sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lula faz balanço dos oito anos de governo durante último pronunciamento


Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, agora à noite, seu último pronunciamento à nação como ocupante do Palácio do Planalto. Em um discurso de sete páginas, Lula apresentou um balanço de seus oito anos de governo.

Ao longo de seus dois mandatos, destacou ele, foram criados 15 milhões de empregos, o salário mínimo teve ganho real de 67%, a oferta de crédito alcançou 48% do Produto Interno Bruto (PIB) e as reservas internacionais somam quase US$ 300 bilhões, dez vezes mais do que quando assumiu o governo.

Lula afirmou que, durante seu governo, os investimentos na agricultura cresceram oito vezes e, com isso, cerca de 600 mil famílias foram assentadas. O presidente também salientou a importância de programas como o Minha Casa, Minha Vida, que construiu 1 milhão de moradias, e o Luz Para Todos, que levou energia elétrica a mais de 2 milhões de pessoas e 600 mil pequenas propriedades.

Em oito anos, disse Lula, os investimentos em educação foram triplicados e 214 escolas técnicas federais foram inauguradas. “Mais do que foi feito em 100 anos”, afirmou. Além disso, 14 universidades e 126 campi universitários foram implantadas no país. O presidente também destacou o Programa Universidade para Todos (ProUni), que beneficiou 750 mil jovens de baixa renda.

Para Lula, durante seu governo houve “a maior ascensão social de todos os tempos”. De acordo com ele, 28 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza e 36 milhões entraram na classe média. O presidente também ressaltou a quitação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e afirmou que agora é o Brasil quem empresta dinheiro à organização internacional.

Com uma marca histórica, o presidente encerra seus oito anos de governo com 80% de aprovação (87% pessoal) e no próximo dia 1º de janeiro, ele transmitirá o cargo à presidenta eleita Dilma Rousseff. Segundo Lula, Dilma será uma presidenta “à altura deste novo Brasil”.

“A minha maior felicidade é saber que vamos ampliar todas estas conquistas. Minha fé se alicerça em três fundamentos: as riquezas do Brasil, a força do seu povo e a competência da presidenta Dilma. Ela conhece, como ninguém, o que foi feito e como fazer mais e melhor”.

Agência Brasil

Ex-governador Oréstes Quércia morre em São Paulo aos 72 anos


Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Morreu hoje (24), aos 72 anos, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Ele lutava, desde setembro, contra um câncer de próstata que já havia sido tratado há dez anos.

Quércia, que estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, morreu às 7h40. Ele foi internado no dia 15 de outubro, recebeu alta e voltou para o hospital em 8 de novembro. No dia 19 de dezembro, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Quércia começou sua carreira política em Campinas, onde foi eleito vereador em 1962. Foi também deputado estadual e prefeito do município pelo extinto MDB.

Ele ocupou ainda mandato no Senado em 1974. Na década de 80, concorreu a vice-governador de São Paulo na chapa de Franco Montoro. Em 1986, foi eleito governador. No governo, criou a Secretaria do Menor e duplicou a Rodovia Anhanguera.

Desde 1991, não vencia uma disputa eleitoral. Chegou a concorrer ao governo estadual e ao Senado. Este ano, anunciou que concorreria novamente ao Senado, mas, por causa da doença, desistiu da disputa.

O corpo do ex-governador será velado, a partir das 14h, no Palácio dos Bandeirantes e ficará aberto à visitação pública até as 18h. O enterro será amanhã (25), às 9h, no Cemitério do Morumbi.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Assange defende Falha de S. Paulo


Por mcn

Do Blog da Natália Viana:

Do CartaCapital WikiLeaks

Assange defende FAlha de S Paulo e diz que gostaria de receber asilo político no Brasil


Em uma entrevista concedida ao Estadão ontem, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, citou o caso do blog satírico FAlha de São Paulo para defender a liberdade de expressão.

"Entendo a importância de proteger a marca e temos sites similares que se passam por WikiLeaks. Mas o blog não pretende ser o jornal e acho que deve ser liberado. A censura é um problema especial quando ocorre de forma camuflada. Sempre que haja censura, ela deve ser denunciada", disse Julian ao jornalista Jamil Chade.

O site FAlha de S Paulo foi retirado do ar por ordem da justiça paulista, após o jornal Folha de S Paulo entrar com processo por uso indevido da marca. O site humorístico satrizava o maior jornal do país.

