sexta-feira, 2 de junho de 2017

JANOT PEDE NOVO INQUÉRITO CONTRA AÉCIO POR MEGAPROPINA DE R$ 60 MI


No mesmo dia em que ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pelos crimes de obstrução da Justiça e corrupção passiva, o procurador-geral da República solicitou a abertura de um novo inquérito contra o tucano, desta vez por crime de lavagem de dinheiro; Aécio, que jogou o Brasil na lama ao apoiar o golpe que tirou Dilma Rousseff e colocou Michel Temer no poder, é acusado pelo "pagamento de propina da ordem de mais de R$ 60 milhões feito em 2014 ao parlamentar por meio da emissão de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas por ele", além de outras irregularidades

2 DE JUNHO DE 2017

247 - No mesmo dia em que ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pelos crimes de obstrução da Justiça e corrupção passiva, o procurador-geral da República solicitou a abertura de um novo inquérito contra o tucano, desta vez por lavagem de dinheiro.

Janot aponta "o pagamento de propina da ordem de mais de R$ 60 milhões feito em 2014 ao parlamentar por meio da emissão de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas por ele", além do pagamento a diversos partidos para apoiarem a candidatura à Presidência da República em 2014, e "o pagamento de dinheiro em espécie feito diretamente a Frederico Pacheco de Medeiros, primo do Senador e por este indicado para receber os valores".

Leia mais na Agência Brasil:

PGR pede abertura de inquérito para investigar Aécio por lavagem de dinheiro

André Richter - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu nesta sexta-feira 2 ao Supremo Tribunal Federal (STF) nova autorização para investigar o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), desta vez por lavagem de dinheiro. O pedido foi feito no início desta noite, após o parlamentar ter sido denunciado pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça.

De acordo com Janot, as provas colhidas nas buscas e apreensões realizadas na Operação Patmos apontam para o suposto cometimento de novos crimes, que ainda precisam de aprofundamento nas investigações.

Denúncia

Na denúncia apresentada ao Supremo, Janot acusa Aécio Neves de solicitar R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos delatores da JBS. A irmã do parlamentar, Andrea Neves, o primo de Aécio, Frederico Pacheco, e Mendherson Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), também foram denunciados.

Todos foram citados na delação premiada da JBS. De acordo com o procurador, o recebimento do valor teria sido intermediado por Frederico e Mendherson, que teria entregue parte dos recursos em uma empresa ligada ao filho de Perrella. A denúncia está baseada em gravações feitas pela Polícia Federal, durante uma ação controlada.

Em nota, a defesa do senador afastado disse que recebeu "com surpresa a notícia" da denúncia. Os advogados apontam que "diversas diligências de fundamental importância", entre elas o depoimento de Aécio e a perícia nas gravações, ainda não foram realizadas. "Assim, a defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta" de Aécio.



Brasil 247

Em congresso, PT defende eleições diretas e saúda Dirceu e Vaccari

por Redação — publicado 02/06/2017 10h21, última modificação 02/06/2017 11h21

Lula pede diálogo amplo do partido com a sociedade e a apresentação de alternativas de desenvolvimento ao País

Fotos: Lula Marques / Agência PT
Lula e Dilma na reunião do PT: oficialmente, partido defende eleições diretas


Leia também


O Partido dos Trabalhadores abriu na noite de quinta-feira 1º, em Brasília, seu 6º Congresso Nacional mostrando o tom aguerrido que o partido desenvolveu ao longo de décadas. Houve espaço para homenagens ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, ambos condenados na Operação Lava Jato, e para a defesa das eleições diretas para a Presidência da República, uma vez que parece certa a queda de Michel Temer.

O presidente do PT, Rui Falcão, cujo mandato se encerra neste sábado 3, buscou homenagear os militantes do partido, duramente pressionado nos últimos anos pelas denúncias de corrupção oriundas da Operação Lava Jato. Falcão saudou integrantes Comissão Executiva Nacional e do Diretório Nacional do PT que “cumpriram tarefas no período mais difícil que o PT enfrentou desde a sua fundação”.

