos direitos humanos, e que não gerem repulsa nos segmentos envolvidos”. A elaboração do anteprojeto baseou-se em experiências internacionais como da Argentina e da África do Sul.
No vizinho sul-americano, a presidência da comissão esteve a cargo do escritor Ernesto Sábato. Na África do Sul, a presidência da comissão de reconciliação e da verdade pós-apartheid coube ao bispo anglicano Desmond Tutu que recebeu o Prêmio Nobel da Paz. A recomendação de especialistas estrangeiros é que a duração da comissão seja em torno de dois anos.
Além da Comissão Nacional da Verdade, o governo deve anunciar na próxima semana as modificações na terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3). Segundo Vannuchi serão feitas alterações na redação de pontos que foram polemizados como aborto, ações programáticas de comunicação e a mediação de conflitos na reintegração de posses rurais.
Edição: Rivadavia Severo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a interpretação que a Lei da Anistia perdoou inclusive quem cometeu crimes comuns, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que pode haver, nesse momento, um efeito paradoxal e o anteprojeto para criar a Comissão Nacional da Verdade avançar. “O ruído de punição não ajuda o entendimento”, comentou o ministro citando votos do STF que defenderam o direito à memória e à verdade.
Criméia Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo, não tem a mesma percepção. “Não acho que seja possível uma Comissão da Verdade com impunidade”. Para o general Gilberto Barbosa de Figueiredo, presidente do Clube Militar, “nada impede que se apure. O direito da verdade existe é essencial”.
Na próxima quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar um anteprojeto de lei propondo a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar violações contra os direitos humanos cometidos na ditadura militar (1964-1985), segundo informação de Vannuchi.
A comissão não terá caráter punitivo como um tribunal. Terá como atribuição verificar quem foi torturado, quem torturou e onde estão os corpos das pessoas desaparecidas por causa da repressão do regime militar. “Se não há mais corpos, deverá saber porque foram destruídos, como e quando”, salientou o ministro. Não está decidido se haverá apuração de supostos crimes cometidos por quem atuou na resistência armada à ditadura.
O anteprojeto proporá as funções da comissão e o perfil dos componentes. Em princípio, a escolha dos nomes será do presidente da República. Vannuchi espera que sejam escolhidas pessoas que não tenham envolvimento com vítimas, familiares ou militares envolvidos em na guerrilha ou na repressão.
O ministro dos Direitos Humanos evitou usar a palavra “notáveis”, mas disse que deverão compor a comissão “pessoas de ilibada reputação, trajetória democrática e respeito aos direitos humanos, e que não gerem repulsa nos segmentos envolvidos”. A elaboração do anteprojeto baseou-se em experiências internacionais como da Argentina e da África do Sul.
No vizinho sul-americano, a presidência da comissão esteve a cargo do escritor Ernesto Sábato. Na África do Sul, a presidência da comissão de reconciliação e da verdade pós-apartheid coube ao bispo anglicano Desmond Tutu que recebeu o Prêmio Nobel da Paz. A recomendação de especialistas estrangeiros é que a duração da comissão seja em torno de dois anos.
Além da Comissão Nacional da Verdade, o governo deve anunciar na próxima semana as modificações na terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3). Segundo Vannuchi serão feitas alterações na redação de pontos que foram polemizados como aborto, ações programáticas de comunicação e a mediação de conflitos na reintegração de posses rurais.
Edição: Rivadavia Severo
Último acusado do assassinato de Dorothy Stang é condenado a 30 anos de prisão
O pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como "Taradão", foi condenado a 30 anos de prisão por mandar matar a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang. Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), área de intenso conflito fundiário, Stang foi alvejada com seis tiros numa estrada de Anapu (PA) em fevereiro de 2005.
Cinco anos depois do assassinato, Galvão foi o último envolvido no caso a ir a julgamento em Belém. Durante o júri, que começou às 8h desta sexta-feira (30), ele negou a acusação e se disse inocente.
Há cerca de duas semanas, Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, foi condenado a 30 anos de prisão também pela suspeita de ser mandante do assassinato. Outros três envolvidos no crime já foram considerados culpados e estão presos: Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, sentenciado a 27 anos.
Galvão foi denunciado e pronunciado em 2006 sob acusação de homicídio qualificado e respondia ao processo em liberdade.