Ontem a organização Repórteres sem Fronteiras pediu que a Folha de S Paulo retire o processo, dizendo que o jornal se "engrandeceria" ao tomar esta atitude.

O jornal nega que tenha censurado o conteúdo do site – diz que o problema é o nome parecido e o logo da Folha.

Asilo político no Brasil

Julian também falou que pensa em expandir a atuação do WikiLeaks no Brasil. "Vemos muito apoio vindo do Brasil, tanto da população, mídia, da forte e emergente cultura de internet. E também há muita corrupção. Portanto, haverá bons tempos no futuro no Brasil para nós".

Perguntado se já pensou em pedir asilo político no Brasil, o fundador do WikiLeaks disse que "seria ótimo" se fosse oferecido.

"É um país grande o suficiente para ser independente da pressão dos EUA, tem força econômica e militar suficiente para fazer isso. E não é um país como China e Rússia que não são tão tolerantes com a liberdade de imprensa. Talvez o Brasil seria um bom país para que coloquemos parte de nossas operações".

Julian também falou da perseguição que tem sofrido por parte dos EUA - disse se considerar um preso político – e do recente vazamento de parte do processo que está sofrendo na Suécia por crimes sexuais.

"Transparência é para governos. Não para indivíduos. O objetivo de revelar informações sobre pessoas poderosas é cobrar responsabilidade deles. Quando um governo dá material legal para um jornal para prejudicar alguém, trata-se de um abuso. O repórter que foi escolhido para receber a informação é um conhecido crítico de nossa organização. O Guardian não perguntou por que foi liberada essa documentação antes de uma audiência na Corte. Quais são os motivos envolvidos. São perguntas que não foram respondidas".

Ele também e explicou os planos da organização para o próximo ano. "Para 2011, vamos publicar mais telegramas sobre países e sobre mais de cem organizações. Mas também teremos outras publicações. Vamos expandir nossa estrutura".

A entrevista completa pode ser lida neste link e na edição de hoje do jornal.

Do Estadão


''Ainda há material de impacto sobre EUA''

Australiano lembra que apenas pouco mais de 2.000 das 250.000 mensagens diplomáticas foram divulgadas

23 de dezembro de 2010 | 0h 00

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Julian Assange, fundador do grupo WikiLeaks, tem causado uma série de embaraços a Washington com a divulgação de telegramas secretos da diplomacia americana. Em sua primeira entrevista a um jornal latino-americano desde que foi libertado sob fiança pela Justiça da Grã-Bretanha, no dia 16, Assange falou ao Estado, por telefone, sobre a pressão feita pelos EUA. Para ele, o que Washington faz hoje somente se compara aos anos do macarthismo - o período de perseguição política, entre os anos 40 e 50, por parte do Estado americano contra suspeitos de simpatizar com o comunismo. Ele garante que um material ainda mais explosivo está por surgir em 2011 em relação aos EUA. "Os valores americanos estão sendo jogados no lixo", alertou, sobre a pressão que tem recebido. O australiano mostra que conhece em detalhes a situação no Brasil. Critica a corrupção no País e a censura adotada por atos da Justiça contra a imprensa. Ele anuncia que poderá usar o Brasil como base de suas operações em 2011 e diz que não descartaria a possibilidade de ir ao Brasil se uma oferta de asilo fosse feita. O fundador do WikiLeaks admite que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu apoio foi "corajosa", mas agora espera que o governo de Dilma Rousseff faça o mesmo. Assange também se defendeu da acusação de que cometeu crimes sexuais na Suécia. O australiano se classifica como "preso político", diz temer por sua vida e confirmou que ele e seus filhos têm recebido ameaças de morte. Eis os principais trechos da entrevista.

Para alguns, o sr. abriu uma nova fronteira na liberdade de imprensa, para outros, é um anarquista da internet. Como o sr. se define?

Vamos colocar de forma simples. Sou um publisher. E esse é meu papel. Como publisher tenho de organizar nosso pessoal e administrar a sequencia do material. Não pretendo ganhar dinheiro, mas levar conhecimento às pessoas para que entendam seu mundo.

O que se nota é a pressão feita pelo governo americano em relação ao sr. O vice-presidente americano, Joe Biden, o qualificou de terrorista high tech. Como essa pressão afeta sua vida?

