sexta-feira, 1 de julho de 2011
Internet: o que está por trás da ação dos crackers? - Por José Dirceu

O Brasil assiste, estarrecido, a uma onda de ataques aos sites governamentais desde o dia 22. O Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) detectou 25 ataques a sítios hospedados na estrutura de rede da empresa. E, hoje a Folha de São Paulo anunciou que uma pessoa teria invadido o correio eletrônico da presidenta Dilma Rousseff durante o ano passado, quando copiou cerca de 600 emails. Em outra ação, a mesma pessoa obteve a senha do meu email e, segundo o jornal, copiou a minha correspondência eletrônica e a ofereceu ao jornal em troca de dinheiro.
O SERPRO informa que as primeiras ações foram realizadas por meio de negação de serviço. Ou seja, sobrecarregaram a rede, mas não houve vazamento de dados sigilosos. A primeira ocorrência foi em 22 de junho, proveniente de mais de mil endereços de IP diferentes, com proximadamente 300 mil simulações de acessos por segundo. Logo em seguida, dois bilhões de acessos derrubaram por cerca de 40 minutos o site da Presidência da República e o portal Brasil.gov. Também o portal da Receita Federal sofreu o mesmo tipo de ataque por cerca de meia hora, mas foi contido pela área de segurança do Serpro, não ocorrendo indisponibilidade do serviço.
O tipo de ataque feito aos sites do governo, basicamente, usa ferramentas que “escravizam” milhares de computadores que estão online para realizar acessos a um determinado endereço. O grupo que assumiu os ataques, segundo o SERPRO, auto-denominou-se Lulz sec Brazil, que, na linguagem de internet, significa algo como “rindo escrachadamente da segurança”.
Crackers: interesses duvidosos
Ontem vim a saber (leia mais neste blog) sobre a criminosa invasão à minha caixa postal eletrônica e hoje, pelos jornais, que o mesmo se deu com os emails da presidenta, durante a campanha presidencial. A esse respeito, Sergio Amadeu da Silveira, pesquisador das redes sociais e professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC, frisa: “quem está por trás disso não é hacker, mas cracker”.
A diferença entre os dois conceitos é importante. O primeiro grupo exerce a desobediência civil por meio da Internet, em protesto contra a falta de transparência dos órgãos públicos e grandes corporações. O segundo é formado por criminosos, que visam auferir vantagens pessoais e escusas de suas ações. Para o professor, é de se estranhar que os tais ataques se voltem apenas aos sites governamentais e a expoentes ligados ao PT.
“A comunidade digital e a maioria dos hackers tem se irritado com esses ataques e suas supostas bandeiras, boa parte delas infantis”, diz Amadeu. “É preciso separar os protestos legítimos de ações de grupos de interesses duvidosos”, acrescenta.
Amadeu também situa a onda de ataques dentro do contexto da retomada da discussão do PL 84/99, do ex-senador Eduardo Azeredo (PMDB-MG), atualmente deputado federal. Seu substitutivo de projetos de lei, que há três anos tramita no Congresso Nacional, pretende regular a internet, visando a criminalização de práticas irregulares no ciberespaço. “Estão tentando criar um clima de terror para se aprovar uma lei extremamente anacrônica”, acredita Amadeu. Na prática, Azeredo tem feito pressão na Câmara para a retomada das discussões do seu projeto usando como argumento as ações de crackers contra sites do governo brasileiro na semana passada.
Ação política?
Na prática, o Brasil não tem uma lei específica sobre crimes na internet. O ativista digital João Carlos Caribé, em declaração ao portal ARede também suspeita de que os ataques tenham sido "fabricados" com a finalidade de trazer de volta a polêmica regulação dos crimes na internet.
O texto do PL, apelidado de "AI-5 Digital" por seus críticos, coincidentemente, seria votado ontem na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. A votação foi adiada e deve haver uma audiência pública em 13 de julho. Entre vários pontos polêmicos, ele prevê a possibilidade de uma constante vigilância na web.
