terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Transparência e mau-olhado - Nirlando Beirão


Enquanto Lula enfrenta o câncer publicamente, cientistas políticos de fachada ruminam um mal disfarçado gozo doentio. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A se tomar cultura no sentido amplo que lhe dão os antropólogos – o conjunto de representações simbólicas com as quais se identifica determinado grupo – o câncer do Lula é o acontecimento cultural do Brasil em 2011. Nunca antes neste País uma doença teve o condão de revelar tantos significados emblemáticos e tantas patologias sociais.

Subjacente ao drama pessoal do ex-torneiro mecânico tornado presidente da República reavivam-se crendices, mitos, a mesma intolerância, a mesma intransigência que vêm espreitando cada ato da longa trajetória política de Lula, fazendo borbulhar no caldeirão das mentalidades, elas, sim, -doentias, um vingativo contentamento – como se, da mesma forma como ocorre em certos crimes hediondos, a culpa pudesse ser da vítima.

Foi, aliás, nas vizinhanças do Dia das Bruxas que se divulgou a novidade – “uma bomba”, reagiu uma delas, ruminando mal disfarçado gozo, bruxa radiofônica a bordo de sua fachada de “cientista política”. Indiferente mais uma vez aos efeitos da mandinga e do mau-olhado, Lula decidiu agir com transparência: convenceu a equipe médica, naquele mesmo dia 29 de outubro, de que não havia porque sonegar a informação ao País e instruiu o Hospital Sírio-Libanês a divulgar um boletim relatando a verdadeira natureza de sua doença, um tumor maligno na laringe.

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A partir daí, vive o paciente à mercê de um penoso tratamento e de uma natural incerteza, enquanto divide-se a nação entre o susto, a perplexidade, a compaixão, mas também a raiva, o desprezo, o ressentimento, requentados agora pela reconfortante sensação de que, se o adversário é invulnerável na política, há de ser frágil na vida. Atribui-se ao escritor Otto Lara Resende a frase de que o mineiro só é solidário no câncer. No que diz respeito ao mais admirado líder político do País em todos os tempos, há patrícios seus que paradoxalmente nem nesse caso lhe são simpáticos.

Noticiada a doença, assistiu-se de cara a um denso “Momento Sigmund Freud” por parte daquelas tias de Brasília, muito poderosas, as quais sempre fizeram do ofício de informar o exercício impenitente do vodu contra o tosco metalúrgico arvorado em prócer político. Por um minuto, devem ter saboreado a exultante certeza de que suas novenas fervorosas não foram em vão. Uma delas chegou a aventar, feliz da vida, a ironia de Lula, o tribuno, o orador, o incurável falador, ser atacado exatamente no gogó. Se o ex-presidente é mestre por convencer pela palavra, que ele, então, em castigo dos céus, pague pela língua (a tia deixou nas entrelinhas o arfar de -donzela -injuriada).

Propagou-se a partir daí o tremendo festival de subpsicanálise de auditório, reiterando a crença de que o câncer do Lula, ainda que não seja um recado dos deuses, é uma punição terrena. “Não é surpresa”, balbuciou a comentarista Lúcia Hippolito, da CBN (leia-se das Organizações Globo). “Não é surpresa, tendo em vista o abuso da fala do presidente que jamais teve um exercício de fonoaudiologia, de nada disso, e ‘tava no palanque todo santo dia’, tabagismo, alcoolismo…” Agindo como bedel de colégio interno, a comentarista acrescenta uma interessante avaliação sobre a qualidade da voz de Lula (roufenha), deixando claro que, a depender dela, já teria compulsoriamente cassado aquele desagradável timbre antes mesmo do câncer.

Nem as mais rasteiras manifestações de pensamento mágico por parte dos pigmeus da Botsuana haveria de se comparar, em mediocridade, ao debate nacional sobre Lula e seu mal. Correu por aí, no bojo dos palpites palavrosos, o mito de que o câncer tem causa psicossomática. A ciência moderna repudia isso como uma rematada besteira. Câncer é uma transformação maligna na célula que nada tem a ver com o estado de espírito da vítima. Existe, sim, um fator socioambiental a interferir na dialética saúde-doença, mas daí a estabelecer uma correlação entre a pororoca vernacular do Lula e seu tumor maligno já é ir longe demais no atoleiro pseudocientífico.