Talvez o que mais se aproxime desse tipo de comportamento seja o período macarthista. Vemos declarações de que eu sou um terrorista high tech, de que toda nossa organização deve ser perseguida, como Osama bin Laden. Leis propostas no Senado nos qualificam de ameaça transnacional para que ações possam ser tomadas contra nós. Todo esse comportamento contra uma organização que apenas publicou o material a que teve acesso é alarmante. Isso revela algo que não víamos antes e o quanto a retórica dos EUA sobre a liberdade de imprensa na China ou outros países é falsa. Quando começamos a publicar algo sério, que poderia levar a reformas, e de fato eram informações embaraçosas, vimos as leis e os valores dos EUA serem jogados no lixo, de forma preocupante.

Como essa pressão tem sido traduzida em ações reais contra o sr. e outros membros do WikiLeaks?

O FBI foi ao País de Gales. Fizeram uma busca na casa da mãe de Bradley Manning (analista de inteligência do Exército americano acusado de ter revelado documentos secretos sobre as guerras no Afeganistão e Iraque). Os EUA tentam me indiciar por conspiração, espionagem ou outros crimes para garantir minha prisão pelo restante da vida. Vemos a pressão ampla dos EUA em países aliados como Austrália, Grã-Bretanha e Suécia para me espionar e processar.

Com toda essa pressão, como o WikiLeaks consegue sobreviver financeiramente?

Temos uma base de apoio, em todo o mundo, incluindo os EUA e Austrália. Na situação australiana, vimos uma petição com 600 mil pessoas num país de 20 milhões de habitantes; na América do Sul, e especialmente no Brasil, recebemos apoio político. O aspecto financeiro é difícil. É verdade que Visa, Mastercard e Bank of America, sem autorização judicial, cortaram nossas transações financeiras. Mas há mais formas de as pessoas nos ajudarem. Infelizmente, a forma mais fácil é por cartão de crédito - e isso foi tirado de nós.

O sr. estaria guardando algo ainda mais poderoso contra os EUA para ser publicado, que abalaria o governo americano?

Temos várias revelações ainda que teriam um impacto político grande para o governo americano e para outros governos. Mas vamos seguir nosso trabalho normal. Só revelamos 2.250 mil telegramas de 250 mil. Há muito, muito mais.

Qual o impacto disso tudo e dessas revelações que o sr. traz para a democracia no mundo?

O que eu espero é que nosso trabalho mostre às pessoas em todo o mundo como é que o mundo de fato funciona.

Para 2011, quais são os planos de WikiLeaks?

Para 2011, vamos publicar mais telegramas sobre países e sobre mais de cem organizações. Mas também teremos outras publicações. Vamos expandir nossa estrutura.

Que tipo de revelações estarão nas próximas publicações?

Temos milhares e milhares de documentos significativos. Alguns dos mais significativos foram sobre os bancos, na Suíça, Islândia, Ilhas Cayman, EUA e Grã-Bretanha.

Algum plano sobre ampliar sua organização no Brasil?

Sim. Temos alguns brasileiros já trabalhando nas últimas semanas. Mas vemos muito apoio vindo do Brasil, tanto da população, mídia, da forte e emergente cultura de internet. E também há muita corrupção. Portanto, haverá bons tempos no futuro no Brasil para nós.

Lula disse que o apoia. Mas esse apoio vem de um governo criticado por ter pensado em tomar medidas contra a imprensa. Como o sr. avalia essa posição?

O fato é que temos 2.855 telegramas sobre o Brasil (com a Embaixada dos EUA em Brasília como origem ou destino das mensagens). Mas há outros que vêm de outros países. São pelo menos outros 2.000. Sobre Lula, ele tem adotado uma posição corajosa em relação à independência do País há tempos. Mas agora está na posição de quem está terminando o mandato, que pode falar de forma mais livre sobre o que genuinamente pensa. Ao fazer essas declarações, talvez estabeleça a base e torne mais fácil para a próxima presidente tomar a mesma posição. Mas imagino que ela e o governo terão de tomar cuidado em relação os EUA.

Dilma seria mais hesitante...

Suspeito que isso seja verdade. Mas talvez ela surpreenda e demonstre ter suficiente coragem. Temos exposto a manipulação de muitos países pelos EUA, pelas ações do Departamento de Estado. Portanto, não será mais tão fácil fazer isso como era no passado. E talvez isso possa proteger o Brasil.

