sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ex-ministro tucano: "pessimismo é exagerado"

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Luiz Carlos Mendonça Barros, ex-presidente do BNDES e diretor da Quest Investimentos, diz que PIB de 2013 não surpreendeu porque nunca comprou a teoria de que o "país caminha à beira do precipício", compartilhada por analistas que "substituíram o cérebro pelo fígado"; ele diz que a economia brasileira é forte, no entanto, acredita que a dinâmica atual é de PIB abaixo de 1,9%: "A reversão virá com o próximo presidente e um programa crível baseado no investimento privado"
28 de Fevereiro de 2014 às 06:37


247 – Alheio ao que chama de teoria de que o "país caminha à beira do precipício", o ex-ministro tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros criticou o pessimismo exagerado sobre o Brasil e os analistas que "substituíram o cérebro pelo fígado".


Em entrevista ao Valor, o ex-presidente do BNDES, diretor da Quest Investimentos e à frente da empresa de caminhões Foton Aumark, diz que a economia brasileira é mais forte. No entanto, acredita que a dinâmica atual é de PIB abaixo de 1,9%. “A reversão virá com o próximo presidente e um programa crível baseado no investimento privado”, afirma.


O ex-ministro diz ainda que a “terapia” do governo para a desaceleração da economia é correta. “É esfriar o consumo para melhorar a inflação e trazer o déficit em conta corrente para um número mais estável, perto de 2,5%, que pode ser coberto pelos investimentos diretos”, disse. Porém, afirma que isso deveria ter sido feito antes, em 2011.


Mendonça também valida a política de aumento de juros do Copom, mas diz que ele pode até parar agora porque o movimento já foi dado e já conseguiu reduzir o consumo.

Leia aqui a entrevista na íntegra.



Brasil 247

“Índios, gays, negros, tudo que não presta”: o Prêmio Déficit Civilizatório vai para uma estrela da bancada ruralista

Postado em 28 Feb 2014


“Déficit civilizatório”. Eis um grande achado do ministro Barroso. Ele se dirigia ao iracundo Joaquim Barbosa, que tomou de Barroso uma sova intelectual memorável. O presidente o presidente do STF, apoplético, reagia em sua caricatura de ditador.


Mas a definição é ampla e cabe muita gente dentro dela. Merece virar um prêmio. Como JB é hors concours, o “Prêmio Déficit Civilizatório” do DCM desta semana vai para o deputado federal Luiz Carlos Heinze, do PP gaúcho.


Heinze se daria bem em qualquer tropa fascista. Membro da Igreja Evangélica Luterana, coordenador da Bancada Ruralista, dono de 1 543 hectares de terra em São Borja, já organizou ou participou na linha de frente de “tratoraços”, “caminhonaços” e outros protestos muito loucos.


Mas por que ele merece o “Déficit Civilizatório” Awards?, você pergunta. Bem, por causa de dois vídeos que mostram o que ele pensa e que o tornaram uma subcelebridade da internet.
O primeiro foi gravado numa audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara em Vicente Dutra, no norte do Rio Grande do Sul. Juntamente com o colega Alceu Moreira, do PMDB, Heinze orienta os produtores rurais lutarem contra os invasores. Como? Pegando em armas.


“No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, afirmou. “Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu lá.”


Continuou: “Seu Gilberto Carvalho também é ministro da presidenta Dilma. É ali que estão quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, ali está. E eles têm o comando do governo”, afirma.


Isso foi em novembro. Ele chegou a esboçar uma retratação. Teria sido força de expressão. “Se quer ser bicha, se quer ser lésbica, eu não tenho problema nenhum”, falou para o Zero Hora.
Agora apareceu um novo vídeo de Heinze em que ele volta à carga com a mesma categoria. Num certo Leilão da Resistência, bate novamente em Carvalho e seus amigos.


