quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Querem privatizar o pré-sal, mas têm vergonha

"Pessoas da campanha do Serra dizem que vão privatizar o pré-sal." Com esta frase o presidente nacional do PT, ex-senador José Eduardo Dutra põe um fim na empulhação tucana, com alguns de seus mais emplumados integrantes - inclusive o candidato a presidente da República, José Serra (PSDB-DEM-PPS) - antecipando que privatizariam o pré-sal caso vencessem a eleição, mas negando que pretendam isto.

A candidata Dilma Rousseff (governo-PT-partidos aliados), no debate na BAND declinou taxativamente dois dos nomes mais empenhados na defesa da privatização do pré-sal, David Zylbersztajn, ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo FHC-Serra, ambos estreitamente vinculados ao candidato tucano. Zylbersztajn, porém, é um defensor de privatarias envergonhado. Defende, mas usa subterfúgios (fala da volta do modelo de concessão no pré-sal), não assume e nega que o que prega seja a privatização.


"A privatização não voltou ao discurso do PT. Ela voltou ao debate a partir de afirmações de pessoas da campanha do Serra que dizem que vão privatizar o pré-sal. Por mais que eles façam exercícios retóricos, voltar ao modelo de concessão para o pré-sal significa na prática você vender um bilhete premiado", explicou José Eduardo Dutra.

Quem quer privatizar tem que assumir


Eu, também, acho isto mesmo: o Dutra e a Dilma têm razão, se José Serra quer mais privatizações e é a favor especificamente da entrega do pré-sal ao capital privado e estrangeiro ele tem que explicitar esta posição, assumir, e não ficar pregando a tese através de prepostos.

"A bancada do PSDB no Congresso - reforçou o Dutra em sua cobrança - votou contra o modelo de partilha para o pré-sal. O senhor David Zylbersztein (assessor na campanha de José Serra para a área de petróleo) disse que defende a volta do modelo de concessão para o pré-sal. Ora, o modelo de concessão significa que, depois que o petróleo é descoberto, ele passa a ser propriedade de quem o descobriu. Ou seja, privatização."

Dutra falou, também, desta nova etapa da campanha eleitoral. "Não há mudança na (nossa) tática. O que nós decidimos é que não vamos aceitar calados os ataques de uma campanha que tem se utilizado de argumentos medievais para atacar. Eles têm uma campanha na TV, onde fazem o debate político, e ao mesmo tempo, no submundo, no subterrâneo, têm uma campanha com argumentos absolutamente medievais."

"Cada debate é um debate. Nós avaliamos que naquele momento era importante colocar de forma muito assertiva essa questão, e vamos combinar a reação a calúnias e ataques com propostas, porque afinal de contas é isso que o povo espera", acentuou o dirigente petista falando sobre o debate na BAND e confirmando a presença de Dilma em dois outros, o da Rede TV no próximo domingo (17) e o da Rede Globo no dia 28 de outubro.


Blog do Zé Dirceu

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