Faz lembrar – desculpe a digressão – a teoria que o delirante Wilhelm Reich erigiu em torno de seu antigo mentor, Sigmund Freud, quando o mestre da psicanálise caiu vítima de um câncer na garganta. A tese de Reich era mais ou menos essa: para fazer da psicanálise uma disciplina socialmente aceita, para retirar dela toda aspereza revolucionária, de desafio ao status quo, depurando, por exemplo, o que ela trazia de mais inquietante no quesito sexualidade, Freud teve de negociar, de acochambrar, de engolir muito sapo. Consequência: câncer entalado na goela. Esqueceu-se Reich do detalhe banal de Freud ter fumado, a vida toda, 20 charutos mata-ratos por dia. Inclusive enquanto assistia seus pacientes no divã.

Repetindo: no caso de Lula, tratam-se de meros subterfúgios em torno da mesquinha desforra ao estilo “bem feito!”. Uma variação aggiornata de antiquíssimos rancores contra o operário quando ele se aprumava em terno e gravata e contra o mandatário que, na condução da sexta maior economia do mundo por oito anos, ousou comprar um jato à altura do seu cargo, de sua liderança e do seu País. Torciam, no íntimo, para Lula se esborrachar no solo com o avião decrépito. Ao se evidenciar a má fé, passaram a sugerir que o Boeing seria mero capricho pessoal, como se, ao deixar a Presidência, Lula fosse taxiar o “Aero Lula” na garagem de seu prédio em São Bernardo.

Os eleitos do privilégio jamais se conformaram ao ver o nordestino sans lettres et sans coulotte invadir o cenáculo dos bien nés. Pior: magoou a eles o sucesso internacional da criatura. Coube-lhes, sempre, a reação do deboche. Acionam, agora, de novo, insensíveis a qualquer arroubo de humanidade, a artilharia do escárnio. Pois o impenitente ídolo da senzala cometeu o desatino de buscar, na Casa Grande, os recursos clínicos e tecnológicos para a cura. Internou-se num hospital de excelência: o Sírio-Libanês, de São Paulo. Paga as contas com seu dinheiro – e seu seguro de saúde. Como teria direito qualquer ser humano. Mas tem gente que sequer concede ao Lula o direito de se sentir um ser humano.

O esgoto foi destampado nas redes sociais. Entre os anônimos que festejaram abertamente a enfermidade e outros que chegaram a sugerir que se tratava de uma farsa para induzir à comiseração alheia, trafegou a incessante pergunta: por que é que Lula não optou por se tratar na vala comum do Serviço Único de Saúde, o SUS? Por que é que o otimista porta-voz das recentes conquistas sociais da nação, recorre, quando necessitado de assistência médica, a um serviço privado de saúde?

O rastilho da cobrança se alastrou: por que Lula não entrou na fila, como o zé-povinho? Espalhou-se a reclamação, reiteradamente, do pundit Elio Gaspari à tuiteira Luana Piovani. Os ranzizas light aliviaram: não que Lula não mereça os melhores cuidados, absolutamente não, mas ele deveria dar o exemplo. “Não que ele esteja moralmente obrigado a tanto”, escreveu um fanático do antilulismo. Mas já que ele fala tanto em povo e elite, “não se lhe está desejando mal nenhum, mas se cobrando coerência”.

O webfenômeno Lula-no-SUS comporta preconceito – duplo, triplo, múltiplo – e ignorância. Saúde de qualidade, só para os privilegiados, defendem os falsos arquitetos da simetria social. O Sapo Barbudo que pague o preço de ter se candidatado a mudar a situação e de fazer sonhar os pobres. Não é difícil calcular que 99% das pessoas que queiram remeter Lula para o sistema público de saúde não tenham a menor noção de como ele funciona, não façam a menor questão de entendê-lo e, lá no fundo, estejam olimpicamente se lixando para os pobres diabos que recorrem a ele. Dane-se o SUS.

Vozes de bom senso trataram de fazer o necessário contraponto. O ex-presidente FHC viu nas reações anti-Lula o ranço de elitismo. Na mesma linha alertou, isento de qualquer suspeita de parcialidade, o deputado Marcus Pestana, do PSDB de Minas Gerais. “Sempre me incomodaram visões desinformadas e preconceituosas que faziam uma associação superficial e imediata entre SUS e caos”, escreveu Pestana para o jornal O Tempo. “Recente pesquisa do Ipea mostrou que a avaliação positiva dos que utilizam os serviços do SUS é três vezes superior a daqueles que possuem saúde complementar e, portanto, têm uma visão externa e municiada por narrativas que distorcem a realidade.”