“Tem no Palácio do Planalto um ministro da presidenta Dilma, chamado Gilberto Carvalho, que aninha em seu gabinete índios, negros, sem-terra, gays, lésbicas. A família não existe no gabinete desse senhor. Esse é o governo. Não esperem que essa gente vá resolver o nosso problema”.


Heinze é ele mesmo o problema que quer resolver. Por isso leva do DCM o prestigiado “Prêmio Déficit Civilizatório”.







Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.



Diário do Centro do Mundo

"Cai o castelo de cartas do ministro Barbosa"

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Em artigo exclusivo para o 247, o jornalista Breno Altman narra a derrota jurídica de Joaquim Barbosa, aponta seus inacreditáveis insultos que atingem até a presidente Dilma Rousseff – um deles configurando crime de Estado – e prevê o fracasso de sua aventura política; "O ministro Barbosa afunda-se em um pântano de mentiras e artimanhas antes de ter dado sequer o primeiro passo para atravessar a praça rumo ao Palácio do Planalto", diz ele; sobre seu destino, um vaticínio: "Ao final dessa jornada, o chefe atual da corte suprema sucumbirá ao ostracismo próprio dos anões da política e da justiça"; leia a íntegra
28 de Fevereiro de 2014 às 05:45
Por Breno Altman, especial para o 247


As palavras finais do presidente da corte suprema, depois da decisão que absolveu os réus da AP 470 do crime de quadrilha, soaram como a lástima venenosa de um homem derrotado, inerte diante do fracasso que começa a lhe bater à porta. A arrogância do ministro Barbosa, abatida provisoriamente pelo colegiado do STF, aninhou-se em ataque incomum à democracia e ao governo.


"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo", discursou o relator da AP 470. "Esta maioria de circunstância foi formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012."


Sua narrativa traz uma verdade, um insulto e uma fantasia.
Tem razão quando vê risco de desmoronamento do processo construído sob sua batuta. A absolvição pelo crime de quadrilha enfraquece fortemente a acusação. Se não há bando organizado, perde muito de sua credibilidade o roteiro forjado pela Procuradoria Geral da República e avalizado por Barbosa. 


A peça acusatória, afinal, apresentava cada passo como parte minuciosa de um plano concebido e executado de forma coletiva, além de permanente, com o intuito de preservação do poder político. Se cai a tese de quadrilha, mais cedo ou mais tarde, as demais etapas terão que ser revistas. Essa é a porção verdadeira de sua intervenção matreira.


A raiva de Barbosa justifica-se porque, no coração desta verdade, está a neutralização da principal carta de seu baralho. O ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas materiais ou testemunhais, como bem salientou o jurista Ives Gandra Martins, homem de posições conservadoras e antipetistas. A base de sua criminalização foi uma teoria denominada "domínio do fato": mesmo sem provas, Dirceu era culpado por presunção, oriunda de sua função de líder da eventual quadrilha. 

Absolvido do crime fundante, a existência de bando, como pode o histórico dirigente petista estar condenado pelo delito derivado? Se não há quadrilha, inexiste liderança de tal organização. A própria tese condenatória se dissolve no ar. O que sobra é um inocente cumprindo pena de maneira injusta e arbitrária.


Derrotado, Barbosa recorreu a um insulto: acusa o governo da República de ter ardilosamente montado uma "maioria de circunstância", como se a fonte de sua indicação fosse distinta dos demais. Aponta o dedo ao Planalto sem provas e sem respeito pela Constituição. Atropela a independência dos poderes porque seu ponto de vista se tornou minoritário. Ao contrário da presidente Dilma Rousseff, que manteve regulamentar distância das decisões tomadas pelo STF, mesmo quando eram desfavoráveis a seus companheiros, incorre em crime de Estado ao denunciar, através de uma falácia, suposta conspiração da chefe do Executivo.


