sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Lula: já está provado que a Lava Jato serviu aos Estados Unidos (vídeo)


De acordo com o ex-presidente, "os Estados Unidos estavam preocupados com a linha e o procedimento de uma certa independência, de uma certa aliança com a China, Índia e Rússia". "A Lava Jato construiu benefícios para os Estados Unidos e prejuízos para o povo brasileiro", disse

21 de janeiro de 2021

Ex-presidente Lula e procuradores da Lava Jato em Curitiba (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Divulgação/MPF-PR)

247 - O ex-presidente Lula afirma que tem certeza da influência dos Estados Unidos no golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Brian Mier para o documentário "Desmantelando o Brasil: Agenda neoliberal de Bolsonaro", que será lançado no sábado (24) pelo canal Redfish. O trecho com a entrevista de Lula foi divulgado nesta quinta-feira (veja abaixo).

Para Lula, os norte-americanos se preocuparam com a proximidade das relações do Brasil com a Índia, China e Rússia durante os governos petistas. Como instrumento estadunidense, a Lava Jato, segundo o ex-presidente, agiu para beneficiar os EUA e destruir o Brasil.

"Os Estados Unidos estavam preocupados com a linha e o procedimento de uma certa independência, de uma certa aliança com a China, de uma certa aliança com a Índia, de uma certa aliança com a União Soviética [Rússia]. Acho que isso preocupou os Estados Unidos. Hoje está mais que provado que a Lava Jato foi feita e construiu grandes benefícios para os Estados Unidos e grandes prejuízos para o povo brasileiro".

Perguntado sobre os impactos da pandemia de Covid-19 no país, Lula disse que a crise causada pelo vírus mostrou a necessidade e a importância de se ter um Estado forte, que lute pelo desenvolvimento de seu povo e por sua saúde. "O coronavírus está mostrando que nós precisamos de Estado forte. O Estado forte vai cuidar da saúde, o Estado forte vai cuidar e pensar no desenvolvimento, o Estado forte vai decidir qual é a área do país que deve crescer e se desenvolver. Isso é possível quando o Estado tiver soberania nacional sobre seu território, total soberania sobre sua riqueza, total soberania sobre os bens produzidos nesse país, e nós não temos isso. Lamentavelmente estamos perdendo. O Brasil tem um presidente que bate continência para a bandeira americana".

Mais uma vez, Lula se disse animado para brigar pela democracia no Brasil e no mundo. "Eu sonhei no tempo em que eu era presidente da República que a gente estava construindo um mundo mais justo, um mundo mais solidário, um mundo mais humanizado. Eu percebo que agora nós estamos perdendo. O ser humano está deixando de ser humano e está virando algoritmo. Por isso que eu tenho 74 anos de idade e digo sempre: estou com uma energia de 30, com muita força para brigar e vou brigar porque a democracia é necessária no Brasil, na América Latina e no mundo todo".






Relações com a China - Renato Aroeira

 



Brasil 247

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Os militares, seus crimes e a tentação autoritária


"Os militares, na medida em que sustentam e participam do comando do governo, até mesmo (e com escandalosa inépcia) na administração da saúde (onde pontifica a estultice de um general da ativa), estão solidários com todos os seus erros e crimes, inclusive os de lesa-pátria", diz o colunista Roberto Amaral

20 de janeiro de 2021

Jair Bolsonaro, o general Augusto Heleno (ministro do GSI) e militares (Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil)

O general comandante do exército não gostou do artigo “Na pandemia, exército volta a matar brasileiros”, de Luiz Fernando Viana, (Época. 17.1.2021) e mandou o general chefe do centro de comunicação social do exército responder à revista. O subordinado cumpre à risca o mandato do chefe, e, no melhor (embora canhestro) estilo do velho e expurgado florianismo, ou lembrando os tempos do grotesco marechal Hermes da Fonseca, mais que defender a corporação, supostamente injuriada, desanca o jornalista acusado de blasfêmia e tenta intimidar a revista, ou seja, investe contra a liberdade de imprensa: “(...) o Exército Brasileiro exige imediata e explícita retratação dessa publicação, de modo a que a Revista Época afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconsequente”. O segundo general, por força do hábito, certamente, se expressa como se estivesse dando ordem a um subordinado. Ora, senhor, não existe "imediata retratação" na democracia: o general comandante que busque na Justiça uma possível reparação, nos termos da lei, como qualquer cidadão pode buscar. Agora, conjecturemos. E se a revista não for acometida de medo e pusilanimidade, que farão os dois generais? Se tal é a pena que pesa como espada de Dâmocles sobre o periódico, que estará reservado ao articulista? Fosse nos idos do Estado Novo, ditadura imposta ao país pelas tropas do ministro da guerra, general Eurico Gaspar Dutra, os militares fechariam a revista e o coronel Filinto Muller prenderia o jornalista nas enxovias do DOPS no Rio de Janeiro. Nos idos da ditadura de 1964, os fardados cassariam os direitos políticos do articulista e o confinariam em Fernando de Noronha, como fizeram com Hélio Fernandes. Mas que fazer agora, quando o regime ainda é o democrático e constitucional? Ameaçam a livre expressão de pensamento, princípio das democracias ocidentais incorporado à nossa ordem constitucional como direito fundamental desde o primeiro texto republicano. Renunciam ao direito de resposta, que implica a contestação do articulado, e ingressam no campo fácil das ameaças e da intimidação, artifício aliás muito cômodo, embora cediço, para quem pode usar a espada como último argumento.