Lula encara hoje a realidade de um mal agudo – se bem que curável. Submeteu-se, sorridente, sob os doces cuidados de dona Marisa, ao sacrifício da barba e dos cabelos. Dá para imaginar o que sentiu ao se desfazer do adereço facial que lhe constituiu a mística. Muito do vigor combativo do Lula do passado se exprimia simbolicamente nos fios revoltos de sua barba. Ao se aproximar do poder, Lula pacificou-os, numa arquitetura que reiterava o candidato à concórdia e à cordialidade, como se fosse um político da República Velha. O que era rebeldia passou a sinalizar sabedoria.

Ao se olhar hoje no espelho, Lula há de estranhar. É difícil reencontrar-se com uma criatura que, de repente é você e também não é. Mas a batalha de agora consola o sacrifício.

Carta Capital

Os navios sem porto de Agnelli

O mineraleiro "Berge Everest", mais um navio gigante do Almirante Roger Agnelli: contruído na China, não pode aportar por lá

O “homem de visão” Roger Agnelli perde feio para o ceguinho Aderaldo em matéria de enxergar negócios sustentáveis.

Trocou a possibilidade de fazer navios de porte médio-grande no Brasil de olho gordo na possibilidade de “bombar” a exportação de minério bruto na explosão dos preços antes da crise de 2008.. Naquela hora, as siderúrgicas chinesas devoravam minério e aceitavam carga até em lombo de burro, se fosse o caso.

Pensou que os chineses eram como os governantes brasileiros que venderam a Vale e trabalham na base do “pode entrar que a casa é sua”.

O resultado todos viram. E, anuncia agora a agência Reuters, o Berge Everest, primeiro navio da superfrota agneliana que conseguirá desembarcar na sua carga de minério o fará…. nas Filipinas, de onde será reembarcado em navios menores, como os que tinha a Docenave, que Agnelli detonou entre 2001 e 2003.

Porque o Berge Everest, construído na China, no Bohai Shipbuilding Heavy Industry, só pôde desembarcar dólares, milhões deles, em território chinês. Ferro, não pode.

Passa pela cabeça de alguém que um projeto de construção de quase três dúzias de meganavios possa ter sido tocado sem um estudo adequado das condições de aceitação de um “player” deste porte no mercado de fretes marítimos de minério? E que os navios sejam incorporados nesse ritmo vertiginoso, de tal maneira que os problemas encontram já uma superfrota na água, sem chance de revisão nos planos?

Já nem estamos falando do que poderia ter sido feito aqui, dos acordos para a implantação de estaleiros no Brasil, do aproveitamento, neles, do ferro que a Vale produz e do aço que não produz, porque Agnelli dizia ser mau negócio produzir aço.

Nem estamos falando, portanto, de querer algo do Brasil senão esburacá-lo o mais rápido possível. Mas de um mínimo de capacidade de gestão estratégica, aquela que lhe cantavam em prosa e verso os nossos colunistas.

Como era aquela história, mesmo, do “interesse dos acionistas”?

Tijolaço - Dep. Brizola Neto

Rússia lidera novo bloco econômico, vinte anos após fim da URSS

Vladimir Putin nega que intenção seja recriar URSS, mas classifica nova União Euroasiática como “avanço histórico”

Há exatos vinte anos, a bandeira da União Soviética deixava de ser hasteada no Kremlin, dando lugar à bandeira da Federação Russa. Mikhail Gorbachev renunciou ao cargo em 25 de dezembro de 1991 e a União Soviética deixou formalmente de existir. A nostalgia dos tempos soviéticos ainda está presente em muitas das ex-repúblicas e, politicamente, um primeiro passo para a integração entre os antigos países do bloco soviético foi dado no mês passado.

No dia 18 de novembro, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev e da Belarus, Aleksandr Lukashenko ratificaram um acordo com o objetivo de estreitar os laços entre os antigos parceiros soviéticos, com a assinatura de uma declaração de integração econômica euroasiática cuja meta é a criação de um Espaço Econômico Comum entre os três países. Os líderes signatários deixaram claro que isso não significa um retorno ao passado soviético, mas sim uma maneira de fortalecer os laços históricos entre eles.