A conclusão chorosa de seu discurso é uma fantasia. Não se pode chamar de "trabalho primoroso" uma fieira de trapaças. O presidente do STF mandou para um inquérito secreto, inscrito sob o número 2474, as provas e laudos que atestavam a legalidade das operações entre Banco do Brasil, Visanet e as agências de publicidade do sr. Marcos Valério. Omitiu ou desconsiderou centenas de testemunhas favoráveis à defesa. Desrespeitou seus colegas e tratou de jogar a mídia contra opiniões que lhe contradiziam. Após obter sentenças que atendiam aos objetivos que traçara, lançou-se a executá-las de forma ilegal e imoral.


O ministro Joaquim Barbosa imaginou-se, e nisso há mesmo um primor, como condutor ideal para uma das maiores fraudes jurídicas desde a ditadura. Adulado pela imprensa conservadora e parte das elites, sentiu-se à vontade no papel do pobre menino que é glorificado pela casa grande por suas façanhas e truques para criminalizar o partido da senzala.


O presidente do STF lembra o protagonista da série House of Cards, que anda conquistando corações e mentes. Para sua tristeza, ele está se desempenhando como um Frank Underwood às avessas. O personagem original comete incríveis delitos e manobras para chegar à Presidência dos Estados Unidos, derrubando um a um seus adversários. O ministro Barbosa, porém, afunda-se em um pântano de mentiras e artimanhas antes de ter dado sequer o primeiro passo para atravessar a praça rumo ao Palácio do Planalto.


Acuado e sentindo o constrangimento de sua nudez político-jurídica, o ministro atira-se a vinganças, recorrendo aos asseclas que irregularmente nomeou, na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, como feitores das sentenças dos petistas. Delúbio Soares teve o regime semiaberto suspenso na noite de ontem. José Dirceu tem contra si uma investigação fajuta sobre uso de aparelho celular, cujo único propósito é impedir o sistema penal que lhe é devido. O governo de Brasília está sendo falsamente acusado, com a cumplicidade das Organizações Globo, de conceder regalias aos réus.


O ódio cego de Barbosa contra o PT e seus dirigentes presos, que nenhuma força republicana ainda se apresentou para frear, também demonstra a fragilidade da situação pela qual atravessam o presidente do STF e seus aliados. Fosse sólido o julgamento que comandou, nenhuma dessas artimanhas inquisitoriais seria necessária.


O fato é que seu castelo de cartas começou a ruir. Ao final dessa jornada, o chefe atual da corte suprema sucumbirá ao ostracismo próprio dos anões da política e da justiça. Homem culto, Barbosa tem motivos de sobra para uivar contra seus pares. Provavelmente sabe o lugar que a história reserva para quem, com o sentimento dos tiranos, veste a toga dos magistrados.


Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.



Brasil 247

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crescimento de 2,3% do PIB em 2013 sinaliza que 2014 será um ano melhor, diz Mantega



A economia brasileira alcançou em 2013 crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas no país. O Brasil manteve todos os fundamentos econômicos e, desta forma, estão dadas as condições para que essa trajetória de crescimento continue em 2014, inclusive com os investimentos das concessões feitas no ano passado, afirmou nesta quinta-feira (27) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
“Haverá, nos próximos anos, um crescimento do investimento no Brasil”, disse. O ministro lembrou que o mercado interno teve um importante papel no crescimento do PIB em 2013, com alta de 3,1%. “Mas houve um vazamento de 0,9% para o exterior, apropriado pelas exportações, refletindo um ano ainda difícil para a economia internacional”, afirmou.
Essas dificuldades se refletiram no baixo crescimento das economias mundiais, abaixo de 3% na média anual, com a China crescendo 7,7% e a Índia 5% e os outros muito menos. “Foi um ano internacional fraco e o comércio cresceu pouco. O país não conseguiu aumentar as exportações”, explicou Mantega.
“Isso significa que, se não houvesse a crise internacional, o Brasil teria crescido ainda mais, aproveitando o mercado interno e o externo, com o aumento das exportações. Apesar destes grandes desafios, geramos mais de um milhão de empregos em 2013 e atingimos uma taxa de desemprego de 4,3%, o menor da série histórica”, destacou.
Guido Mantega também destacou o avanço dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que atingiram US$ 74 bilhões, que ajudaram o crescimento da economia brasileira.