Em frente a um painel com a imagem de Vaccari, Falcão fez um tributo a ele e a José Dirceu. “Solidariedade aos nossos companheiros que estão sendo perseguidos e condenados injustamente, João Vaccari e José Dirceu, heróis do povo brasileiro”, afirmou. O ex-ministro Antonio Palocci, outro petista histórico, não foi citado. Ao que consta, Palocci está negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. 

Vaccari e Dirceu estão nas mãos do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na 13ª Vara Federal em Curitiba. O ex-ministro tem duas condenações por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa que somam 31 anos de prisão. Vaccari tem quatro condenações, totalizando 41 anos de detenção. Os recursos de ambos aguardam julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o TRF-4, sediado em Porto Alegre.

Falcão, com imagem de Vaccari ao fundo. Homenagens a Dirceu e Vaccari. Silêncio sobre Palocci

Falcão afirmou que o Brasil vive momentos de exceção e disse ser necessário construir uma hegemonia na sociedade, abandonando a necessidade de realizar um governo de coalizão. Para ele, o Congresso deve ser concluído com a definição de não apoiar as eleições indiretas em nenhuma situação. “Faço a defesa não só das Diretas Já, mas do compromisso de que nenhum petista vá ao colégio eleitoral”, disse, em referência à eventual escolha do substituto de Temer por uma eleição indireta. “Não aceitamos que a solução da elite venha nova vez por cima. Este governo tem que sair do voto popular porque o povo é soberano”, afirmou.

Falcão também defendeu a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu a criação de um programa que englobe reformas estruturais, como a democratização da mídia, a reforma agrária e a reforma tributária. 

Dilma rejeita "presidente biônico"

A ex-presidenta Dilma Rousseff também rejeitou a possibilidade de eleições indiretas escolherem o substituto de Temer. “Vergonha não é perder eleição. É perder e ganhar no tapetão. Querem eleger um presidente biônico… Só eleições diretas podem devolver a democracia ao povo brasileiro”, afirmou.

Dilma denunciou sua derrubada como um complô entre "a oligarquia brasileira", a mídia e segmentos empresariais e financeiros que "se articularam para implantar o modelo que as urnas não reconheceram como sendo aquele que o povo brasileiro queria”, afirmou.

Segundo ela, Lula é alvo de perseguição jurídica e midiática que busca inviabilizar sua candidatura. “Estamos vendo avanço de medidas de exceção ocorrendo sistematicamente. Precisamos da legitimidade que só o voto direto dá. É diretas por uma questão de sobrevivência do País”, afirmou.















Críticas ao governo Temer marcam o congresso do PT

“Nós sabemos que todo cidadão brasileiro tem direito de ser candidato. O que nós queremos é que não inviabilizem nosso ex-presidente Lula em qualquer processo eleitoral. Não estou dizendo que é garantida a vitória, mas, sim, [que é preciso] garantir o direito de qualquer cidadão competir. Se tiver diretas, Lula é meu candidato”, afirmou.

Lula pede diálogo entre o PT e a sociedade

O ex-presidente Lula denunciou os retrocessos sociais promovidos pelo governo de Michel Temer e por sua base de apoio na Câmara e no Senado e conclamou o partido a dialogar mais abertamente com o restante da sociedade brasileira. "Não falem para vocês mesmos, falem para os milhões de brasileiros que não estão aqui e que precisam que o PT tome as decisões mais corretas e coerentes para voltar a despertar a esperança nesse povo”, disse. 

Segundo Lula, o partido precisa desenvolver a capacidade "de falar com mulheres e homens deste país, que estão esperando de nós um gesto, uma palavra e uma atitude para restabelecer sua autoestima”.

Para Lula, o congresso do partido deve definir políticas para grupos vulneráveis, como indígenas, quilombolas, para os movimentos negro e LGBT e para as mulheres. "O preconceito não é nosso, o ódio não vem de baixo, o ódio vem de cima porque eles não querem que a gente suba nem um degrau na escala social", afirmou Lula. "Agora eles não querem nem que a gente ganhe salário no campo, querem que a gente trabalhe a troco da comida", disse, em referência ao projeto de reforma trabalhista rural defendido pela base de Temer.

Lula insistiu para que o partido desenvolva um novo programa consistente. "Tem que sair [do congresso] um programa que a gente possa ler em cada porta de fábrica, em cada porta de loja, em cada repartição pública e dentro do parlamento, mostrando que a gente tem solução para este país. É isso que os milhões que não estão aqui esperam de nós”, afirmou.