Em síntese: além de arrogantes, os dois generais atentam contra a Constituição o que constitui crime, pelo qual devem ser representados pelo Ministério Público.

Mas o texto dos generais, ademais de não responder ao artigo indigitado, repito, encerra uma série de imprecisões, ou inverdades, que, de tanto serem repetidas, tomam foros de verdade. Comento algumas delas. Não é certo, por exemplo, que devemos nossa unidade territorial aos militares. A expansão é obra de mamelucos, negros escravizados, índios, e da ação genocida de bandeirantes saídos de São Paulo, mas saídos também da Bahia, de Pernambuco, do Maranhão, do Pará e do Amazonas. Segue-se o povoamento do sertão, obra do povo, a que se reporta Capistrano de Abreu. A integridade territorial, por outro lado, foi obra de nordestinos, na colônia, e de gaúchos na colônia e no império em guerras que consumiram milhares de vidas. No Império foi obra da Regência, confirmada e consolidada na república pela diplomacia do Barão do Rio Branco.

É verdade que nossos soldados foram para os campos da Itália, já ao final da guerra (1944), combater as tropas do Eixo, mas é igualmente verdade que fomos à guerra contra a insistente resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra, Ministro do Exército, e do todo poderoso general Góes Monteiro, chefe do estado maior da força, como está fartamente documentado. Aliás, na reunião do ministério (27 de janeiro de 1942) que decidiu pela beligerância, a proposta foi apresentada pelo civil Getúlio Vargas, contra o parecer do ministro da Guerra.

De outra parte, há certas e incômodas verdades que os generais não comentam, como a “guerra do Desterro”(1894) e o “ajuste de contas” do sanguinário coronel Moreira César, como não têm uma só palavra sobre o covarde massacre dos beatos de Antônio Conselheiro, para proteger os interesses dos latifundiários da Bahia. Ainda na República, em 1937, lembro o bombardeio do Caldeirão, no Ceará, contra os camponeses do beato Lourenço, evento esquecido à direta e à esquerda. Não sei se a marinha registra com orgulho a Revolta da Chibata, de 1916.

Estamos falando em fatos recentes, republicanos. Mas não foi diverso o papel do exército no império, sufocando, à custa de muito sangue, as tentativas de independência e republicanismo que caracterizaram, por exemplo a Confederação do Equador (1824), esmagada, como a Revolução Praieira (1849), com a mesma fúria que antes se abatera sobre a Revolução pernambucana de 1817 e que terminou com o fuzilamento do Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, que passou à história como Frei Caneca e hoje é pranteado como santo e herói.

O articulista da Época a ele não se refere, mas a historiografia séria desqualifica qualquer entusiasmo cívico diante de nosso papel na guerra do Paraguai.

Os militares sustentaram, até a exaustão, em nome dos grandes proprietários, dois impérios, cujas bases radicavam no escravismo e na estagnação, uma das raízes do atraso de hoje. Preferiram, sempre, um país tacanho, de analfabetos e mal alimentados, de deserdados da terra, a tocar nos privilégios da classe dominante, sejam os velhos latifundiários do Império, sejam os grandes fazendeiros da primeira república, seja o empresariado rentista, improdutivo, de nossos dias.

O progresso é visto como ameaça, pois pode desestabilizar o statu quo do mando secular.