Blog do Planalto

Comissão Nacional da Verdade aponta autores da morte de Rubens Paiva

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Edição: Fábio Massalli
 
comissão verdade
A Comissão Nacional da Verdade vai propor criação de CPI para investigar para onde foi levado o corpo de Rubens PaivaMarcelo Camargo/Agência Brasil

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, declarou hoje (27) que o general José Antônio Nogueira Belham e o tenente  Antônio Hughes de Carvalho são os autores da morte e da ocultação do cadáver de Rubens Paiva. “Sem dúvida alguma o oficial Hughes, porque se envolveu diretamente nos atos de tortura e, pelo fato de ser comandante da unidade, estando presente no local, participando das circunstâncias da morte de Rubens Paiva, o general Belham, à época major e comandante do DOI [Destacamento de Operações e Informações]”, disse Dallari ao participar da apresentação do relatório preliminar de pesquisa do caso Rubens Paiva feito pela CNV.

Durante o período de novembro de 1970 a maio de 1971, o general Belhan era comandante do DOI do 1º Exército, na zona norte do Rio, para onde foi transferido Rubens Paiva depois de ter passado pelo Quartel da 3ª Zona Aérea, localizado próximo ao Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. Ele foi para a unidade da Aeronáutica após ser preso, em casa, no Leblon, zona sul do Rio, por seis agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa).

De acordo com o coordenador, em depoimento à comissão no dia 13 de junho de 2013, o general Belham, que na época da morte de Rubens Paiva era major, negou ter conhecimento de torturas a Rubens Paiva e ainda acrescentou que, nos dias 20 e 21 de janeiro de 1971, estava de férias e, portanto, ausente do local. O general, que hoje tem 80 anos e mora em Brasília, não quer prestar outro depoimento e nem dar novos esclarecimentos à Comissão Nacional da Verdade.

Dallari disse que documentos conseguidos pela comissão indicam que o general Belham fez um deslocamento sigiloso e ainda recebeu diárias do Exército. Para o coordenador da CNV, isso comprova que ele interrompeu as férias. O depoimento de um militar, identificado apenas como Agente Y, informa sobre um encontro entre este militar, que estava  acompanhado do chefe da 2ª Seção do Batalhão de Polícia do Exército, capitão Ronald Leão, e o general na sala de trabalho de Belhan no dia 21 de janeiro de 1971.

No encontro, segundo o agente, ele contou que tinha acabado de ver o ex-deputado e as condições de saúde do parlamentar não eram boas. O Agente Y disse ainda que Rubens Paiva não resistiria mais às torturas. “Falamos, pessoalmente, com o então major Belham, o que fora visto, alertando-o para possíveis consequências”, disse em depoimento.

O Agente Y prestou depoimento nos dias 24 de abril de 2013,  27 de janeiro de 2014 e em 24 de fevereiro de 2014. Nos três, segundo o secretário executivo da comissão, André Saboia, ele deu detalhes de como funcionava a estrutura de torturas e apontou o tenente Antônio Hughes de Carvalho, morto em 2005, como torturador. No depoimento prestado na segunda-feira (24) identificou a foto de Hughes como o agente que viu praticando torturas em Rubens Paiva de forma extremante violenta.

A CNV teve acesso também a um depoimento de Amilcar Lobo, que na época era tenente-médico, no qual ele informa que atendeu o ex-parlamentar na madrugada do dia 21 e constatou que o preso estava com hemorragia abdominal, por ruptura hepática, e, por isso, deveria ser hospitalizado, o que não ocorreu.