O 6º Congresso do PT vai até domingo 3 e terá como ápice a eleição do novo presidente do partido. Ao que tudo indica, a escolha deve recair sobre a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), referendada por Lula.




Carta Capital

VÍDEO DE LULA APONTA ILEGALIDADE NA FILMAGEM DE SUA CONDUÇÃO COERCITIVA





Brasil 247

REBU NA DIPLOMACIA: TEMER RENEGA DOCUMENTO OFICIAL E DIPLOMATAS PEDEM DIRETAS



2 de Junho de 2017

Tereza Cruvinel


Até a política externa e a diplomacia ingressaram ontem na crise política interna. O documento oficial criticando a “falta de estratégia” na política externa foi bombardeado por críticas e renegado pelo próprio governo, enquanto diplomatas lançavam manifesto defendendo a retomada do diálogo, do pacto democrático e das eleições no pais.

O manifesto, subscrito inicialmente por 115 diplomatas, externa preocupação com os 'prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo', e conclama as forças políticas do pais a restabelecerem o diálogo e o pacto democrático, em busca de um novo ciclo de desenvolvimento, “legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.” O documento continuava circulando ontem à noite por embaixadas e consulados mundo afora, aberto a novas subscrições.

À noite, após uma torrente de criticas demolidoras, o Planalto divulgou nota negando paternidade governamental ao documento “Brasil, “Brasil, um país em busca de uma grande estratégia”, assinado pelo por Hussein Kalout, Secretário de Assuntos Estratégicos, e por seu adjunto, Marcos Degaut. Segundo a nota, o texto “não reflete princípios, posições ou prioridades da política externa do governo do presidente Michel Temer. Tampouco orienta ou subsidia sua ação diplomática. O governo reitera que se trata de produção de cunho estritamente acadêmico e pessoal, tal como mencionado na apresentação do estudo.”

O documento, entretanto, é assinado por autoridades governamentais e o texto é precedido da apresentação de um ministro de Estado, Moreira Franco, titular da Secretaria Geral da Presidência da República. Nele os autores afirmam que ao Brasil, nos governos Lula e Dilma e também no atual, uma estratégia coerente de inserção internacional, como se toda a atuação internacional brasileira tivesse sido errática e improvisada.

A reação mais contundente veio do ex-chanceler Celso Amorim, que ficou no cargo por oito anos, ao longo do governo Lula, período em que o Brasil conseguiu uma indiscutível e inédita projeção no cenário internacional, que lhe valeu até mesmo o epíteto de “melhor chanceler do mundo”. Pode-se discordar da estratégia, disse Amorim à Folha de São Paulo, mas dizer que ela não existiu revela má fé ou ignorância. Em sua gestão o Brasil tornou-se um “player” importante no multilateralismo global e teve papel ativo na construção de novas instituições, como o G-20 comercial. Ele recordou também que os BRICS nasceram do interesse de Rússia e da China pelo IBAS, o grupo formado por India, Brasil e África do Sul, com decidido empenho do Brasil. E recordou que, pela primeira vez, num mesmo período, o Brasil conseguiu emplacar os dirigentes de dois organismos importantes como a OMC (Roberto Azevedo) e a FAO (Jose Graziano). As críticas ao documento partiram também de diplomatas e estudiosos de relações internacionais. O atual chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, classificou-o como “bobagem”. 

Leia a íntegra do manifesto dos diplomatas:

DIPLOMACIA E DEMOCRACIA

Nós, servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores, decidimos nos manifestar publicamente em razão do acirramento da crise social, política e institucional que assola o Brasil. Preocupados com seus impactos sobre o futuro do país e reconhecendo a política como o meio adequado para o tratamento das grandes questões nacionais, fazemos um chamado pela reafirmação dos princípios democráticos e republicanos. 

2. Ciosos de nossas responsabilidades e obrigações como integrantes de carreiras de Estado e como cidadãs e cidadãos, não podemos ignorar os prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo. Nesse contexto, defendemos a retomada do diálogo e de consensos mínimos na sociedade brasileira, fundamentais para a superação do impasse.

3. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a consolidação do estado democrático de direito permitiu significativas conquistas, com reflexos inequívocos na inserção internacional do Brasil. Atualmente, contudo, esses avanços estão ameaçados. Diante do agravamento da crise, consideramos fundamental que as forças políticas do país, organizadas em partidos ou não, exercitem o diálogo, que deve considerar concepções dissonantes e refletir a diversidade de interesses da população brasileira.

4. Para que esse diálogo possa florescer, todos os setores da sociedade devem ter assegurado seu direito à expressão. Nesse sentido, rejeitamos qualquer restrição ao livre exercício do direito de manifestação pacífica e democrática. Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais e o respeito aos direitos e garantias constitucionais.

5. Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país. Somente assim será possível a retomada de um novo ciclo de desenvolvimento, legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.

SIGNATÁRIAS/OS:

Adriana Telles Ribeiro

Adriano Botelho

Alexey Van der Broocke

Alfonso Lages Besada

Álvaro Alberto de Sá Fagundes

Alvaro Augusto Guedes Galvani

Amintas Angel Cardoso Santos Silva

Ana Claudia Milhomem Freitas Figueira Neves

André Pinto Pacheco

André Souza Machado Cortez

Andréia Cristina Nogueira Rigueira

Antonio Cottas de Jesus Freitas

Bianca Xavier de Abreu

Bruno d'Abreu e Souza

Bruno de Toledo de Almeida

Bruno Rizzi Razente

Candice Sakamoto Souza Vianna

Carlos Augusto Carvalho Dias

Carlos Henrique Pissardo

Carlos Kessel

Carlos Sousa de Jesus Junior

Catarina da Mota Brandão de Araújo

Celeste Cristina Machado Badaró

Celia del Bubba

Chateaubriand Chapot Xavier Bezerra Neto

Claudia Assaf Bastos Rebello

Cláudia Maria de Liz Köche

Claudio Roberto Herzfeld de Castro

Cristiano José de Carvalho Rabelo

Daniel Machado da Fonseca

Davi de Oliveira Paiva Bonavides

Delma Nogueira da Mota

Eden Clabuchar Marting

Érika Vanessa Silva Souza

Ernesto Batista Mané Júnior

Fabianne Corrêa Dias de Jesus

Fabricio Araújo Prado

Felipe Afonso Ortega

Felipe Antunes de Oliveira

Felipe Dutra de Carvalho Heimburger

Felipe Pinchemel Cotrim dos Santos

Fernanda Mansur Tansini

Francisco Figueiredo de Souza

Gabriela Guimarães Gazzinelli

Gianina Müller Pozzebon

Gustavo da Cunha Westmann

Gustavo de Britto Freire Pacheco

Gustavo Meira Carneiro

Hamad Mota Kalaf

Helder Fernandes Dantas

Helen Roberta de Souza da Conceição de Almeida

Helena Lobato da Jornada

Hélio Forjaz Rodrigues Caldas

Hugo Lorenzetti Neto

Ilka Hitomi Joko Veltman

Isabela D’Ávila Vieira

Jackson Luiz Lima Oliveira

João André Silva de Oliveira

João Paulo Marão

José Joaquim Gomes da Costa Filho

José Roberto Rocha Filho

José Vicente Moreira Mello

Juliana Cardoso Benedetti

Julio de Oliveira Silva

Krishna Mendes Monteiro

Lara Lobo Monteiro

Larissa Maria Lima Costa

Laura Berdine Santos Delamonica

Leonardo Augusto Balthar de Souza Santos

Leonardo Carvalho Collares

Ligia Rissato Garofalo

Lilian Cristina Nascimento Pinho

Livia Oliveira Sobota

Luana Alves de Melo

Luis Gustavo Castro Ribeiro Marques

Luis Gustavo de Seixas Buttes

Luiz Fellipe Flores Schmidt

Luiz Guilherme Costa Koury

Luiza Maria de Lima Horta Barbosa

Luzia Cristina Lopes Cattini

Marcelo Almeida Cunha Costa

Marcelo Moraes Caetano

Márcia Fernanda Tavares Weigert

Márcio Gustavo Medeiros Barbosa

Marco Sparano

Marcus Vinicius Moreira Marinho

Maria Carolina Gomes de Azeredo Souza

Maria Clara Tavares Cerqueira

Maria das Dores da Silva Lima Filha

Maria Lima Kallás