EfeCom Putin, Rússia abandonou a postura de ‘mais um país do extinto bloco soviético’ para liderar região

A Comissão Econômica Euroasiática começará a operar no dia 1º de janeiro de 2012 e os tratados assinados entrarão em vigor no mesmo dia. O principal objetivo a curto-prazo é a criação da União Econômica Euroasiática, em 2015, consolidando a economia dos três países e abrindo espaço para a gradual integração de outras nações. O PIB (Produto Interior Bruto) da União Euroasiática, com os três países fundadores, seria de 2 trilhões de dólares, um valor ainda pequeno se comparado aos 16 trilhões de dólares da União Europeia, “mas é somente um primeiro passo”, afirma o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, idealizador da União.

Os três países já possuem uma união aduaneira, mas o novo bloco significa a criação de um comitê executivo comum, composto por um Conselho liderado pelo vice-primeiro-ministro de cada país, e uma Comissão, cujo número de oficiais será proporcional ao número de habitantes de cada membro (84% russos, 10% cazaques e 6% bielorrussos). A Comissão terá a sua sede em Moscou e seguirá o modelo da Comissão Europeia. Os gastos de infraestrutura serão financiados inteiramente pela Rússia.

Liderança regional

Nenhum país terá, oficialmente, um papel de líder, mas os especialistas coincidem que o acordo faz parte da nova política geoestratégica russa. “Com Putin, a Rússia abandonou a postura de ‘mais um país do extinto bloco soviético’ e decidiu assumir a posição de líder regional. Com Medvedev, estamos vendo o resultado prático desta política externa e a União Euroasiática é o primeiro exemplo claro de um novo bloco geoeconômico”, afirma o diretor do Instituto de Estratégia Nacional, Mikhail Remizov.

Segundo Putin, "esta nova união, forte e supranacional, pode se tornar um dos pólos do mundo moderno e desempenhar o papel de uma ponte efetiva entre a Europa e a região Ásia-Pacífico". Quirguistão e Tadjiquistão estão em conversações sobre a adesão.

Após a queda da URSS, houve várias tentativas de manter as conexões entre as ex-repúblicas. O exemplo mais conhecido é a CEI (Comunidade de Estados Independentes), formada em dezembro de 1991. Apesar de servir como plataforma de diálogo entre os chefes de Estado, os críticos dizem que a CEI tem sido incapaz de produzir qualquer sucesso notável na integração. Na resolução de conflitos políticos, por exemplo, a CEI não conseguiu impedir a guerra entre Rússia e Geórgia em 2008, resultando na saída da Geórgia do bloco.

De acordo com o centro de opinião pública russo VTsIOM, o maior do país, a ideia de uma integração entre os países da ex-URSS é apoiada por 67% dos quirguizes e 62% dos bielorrussos, mas recebe pouco apoio no Azerbaijão (24%) e na Lituânia (26%). Entre os russos, 43% apóiam uma integração no modelo da Uniao Soviética. No entanto, de acordo com uma pesquisa do Centro Levada divulgada em novembro, apenas 53% dos entrevistados na Rússia tinham conhecimento da nova União Euroasiática.

O embaixador da Rússia na OTAN, Dmitry Rogozin, afirmou que “esta é uma união de povos, muito mais do que uma união de territórios”.

Vladimir Putin, que já havia descrito o fim da União Soviética como “a maior tragédia geopolítica do século XX”, negou que tenha a intenção de recriar a URSS, mas afirma que a União seria um “avanço histórico” para os ex-Estados soviéticos. “Queremos criar uma união com os melhores valores da União Soviética”, conclui o primeiro-ministro russo.

Exames detectam câncer na tireoide de Cristina Kirchner

Governo descarta metástase e informa que a presidente da Argentina será submetida a uma cirurgia no próximo dia 4 de janeiro e permanecerá em licença médica até o dia 24

BUENOS AIRES - Após a realização de exames de rotina, realizados no último dia 22, médicos detectaram um câncer na glândula tireoide da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. O carcinoma papilar na glândula tireoide é localizado e não compromete os gânglios linfáticos, informou o porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro. O porta-voz também descartou metástase. A presidente terá de ser submetida a uma cirurgia no próximo dia 4 de janeiro e permanecerá em licença médica até o dia 24 do mesmo mês.

Neste período, a presidência será ocupada pelo vice-presidente, Amado Boudou. Este é o quinto caso de câncer em presidentes da América Latina, a mesma doença já acometeu os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Fernando Lugo, do Paraguai, e Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do Brasil.