Sobre liberdade de informação na América Latina, qual a avaliação do sr.? É algo que o preocupa ou não mais do que em outras regiões?

Há boas leis e proteções constitucionais em vários países latino-americanos. Mas a questão é se essas leis estão sendo seguidas na prática. A associação entre Estados (e seus Poderes Judiciários) e empresas pode permitir a censura na prática. Entendo que há um grande escândalo em relação ao blog Falha de S. Paulo, que é uma sátira ao nome do jornal com o qual temos uma parceria no Brasil (mais informações nesta página). Entendo a importância de proteger a marca e temos sites similares que se passam por WikiLeaks. Mas o blog não pretende ser o jornal e acho que deve ser liberado. A censura é um problema especial quando ocorre de forma camuflada. Sempre que haja censura, ela deve ser denunciada.

O sr. se considera um preso político? Teme por sua vida?

Sim, nesse caso. Apesar das alegações não serem de crimes políticos, não há dúvidas de que nenhuma outra pessoa estaria na prisão esperando extradição. Ameaças de morte são feitas diariamente, contra meu pessoal, contra meus filhos.

Contra seus filhos... Em quais circunstâncias?

Sim, contra meus filhos. Há ainda ameaças contra meus advogados. Entramos em um assunto muito sério. Na noite passada, vimos no Canal Fox, comentaristas e políticos apelando pelo meu assassinato. Um deles até disse que tinham de se livrar de mim, mesmo de forma ilegal. Isso deve estar estimulando os militares americanos, militantes e loucos de todo o tipo. Não acho que seja provável, ainda que não seja impossível, que o governo dos EUA diretamente tente me assassinar. Mas o mais provável é que indivíduos, militares ou doentes mentais, influenciados pelos políticos, tentem fazer o trabalho. Ou que outros Estados, tentando agradar aos americanos, tentem se livrar de mim. Daniel Ellsberg, famoso por ter vazado os Papéis do Pentágono de 1971 [que revelaram segredos sobre a Guerra do Vietnã], disse que existe a possibilidade de que o governo americano me assassine, com base nos planos que existiram para assassiná-lo.

O sr. já pensou em pedir asilo no Brasil?

Seria ótimo ter isso oferecido. Há alguma reflexão sendo feita de que o Brasil seria um bom lugar para instalar algumas de nossas operações. É um país grande o suficiente para ser independente da pressão dos EUA, tem força econômica e militar suficiente para fazer isso. E não é um país como China e Rússia que não são tão tolerantes com a liberdade de imprensa. Talvez o Brasil seria um bom país para que coloquemos parte de nossas operações.

O que "The Guardian" fez ao divulgar seu caso de suposto assédio sexual foi da mesma natureza do que o WikiLeaks faz?

Não. Transparência é para governos. Não para indivíduos. O objetivo de revelar informações sobre pessoas poderosas é cobrar responsabilidade deles. Quando um governo dá material legal para um jornal para prejudicar alguém, trata-se de um abuso. O repórter que foi escolhido para receber a informação é um conhecido crítico de nossa organização. O Guardian não perguntou por que foi liberada essa documentação antes de uma audiência na Corte. Quais são os motivos envolvidos. São perguntas que não foram respondidas.

Blog do Luis Nassif

Inadimplência de pessoa física cai ao menor nível em nove anos


No mês passado, taxa de inadimplência de pessoa física caiu para 5,9%.
Esse é menor patamar registrado desde junho de 2001, segundo BC.


Alexandro Martello Do G1, em Brasília


A taxa de inadimplência das pessoas físicas, que mede atrasos de pagamento superiores a 90 dias, caiu de 6% em outubro deste ano para 5,9% em novembro, informou nesta quinta-feira (23) o Banco Central.

Com isso, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, de acordo com a série histórica da autoridade monetária, atingiu o patamar mais baixo desde junho de 2001, quando estava em 5,5%. Ou seja, é o menor nível em mais de nove anos.

A inadimplência geral, que inclui as operações com pessoas físicas e com empresas, ficou estável no mês passado. Neste caso, a taxa permaneceu em 4,7% em novembro - o patamar mais baixo desde janeiro de 2009.