A Comissão Nacional da Verdade pretende também pedir a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara Federal para investigar o local para onde foi levado o corpo de Rubens Paiva. Dallari explicou que esta é a maneira de conseguir que o general Belham dê a informação. Para os integrantes da CNV, é a única dúvida que resta sobre o caso da morte e desaparecimento de Rubens Paiva.

A comissão pretende encaminhar o pedido ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, até o fim de março. “Uma CPI de curtíssima duração que tivesse por finalidade justamente apurar a ocultação do cadáver de Rubens Paiva e o testemunho-chave é o testemunho do general Belham, que, perante uma comissão parlamentar de inquérito, se sentirá sensibilizado a elucidar este último elemento que falta para a solução deste mistério”, esclareceu Dallari.

Eleito deputado federal pelo PTB, Rubens Paiva foi cassado logo após o golpe militar de 1964. Depois de ser exilado, voltou ao Brasil. Em 1971 foi preso e levado para o Cisa e depois transferido para o DOI, onde morreu no dia 21 de janeiro.



Agência Brasil

Kennedy: "Barbosa desrespeitou Dilma"

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Jornalista Kennedy Alencar comenta a forma agressiva com que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, reagiu à derrubada da condenação de formação de quadrilha para parte dos condenados na Ação Penal 470; "Barbosa usou palavras que demandariam de Dilma e de colegas do Supremo alguma manifestação. Eles não ficaram bem na foto. Pelo contrário, foram acusados, para usar um termo educado, de comportamento pouco republicano", afirma o jornalista 
27 de Fevereiro de 2014 às 18:57


247 - O jornalista Kennedy Alencar comenta a forma agressiva com que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, reagiu à derrubada da condenação de formação de quadrilha para parte dos condenados na Ação Penal 470. 


"Barbosa disse que a absolvição por formação de quadrilha de réus do mensalão decorreu de "uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo o trabalho primoroso levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012″. 

Afirmou que se tratava de "uma tarde triste" para o Supremo e que colegas usaram argumentos "pífios". A frase mais dura foi a seguinte: "Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. 

Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora". São palavras que demandariam de Dilma e de colegas do Supremo alguma manifestação. Eles não ficaram bem na foto. Pelo contrário, foram acusados, para usar um termo educado, de comportamento pouco republicano", afirma o jornalista em seu blog.


 Abaixo o texto na íntegra:
Barbosa desrespeita Dilma e colegas
Desabafo deveria esfriar e não esquentar rumor sobre candidatura


Joaquim Barbosa é uma pessoa séria, empenhada de fato no combate à corrupção. No entanto, isso não lhe dá o direito de fazer o que fez hoje. Desrespeitou colegas do Supremo Tribunal Federal e a presidente da República, Dilma Rousseff _autoridade que recebeu nas urnas o direito constitucional de indicar, condicionados à aprovação do Senado, ministros para a mais alta corte de Justiça do Brasil.


Numa democracia, o direito de livre expressão é assegurado a todos. Mas um presidente de Poder precisa medir com mais cuidado o efeito das suas palavras.
Barbosa disse que a absolvição por formação de quadrilha de réus do mensalão decorreu de "uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo o trabalho primoroso levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012″.
Afirmou que se tratava de "uma tarde triste" para o Supremo e que colegas usaram argumentos "pífios".


A frase mais dura foi a seguinte: "Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora".


São palavras que demandariam de Dilma e de colegas do Supremo alguma manifestação. Eles não ficaram bem na foto. Pelo contrário, foram acusados, para usar um termo educado, de comportamento pouco republicano.


É natural que, com a mudança de composição, colegiados tenham entendimentos diferentes a respeito de decisões do passado. O Supremo de hoje não é melhor nem pior do que o de ontem. Suas decisões devem ser respeitadas.