Maria Luiza de França Coelho de Souza

Mariana Flores da Cunha Bierrenbach Benevides

Mariana Lobato Benvenuti

Mario Augusto Morato Pinto de Almeida

Marizete Gouveia Damasceno Scott

Mateus Cacique Moraes

Mateus Drumond Caiado

Matheus Machado de Carvalho

Maurício Martins do Carmo

Mayra Tiemi Yonashiro Saito

Mozart Grisi Correia Pontes

Nássara Azeredo Souza Thomé

Patricia da Rocha Canuto

Paula Rassi Brasil

Pedro Henrique Bandeira Brancante Machado

Pedro Ivo Ferraz da Silva

Pedro Vieira Veiga

Rafael Caminha de Carvalho Beltrami

Rafael Lourenço Beleboni

Rafael Prince Carneiro

Ramiro dos Santos Breitbach

Raul Torres Branco

Reinaldo Freitas Cortez

Renata Angélica Rossi

Renata Maria Braga Santos

Renata Negrelly Nogueira

Renato José Stancato de Souza

Ricardo Kato de Campos Mendes

Ricardo Martins Rizzo

Roberta Maria Lima Ferreira

Rodrigo Sergio de Medeiros

Rodrigo Ponciano Guedes Bastos dos Santos

Rodrigo Valle da Fonseca

Rômulo Milhomem Freitas Figueira Neves

Rosa Maria de Vassimon Brandão

Rui Santos Rocha Camargo

Sandra Maria Nepomuceno Malta dos Santos

Saulo Arantes Ceolin

Sérgio Carvalho de Toledo Barros

Sydma Aguiar Damasceno

Thiago Carvalho de Medeiros

Thiago Melamed de Menezes

Thomaz Alexandre Mayer Napoleão

Túlio César Mourthé de Alvim Andrae

Vivian Alves Rodrigues da Silva

Viviane Ferreira Lopes Diniz

Wellington Muller Bujokas




Brasil 247

GUARDIAN DIZ QUE LAVA JATO PÔS PETROBRAS DE JOELHOS



Em artigo no jornal britânico The Guardian, o correspondente Jonathan Watts escreve sobre a Lava Jato e avalia que a Petrobras – o campeão nacional da era Lula – foi colocada de joelhos diante dos estrangeiros e que as empresas concorrentes vão poder controlar a produção dos novos campos petrolíferos; ele diz ainda que hoje, "as principais empresas e políticos comuns estão completamente desacreditados" e que "os eleitores lutam para encontrar alguém para acreditar"; no texto, o jornalista diz que existe o risco de a operação abalar "a frágil democracia" e abrir caminho para uma "teocracia evangélica de direita" ou "o retorno de ditadores"; "Se esse expurgo representa ou não uma cura para o Brasil, isso não dependerá apenas de quem cai, mas de quem segue", finaliza

1 DE JUNHO DE 2017 


247 - Em um artigo no jornal britânico The Guardian, o correspondente Jonathan Watts escreve sobre a Lava Jato e lembra que, inicialmente, as investigações pareciam restritas ao PT. Mas que isso mudou.

"À medida que a escassa escala do desmembramento do processo surgiu, muitos brasileiros concentraram sua fúria em políticos – inicialmente Lula, Rousseff e no PT. Os jornais sugeriram a mensagem de que os socialistas sujos em Brasília eram totalmente responsáveis pelo problema", relata.

"A realidade era consideravelmente menos clara. Quase todos os principais partidos estão envolvidos em múltiplas e interconectadas trilhas de corrupção voltadas a governos anteriores. E foi o Partido dos Trabalhadores que implementou as reformas judiciais que permitiram que a investigação prosseguisse. Não haveria Lava Jato se o governo não tivesse nomeado, em setembro de 2013, um procurador-geral independente", diz ainda.

No texto, Watts questiona se a operação Lava Jato vale a pena. "Isso ajudou a alavancar o Partido dos Trabalhadores fora do poder e inaugurou uma administração que aparece tão contaminada, mas muito menos disposta a promover a transparência e a independência judicial", aponta. "Tantas acusações agora estão empilhadas contra Temer e seus aliados, que ele vai se esforçar para manter sua presidência até o final de seu mandato em 2018".