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, porém, registrou aumento em novembro, quando atingiu 3,6%.

G1

Estado de saúde de Alencar melhora, diz boletim médico


Priscilla Mazenotti*
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O estado de saúde do vice-presidente, José Alencar, apresentou melhora. Segundo o boletim médico, houve uma redução importante do sangramento digestivo. Alencar está acordado, mas continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta eleita, Dilma Rousseff, visitaram Alencar pela manhã. Às 10h40, aterrissou no terraço do hospital o helicóptero que levou Lula e a presidenta eleita, Dilma Rousseff.

Eles permaneceram cerca de 40 minutos com Alencar e deixaram a instituição sem falar com a imprensa. Depois, seguiram para o encontro com os catadores de material reciclável, realizado todo ano na época de Natal.

A cirurgia de ontem, que durou três horas e meia, foi para tentar estancar um sangramento digestivo. Esta foi a 17ª cirurgia do vice-presidente desde o início do tratamento do câncer abdominal.

Agência Brasil

A fábrica de chips de CEITEC


Por Roberto São Paulo-SP 2010

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=49786

Cylon promete reengenharia institucional completa na Ceitec
Patricia Knebel, Jornal do Comercio(Porto Alegre-RS)

No dia 1 de março de 2011, os engenheiros da Ceitec atravessarão a passarela que separa as áreas administrativas e o Centro de Design da empresa e, finalmente, ingressarão na fábrica. Isso acontecerá mais de dez anos depois que foi dado o start nesse projeto, com a assinatura do contrato entre o governo estadual e a Motorola, que na época cedeu os equipamentos para a produção pioneira de chips no Rio Grande do Sul.
Para o presidente da Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva, será um momento esperado por todos os funcionários, mesmo que ainda leve um tempo até que a unidade esteja apta a operar, o que deve acontecer em 2012. Muito respeitado no meio acadêmico e prestigiado no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Cylon está há poucos meses à frente da empresa, mas tem um entendimento claro dos desafios que tem pela frente.

Ele admite as dificuldades, mas projeta um futuro promissor, "desde que as decisões certas sejam tomadas". Um dos primeiros passos, que deve se iniciar antes do Natal, é uma ampla reengenharia institucional. "Vamos reprojetar a Ceitec da cabeça aos pés de forma a torná-la competitiva", diz.