Baixas no governo argentino

Ainda nesta terça-feira, o cônsul adjunto da Argentina na Bolívia, Antonio Deimundo Escobal, foi encontrado morto em Yacuiba, extremo sul boliviano, fronteira com a província argentina de Salta.

A morte foi confirmada pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina. "As autoridades do Estado Plurinacional da Bolívia iniciaram todos os procedimentos legais necessários diante desta lamentável circunstância", disse uma nota do ministério.

De acordo com a chancelaria, as autoridades de ambos os países estão tomando as providências para repatriar o corpo do diplomata, que foi encontrado pela polícia boliviana por volta das 10 horas da manhã, em um dormitório no terceiro andar do edifício onde funciona o consulado.

Versões da imprensa atribuídas à polícia da Bolívia, indicam que a morte por enforcamento teria ocorrido há dois ou três dias. Escobal havia assumido o cargo há uma semana. Yacuíba é um povoado de 80 mil habitantes e possui um intenso trânsito de pessoas e de mercadorias com a Argentina.

Esta é a segunda morte em sete dias no novo governo de Cristina Kirchner, que renovou seu mandato no dia 10 de dezembro. Na semana passada, em Montevidéu, funcionários de um hotel cinco estrelas, onde se hospedava a delegação argentina, encontraram o corpo do subsecretário de Comércio, Iván Heyn, de 34 anos, que participava da reunião de Cúpula do Mercosul.

O corpo do economista foi encontrado nu e enforcado com o próprio cinto, pendurado no armário. Em um primeiro momento, a informação oficial indicava que Heyn teria se suicidado, mas as investigações da polícia uruguaia analisam a hipótese de morte acidental pela prática de asfixia erótica, que consiste em provocar a própria asfixia ou a do parceiro durante a relação sexual como forma de potencializar o orgasmo. As investigações ainda não foram concluídas.

(Com informações da Reuters)

O Estado de São Paulo

Protógenes vai atrás da dívida externa do FHC

"Meu livro é um grito contra a elite tucana de SP" (Foto Geórgia Pinheiro)

Quinhentas pessoas compareceram na noite desta quarta-feira ao relançamento triunfal de “A Privataria Tucana” no Sindicato dos Bancários, em São Paulo.

Foi uma ideia vencedora do Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé e seu presidente vitalício, Miro Borges.

Os expositores foram o Amaury Ribeiro Junior, delirantemente recebido pela plateia, Protógenes Queiroz, igualmente recebido com entusiasmo, e este ansioso blogueiro.

A moderadora foi Maria Inês Nassif.

Não foram ao evento, apesar de especialmente convidados, com lugar reservado e tudo, a Catanhêde, Elio Gaspari, Judith Brito (que até hoje não foi receber o prêmio O Corvo) e Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da História da Globo.

Amaury contou que só teve a sensação de ter dado um nocaute quando abriu a Veja (isso é um perigo ! Dá cancer de pele !) e a Veja não tinha nada para defender os tucanos.

Depois de apanhar tanto para escrever o livro, foi muito divertido constatar o silêncio cúmplice do detrito de maré baixa.

O meu livro é o grito – disse Amaury – dos que não aguentam mais a hegemonia dessa elite tucana paulista.

Eles se acham deuses porque estudaram Economia na PUC e aprenderam a lavar dinheiro em Harvard.

(A plateia foi ao delírio !)

Eles acham que faziam operações muito sofisticadas – conta o Amaury -, mas ficou demonstrado que eram operações fajutas.

Só são “sofisticadas” porque têm a blindagem do PiG (*).

(A plateia vem abaixo !)

Só vim a conhecer o Protógenes esta noite, aqui, talvez a noite mais emocionante da minha vida, contou ele.

E o Protógenes esteve lá: no Banestado, no BNP Paribas, na dívida externa.

São sempre os mesmos delinquentes.

São sempre os mesmos lavodutos.

Se a CPI for instalada, disse Amaury, vai chegar à midia.

Ela está lá e por isso está com medo.

A ação em que me indiciaram – conta Amaury – não foi para a frente.

Não deu em nada.

(A reportagem do jn do Ali Kamel sobre o Amaury, na eleição de 2010, só ela, disse o Amaury, dá um livro.)

O PSDB tem uma articulação muito forte dentro da Polícia Federal (alô, alô, Zé Cardozo, vai encarar A Privataria ?) e no Ministério Público Federal, disse o Amaury.