Blog do Zé Dirceu
Sobre a violação do meu e-mail - Por José Dirceu

Na segunda-feira, 27 de junho, minha conta de e-mail, do provedor UOL,
foi invadida de forma fraudulenta. De posse de alguns de meus dados
pessoais, alguém - ainda não identificado - telefonou para a UOL e pediu
alteração da senha de acesso ao e-mail, que foi concedida.
Mais tarde, ao tentar acessar a conta e não conseguir, entrei em contato com a empresa provedora e soube da alteração de senha. Em seguida, registrei um Boletim de Ocorrência.
Agora, aguardamos que o UOL, responsável pela segurança de seus
usuários, nos forneça a gravação da chamada telefônica, solicitada pelos
meus advogados.
Caso o fraudador tenha movimentado o e-mail, será possível conhecer seu IP (Internet Protocol) e, assim, identificar o servidor de onde se conectou à internet. Só após esse procedimentos, é que será possível definir as medidas a serem adotadas.
Blog do Zé Dirceu
‘Ainda teremos Chávez por muito tempo’, diz vice venezuelano

Autoridades do governo da Venezuela desmentiram a onda de rumores relacionadas com uma suposta piora no estado de saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez - internado em Cuba há duas semanas - ao reiterar que o mandatário "se recupera bem".
"A direita nacional e internacional anda enlouquecida (...), inclusive falando da morte do presidente. Andam como (no golpe) em 11 de abril de 2002", afirmou no sábado o vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua (foto), rebatendo rumores de que a saúde do presidente teria piorado.
Jaua reiterou que Chávez continua no comando da Presidência e se mantém informado sobre tudo o que acontece no país.
"Recordemos que para todo 11 tem um 13 de abril (quando Chávez retomou o poder). Ainda temos Chávez por muito tempo."
O vice-presidente Jaua está à frente do governo desde que Chávez teve de ser submetido a uma cirurgia de emergência, em Cuba, devido a um abscesso na região pélvica.
O hermetismo com que o estado de saúde do presidente tem sido tratado pelo governo tem gerado de críticas na Venezuela. A situação abriu espaço para a intensificação de rumores sobre complicações em seu estado de saúde.
No sábado, o jornal El Nuevo Herald, de Miami, publicou uma reportagem afirmando que o estado de saúde de Chávez "é considerado crítico" e insinuou que o presidente venezuelano estaria com câncer de próstata.
"O único que sofreu metástase foi o câncer do @MiamiHerald no resto da imprensa de direita", rebateu o vice-chanceler venezuelano Temir Porras, em seu perfil no Twitter.
"O presidente Chávez se recupera bem da cirurgia. Que os inimigos deixem de sonhar e que os amigos deixem o nervosismo", escreveu Porras.
Preocupações
No entanto, declarações do chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, na noite do sábado, mostraram um primeiro grau de preocupação sobre a saúde do presidente. Maduro disse que Chávez está travando uma "grande batalha" por sua saúde.
"A batalha que o presidente Chávez está enfrentando por sua saúde deve ser uma batalha de todos, uma batalha pela vida, pelo futuro imediato de nossa pátria", disse Maduro.
"O que nos resta é ficar ao lado do presidente ", afirmou o chanceler, que acompanhava Chávez na visita à Havana quando o mandatário teve de ser operado às pressas.
Depois de 12 dias de silêncio, Chávez voltou a utilizar o seu perfil no Twitter. Na sexta-feira, ele enviou mensagens aos venezuelanos.
No sábado, o presidente venezuelano comentou no microblog que sua filha mais nova e três netos foram visitá-lo em Cuba.
"Chegaram Rosinés e meus netos Gaby, Manuelito e El Gallito para me visitar. Ah, que felicidade receber este banho de amor!", escreveu.
