sábado, 9 de outubro de 2010

Cai mais um dogma dos neoliberais


Mais um dogma caro ao liberalismo econômico e aos neoliberais cai, o do câmbio livre a mercê do mercado e das forças espontâneas reguladoras da economia. Na prática todos querem regular o câmbio e todos tomam medidas para desvalorizar o seu câmbio, numa verdadeira guerra cambial, como tão bem definiu há meses nosso Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele expressou de forma vigorosa e aberta uma verdade que a doutrina ortodoxa, apoiada por interesses financeiros e comerciais dominantes no mundo, negava como se fosse possível negar um fato econômico e político e os governos manipulam e arbitram suas taxas de câmbio para além das forças do mercado. Os norte-americanos inundam sua economia com trilhões de dólares e reduzem sua taxa de juros à zero para equilibrar sua balança de pagamentos; os chineses com reservas de trilhões de dólares, ao contrário dos trilhões de déficit comercial e de dívida pública da Europa e dos Estados Unidos, mantêm corretamente sua moeda desvalorizada como convém a um país que é a indústria do mundo.

É tão obvio que a questão do câmbio depende de razões econômicas e comerciais, dos interesses das nações e governos. Quando interessou o câmbio fixo virou um dogma que nos custou, a nós e aos argentinos, 10 anos de estagnação, uma dívida pública que pagamos até hoje, razão de ser de nossas taxas altas de juros, ou pelo menos pretexto para elas, além de nos levar a falência duas vezes. Assim, em boa hora, nosso governo mudou de posição, espero, e não mais aceitará o dogma do câmbio flutuante segundo as forças do mercado.

Como nem o FMI e muito menos o Banco Mundial tem força e poder para conter a guerra cambial, ou há um acordo de governos, ou temos que nos defender e nos preparar para o pior. Tomando as medidas necessárias, para além do aumento do IOF, de controle dos capitais e redução da nossa taxa de juros. E sem ilusões já que está mais do que evidente que as taxas de câmbio são decisivas para o crescimento econômico, o nível da taxa de inflação e das exportações, variáveis que neste momento tencionam nossa economia, que não pode e não deve aceitar o apelo e muito menos a pressão dos Estados Unidos e da Europa para que apreciemos nossa moeda segundo seus interesses e exclusivamente para impulsionar suas economias endividadas e estagnadas.

Blog do Zé Dirceu

Nenhum comentário:

Postar um comentário