domingo, 21 de agosto de 2022

Pauta econômica interessa muito mais ao povo do que a questão democrática, diz Breno Altman


Segundo o jornalista, o debate sobre as condições financeiras do povo é onde Bolsonaro mais se desgasta. “O Bolsonaro busca fugir dessa discussão como o diabo da cruz”

19 de agosto de 2022

Breno Altman (Foto: Reuters | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)


247 - O jornalista Breno Altman, em participação na TV 247, afirmou que a pauta econômica é mais importante na campanha eleitoral do que os debates sobre a necessidade de defender a democracia diante do risco que Jair Bolsonaro (PL) representa a ela.

Para Altman, a defesa da democracia não tem grande apelo entre a “massa” do povo brasileiro”, principalmente porque o país ainda vive em um regime democrático, segundo ele. “A pauta da questão democrática é uma pauta que interessa a uma parcela pequena da sociedade brasileira. A questão democrática ganha muito impacto quando você já ultrapassou a fronteira entre a democracia e a ditadura. A questão democrática é sensível às massas do povo quando está estabelecido um regime totalitário ou ditatorial que interfere na vida das pessoas, que provoca uma mudança na vida das pessoas do ponto de vista da política, da organização institucional do país. Bolsonaro representa uma ameaça potencial à alteração dessa ordem democrática. Nós não estamos em outro regime político, nós continuamos a viver em um regime de democracia liberal. Então para a massa do povo não há grandes diferenças do ponto de vista da política entre o que é o governo Bolsonaro e o que era o governo Temer ou quaisquer dos governos pós-redemocratização”.

“A imensa maioria das pessoas se interessa pelas suas condições materiais e espirituais de vida, se interessa pela fome e pelo combate à fome, pelo desemprego e pelo combate ao desemprego, pela melhoria da sua renda, pela melhoria da educação, da saúde, pelos grandes temas que formam o cotidiano dos cidadãos e cidadãs do país”, completou.

Para o jornalista, é preciso que esta distinção fique muito clara para que a campanha do ex-presidente Lula (PT) possa seguir pelo melhor caminho de debate até 2 de outubro, data do primeiro turno do pleito presidencial. “Isso é importante se ter claro porque uma das questões fundamentais em uma campanha eleitoral é você escolher o terreno no qual você deseja travar a disputa. Este terreno, o terreno da disputa sobre o regime político, sobre a democracia, não é favorável à esquerda. A maioria do povo não é favorável a uma ditadura ou ruptura da ordem democrática, mas as pessoas tampouco acham que o regime democrático liberal funcione”.

Ao contrário do que se possa imaginar, a discussão sobre democracia é, na verdade, favorável a Bolsonaro, porque deixa o desastre econômico de seu governo em segundo plano, explicou Altman. “Esse tema é bom para o Bolsonaro, porque a discussão das condições materiais de vida do povo é a discussão na qual o Bolsonaro mais se desgasta, porque ele piorou muito o país. Piorou o país na pandemia, no número de pessoas que passam fome, piorou o país em relação ao padrão de emprego, embora tenha havido uma recuperação nos últimos meses, mas uma recuperação com salários extremamente arrochados. Então esses temas de como vive o povo brasileiro, do desmonte do pouco que o povo havia conquistado nas últimas décadas, são os temas que desgastam o Bolsonaro. O Bolsonaro busca fugir dessa discussão como o diabo da cruz”.


Brasil 247

sábado, 20 de agosto de 2022

Jeferson Miola sobre plano de golpe de empresários bolsonaristas: “tratamento deve ser o mesmo dispensado ao PCC”


“Esses bandidos endinheirados planejavam nada menos que um atentado ao estado de direito, contra a democracia”, afirma Jeferson Miola

19 de agosto de 2022

(Foto: Reprodução/Metrópoles)


247 - Em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, o articulista Jeferson Miola considera que as revelações de que empresários apoiadores de Jair Bolsonaro passaram a defender abertamente um golpe de Estado caso o ex-presidente Lula seja eleito deve ser enquadrado no crime de organização criminosos e o tratamento deve ser o mesmo dispensado pelas forças de seguranças ao chamado PCC.

Segundo o blog do jornalista Guilherme Amado, do Metrópoles, o não reconhecimento da derrota nas urnas, como apontam todas as pesquisas de intenções de voto para presidente, vem sendo a tônica do grupo de WhatsApp Empresários & Política, criado no ano passado.