E os militares brasileiros, a quem a nação deve outros serviços, jamais se notabilizaram na defesa da democracia. Na República a golpearam insistentemente desde as ditaduras dos marechais Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894) até hoje. Vide o golpe de 1937, arquitetado por Góes Monteiro e operado por Eurico Dutra; o golpe de 1954 operado pelas três forças e que teve no general Juarez Távora um de seus comandantes, a tentativa de golpe contra as eleições de 1955 (que teve entre seus líderes o general Canrobert Pereira da Costa e o brigadeiro Eduardo Gomes); a intentona de 1961, encabeçada pelos três ministros militares e o chefe do estado maior do exército, general Cordeiro de Farias; o golpe de 1964, que nos legou 20 anos de ditadura, com seu rol de cassações de direitos políticos, prisões, torturas e assassinatos, muitos levados a cabo em dependências militares, como o assassinato de Mário Alves Alves de Souza Vieira, no quartel da polícia do exército no Rio de Janeiro, e de Stuart Angel, na base aérea do Galeão.

Sempre na defesa da ordem (pleiteada por todos os privilegiados), dos interesses da grande propriedade da terra, da burguesia e do capital internacional, contra a emergência dos interesses populares, travando o processo histórico.

O fato é este: até hoje não se fizeram as reformas necessárias para transformar a nação em país soberano, como a reforma agrária pedida desde o primeiro império por José Bonifácio. Aliás, por defender “reformas de base” um presidente da República foi deposto e implantada, pelos militares, uma ditadura, pesadelo que ainda nos assombra.

As democracias não falecem por doença congênita. Jovens ou maduras elas são assassinadas, e só há uma arma capaz de atingi-las mortalmente: a espada, seja empunhada por uma sedição, seja por um golpe de Estado. No Brasil e no mundo o golpe de Estado é a forma que as forças dominantes dispõem para chegar ao poder evitando os percalços de eleições. Ele ou é dado diretamente pelas forças armadas, ou é levado a cabo com seu assentimento cúmplice. Mas em qualquer hipótese nenhum golpe de Estado se sustenta sem o poder militar. No Brasil ele foi agente de todos os golpes de Estado levados a cabo com sucesso. E foi ele que abriu caminho para a aventura do capitão insidioso, e hoje lhe dá proteção. Os militares, portanto, na medida em que sustentam e participam do comando do governo, até mesmo (e com escandalosa inépcia) na administração da saúde (onde pontifica a estultice de um general da ativa), estão solidários com todos os seus erros e crimes, inclusive os de lesa-pátria, como a política externa que nos transforma em aliados subalternos do império do Norte e seus interesses.

Dessa obviedade histórica não podem fugir. Resta-nos supor que as forças armadas ainda conservem – porque nem todos os generais estão ocupando sinecuras no governo – capacidade de reflexão e, antes que seja irremediavelmente tarde, revejam o papel que estão cumprindo, contra a história que pretendem representar, contra os interesses do país e de seu povo, contra a vida e a esperança.



Brasil 247

Em reação ao impeachment, Bolsonaro, Exército e PGR ameaçam implantar ditadura


"Não bastasse esta espantosa postura conspirativa e de intimidação com o estado de defesa, Aras pode ter cometido crime de responsabilidade ao se esquivar da obrigação legal e constitucional de investigar crimes cometidos por Bolsonaro e seus ministros", escreve o colunista Jeferson Miola. Bolsonaro e os militares fazem "ameaças de escalada ditatorial", reforça

20 de janeiro de 2021

(Foto: Divulgação)

Está claro que pelo menos até março, na melhor das hipóteses, o Brasil terá somente 10,8 milhões das 300 milhões doses de vacinas necessárias para imunizar o contingente da população brasileira a ser vacinado. Ou seja, apenas 3,6% do total necessário!

Em alguns dias, o ufanismo eufórico do último domingo [17/1] com a autorização das vacinas dará lugar a um choque de decepção e a uma revolta com a falta de vacinas.

O contraste do Brasil-pária com o mundo é gritante: hoje, governos de quase 60 países avançam de modo incremental na imunização das respectivas populações nacionais.

Está claro, também, que a desproteção vacinal da população brasileira – fato absolutamente inédito desde o histórico pré-SUS de enfrentamento de epidemias – é consequência direta dos desatinos, incompetências e insanidades sanitárias e diplomáticas do governo militar de Jair Bolsonaro.

Está fartamente documentado que o genocídio de Manaus não foi acidente ou tragédia, mas sim um crime derivado da escolha deliberada do general-ministro da morte que, mesmo conhecendo com suficiente antecedência o nível crítico do estoque de oxigênio medicinal, atuou macabramente e apenas contemplou o genocídio humano por asfixia.

