terça-feira, 17 de outubro de 2017

Boulos: botar o bloco na rua para evitar o retrocesso


O povo precisa fazer parte e se sentir parte da mudança





Conversa Afiada

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Maduro vence em 17 de 23 estados. E é ditadura?



POR FERNANDO BRITO · 16/10/2017





Com 96% das urnas apuradas, os candidatos do governo de Nicolás Maduro venceu em 17 dos 23 estados venezuelanos e a oposisição, em cinco. Um estado, Bolívar, tem votação apertada e nãio era possível, até a madrugada, antecipar o vencedor.

Dos votos totais, o Partido Socialista Unificado da Venezuela teve 54% dos votos e o comparecimento, para os padrões de noto não-obrigatório – foi de 61%. Nos EUA, paradigma da “democracia ocidental”, o comparecimento, nas duas últimas eleições presidenciais, foi de 47%.

Um dos mais importantes líderes do “chavismo”, Diosdado Cabello, vice-presidente do PSUV já anunciou que o partido pede que todas as urnas (são eletrônicas, mas com voto impresso também, ao contrário das brasileiras) sejam auditadas para ratificar a veracidade dos resultados.

A comunidade internacional rejeitou as eleições que tanto exige na Venezuela, A mídia local e mundial desenha Maduro e o chavismo como um pequeno aglomerado de fanáticos furiosos.

E ganharam as eleições, sobre as quais não houve nenhuma denuncia de fraude flagrante e cujos resultados são oferecidos à auditagem.

É nítido que a maioria dos venezuelanos perdeu a paciência contra o estado de agitação e conflito permanente que a oposição vem mantendo há anos.

Claro que vão continuar sabotando, mas o resultado das eleições, se a comunidade sul-americana não estivesse dominada pela diplomacia ideológica do Brasil e da Argentina, poderia ser um ponto de partida para a pacificação do país vizinhos.


Tijolaço

Para entender a demissão de Paulo Nogueira Batista Jr, por Luís Nassif

SEG, 16/10/2017 - 07:04



Peça 1 – a criação do Banco dos Brics

O Novo Brasil de Desenvolvimento (NBD), ou Banco dos BRICS, foi uma tentativa ousada de criar um banco de desenvolvimento de abrangência global, o primeiro após o Tratado de Breton Woods, que resultou na criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Surgiram outras bancos de desenvolvimento, mas sempre de alcance regional, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Asiático de Desenvolvimento, CAF (Cooperação Andina de Fomento).

A ideia inicial era o NBD chegar a 2022 com capital integralizado de US$ 10 bilhões, podendo chegar a US$ 13 bilhões, dependendo da entrada de novos sócios. É um capital apreciável, se comparado com o Banco Asiatico de Desenvolvimento (capital de US$ 7 bi), o BID (US$ 6 bi). O Banco Mundial tem US$ 16 bilhões de capital, mas há enorme resistência dos sócios majoritários, americanos e europeus, de aceitarem novos membros.
O pilar do NBD é a China, tanto o governo central em Beijing como o governo municipal de Xangai. Tem planos para o NBD e para o AIIB (Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura), envia seus melhores quadros para lá e tem respeitado cuidadosamente a governança do NBD.

Peça 2 – a governança

O NBD tem cinco países fundadores: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Há duas instâncias de representação dos países-membros. Uma, o Conselho de Governadores, instância máxima, integrada pelos Ministros das Finanças; e a Diretoria, em geral funcionários de escalão médio dos países-membros. No caso do Brasil, o diretor é o Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.

A outra instância é a diretoria.

O presidente é o indiano KV Kamatah. E há quatro vice-presidentes representando os demais países-sócios. Desde a fundação, o vice-presidente brasileiro do NBD era Paulo Nogueira Batista Júnior, economista de tendência desenvolvimentista, mas que nunca foi ligado a partidos políticos.

Peça 3 – o impeachment e a mudança de linha

Com a deposição de Dilma Rousseff, entrou uma equipe econômica, intelectualmente liderada por Ilan Goldjan, presidente do Banco Central e egresso do staff do FMI.

Os primeiros movimentos consistiram em tirar da linha de frente diplomatas experientes que representavam o Brasil no NBD.