Jornal do Comércio - O que esperar da Ceitec a partir de 2011?
Cylon Gonçalves da Silva - Temos grandes mudanças pela frente. A começar por um trabalho de reprojeto institucional da empresa. Vamos buscar o melhor modelo de organização que pudermos e, para isso, contrataremos uma consultoria de renome, habilitada a fazer reengenharia de empresas. O objetivo é reprojetar a Ceitec da cabeça aos pés, desde o estatuto, passando pela revisão da lei que a criou e até os manuais operacionais. Queremos deixar a empresa enxuta para, assim, enfrentar o mercado.
JC - Hoje a empresa é uma estatal dependente, pois ainda não tem faturamento. Quando passará a ter receitas?
Cylon - Temos aspirações de começar a faturar a partir de 2012 e acho que é perfeitamente viável chegar a um montante entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em 2020. Se fizermos o dever de casa e atacarmos o mercado com bons produtos, que cheguem a tempo e com preços competitivos, conseguiremos atingir isso.
JC - Como funcionará essa transferência de tecnologia?
Cylon - Essa empresa alemã vai nos passar a receita do bolo para fazer os chips. É um processo que não será feito abstratamente, e sim baseado em projetos. Eles vão treinar o nosso pessoal e começar a transferência de tecnologia quando iniciarmos a produção do chip do boi, que será o primeiro fabricado na Ceitec.
JC - O início da operação depende apenas do processo de transferência tecnológica?
Cylon - Não. Hoje não podemos nem mexer nos equipamentos, sob pena de perdermos a garantia. As instalações estarão concluídas no dia 28 de fevereiro e no dia 1 de março teremos acesso à fábrica. Depois disso começa um processo complexo de aceitação das obras de instalações, que será feito por uma empresa independente daquela responsável pelas obras. Feito isso, será realizado o mesmo procedimento em relação às ferramentas e, então, concluem-se as obrigações legais das empresas contratadas para fazer a fábrica. A partir daí, será tudo com a gente.
JC - A equipe de profissionais já está ajustada?
Cylon - Temos 110 pessoas e quando iniciarmos na fábrica dobraremos esse número. São pessoas extraordinariamente bem formadas e mais de 40 desses 110 têm, no mínimo, mestrado. O que eles não têm e estão loucos para ter é a vivência.
JC - Como foram os testes em campo do chip do boi?
Cylon - Fizemos o teste da versão 1 do chip do boi, que foi desenvolvida pela Associação Ceitec e depois encampada no momento da transformação para a empresa. Tínhamos como objetivo avaliar a qualidade técnica e a mercadológica do dispositivo. Do ponto de vista tecnológico, os chips não apresentaram problemas. Já na questão mercadológica, vimos que o brinco do boi, que é o produto final, teve um percentual não desprezível de problemas. O principal deles é o fato de o animal rejeitar o dispositivo e fazer de tudo para arrancá-lo, inclusive se esfregando na cerca. Isso também acaba danificando a antena que fica acoplada ao chip, prejudicando a transmissão dos dados. Mas essa é uma dificuldade conhecida pelas empresas que atuam no ramo de identificação animal. Já era assim no brinco tradicional.
JC - Foi para evitar questões como essa que a Ceitec mudou um pouco o foco de atuação?
Cylon - Sim. Esse hoje é um problema das empresas que vão fabricar o brinco, ou seja, que farão a produtização do nosso chip. Mudamos a estratégia e hoje o nosso foco é projetar e fabricar circuitos integrados. Assim, ao invés de buscarmos 5% do mercado de brincos, queremos 100% do mercado de chip.
JC - Apesar da versão 1 ter sido bem-sucedida, por que não será esta a ser produzida e comercializada pela Ceitec?
Cylon - A versão 1 tem uma grande limitação que é o fato de o número da identidade do boi vir escrito de fábrica, e isso não é conveniente na hora das vendas. Desenvolvemos a versão 2 onde o número da identidade é gravado no ponto de venda. Esse é o produto que eles querem. Recebemos os primeiros chips, que agora serão distribuídos como amostras de engenharia. Qualquer companhia no Brasil que quiser fabricar o brinco do boi vai bater na nossa porta e, se for um player sério, vai receber amostras para testar.
JC - Quais são os outros projetos em quais a Ceitec está envolvida?
Cylon - Em linhas gerais, a Ceitec vai se focar no mercado de chips para identificação de objetos, animais e pessoas. No caso dos animais, o projeto paradigmático é o da rastreabilidade bovina, mas sabemos que em países desenvolvidos é obrigatório o chip de identificação em animais domésticos e isso talvez seja adotado no Brasil. Também estamos desenvolvendo projetos de rastreabilidade de bolsas de plasmas, junto com a Hemobrás. É um chip mais sofisticado e que devemos mandar prototipar no primeiro semestre de 2011, na X-Fab. E também estamos envolvidos em produtos como a identidade e passaporte digital brasileiro.
JC - Qual a principal contribuição que a Ceitec terá no futuro?
Cylon - Eu estive envolvido por 15 anos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Esse projeto passou por várias fases. Na primeira delas, que de certa forma é a mesma pela qual a Ceitec passa hoje, foi a das pessoas falando que um projeto como esse não poderia ser feito no Brasil. A segunda era a de que poderia ser feito, mas que não iria funcionar. Depois que funcionou, veio o terceiro momento, quando diziam que, apesar de ter dado certo, não teria quem usar. Hoje, o laboratório está na última etapa, quando os comentários são na linha de ‘eu teria feito melhor, mais rápido e com menos dinheiro'.

A grande contribuição que a Ceitec vai dar para a indústria eletrônica no Brasil é a de, justamente, passar por essas quatro fases. É o chamado efeito de demonstração. E, se tudo der certo, vamos novamente mostrar que o Brasil tem competência, pessoas qualificadas e inteligência para trabalhar numa das indústrias mais sofisticadas e complexas que existe no mundo. Não sei se a Ceitec será uma Intel ou Samsung um dia porque estou olhando para um bebê recém-nascido. O importante é ter um sistema funcionando e ver o entusiasmo de uma juventude bem preparada. São essas pessoas que vão construir o futuro. A Ceitec pode vir a ser realmente muito grande. Não somos piores que os americanos e coreanos que construíram empresas de sucesso nessa área. .....