(Brindeiro Gurgel, o senhor recebeu os 700 exemplares que o Edu Guimarães lhe mandou, através do Blog da Cidadania ?)

Amaury observou que escreveram quatro livros para espinafrar o Lula e não venderam nada.

Ele, modestamente, em uma semana vendeu 120 mil exemplares.

A CPI da Privataria é o futuro, disse Amaury.

Este ansioso blogueiro pediu ao Amaury para refutar ali a principal crítica dos gatos pingados do PiG que ousaram enfrentá-lo: que o Amaury não prova o vínculo entre a roubalheira dos documentos e a privataria do Cerra e do FHC.

Disse o Amaury:

Por que o Carlos Jereissati paga uma propina ao Ricardo Sergio de Oliveira depois de ganhar a Telemar do Ricardo Sergio de Oliveira ?

Por que o Daniel Dantas manda a irmã financiar a empresa da filha do Cerra em Miami (em Miami !) depois de o Ricardo Sergio e o FHC lhe concederem de mão beijada – sem botar um tusta – a Brasil Telecom ?

Por que o Preciado, quebrado, cunhado e sócio do Cerra, foi salvo no Banespa, ganhou uma concorrência, e pagou propina ao Ricardo Sergio de Oliveira ?

A filha do Cerra está para ser julgada por violação de sigilo.

Ela é ré do processo.

A sócia dela na empresa?

A irmã do Daniel Dantas que o Protógenes Queiroz não deixa de chamar de “banqueiro bandido”.

O Coaf arquivou (???) um processo de investigação de lavagem de dinheiro do Bourgeois, genro do Cerra, por lavagem de dinheiro.

Quer mais ?

Vamos ver na CPI, disse o Amaury.

Porque na CPI de 206 assinaturas (e não dá mais para tirar nome – nem colocar !) Protógenes pretende estabelecer o vínculo entre a Privataria Tucana de Cerra/FHC e a composição da dívida externa brasileira.

É aí que entram as CC5, o Anexo 4, o Banestado, o BNP Paribas e as malfadadas “moedas podres”.

Protógenes contou que, no âmbito da investigação do Banestado – o Dantas está lá, de mãos dadas ao Naji Nahas – foi ao Banco Central pedir os documentos que constavam dos processos de conversão da dívida externa brasileira.

O funcionário do Banco Central disse: não existe mais o departamento que trata disso.

Foi extinto.

E os documentos ?

Meu caro, se o departamento sumiu, o que o senhor acha que aconteceu com os documentos – foi a resposta que ouviu.

Protógenes investigava o Ministro da Fazenda Fernando Henrique e o responsável pela área externa do Banco Central, Armínio Fraga.

(O amigo navegante entende a ligação entre isso e o “chamar o Presidente às falas”, não é ?)

E daí chegamos à privatizacao, observou Protógenes.

No livro, Amaury se vale do Aloysio Biondi (“O Brasil Privatizado”, editora Perseu Abramo) para demonstrar que o Cerra e o FHC PAGARAM para vender o patrimônio nacional.

Entre moedas podres e créditos subsidiados do BNDES, o Brasil pagou para vender a Vale e a Telebrás.

Este ansioso blogueiro limitou-se a lembrar que o livro do Amaury e a CPI do Protógenes tratam da MAIOR ROUBALHEIRA DE TODAS AS PRIVATIZAÇÕES DA AMÉRICA LATINA !

O ansioso blogueiro lembrou que presidente do México que fez a privatização fugiu para a Irlanda e hoje vive escondido num bunker na cidade do México.

O presidente da Bolívia que fez a privatização saiu a correr para o aeroporto ao gritos de “assassino ! ” e fugiu para Miami (Miami !).

O presidente do Peru que fez a privatização está numa cadeia peruana.

O presidente da Argentina que fez a privatização arrumou um mandato de senador para escapar da cadeia.

E aqui …

Para encerrar, o ansioso blogueiro leu o post “Protogenes jogou a bomba do Riocentro no colo do Governo”.

Sobre o livro do Amaury e a blindagem do PiG, a melhor frase da noite foi do Gerson Carneiro: “a não propaganda é a alma do negócio”.

Em tempo:

Clique aqui para ver o vídeo do evento.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim

Sobre a resposta de Verônica Serra

Autor:

leia aqui "Resposta de Verônica Serra ao Privataria Tucana"

reitero o pedido de outro post: usem o botão DENUNCIAR para espanar qualquer baixaria que seja cometida

Em sua "Resposta" Verônica Serra sustenta que deixou a Decidir.com em 2001.