Segundo o jornalista, a Petrobras – o campeão nacional da era Lula – foi colocada de joelhos diante dos estrangeiros. As empresas concorrentes vão poder controlar a produção dos novos campos petrolíferos.

"As principais empresas e políticos comuns estão completamente desacreditados. Os eleitores lutam para encontrar alguém para acreditar. Não é apenas o estabelecimento que está cambaleando, mas toda a República", pontua.

"A longo prazo, muitos ainda esperam que a Lava Jato acabe por tornar o Brasil uma nação mais justa e eficiente, dirigida por políticos mais limpos e respeitadores da lei". No texto, Watts diz que existe o risco de a operação abalar "a frágil democracia" e abrir caminho para uma "teocracia evangélica de direita" ou "o retorno de ditadores". "Se esse expurgo representa ou não uma cura para o Brasil, isso não dependerá apenas de quem cai, mas de quem segue", finaliza.



Brasil 247

João Dória e o manual do perfeito gestor idiota latino-americano, por Luís Nassif

SEX, 02/06/2017 - 07:14




Peça 1 – manual do perfeito idiota latino-americano

Anos atrás ficou famoso o livro "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano", de Plinio Apuleyo Mendoza, acerca dos vícios do continente. Valeria uma versão sobre uma das variáveis, o "Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano".

Dos anos 90 para cá houve enormes avanços nos modelos de gestão no Brasil, graças ao trabalho dos consultores de qualidade, de gestão, de planejamento estratégico.

Mas persistem vícios do velho modelo fechado, como ectoplasmas pairando no atraso do continente.

Os princípios do "Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano" seriam os seguintes:

1. O idiota bala de prata.

Um caso clássico dos anos 80 foi a Sharp. Assumiu um novo presidente. Seu único foco era colocar a empresa no azul. Em três meses alcançou seus objetivos. E matou a empresa. Para equilibrar as contas desmontou o departamento de desenvolvimento de novos produtos, o comercial, o de marketing.

2. O idiota monofásico.

Uma organização é um organismo vivo, com áreas que se interligam, ações que precisam ser integradas. Mas o gestor monofásico só consegue enxergar uma dimensão da estrutura.

3. O idiota fim da história.

Tudo o que veio antes estava errado. Logo, não precisa entender a lógica da política anterior, as razões de sua implementação, nem analisar os casos de fracasso, para não repetir experiências. É o especialista em repetir os mesmos erros passados.

4. O idiota do eu-sozinho.

Todos os grandes gestores – dos grandes conquistadores do passado aos CEOs do presente – se destacam por ideias claras sobre onde chegar e capacidade de informar e convencer sua tropa sobre a estratégia adotada. O gestor eu-sozinho é o que coloca uma ideia na cabeça e a tropa que trate de adivinhar qual é ela.

5. O idiota que não erra.

É o sujeito que acredita que a persistência no erro é o melhor caminho para se atingir o acerto. Para sustentar a ignorância, a contrapartida é uma enorme dose de arrogância.

No caso Cracolândia, João Dória Jr conseguiu se enquadrar nos cinco pontos do Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano.

Movimento 1 - o foco estético

A intenção única do prefeito foi o efeito estético nas ruas, esvaziar o local, derrubar pequenos prédios que serviam de abrigo para dependentes químicos para abrir espaço para a indústria imobiliária entrar e tornar a Cracolândia seu cartão de visitas.

Mesmo assim, o esvaziamento da área seria o desfecho de uma operação. Antes disso, seria necessário planejar de que maneira remanejar as pessoas, providenciar tratamento, abrigo.

Movimento 2 – o planejamento ignorado

O tema vinha sendo tratado pelas Secretarias de Direitos Humanos, Saúde e Assistência Social do município (https://goo.gl/5EdzO9). Era chamado internamente de projeto Singularidades.

A ideia era casar projeto terapêutico personalizado com abrigo. O passo inicial seria deixar equipes 24 horas de plantão para autocuidados na Cracolândia e recuperar a tenda da Helvétia – um espaço de aproximação abandonado pela gestão Dória, que serviria para tomar banho, lavar a própria roupa, descansar. Depois dos primeiros cuidados assistenciais, a Saúde entraria para definir um tratamento para cada doente.