A belonave brasileira no Líbano

Autor:
Paulo Cezar
Provavelmente deve ser uma fragata da classe Niterói, ou poderia ser a corveta Barroso, que o Brasil construiu aqui e tenta vender navios semelhantes a países africanos.
Fragata Niterói, a primeira da classe, que tem 6 navios



Corveta Barroso. Construída no Brasil, a mais nova da esquadra



Brasil deve mandar fragata para o Líbano

LUIS KAWAGUTI
DE SÃO PAULO

O Brasil planeja enviar no ano que vem navios militares para o Oriente Médio, uma das regiões mais tensas do planeta. Junto, embarcariam ao menos 200 militares.

Este é o plano da Marinha, segundo revelou à Folha o contra-almirante Luiz Henrique Caroli, 52, indicado pelo Brasil para chefiar a força naval da Unifil, missão de paz da ONU no sul do Líbano cujo objetivo é evitar conflitos entre Israel e a milícia xiita do Hizbollah.

A incursão será a mais importante missão militar do país no exterior depois do Haiti, onde o Brasil comanda a força de paz da ONU (Organização das Nações Unidas). É parte da estratégia do governo Lula de aumentar a projeção global do Brasil.

O plano deve continuar no governo Dilma Rousseff. Para o envio da tropa e dos navios, é preciso aprovação do Congresso. A Marinha está confiante de que não haverá problemas, dada a maioria folgada que a presidente terá no Legislativo.

Veja os principais trechos de sua entrevista.

Folha - Quando o sr. assumirá o comando da força?
Luiz Henrique Caroli - Faltam um decreto presidencial e uma portaria do Ministério da Defesa. Eu imagino que isso vá acontecer em janeiro do ano que vem.

O que essa força faz?
Cada navio vai para uma área de patrulha e, quando vê uma embarcação, se identifica como navio da ONU, pergunta se está indo para águas libanesas, a carga, o rumo, a velocidade, de onde veio e orienta uma rota para o porto. Quando há suspeita de que ele carrega armas, a Marinha libanesa é acionada para fazer uma inspeção.

Como foi a recepção dos governos libanês e israelense à participação do Brasil?
Nosso país tem tradição de tolerância e convivência pacífica. Todos viram de forma positiva. A Indonésia se candidatou a assumir a força, mas Israel não quis porque era um país muçulmano. O Itamaraty consultou o governo israelense, que se posicionou favoravelmente, e o governo libanês também.

A missão aumenta o prestígio do Brasil no Oriente Médio?
Acredito que sim. O Brasil não usa missão de paz para sustentar as Forças Armadas, usa como instrumento de política. O país quer se sentar à mesa que vai criar as normas para os outros. Para isso, tem que participar. E uma forma positiva de participação são as operações de paz. Nós, militares, vemos tudo isso de forma positiva, porque permite termos a experiência real que enriquece as pessoas e a instituição.

Inicialmente o Ministério da Defesa não autorizou o envio de um navio brasileiro para a missão, mas essa possibilidade ainda existe?
Existe sim, a gente fez um estudo que foi aprovado pelo comandante em chefe da esquadra, onde a Marinha está estudando a possibilidade de enviar um navio para compor a força marítima.

Qual seria a embarcação enviada?
Uma fragata, por ser um navio com mais capacidade de permanência. O comandante da Marinha vai decidir e vai conversar com o Ministério da Defesa. Sob as condições colocadas inicialmente pela ONU, de um longo tempo [de permanência], a gente achou que não daria para sustentar um navio lá, pela logística complicada de manter um navio no Oriente Médio. Mas, com a proposta do navio ficar menos tempo, a gente visualizou a possibilidade disso ocorrer.

Quanto tempo ele ficaria?
Dois a três meses e aí teria que ser substituído.

Mandariam um navio de cada vez para treinamento e depois o substituiriam?
Exato. Isso passa, antes da Marinha e da Defesa, pela aprovação do Congresso.

Quando isso aconteceria?
Eu diria que para o final do primeiro semestre de 2011. É bem exequível.

O Brasil não ficaria desguarnecido?
Não. Os distritos navais têm meios para fazer a patrulha do litoral. Um navio [a menos] não traria prejuízo.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/850001-brasil-deve-mandar-fragata-par...

Blog do Luis Nassif