“Estamos diante de uma situação que exigiria um tratamento equivalente ao tratamento que foi dispensado em relação ao PCC, que estava planejando a fuga em massa de seus principais líderes dos presídios federais. Por que acho que tem que ter uma equivalência? Estamos diante de um planejamento de um atentado. O bando do PCC planejava um crime em relação à fuga de seus líderes. E esses bandidos endinheirados planejavam nada menos que um atentado ao Estado de Direito, contra a democracia”, disse.

Sobre a presença de Jair Bolsonaro na posse de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Miola acredita que Bolsonaro não ficou completamente desmoralizado.

“Acho que o gesto de Bolsonaro de ir a sessão demonstra, em certo sentido, uma disposição em enfrentar. A presença do filho dele naquele ato, que sequer era convidado, Carlos Bolsonaro - que é inclusive um dos alvos daquela ação das fake news - representa um acinte. É uma provocação muito clara. E a postura que eles adotaram e o contexto geral: nós vimos uma alegria democrática cheia de alegorias, sorridentes, Lula sendo muito procurado e todos aplaudindo. Aquelas fotografias servem para nós, democratas, desde uma perspectiva democrática. Mas tenho a impressão que Bolsonaro e o bolsonarismo colecionaram peças de marketing político muito importantes. Talvez o principal significado que eles conseguiram produzir de que eles estavam ali contra todo o sistema unido. Todo o sistema ‘corrupto’ que é contra as urnas auditáveis. Essas são
as fotografias que começam a circular em âmbitos que nós não vemos”, avalia.


Brasil 247

Breno Altman: governo argentino sofre desgaste porque resiste a romper com neoliberalismo


Aprisionado pelo FMI e em queda de braço com agroexportadores, presidente Alberto Fernández descumpre promessa de superar política econômica da direita

19 de agosto de 2022

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | REUTERS/Mariana Nedelcu)


Por Pedro Alexandre Sanches, do Opera Mundi - A atual crise econômica na Argentina tem origem na recusa do governo progressista de Alberto Fernández em cumprir a promessa de campanha de romper com o modelo neoliberal radicalizado por seu antecessor, o direitista Mauricio Macri, na opinião do jornalista Breno Altman e ao contrário do que tem afirmado o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.O fundador de Opera Mundi, no programa 20 MINUTOS ANÁLISE desta terça-feira (16/08), classificou como "fake news" os argumentos usados por Bolsonaro e mesmo por setores neoliberais antibolsonaristas no ataque aos resultados econômicos obtidos pela esquerda no país vizinho.

“O governo Fernández, longe de representar o fracasso de uma estratégia de ruptura com o neoliberalismo, é a prova cabal do risco de desmoralização que paira sobre governos progressistas incapazes de promover essa ruptura”, avalia o jornalista.

Em sua interpretação, a chave para compreender a crise argentina está no aprisionamento de Fernández ao pagamento da dívida externa ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em dólar. Ao lado disso, há uma queda de braço do governo com setores exportadores, levando a brutal desvalorização da cotação paralela do dólar, com grande incidência sobre os preços correntes no país.

“Para honrar o compromisso com o FMI, o governo precisa adquirir dólares junto aos exportadores, os grandes grupos do agrobusiness e da mineração que querem se aproveitar da fragilidade do governo para obter mais pesos por seus dólares. Para lograr esse objetivo, ficam sem fechar contratos de câmbio, aguardando ou exigindo desvalorização do peso oficial”, explica Altman.

"A lucratividade dos grupos capitalistas e exportadores impulsiona a inflação e deteriora a renda das famílias, cujo poder de compra despenca. O próximo capítulo provavelmente será a recessão.”

A Argentina possui atualmente a maior taxa de inflação desde 1992, de 71% ao ano (e 7,4% em julho). "Com a acelerada desvalorização do peso frente ao dólar e a queda de renda das famílias, mesmo com uma taxa de desemprego relativamente baixa, de 7%, o número de argentinos vivendo na pobreza alcança quase 40% da população, segundo dados oficiais”, descreve. O cenário piora apesar de a economia argentina continuar crescendo, com uma previsão de que o PIB suba entre 3,5% e 4% em 2022.

A inflação aumentou em 2022, depois de o PIB argentino ter crescido 10% no ano passado, com uma recuperação quase plena dos níveis de produção. “Engana-se ou tenta enganar os outros quem atribui a crise inflacionária atual apenas ou principalmente à forte expansão monetária e fiscal promovida pelo governo. A mesma política tinha sido aplicada pelos Kirchner no ciclo peronista anterior, mas sem o derretimento da moeda e a disparada dos preços”, argumenta Altman, referindo-se aos governos peronistas de Néstor e Cristina Kirschner no início dos anos 2000.