Decidiu-se, também, que ninguém sairia de onde estava, se não tivesse outro lugar para ir.

Como explicou a Secretaria de de Assistência Social, Soninha Francine:

“São pessoas que já estavam convivendo bem e crescendo juntas, vamos dizer. Pessoas que davam força umas às outras, que já estavam harmonizadas. A gente tinha o propósito de encontrar imóveis que pudessem servir como repúblicas mistas. A gente teria que fazer uns ajustes porque de acordo com a norma nacional as repúblicas não podem ser mistas. A gente estava negociando tudo isso, até para mexer na norma para que as repúblicas recebessem pessoas do mesmo sexo e mantivessem os diversos arranjos familiares. Então, você poderia acolher um casal com filho pequeno em um quarto, três ou quatro pessoas amigas em outro.

Enfim, era um projeto bem elaborado no sentido de contemplar a imensa diversidade de perfis que encontramos na Cracolândia. As pessoas têm muito em comum, mas cada uma delas tem a sua singularidade e precisamos respeitar essas singularidades.

Por isso que eu falei que tinha uma fase pré-Redenção, que era a presença constante no território enquanto se providenciava as outras estruturas de acolhimento”.

No entanto, o Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano tinha pressa. A Secretaria de Assistência Social foi demitida e humilhada publicamente, sob a alegação de que não conseguia acompanhar o ritmo da prefeitura, uma demonstração inédita de arrogância.



Movimento 3 – os erros repetidos

Em 2013, Geraldo Alckmin invadiu a Cracolândia. Levou Polícia Militar, Gaeco e o escambau, expulsando os doentes da Cracolândia. Imediatamente eles se espalharam por toda a região, criando várias mini-Cracolândias.

Até o ratinho de Pavlov aprende com experiências erradas. O desastre da operação Cracolândia de 2013 foi tema de todos os jornais. Qualquer gestor minimamente competente se debruçaria sobre os erros anteriores para não os repetir. No máximo, cometeria novos erros. E grande gestor Dória não sabia disso, e decidiu novamente colocar o focinho na tomada.

No dia 21 de maio foi deflagrada nova operação na Cracolândia (https://goo.gl/A0eQwN). Mais de 900 agentes da Policia Civil, Militar, Guarda Municipal iniciaram a ação. 38 pessoas foram presas e Doria declarou com a convicção dos desinformados que “ a Cracolândia acabou”. Sem que os usuários tivessem sido cadastrados, anunciou a destruição dos hotéis da região que abrigavam usuários de droga. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão. Tratores destruíram barracos e policiais expulsavam usuários que tentavam se esconder em sacos de lixo.

A ação foi tão amadora, que nem o próprio Secretário de Governo, Júlio Semeghini, sabia da operação (https://goo.gl/tEH5id). O Secretário de Saúde também não. O único Secretário informado foi o da Segurança Urbana, José Roberto.

Imediatamente, defensores e promotores públicos correram à prefeitura, reclamando que havia sido desrespeitado o acordo, para que não houvesse dia D nem ação policial na região.

A reação do prefeito foi informar que considerava a ação policial importante, porque abriu o caminho para que a prefeitura pudesse, finalmente, implantar o Projeto Redenção.

O argumento era tão despropositado que no dia seguinte a Secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, pediu demissão, indignada com a truculência.

Só no dia 25 de maio Doria se preocupou em informar a equipe sobre o que estava ocorrendo (https://goo.gl/Idx7dV).

Movimento 4 – a internação compulsória

Com os usuários de crack espalhando-se pelos arredores da Cracolândia, e as manifestações de indignação espocando pela mídia, Dória resolveu dobrar a aposta e solicitar autorização judicial para a retirada à força dos dependentes químicos.

No dia 23 de maio Dória pediu autorização da Justiça para internação compulsória de drogados (https://goo.gl/cmqpiL). Houve reação instantânea de autoridades ligadas a direitos difusos.

"É o pedido mais esdrúxulo que eu já vi em toda a minha carreira. Promove uma caçada humana", disse o promotor Arthur Pinto Filho. Se a solicitação fosse aceita, a equipe médica da prefeitura teria carta branca para decidir as internações, sem necessidade de autorização judicial para cada caso. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) ameaçou processar médico que realizasse a internação compulsória.