Desde a cirurgia, Chávez não voltou a aparecer em público. Com exceção do Twitter, a última comunicação do presidente com a população ocorreu via telefônica, dias após a cirurgia, durante uma breve intervenção em um programa do canal de TV estatal.
A imprensa local ventila que um andar do hospital militar em Caracas estaria sendo reformado para atender o presidente, mas ainda não há informação concreta sobre quando Chávez poderia regressar ao país.
Na semana passada, seu irmão Adán Chávez disse que ele poderia estar de volta entre 10 e 12 dias.
BBC Brasil
Em discurso na TV, Chávez admite que foi operado para retirada de tumor

Depois dias de silêncio e em meio a rumores sobre seu real estado de saúde, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu, nesta quinta-feira, que foi submetido a uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica. Ele continua em tratamento em Cuba.
Em cadeia nacional de rádio e televisão, Chávez apareceu abatido e leu um comunicado no qual revelou que, depois da extração do abscesso pélvico, foram realizados outros exames que detectaram um "tumor abscessado".
"Apareceram novas suspeitas (..) e confirmaram a existência de um tumor abcessado com presença de células cancerígenas, o que fez com que fosse necessária outra cirurgia para a extração total de dito tumor", afirmou Chávez.
Essa foi a primeira vez que o presidente se dirigiu ao país desde que foi internado em Cuba, em 10 de junho.
Chávez disse que continua "evoluindo satisfatoriamente" da cirurgia enquanto recebe "tratamentos complementares" para combater os "diversos tipos de células encontradas e, assim, continuar pelo caminho de minha plena recuperação", afirmou.
Uma fonte do governo disse à BBC Brasil que Chávez, de 56 anos, está recebendo sessões de radioterapia para combater as células cancerígenas.
O diagnóstico confirma rumores ventilados na imprensa venezuelana de que Chávez sofria de câncer. O comunicado desta noite era aguardado com ansiedade pelos venezuelanos.
Fidel ‘médico’
Chávez relatou que foi o ex-líder cubano Fidel Castro que observou que seu problema de saúde ia além da lesão no joelho, sofrida um mês antes.
"Não foi difícil para Fidel se dar conta de alguns mal-estares (...) que eu vinha tentando dissimular havia algumas semanas. (Fidel) me interrogou quase como um médico e me confessei quase como um paciente", relatou Chávez.
Imediatamente, o líder venezuelano foi submetido a uma série de exames que identificaram, em um primeiro momento, a presença do abscesso pélvico. Caso não fosse extraído com urgência, poderia gerar uma infecção generalizada.
Em um tom sério raramente visto, Chávez admitiu que cometeu "erros fundamentais" em relação à sua saúde. "Ao longo de toda a minha vida, vinha cometendo esses erros que bem podem caber na categoria que algum filósofo chamou de erros fundamentais: descuidar a saúde e, além de tudo, ser resistente a check-ups e tratamentos médicos", afirmou.
O líder venezuelano disse que, mesmo doente, se mantém informado e em permanente comunicação com o vice-presidente Elias Jaua - que está à frente do governo - e com seu gabinete.
Cúpula
As suspeitas sobre a gravidade da saúde do presidente se incrementaram depois que o governo anunciou a suspensão, na quarta-feira, da Cúpula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), prevista para 5 de julho.
Chávez não anunciou nenhuma alteração no gabinete nem disse quando pretende voltar à Venezuela. A legislação venezuelana prevê que o vice-presidente pode assumir o governo interina e automaticamente durante 90 dias, em caso de ausência do presidente.
Em um tom dramático, o presidente venezuelano disse que sente que está "saindo de um abismo" e disse acreditar que conseguiu vencer.
"Da pátria grande digo, do fundo do meu coração (...), por enquanto e para sempre: voltaremos e venceremos."
Essa foi a primeira vez na história, que, em um momento de crise, Chávez leu um discurso. Esse recurso só foi utilizado, raras vezes, pelo presidente durante encontros internacionais como a sessão extraordinária das Nações Unidas.
BBC Brasil