De acordo com o livro de Amaury Ribeiro Jr., Verônica Serra contou apenas parte da história. Seria importante - para esclarecimento final da questão - que apresentasse explicações para os pontos efetivamente centrais do livro e não apenas para o que parece ser a parte mais desimportante da história.

Até 2001 existia, de fato, uma Decidir.com registrada no Departamento de Comércio da Flórida (p. 186). Nesse ano, essa Decidir.com fecha o registro. Essa é a parte que Verônica conta. O que não conta, segundo o que está no livro:

Simultaneamente, foi aberta uma nova Decidir.com, desta vez em Ilhas Virgens, no escritório da Citco (que abriga contas de várias pessoas do esquema Ricardo Sérgio-Serra). Nesse mesmo ano de 2001, Verônica adquire a casa em que José Serra vive desde os tempos em que era Secretário do Planejamento de Montoro.

Em 2006 a Decidir.com das Ilhas Virgens injeta R$ 10 milhões na Decidir do Brasil, uma empresa que tem como sede o escritório de Verônica Serra na rua Renato Paes de Barros. Além do escritório, a própria Verônica aparece como vice-presidente da Decidir brasileira. Depois de receber o dinheiro, já no primeiro ano a empresa registra um prejuízo de R$ 1 milhão.

A chave da questão é a entrada da Equifax - empresa de análise de crédito - no capital da Decidir brasileira.

Esse mesmo esquema, segundo o livro, foi adotado pelo marido de Verônica, Alexandre Burgeois, para trazer R$ 7 milhões do Caribe entre 2000 e 2002 através de transações entre a iConexa das Ilhas Virgens e a iConexa do Brasil – que também funciona no mesmo escritório de Verônica Serra. Burgeois sai de cena depois de alvo de uma ação da Secretaria da Receita Federal por não pagamento de impostos.

Na página 189, o livro mostra que, às vésperas de Serra se candidatar a presidente, Burgeois monta o Fundo de Investimento Orb, com sede em Trancoso e no Rio de Janeiro – a administração é do fundo Mellon Brascan DTVM. Logo em seguida o fundo é transferido para o controle da João Fortes Engenharia – cujo herdeiro Márcio Fortes foi Secretário do governo Serra e um dos levantadores de fundo para sua campanha.


Imagens:
Sobre a resposta de Verônica Serra
Sobre a resposta de Verônica Serra

Em nota, filha de Serra rebate acusações de livro sobre privatizações

Verônica Serra, filha do ex-governador José Serra, divulgou nota em que rebate suspeitas contra ela publicadas no livro "A Privataria Tucana", que relata supostos casos de desvios de recursos durante privatizações ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

De acordo com o livro, Verônica Serra foi sócia da empresária Verônica Dantas numa firma de prestação de serviços financeiros na internet, a Decidir. Verônica Dantas é irmã do empresário Daniel Dantas, que controlou a antiga Brasil Telecom até o início de 2005, empresa formada após a privatização da Telebrás.

Ex-ministro de FHC, Renan Calheiros nega apoio a CPI
Deputado protocola pedido para criar CPI da 'Privataria'
Serra diz que livro é 'coleção de calúnias'; outros não comentam
Em livro, jornalista acusa tucanos de receber propina

"Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração", diz Verônica Serra.

O livro sustenta que amigos e parentes de Serra mantiveram empresas em paraísos fiscais e as usaram para movimentar milhões de dólares entre 1993 e 2003, mas não oferece nenhuma prova de que esse dinheiro tenha relação com as privatizações.

Algumas informações do livro circularam na campanha eleitoral do ano passado e boa parte do material foi publicada antes por jornais e revistas, entre eles a Folha.

Segundo Verônica, as mesmas acusações são feitas desde 2002, quando seu pai foi candidato à Presidência pela primeira vez. Ela ainda lembra que teve o sigilo fiscal quebrado durante a campanha do ano passado.

"Agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas."

A nota também contém 14 itens em que Verônica faz um resumo da sua vida profissional e detalha como foi sua participação na empresa Decidir.

"Participar de um mesmo conselho de administração, representando terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer, pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires."