Ou só podem valer as decisões com as quais Barbosa concorda? O Supremo do bem é o que condenou? O tribunal de hoje é do mal? Barbosa tem conhecimento de alguma articulação da presidente para beneficiar os réus do mensalão? Sabe de alguma troca de favor de colegas para chegar ao STF?


A levar em conta as suas próprias palavras, parece que sim é a resposta a todas essas indagações.
Hoje, o presidente do Supremo avançou o sinal mais do que em outras ocasiões, quando trocou ataques com colegas do STF.


A decisão favorável aos réus petistas esquentou a especulação de que Barbosa poderia deixar o tribunal e abraçar uma candidatura nas eleições deste ano.
Mas o desabafo deveria servir para esfriar esse tipo de rumor. É de arrepiar imaginar Barbosa reagindo a uma decisão do Congresso que o contrarie, caso se eleja um dia presidente da República.
Barbosa tem razão num ponto. Foi realmente uma tarde triste para o Supremo.



Brasil 247

Gleisi enquadra JB: "sua indicação é suspeita?"

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Ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT) criticou nesta quinta-feira (27) o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, por ele ter levantado suspeição sobre as indicações dos ministros, feitas pela presidente Dilma Rousseff, que votaram contra o crime de formação de quadrilha aos condenados na Ação Penal 470; a presidente indicou os ministros Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki; "Lamento que o presidente de um Poder sugira trama conspiratória do Poder Executivo e Legislativo para indicações do STF", afirmou a senadora, contra o alerta desrespeitoso de Barbosa; "Por não estar de acordo com uma decisão da Suprema Corte, coloca em suspeição todo o processo de nomeação e designação dos membros do STF. Como se ele próprio não fosse resultado desse processo. Isso não faz bem à democracia brasileira", disse Gleisi
27 de Fevereiro de 2014 às 19:16


247 - A ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), criticou nesta quinta-feira (27) o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, pelas declarações que ele fez em que levantou suspeição sobre a indicação dos ministros que votaram contra o crime de formação de quadrilha aos condenados na Ação Penal 470.


"Ele abre mão da argumentação jurídica e técnica para insinuar que o processo de escolha careça de seriedade e responsabilidade. Estaria sua indicação também sujeita à suspeição?", questionou a senadora em discurso.  "Lamento que o presidente de um Poder sugira trama conspiratória do Poder Executivo e Legislativo para indicações do STF. É um dia triste sim, para a democracia brasileira, as declarações do excelentíssimo presidente do STF", disse Gleisi, acrescentando serem "lamentáveis" "tais ilações".


Embora não tenha dito diretamente, Barbosa deu a entender que à indicação pela presidente Dilma Rousseff de Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki em substituição a ministros que se aposentaram, teria se dado para beneficiar condenados na AP 470. 
Leia aqui as declarações de Barbosa.


Abaixo matéria da Agência Senado:
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) lamentou que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, tenha colocado em suspeita o processo de nomeação e designação de parte dos ministros da Corte. Segundo a senadora, Barbosa fez as observações por divergir do resultado do julgamento que absolveu do crime de formação de quadrilha oito condenados no processo do Mensalão.


- Por não estar de acordo com uma decisão da Suprema Corte, coloca em suspeição todo o processo de nomeação e designação dos membros do STF. Como se ele próprio não fosse resultado desse processo. Isso não faz bem à democracia brasileira. Esse é um processo que tem guarida na Constituição e na história da política brasileira.


Ao final do julgamento, nesta quinta-feira (27), Joaquim Barbosa criticou a decisão da maioria do STF de absolver os oito condenados e afirmou que a atual composição do Supremo “lançou por terra” o trabalho do ano passado.


"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Essa maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012", afirmou Barbosa, que já havia acusado o ministro Luís Roberto Barroso de fazer "discurso político" ao votar contra a condenação por formação de quadrilha.


A Constituição prevê em seu artigo 101 que os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República, depois de aprovados pela maioria absoluta do Senado.



Brasil 247