Julgamento
Durante o julgamento, a Promotoria apresentou o vídeo da reconstituição do crime. Também apresentou uma cadeia de compra e venda do lote 55 – área de floresta virgem que estaria destinada ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável, defendido pela missionária, mas que teria sido grilada e vendida por Galvão e Moura. O documento mostrou a participação direta ou indireta do condenado, através de intermediários como Vitalmiro Moura e Libério Nascimento. Este último é apontado como capataz de Galvão.
Uma das testemunhas que depôs nesta sexta foi Amair Feijoli, já condenado pelo crime e arrolado como testemunha de defesa. Ele disse aos jurados que mentiu quando acusou Galvão de ser um dos mandantes do assassinato. Feijoli foi beneficiado pela redução de nove anos de pena por ter delatado Regivaldo Galvão e Vitalmiro Bastos de Moura.
O promotor Edson Cardoso, entretanto, afirmou que o depoimento de Feijoli apenas comprovou a relação de Galvão com o crime. Cardoso sustentou que a testemunha denunciou os acusados porque sua esposa, Elizabeth Cunha, estava sendo ameaçada. Ele chegou a relatar a pressão que vinha sofrendo para inocentar os dois, mas em seus últimos depoimentos repetiu a inocência de Galvão.
Já o advogado disse que seu cliente tem sido perseguido pela Justiça porque outros dois suspeitos de participação como mandantes, os fazendeiros Délio Fernandes e Luiz Ungaratti, só foram ouvidos uma vez pela polícia e, então, dispensados.
O advogado sustentou ainda que outras pessoas tinham interesse em matar a missionária, mas seu cliente não teria integrado o “consórcio” para pagar pela morte porque, no momento em que vendeu o lote 55, deixou de ter interesse pela área.
O resultado do julgamento era aguardado com expectativa pelas entidades ligadas aos direitos humanos, sobretudo aquelas que lidam com a questão dos conflitos no campo, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em nota divulgada na última quarta-feira (28), a CPT afirmou que o nome da missionária se associa ao de outras pessoas que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.
*Com informações da Agência Brasil
Cinco anos depois do assassinato, Galvão foi o último envolvido no caso a ir a julgamento em Belém. Durante o júri, que começou às 8h desta sexta-feira (30), ele negou a acusação e se disse inocente.
Há cerca de duas semanas, Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, foi condenado a 30 anos de prisão também pela suspeita de ser mandante do assassinato. Outros três envolvidos no crime já foram considerados culpados e estão presos: Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, sentenciado a 27 anos.
Galvão foi denunciado e pronunciado em 2006 sob acusação de homicídio qualificado e respondia ao processo em liberdade.
Julgamento
Durante o julgamento, a Promotoria apresentou o vídeo da reconstituição do crime. Também apresentou uma cadeia de compra e venda do lote 55 – área de floresta virgem que estaria destinada ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável, defendido pela missionária, mas que teria sido grilada e vendida por Galvão e Moura. O documento mostrou a participação direta ou indireta do condenado, através de intermediários como Vitalmiro Moura e Libério Nascimento. Este último é apontado como capataz de Galvão.
Uma das testemunhas que depôs nesta sexta foi Amair Feijoli, já condenado pelo crime e arrolado como testemunha de defesa. Ele disse aos jurados que mentiu quando acusou Galvão de ser um dos mandantes do assassinato. Feijoli foi beneficiado pela redução de nove anos de pena por ter delatado Regivaldo Galvão e Vitalmiro Bastos de Moura.
O promotor Edson Cardoso, entretanto, afirmou que o depoimento de Feijoli apenas comprovou a relação de Galvão com o crime. Cardoso sustentou que a testemunha denunciou os acusados porque sua esposa, Elizabeth Cunha, estava sendo ameaçada. Ele chegou a relatar a pressão que vinha sofrendo para inocentar os dois, mas em seus últimos depoimentos repetiu a inocência de Galvão.
Já o advogado disse que seu cliente tem sido perseguido pela Justiça porque outros dois suspeitos de participação como mandantes, os fazendeiros Délio Fernandes e Luiz Ungaratti, só foram ouvidos uma vez pela polícia e, então, dispensados.
O advogado sustentou ainda que outras pessoas tinham interesse em matar a missionária, mas seu cliente não teria integrado o “consórcio” para pagar pela morte porque, no momento em que vendeu o lote 55, deixou de ter interesse pela área.
O resultado do julgamento era aguardado com expectativa pelas entidades ligadas aos direitos humanos, sobretudo aquelas que lidam com a questão dos conflitos no campo, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em nota divulgada na última quarta-feira (28), a CPT afirmou que o nome da missionária se associa ao de outras pessoas que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.
*Com informações da Agência Brasil
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