No dia 24 de maio, a 3a Vara da Fazenda Pública proibiu a prefeitura de promover novas remoções sem prévio cadastramento das pessoas para atendimento de saúde e habitação. E ainda reconheceu o direito dos moradores poderem retirar pertences e animais de estimação dos imóveis (https://goo.gl/XDrwkj).

Nem isso demoveu Dória. Para convencer o juiz a autorizar a remoção compulsória, o pedido mencionou três especialistas supostamente favoráveis à internação. Nenhum deles foi consultado. O Perfeito Gestor Idiota retirou frases de entrevistas antigas. Dois deles imediatamente reagiram à manipulação:

"Eu não defendo internação compulsória como política pública, isso é um absurdo completo. Eu nunca disse que acho que se resolve a Cracolândia com internação compulsória", disse Dráuzio Varella à reportagem da Folha (https://goo.gl/1FuxNX).

A mesma reação foi do médico Arthur Guerra, coordenador do Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínica. Retiraram uma frase sua de reportagem de 2013. Guerra não se lembrava da entrevista e estranhou o fato de não ter sido procurado pessoalmente. “Isto não é padrão de prefeito”, desabafou. “Eu não entendo por que prefeitura ou governo tem que pedir autorização se esse é um procedimento médico”.

No dia 26 de maio, o juiz Emílio Migliano Neto, autorizou a apreensão do dependente químicos, mas apenas para avaliação médica (https://goo.gl/q9gozz). A internação continuaria dependendo de ordem judicial para cada caso.

Para convencer o juiz, a prefeitura colocou fotos de hospitais, números de leitos, fotos de camas, das unidades do Caps, para mostrar que tudo estava sob controle.

O pedido era esdrúxulo, de “busca e apreensão” de dependente químico.

"Não existe previsão legal para busca e apreensão de dependentes químicos", afirmou o defensor público estadual Rafael Lessa. "Foi inventado nessa petição. A lei prevê o tratamento ambulatorial e a possibilidade de internação em caso de surtos, em momentos de crise. É uma internação rápida, sempre depois da avaliação do médico."

Como lembrou Sérgio Salomão Shecaira, professor de direito penal da USP, “apreensão é de coisas, não de pessoas”.

Dois dias depois, no dia 28 de maio o desembargador Reinaldo Miluzzi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, derrubou a decisão de primeira instância (https://goo.gl/SrDrWt).

Imediatamente, Doria anunciou que apelaria para o Supremo Tribunal Federal. Só o despreparo para explicar essa insistência. Qualquer bom advogado ensinaria a Doria da quase impossibilidade de um pleito dessa ordem ser acatado pelo STF. Apenas realçaria mais ainda os absurdos que ocorriam na sua administração.

Para amenizar a asneira, Doria recorreu a outro fogo de artifício de seu repertório: criar uma “comissão de notáveis”, para analisar o caso. Mais cabeçada.

No dia 30 de maio o Secretário de Saúde do estado, David Uip, conversou com Drauzio, trocando ideias sobre o problema das drogas. Imediatamente, Doria anunciou seu nome como integrante do tal Conselho de Notáveis. Teve que recuar novamente. E o diagnóstico de Dráuzio sobre a operação foi pesado:

“Estou vendo ações atabalhoadas. O que aconteceu ali na Cracolândia foram medidas que pareciam não obedecer a nenhum planejamento detalhado, sem organização necessária, feita às pressas” (https://goo.gl/AqEosR).

Movimento 5 – a ignorância científica

Há toda uma discussão técnica sobre as formas de tratar os viciados - especialmente os viciados em crack. Doria se valeu do senso comum mais primário. Colocou na cabeça que viciado não tem vontade própria e precisa ser conduzido coercitivamente.

Décadas de estudos da psicologia, sobre as formas de tratamento do vício, foram ignorados para que prevalecesse a opinião leiga do prefeito.

Em apenas uma operação, Doria conseguiu reeditar todos os princípios que marcaram o Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano: improviso, acientificismo, arrogância, teimosia, falta de planejamento. E vergando um blusão preto de jovem motociclista sexagenário.



Jornal GGN

quinta-feira, 1 de junho de 2017