Os interesses brasileiros no NBA passaram a ser negligenciados desde a saída do embaixador Luis Antônio Balduíno Carneiro, substituído por Marcello Estevam, economista oriundo dos quadros do FMI. Estevam passou os últimos 20 anos nos EUA, 17 dos quais no FMI. É casado com uma funcionária do FED (O Banco Central norte-americano), tem 4 filhos americanos. A família permanece morando nos EUA.

Quando foi chefe da missão do FMI para a Nicaraguá, Esteves comunicou ao governo local que recebera instruções do Tesouro norte-americano para obter informações sobre a cooperação entre a Nicarágua e a Venezuela. Criou um incidente diplomático. O presidente Daniel Ortega, o Ministro das Finanças e o Presidente do Banco Central da Nicaraguá se queixaram formalmente ao FMI.

Poucos dias antes da cúpula dos BRICS na China, causou desconforto no banco com entrevista ao "Valor" com críticas duras ao banco.

O cerco de ampliou a a partir de meados de 2017, quando o Embaixador Carlos Márcio Cozendey foi substituído do cargo de diretor pelo diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Tiago Couto Berriel, jovem economista com pouca experiência na área internacional.

Peça 4 – o ataque a Paulo Nogueira

Faltava o lance final, de substituir o vice-presidente brasileiro. Principalmente porque, pelo Acordo de Fortaleza, a partir de 2022 a presidência será do Brasil, e o país receberá o segundo escritório do NBD fora da China.

Havia um problema.

Os vice-presidente têm mandato e contrato. No caso de Paulo Nogueira, o mandato tem 6 anos e só terminaria em junho de 2021. Qualquer membro da administração do NBD só poder ser demitido se comprovado que infringiram seus contratos.

Duas acusações foram lançadas contra Nogueira Batista.

A primeira, acusação de assédio moral e retaliação contra Sergio Suchodolswki, funcionário cuja demissão havia sido solicitada pelo próprio Paulo Nogueira.

A segunda, a acusação de quebrar o código de conduta, ao publicar artigos supostamente de cunho partidário no Brasil, em sua coluna quinzenal no jornal O Globo.

Posteriormente, foi acusado de obstrução das investigações no caso do assédio moral.

O NBA tem um Departamento de Compliance. Coube a ela analisar as acusações. As investigações ficaram a cargo da firma Baker & McKenzie.

Conforme abordado várias vezes no GGN, através das análises de André Araújo, trata-se de um escritório estreitamente ligado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, utilizado em ações que envolvem empresas estrangeiras de valor estratégico, segundo a visão norte-americana. Coube ao escritório trabalhos de compliance na Petrobras, participação no acordo de leniência da Embraer e da JBS com o Departamento de Justiça.

As conclusões foram contra Paulo Nogueira. A peça condenatória foram dois artigos em O Globo, um dos quais condenando o impeachment e outro criticando a sentença do juiz Sérgio Moro contra Lula.

Quando Paulo Nogueira entrou, o NBD não possuía nenhum modelo de contratação e nenhum código de conduta.

Houve uma discussão minuciosa sobre o papel da administração do banco nos temas públicos, resultando na Seção 3 do Contrato de Emprego. No item "engajamento político", o contrato diz que

"Enquanto você pode ser membro de um partido político e contribuir com fundos para o partido ou para candidato individuais, você não poderá, a titulo pessoal, participar de reuniões de partidos políticos, assumir qualquer papel de ldierança dentro de um partido político ou se envolver em atividades político-partidárias".

De nada valeram os argumentos de que não se tratava de atividade partidária, que Paulo Nogueira há 15 anos era colunistas de O Globo e que a maioria dos seus artigos não tem sequer cunho político.

A sentença foi dada.

Se fosse um jogo normal, sem combinação de bastidores, caberia ao governo brasileiro e ao Itamarati protestar contra a medida arbitrária. Mas, ao que tudo indica, foi um jogo de cartas marcadas.

Ficou a dúvida sobre a razão de China, Rússia e Índia terem referendado a demissão.