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA

Nos últimos dias, têm sido publicadas e republicadas, na imprensa escrita e eletrônica, insinuações e acusações totalmente falsas a meu respeito. São notícias plantadas desde 2002 --ano em que meu pai foi candidato a presidente pela primeira vez-- e repetidas em todas as campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada oportunidade. Basta lembrar que, em 2010, fui vítima de quebra ilegal de sigilo fiscal, tendo seus autores sido indiciados pela Polícia Federal. E, agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas.

1. Quais são os fatos?

- Nunca estive envolvida nem remotamente com qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos.

- Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas.

- Jamais intermediei nenhum negócio entre empresa privada e setor público no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

- Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração.

Faço uma breve reconstituição desses fatos, comprováveis por farta documentação.

2. No período entre setembro de 1998 e março de 2001, trabalhei em um fundo chamado IRR (International Real Returns) e atuava como sua representante no Brasil. Minha atuação no IRR restringia-se à de representante do Fundo em seus investimentos. Em nenhum momento fui sua sócia ou acionista. Há provas.

3. Esse fundo, de forma absolutamente regular e dentro de seu escopo de atuação, realizou um investimento na empresa de tecnologia Decidir. Como consequência desse investimento, o IRR passou a deter uma participação minoritária na empresa.

4. A Decidir era uma empresa "ponto.com", provedora de três serviços: (I) checagem de crédito; (II) verificação de identidade e (III) processamento de assinaturas eletrônicas. A empresa foi fundada na Argentina, tinha sede em Buenos Aires, onde, aliás, se encontrava sua área de desenvolvimento e tecnologia. No fim da década de 90, passou a operar no Brasil, no Chile e no México, criando também uma subsidiária em Miami, com a intenção de operar no mercado norte-americano.

5. Era uma empresa real, com funcionários, faturamento, clientes e potencial de expansão. Ao contrário do que afirmam detratores levianos, sem provar nada, a Decidir não era uma empresa de fachada para operar negócios escusos. Todas e quaisquer transações relacionadas aos aportes de investimento eram registradas nos órgãos competentes.

6. Em conseqüência do investimento feito pelo IRR na Decidir, passei a integrar o seu conselho de administração (ou, na língua inglesa, "Board of Directors"), representando o fundo para o qual trabalhava.

7. À época do primeiro investimento feito pelo IRR na Decidir, o fundo de investimento CVC (Citibank Venture Capital) --administrado, no âmbito da América Latina, desde Nova Iorque-- liderou a operação.

8. Como o CVC tinha uma parceria com o Opportunity para realizar investimentos no Brasil, convidou-o a co-investir na Decidir, cedendo uma parte menor de seu aporte. Na mesma operação de capitalização da Decidir, investiram grandes e experientes fundos internacionais, dentre os quais se destacaram o HSBC, GE Capital e Cima Investments.

9. Nessa época, da mesma forma como eu fui indicada para representar o IRR no conselho de administração da Decidir, a sra. Veronica Dantas foi indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity. Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos, sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho da empresa.

10. O fato acima, no entanto, serviu de pretexto para a afirmação (feita pela primeira vez em 2002) de que eu fui sócia de Verônica Dantas e, numa ilação maldosa, de que estive ligada às atividades do empresário Daniel Dantas no processo de privatização do setor de telecomunicações no Brasil. Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil, muito menos com a privatização.

11. Participar de um mesmo conselho de administração, representando terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer, pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires.

12. Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria Polícia Federal. Certidão sobre tal processo, da Terceira Vara Criminal de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que "Verônica Serra não prestou declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos, tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma."

13. Minhas ligações com a Decidir terminaram formalmente em julho de 2001, pouco após deixar o IRR, fundo para o qual trabalhava. Isso ressalta a profunda má-fé das alegações de um envolvimento meu com operações financeiras da Decidir realizadas em 2006. Essas operações de 2006 --cinco anos após minha saída da empresa-- são mostradas num fac-símile publicado pelos detratores, como se eu ainda estivesse na empresa. Não foi mostrado (pois não existe) nenhum documento que comprove qualquer participação minha naquelas operações. Os que pretendem atacar minha honra confiam em que seus eventuais leitores não examinem fac-símiles que publicam, nem confiram datas e verifiquem que nomes são citados.

14. Mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação.

Encerro destacando que posso comprovar cada uma das afirmações que faço aqui. Já os caluniadores e difamadores não podem provar uma só de suas acusações e vão responder por isso na justiça. Resta-me confiar na polícia e na Justiça do meu país, para que os mercadores da reputação alheia não fiquem impunes.

Folha.com