A subordinação de Fernández à lógica do grande capital gera tensões sociais e também dentro do próprio peronismo, pois seus setores mais à esquerda, inclusive a vice-presidente Cristina Kirchner, se colocam em desacordo com a política econômica adotada. As desavenças já levaram à queda de dois ministros nas últimas semanas, sem mudanças substanciais de rumo.

“Entra ministro, sai ministro e a política econômica de Fernández segue a mesma, balizada pelo acordo com o FMI”, diz Altman. “Crescem os protestos e as greves, aliados políticos do peronismo começam a se afastar e as classes trabalhadoras claramente vão se deslocando à oposição, ao mesmo tempo em que a direita mais radical se aproveita para defender seu programa de aprofundamento das reformas liberais.”

Ao manter o compromisso com o FMI, Fernández se vê obrigado a implementar tradicional pacote de austeridade, com cortes de despesas e investimentos públicos, aumento das tarifas de serviços e congelamento de salários do funcionalismo.

“O povo argentino está furioso com essa situação, porque se sente vítima de um estelionato eleitoral. O isolamento do governo pode levar a um retorno dos partidos de direita, de uma direita ainda mais radicalmente neoliberal”, adverte.

Segundo Altman, um caminho à esquerda poderia ser trafegado a partir da vontade política do presidente Alberto Fernández, com suspensão e repactuação do acordo com o FMI, medidas de maior controle estatal sobre os lucros exportadores, elevação da carga tributária com impostos maiores sobre o capital, políticas em defesa da renda das classes trabalhadoras e maiores investimentos do Estado na reconstrução econômica.

"Esse não tem sido o caminho do governo Fernández, que, na prática, com mudanças marginais, segue a mesma política econômica de seu antecessor, Mauricio Macri, e está colhendo os mesmos frutos políticos e sociais: o desgaste”, conclui.


Brasil 247

Zeca Dirceu, que em 2019 chamou Guedes de “tchuchuca”, diz que sua política econômica foi desastrosa


Segundo o deputado federal pelo PT do Paraná, Zeca Dirceu, “o que está ruim pode piorar muito mais”

19 de agosto de 2022

'Ele não aceitou a verdade', diz Zeca Dirceu sobre bate-boca com ministro (Foto: fotos: Câmara dos Deputados)


247 - O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) participou do programa Giro das Onze, da TV 247, e lembrou do embate que teve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2019, em que usou o termo “tchutchuca” para se referir ao seu a conduta do governo com os mercado financeiro.

“O senhor é tigrão quando é com os aposentados, mas é tchutchuca quando mexe com a turma mais privilegiada desse país”, disse Dirceu na época durante audiência pública da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara que discutiu a reforma da Previdência.

“A política econômica do Paulo Guedes foi desastrosa e precisamos mostrar com clareza que a inflação, a fome, o desemprego, o ‘pibinho’ com a ausência de crescimento da economia eram uma realidade antes da pandemia e tem muito a ver com o que Bolsonaro e Paulo Guedes fizeram em 2019, quando tivemos aquele entrevero em que ele teve que ouvir algumas verdades”, destacou o parlamentar que concorre è reeleição para vaga na Câmara.

Segundo Zeca Dirceu, “o que está ruim pode piorar muito mais”.

“Quando eles começam a falar em vender o Banco do Brasil, Petrobras, os Correios e Eletrobras é um sinal claro que eles querem abrir mão de qualquer tipo de condução de uma Nação e querem entregar isso aos interesses do capital financeiro, das grandes corporações, que é com quem eles são muitos suaves, com quem eles são “tchuchuca” enquanto sangra o bolso das pessoas com essa inflação maluca, salário congelado e com a destruição que eles fizeram”, repele.


Brasil 247

"A burguesia está com Bolsonaro porque ele é a face escarrada da exploração", diz Alysson Mascaro


Professor afirma que o apoio empresarial ao bolsonarismo faz parte da lógica predatória do capitalismo

18 de agosto de 2022

(Foto: ABr | Divulgação)


247 – O professor e filósofo Alysson Mascaro afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, que a censura promovida contra a TV 247, que teve vários vídeos removidos sobre o evento ocorrido em Juiz de Fora no dia 6 de setembro de 2018, pode ter papel relevante na disputa presidencial deste ano. "Os fatos sob censura na TV 247 foram decisivos em 2018 e serão decisivos em 2022. Se não fosse assim, não estariam sob censura", disse ele.