2017-10-15 22:46:42 -0200


Jornal GGN

ELEIÇÕES NA VENEZUELA: GOVERNISTAS VENCEM OPOSIÇÃO EM 17 ESTADOS

Embora seja chamado de "ditador" pela imprensa nacional, que apoiou um golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, obteve uma importante vitória eleitoral neste fim de semana; candidatos que apoiam o chavismo venceram em 17 dos 22 estados da Venezuela nas eleições regionais deste domingo, de acordo com os dados preliminares divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral; "Estes resultados tem um caráter irreversível após a contagem de 95,8% dos votos", informou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena

16 DE OUTUBRO DE 2017 


247 – Embora seja chamado de "ditador" pela imprensa nacional, que apoiou um golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, obteve uma importante vitória eleitoral neste fim de semana.

Abaixo, reportagem da Sputnik Brasil:

Os candidatos governistas do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) venceram na maioria dos estados nas eleições regionais do país.

De acordo com os dados preliminares divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral, os candidatos governistas venceram em 17 dos 22 estados.

"Estes resultados tem um caráter irreversível após a contagem de 95,8% dos votos", informou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena.

Ela declarou também que a participação da população nas eleições regionais teve um número histórico, contando com uma "inesperada participação" de 61,14% de eleitores.

Logo após a divulgação dos primeiros resultados das eleições, a oposição da Mesa de Unidade Democrática (MUD) declarou que considerava as eleições fraudulentas.

A oposição havia manifestado anteriormente que esperava vencer em pelo menos 14 estados do país. A expectativa é de que a MUD inicie já nesta segunda-feira uma campanha para denunciar a suposta ilegalidade dos resultados apresentados pelo governo.



Brasil 247

MAIA JÁ DISCUTE CARGOS COM ALIADOS EM SEU GOVERNO E CENÁRIO PÓS-TEMER

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está cada vez mais ligado a nomes que fazem oposição a Michel Temer, inclusive dentro do próprio PMDB; em um jantar na companhia dos senadores Renan Calheiros e Kátia Abreu, os maiores críticos de Temer no PMDB, Maia falou abertamente da chance de Temer não sobreviver à segunda denúncia e já discutiu cargos num eventual governo comandado por ele; deputados pró-Maia também participaram do jantar que ocorreu semanas atrás; combinaram que numa gestão do demista, Moreira Franco seria mantido, mas fora do Planalto

16 DE OUTUBRO DE 2017 

247 - O pé atrás do Planalto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aumentou depois de relatos de que o demista participou de jantar na companhia dos senadores Renan Calheiros e Kátia Abreu, os maiores críticos de Temer no PMDB.

No cardápio, regado a vinho, falaram da chance de Temer não sobreviver à segunda denúncia e trataram de cargos num eventual governo Maia. O presidente da Câmara confirma ter participado do jantar na casa da senadora, mas nega que o assunto tenha sido o pós-Temer. “Recomposição [do governo] não tratamos”. Falaram sobre o que? “Jogo do Botafogo”.

Deputados pró-Maia também participaram do jantar que ocorreu semanas atrás. Combinaram que numa gestão do demista, Moreira Franco seria mantido, mas fora do Planalto.

As informações são da Coluna do Estadão.



Brasil 247

domingo, 15 de outubro de 2017

COMPRA DE DEPUTADOS VIRA NOTA DE RODAPÉ NA IMPRENSA QUE APOIOU O GOLPE



Os jornais que apoiaram o roubo da democracia brasileira por uma quadrilha agora escondem que a patranha foi comprada pelo ex-deputado Eduardo Cunha; nas edições deste domingo de O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, a revelação bombástica feita por Lúcio Funaro, sobre o pedido de R$ 1 milhão feito por Eduardo Cunha para comprar votos de deputados para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi escondida por seus editores; é uma maneira de escamotear dos leitores a opção editorial desastrosa que vincula os jornalões ao capítulo mais vergonhoso da história do Brasil

15 DE OUTUBRO DE 2017 


247 – Como todos sabem, o impeachment fraudulento da presidente Dilma Rousseff contou com o apoio e com a participação ativa dos três principais jornais brasileiros: Globo, Folha e Estadão.

Sabe-se agora, com a delação de Lúcio Funaro (leia aqui), que esse impeachment teve votos comprados pelo ex-deputado Eduardo Cunha, hoje condenado a 15 anos de prisão por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Sabe-se ainda que Funaro confirmou que o empresário Joesley Batista comprou seu silêncio, com o aval de Michel Temer, beneficiário direito do roubo da democracia brasileira por uma quadrilha (leia aqui).