Seria condescendência caracterizar esta postura criminosa “apenas” como evidência da incompetência e despreparo dos militares no exercício de funções tipicamente civis, porque há deliberada omissão e negligência diante de alertas prévios e pedidos de socorro.

É crescente, na percepção do senso comum, o nexo de responsabilidade do governo militar com o descalabro e com a hecatombe no país. Com um general-ministro do serviço ativo do Exército à frente do ministério da saúde, é incontornável a associação das Forças Armadas com os crimes contra humanidade em curso no Brasil.

A estas alturas ficou impossível, até mesmo para atrozes antipetistas, não admitirem que Bolsonaro já não representa uma ameaça somente aos inimigos de classe da oligarquia, mas que ele é uma ameaça universal a toda vida humana, inclusive à própria oligarquia dominante.

Esta é a conjuntura mais desfavorável para Bolsonaro e seu governo militar. Além da brutal perda de legitimidade, aumenta seu isolamento na sociedade.

Bolsonaro e os militares reagem a isso com ameaças de escalada ditatorial, como ficou evidenciado na absurda declaração dele sobre o poder das Forças Armadas decidirem se o país terá democracia ou ditadura, e na carta-intimidação do Comandante do Exército a um veículo da Globo, que silenciou a respeito.

Menos de 24 horas depois destes dois episódios ocorridos na 2ª feira, 18/1, o Procurador-geral da República [PGR] Augusto Aras somou vozes à truculência oficial contra a Constituição e o Estado de Direito.

Farejando o “agravamento da crise sanitária nos próximos dias” e o consequente aprofundamento das dificuldades para o governo com a ameaça de impeachment, Aras ameaçou em nota oficial [19/1] que “o estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa”.

Não bastasse esta espantosa postura conspirativa e de intimidação com o estado de defesa, Aras pode ter cometido crime de responsabilidade ao se esquivar da obrigação legal e constitucional de investigar crimes cometidos por Bolsonaro e seus ministros.

O conflito político subiu de patamar e escalou muitos degraus nos últimos dias. O horizonte imediato é de aceleração da crise de legitimidade do Bolsonaro e dos militares. Cresce, por isso, a adesão à palavra-de-ordem “Fora Bolsonaro” e à campanha pelo impeachment do genocida.

Setores da oligarquia que derrubou Dilma, corrompeu o Estado de Direito e fraudou o sistema de justiça para eleger Bolsonaro, hoje começam a se insurgir contra a serpente que criou.

A luta pelo impeachment ganha força, amplitude e vigor. Para sobreviver ao impeachment, Bolsonaro, seus militares e seus capangas nas instituições abrem guerra contra a democracia e o Estado de Direito.

A luta pelo impeachment assume uma relevância ainda maior, e se combina com a luta contra o genocídio, pela vacina já e pela democracia.

A bandeira do impeachment precisa mobilizar dezenas de milhões de brasileiros, porque só a mobilização popular é capaz de impedir o aprofundamento do golpe e a evolução para uma ditadura no Brasil.

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Brasil 247

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Moraes pede à FGV estudo que aponta bolsonaristas como divulgadores de fake news nas eleições de 2020


O ministro do STF Alexandre de Moraes solicitou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) um estudo com o objetivo de apontar os principais divulgadores de fake news sobre a eleição de 2020 em que o bolsonarismo saiu derrotado

19 de janeiro de 2021

Ministro Alexandre de Moraes (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

247 - No âmbito do inquérito das fake news, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes solicitou à Fundação Getúlio Vargas (FGV) um estudo feito sobre os principais divulgadores de informações falsas acerca da fraude eleitoral em 2020. O pedido feito pelo ministro foi publicado pela coluna Painel, que já havia dado a informação de que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi um dos principais impulsionadores nas redes sociais alegando fraude eleitoral em 2020. 

Outros parlamentares também estão entre os que mais impulsionaram informação falsa - Carla Zambelli (SP), Bia Kicis (DF), Filipe Barros (PR) e Daniel Silveira (RJ), de acordo com levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas. 

A lista tem, ainda, nomes como os blogueiros e influenciadores bolsonaristas Allan dos Santos, Leandro Ruschel e Bernardo Küster.

Gabinete do ódio



Sob orientação dos assessores que compõem o grupo, ele criou um canal de divulgação de informações no Telegram. Pediu a seus assessores que se "antecipassem" a um possível movimento interno para banir suas contas em plataformas como Twitter, Facebook e Instagram.

Auxiliares de Bolsonaro também apresentaram a sugestão de estimular seus apoiadores a usarem a Parler, rede social com viés ideológico de direita.


Brasil 247