TV 247
domingo, 15 de janeiro de 2023
sábado, 14 de janeiro de 2023
Merval Pereira está certo, por Luis Nassif
Os militares legalistas precisam, primeiro, controlar a inteligência das FAs, para não serem driblados pelos infiltrados do general Heleno

12 de janeiro de 2023

A cobertura da crise é uma colcha de retalhos de notas daqui e dali que precisam ser costuradas para mostrar toda a vestimenta.
Vamos a alguns pedaços:
Peça 1 – Heleno despachando do Palácio
Foi motivo de pilhéria nas redes a fala do “patriota”, no dia 2 de janeiro, dizendo que a ordem que veio de Brasília, para contornar o desânimo dos militantes, é que o General Heleno está despachando “de dentro do Palácio do Alvorada”. Dizia outras sandices.
Obviamente confundiu de Palácio. Tratava-se do Palácio do Planalto. Mas, na algaravia de informações que chegavam aos “patriotas” sobressaía a informação do controle do general Heleno sobre o Palácio.
À medida em que o quebra-cabeças vai sendo montado, vai ficando nítida a informação de que a peça central do desmonte da defesa do Palácio foi o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) deixado pelo General Heleno. Uma excelente reportagem de Marcelo Godoy, no Estadão de hoje, mostrou a farsa dos infiltrados de Heleno.
O que demonstra que o novo governo ainda não tem controle dos sistemas de inteligência.
Peça 2 – nós perdemos, Mané
Viralizou a resposta do Ministro Luís Roberto Barroso aos provocadores, em Nova York: “Você perdeu, mané”. Seria mais apropriado um “nós perdemos, mané”.
Segundo o professor Francisco Teixeira, especialista em militares, a politização e partidarização da tropa se deveu ao “morismo”, não ao bolsonarismo. Jair Bolsonaro foi apenas a ferramenta política para a partidarização dos militares.
Ou seja, enquanto Barroso flanava de norte a sul, distribuindo entrevistas e palestras sobre o novo iluminismo, e surfando nas ondas da Lava Jato, ajudava a plantar as sementes da ultra direita militar.
Peça 3 – um poder sem rumo
Confira-se a Marinha.
Ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro, o almirante Almir Garnier Santos cometeu a insubordinação de sequer comparecer à posse de seu sucessor, o Almirante Marcos Sampaio Olsen. Recentemente, houve rixa em um grupo de WhatsApp da Marinha devido às críticas disparadas contra Olsen, pelo simples fato de ele ter agradecido a Lula por sua indicação.
Não se trata apenas de grosserias de grupos de WhatsApp, mas de uma amostra rápida de como o bolsonarismo emburreceu completamente o poder militar.
Olsen é a esperança da Marinha, finalmente, ter seu submarino nuclear, projeto que foi abafado nas gestões Temer-Bolsonaro. E a esperança é em função do fato do projeto do submarino ter nascido na gestão Nelson Jobim-Lula, como forma de defender a chamada Amazônia Azul e em função, também, do reatamento de relações com a França. Inclusive com a reabilitação do Almirante Othon, uma das referências do programa nuclear brasileiro. Será fundamental para a defesa da Elevação do Rio Grande – tema essencial sobre o qual escreverei amanhã.
Peça 4 – a cautela no desmonte dos golpistas
Por tudo isso, Merval Pereira está certo, ao recomendar cautela no tratamento da questão militar. Os militares legalistas precisam, primeiro, controlar a inteligência das Forças Armadas, para não serem driblados pelos infiltrados do general Heleno. Depois, fortalecer os postos chave com militares legalistas.
Para tanto, é essencial que o Ministério da Defesa lance as base de um novo Plano Nacional de Defesa, para dar um objetivo a esse pessoal e evitar a máxima de que “cabeça vazia é a oficina do diabo".
A partir desses passos iniciais, será mais fácil separar os verdadeiros militares daqueles que se valem da força para proselitismo vazio.
GGN
"Terrorismo desgasta o bolsonarismo, mas ainda há o terrorismo econômico", diz Paulo Nogueira Batista Júnior
Economista aponta tentativa de sequestrar a política econômica do governo Lula
13 de janeiro de 2023