Diante das revelações, o que fazem os jornalões? Escondem a notícia, como forma de escamotear dos leitores a opção editorial desastrosa que os vincula ao capítulo mais vergonhoso da história do Brasil.

Confira o momento em que Funaro revela a compra de deputados:


Brasil 247

PIMENTA: JANOT SABIA DA COMPRA DO GOLPE, SE OMITIU E DEVE EXPLICAÇÕES

sábado, 14 de outubro de 2017

LINDBERGH DIZ QUE MORO AGE FORA DA LEI AO QUESTIONAR PROVAS DE LULA

JUIZ DE LULA FALA À GLOBO E PROMETE SER JUSTO

DEBATE SOBRE RECIBOS DE LULA É INFAME E AJUDA BOLSONARO, DIZ RENAN



Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) divulgou vídeo em que protesta de forma veemente contra a estratégia da direita brasileira que manipula o Poder Judiciário para tentar retirar o ex-presidente Lula da disputa presidencial; “O que lamentavelmente caracteriza o Brasil neste momento é esta discussão infame, este debate nojento se é legal ou não o recibo do aluguel do apartamento vizinho ao apartamento que mora o ex-presidente Lula”, disse Renan; segundo ele, essa judicialização da política só ajuda a extrema direita representada por Jair Bolsonaro; veja o vídeo

14 DE OUTUBRO DE 2017 


Alagoas 247 – O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) publicou um vídeo em seu Facebook para fazer uma análise sobre as circunstâncias “em que vivemos no nosso país”.

Ele diz que é infame e nojento o noticiário sobre se é legal ou não o recibo de aluguel do apartamento vizinho ao apartamento que mora o ex-presidente Lula.

Para Renan, o que vem sendo feito contra o ex-presidente é uma preparação para retirá-lo da eleição presidencial, ao mesmo tempo em que é aberto “o caminho para a candidatura do Bolsonaro. O Brasil não merece isso.”

Veja o vídeo:



Brasil 247

Bob Fernandes - Enquanto caçam nus, Lula cresce




LT   -   You Tube

Bob Fernandes - Procurador expõe LavaJato





LT   -   You Tube

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

FUNARO DIZ QUE TEMER ATUOU EM FAVOR DE EMPRESAS PORTUÁRIAS

Economista que denuncia o Golpe é demitido do Banco dos BRICs!

Batista Jr também expôs a "decadência moral" do Judge Moro
publicado 13/10/2017



Da Fel-lha:

O Banco dos Brics comunicou nesta quinta-feira (12) a demissão do economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr. da vice-presidência da instituição.

Segundo porta-voz do NDB (New Development Bank), o desligamento foi decidido pelo conselho de administração do banco, formado pelos ministros das finanças dos cinco países membros (Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul).

"Um novo vice-presidente do Brasil será indicado em breve", informa o comunicado. A indicação caberá ao Ministério da Fazenda.

O afastamento ocorreu após a abertura de processo que questionava a violação do código de conduta de executivos do banco, que proíbe a manifestação de opinião sobre a política interna dos países membros.

Há cerca de dois meses, provocado pelo governo brasileiro, o banco abriu um processo disciplinar para investigar Batista Jr. O principal motivo foram artigos publicados pelo economista.

Ligado ao PT, Batista Jr. chegou à vice-presidência do NDB por indicação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele também foi representante do Brasil no FMI (Fundo Monetário Internacional) durante a gestão da petista.

Nos anos 1980, foi secretário especial do Ministério do Planejamento, na gestão de João Sayad, e assessor para assuntos de dívida externa do Ministério da Fazenda, sob Dilson Funaro (1986-87).

Em abril do ano passado, em artigo em "O Globo", Batista Jr. afirmara que o processo que levou ao impeachment de Dilma foi um golpe.

A gota d'agua, segundo apurou a Folha, foi um artigo publicado em julho em que atacou o juiz Sérgio Moro, sem nomeá-lo, por ter decidido pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre a sentença, o economista escreveu:

"É difícil encontrar um documento que sintetize de forma tão perfeita o nosso quadro de decadência moral, intelectual, profissional e política. O juiz bateu recordes de desfaçatez".

(...)


Conversa Afiada

REGINA DUARTE PERDEU O MEDO?