Na sua opinião, o capital internacional e local ainda apoia Jair Bolsonaro. "Imperialismo é sempre um instrumento do capital. E a contradição essencial está aqui dentro, na luta entre capital e trabalho. O movimento é burguesia do Brasil, associada à burguesia internacional, contra o povo", afirma. "Fomos roubados e parte da esquerda tem síndrome de Estocolmo. A burguesia está com Bolsonaro porque ele é a face escarrada da exploração", acrescenta.

Mascaro disse ainda que, há 50 anos, no Brasil e no mundo, as esquerdas são cordeiro. "As esquerdas hoje defendem as instituições que lhe dão golpe. E por isso estão amarradas, caso ocorra outro golpe. O Brasil ainda tem muita riqueza a ser saqueada e espoliada. Quanto mais se espolia, mais difícil será a reversão e o processo de espoliação do Brasil pode chegar a um ponto de não retorno", adverte.

Mascaro disse ainda que o ex-presidente Lula não conseguirá reverter as políticas neoliberais, mas podemos não cair do penhasco. "Talvez ele consiga colocar um band aid no neoliberalismo", aponta. " Em dez ou vinte anos, o mundo será fascista. Ou fazemos a revolução socialista ou o mundo será fascista", diz ainda o professor.



Brasil 247

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Xi e Putin participarão da cúpula do G20 em Bali, na Indonésia, em novembro


Indonésia não cedeu às pressões das potências ocidentais para cancelar presença de Putin no G20

19 de agosto de 2022

Os presidentes da Rússia e China, Vladimir Putin e Xi jinping (Foto: Reuters)


Reuters - Os líderes chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, participarão da cúpula do G20 na ilha balneária de Bali em novembro, disse um conselheiro do presidente indonésio nesta sexta-feira (19).

Andi Widjajanto, ex-secretário de gabinete e conselheiro não oficial do presidente Joko Widodo, popularmente conhecido como Jokowi, disse à Reuters que os dois líderes participarão da cúpula.

"Jokowi me disse que Xi e Putin planejam participar de Bali", disse Widjajanto, que dirige o Instituto Nacional de Resiliência, à Reuters.

Na quinta-feira, Jokowi disse à Bloomberg News que ambos os líderes lhe deram suas garantias. As autoridades presidenciais indonésias não responderam aos pedidos de confirmação. 

O Ministério das Relações Exteriores chinês não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters. Um porta-voz do Kremlin se recusou a comentar com a Bloomberg, mas outro funcionário familiarizado com a situação disse à agência de notícias que Putin planeja participar da reunião pessoalmente.

A viagem seria significativa, pois seria a primeira vez de Xi fora da China desde janeiro de 2020, quando visitou Mianmar.

A China mantém uma política de zero Ocovid que praticamente fechou suas fronteiras para viagens internacionais.

Desde então, Xi fez sua única viagem fora da China continental em 30 de junho, visitando Hong Kong para marcar o 25º aniversário da entrega do território do controle britânico.

Espera-se amplamente que Xi assegure um terceiro mandato de liderança durante o congresso do Partido Comunista, agendado para este outono (hemisfério norte), provavelmente antes de ir a Bali para a reunião do G20 em meados de novembro.

Autoridades chinesas também estão fazendo planos para uma reunião em novembro no Sudeste Asiático entre Xi e o presidente dos EUA, Joe Biden, que deve participar da cúpula do G20 em Bali, de acordo com um relatório do Wall Street Journal.

Como chefe do G20 este ano, a Indonésia enfrentou pressão de países ocidentais para retirar seu convite a Putin sobre a invasão de seu país na Ucrânia, que seu governo chama de "operação militar especial".

A Indonésia também convidou o líder ucraniano Volodymyr Zelenskiy para participar da cúpula de Bali.

Jokowi procurou se posicionar como mediador entre os países em guerra e, nos últimos meses, viajou para se encontrar com os presidentes ucraniano e russo para pedir o fim da guerra e buscar maneiras de aliviar a crise alimentar global.

Esta semana, Jokowi disse que ambos os países aceitaram a Indonésia como uma "ponte de paz".



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Boletim 247 - Datafolha: Lula mantém vitória no 1º turno



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