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Adriano Machado/Reuters)
247 – O economista Paulo Nogueira Batista Júnior afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, que o terrorismo ocorrido em Brasília desgasta o bolsonarismo e abre oportunidades para o governo do presidente Lula. "Se o governo for firme, isso será muito bom. Espero que não haja anistia desta vez", diz ele.
Paulo Nogueira, no entanto, critica o terrorismo feito pelo mercado financeiro para tentar sequestrar a política econômica do governo Lula. Foi o que teria feito o economista Armínio Fraga, em entrevista de ataque à política econômica do Partido dos Trabalhadores. "Armínio é um típico funcionário do status quo e o mercado faz terrorismo econômico contra o PT", afirma. "O neoliberalismo está frequentemente associado a regimes de direita. Neoliberais na economia abandonaram o liberalismo político, porque defendem medidas que só podem ser impostas à força", lembra ainda o economista.
Na entrevista, Paulo afirmou que o ministro da Justiça, Flávio Dino, é uma das grandes nomeações do presidente Lula. Ele também pontuou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, precisa se dissociar do bolsonarismo, "que é uma canoa furada".
Sobre política externa, ele disse que o Brasil deve aumentar sua atividade nos BRICS. "Tem uma lista enorme de países querendo entrar", afirmou. "Estamos entrando num quadriênio de crescimento econômico no Brasil", finalizou.
Brasil 247
“Lula tem que exercer autoridade sobre os militares”, defende Eduardo Costa Pinto
“O governo Lula será de disputa permanente”, sustenta o professor da UFRJ
13 de janeiro de 2023

Eduardo Costa Pinto e Lula (Foto: Reprodução)
247 - O economista Eduardo Costa Pinto, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, apontou as perspectivas do governo Lula, após os ataques terroristas de bolsonaristas contra os três Poderes da República, no último dia 8 de janeiro.
“O governo Lula será um governo de disputa permanente. São três as forças sociais que vão gerar instabilidade ao longo de todo o governo Lula: o bolsonarismo, que tem a ver com o que aconteceu no domingo; os militares, que também tem a ver com o que aconteceu no domingo; e a mega burguesia”, sustenta Eduardo, que é professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e especialista na questão militar.
“O que vimos no domingo e o que assistimos há dois meses nos acampamentos nas portas dos quartéis mostra que não tem nenhuma reivindicação específica. É golpe”, frisou.
Ele lembrou que esse discurso vem se firmando desde 2019, quando “Bolsonaro foi pra frente do forte apache em vários momentos e incentivou esse tipo de mobilização”.
“O bolsonarismo, que é vertente da extrema direita brasileira, tem uma convenção ideológica com a questão militar e com extrema direita norte-americana”, destacou o professor, lembrando da invasão do Capitólio, promovida pelo então presidente Donald Trump.
Questionado sobre o ministro da Defesa, José Múcio, Eduardo afirma que o papel dado pelo presidente Lula foi dentro da lógica de "negociar com os militares”.
“Isso tem um sentido importante se esses militares tivessem uma racionalidade pragmática. Mas eles não tem, mesmo o alto comando, tem uma aproximação com esse bolsonarismo radical. O que muda é a forma e não o conteúdo”, argumenta.
“O Lula tem que operar com mando com os militares. Estão operando com uma identidade própria, mas girando dentro dessa maluquice do marxismo cultural, do Foro de São Paulo e como se estivéssemos na eminência de uma revolução comunista. Se não der comando, direção, não adianta negociar porque na segunda semana a negociação já foi para o espaço”, advertiu.
Brasil 247
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