12 de Outubro de 2017

Por Jeferson Miola


Publicado no Facebook

Na campanha de 2002, a consagrada atriz da Rede Globo Regina Duarte protagonizou a histeria obscurantista que na eleição de 1989 havia sido protagonizada por Mário Amato, o então presidente da FIESP.

O objetivo com este método terrorista era impedir, a qualquer custo, a eleição do Lula à Presidência do Brasil.

Em vídeos da propaganda de TV do tucano José Serra, Regina Duarte fazia terror diante da “ameaça” iminente da vitória do Lula: “Eu estou com medo. Faz tempo que eu não tinha este sentimento. ... Isso [a eleição do Lula] dá medo na gente”, dizia ela.

Em 1989, Mario Amato ameaçou que 300 mil empresários abandonariam o Brasil caso Lula vencesse a eleição contra Collor de Mello.

O fim todo mundo conhece: a Globo garantiu a vitória do Collor com uma edição manipulada do Jornal Nacional no sábado, véspera da eleição, e assim não houve a massiva deserção dos patrióticos empresários paulistas que vivem do comércio de produtos importados [não da produção industrial] e de juros altos.

Ao longo dos anos, Regina Duarte não abandonou sua militância tucana e anti-petista. Ela se jogou de corpo e alma na campanha golpista peloimpeachment fraudulento da Presidente Dilma, e foi presença ativa naquelas manifestações da Avenida Paulista, em frente à FIESP, transmitidas ao vivo pela Rede Globo.

É incrível, mas agora; justamente neste período, com o Brasil à beira do precipício do fascismo e do surgimento de acontecimentos aterrorizadores abertos com o golpe de Estado e o regime de exceção, a atriz da Globo não sente medo.

É incrível, mas Regina Duarte não sente medo ao ver o reitor da UFSC Luis C. Cancellier de Olivo “ser suicidado” pela ação totalitária do MP, da PF e do Judiciário – instituições que passaram a atuar acima e à margem das Leis e da Constituição.

Ela também não sente medo quando um Delegado do governo Alckmin [PSDB] faz uma batida policial na casa do filho do Lula atendendo a uma “denúncia anônima” de tráfico de drogas, sem realizar investigações prévias, mas pelo simples fato de se tratar de uma denúncia anônima contra o filho do Lula.

Regina Duarte, uma artista, incrivelmente não expressou medo com a onda obscurantista do MBL que resultou no encerramento de uma exposição do Centro Cultural Santander, em Porto Alegre.

Regina Duarte não sente medo com o aumento dos assassinatos de índios, de camponeses e das populações originárias pelos invasores legalizados pelas medidas do governo Temer. Aliás, ela não sente medo da quadrilha que o PSDB instalou no Palácio do Planalto.

Regina Duarte tem um medo seletivo. Ela não tem medo, por exemplo, do arbítrio, do obscurantismo e do totalitarismo.

Ela tem medo da democracia; da presença do povo nas prioridades do orçamento público; da alegria dos negros e das negras que finalmente conseguiram ingressar nas Universidades.

Regina Duarte tem medo dos pobres que passaram a freqüentar a ponte aérea Rio-SP. Ela tem medo de uma Nação que discute seus interesses igualmente, ombro a ombro, tanto com os EUA como com a Bolívia.

O medo profundo da Regina Duarte, todavia, é o medo do retorno do ex-presidente Lula à Presidência do Brasil. O medo da Regina Duarte é o mesmo medo da oligarquia golpista, que teme a eleição de Lula em 2018.



Brasil 247

O incrível Huck e o desespero da direita



POR FERNANDO BRITO · 13/10/2017




Andreza Matais, na Coluna do Estadão, diz que o DEM passou João Doria para segundo plano e se voltou para Luciano Huck.

A última pesquisa Datafolha jogou água na animação do DEM com a candidatura do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ao Planalto. O partido se reuniu várias vezes com o tucano e abriu suas portas para ele, mas o discurso mudou. Se Doria continuar derretendo, mesmo que ingresse na sigla, demistas dizem que não vão entrar num “projeto kamicaze” de comprar briga com o PSDB, um aliado histórico, e com Geraldo Alckmin para lançar o prefeito ao Planalto.

Só não se pode jurar de pés juntos que é factóide, claro, porque a direita brasileira está á beira de um ataque de nervos com o fato de que, com as tentativas de destruição de Lula, a única coisa que brotou foi um apavorante Jair Bolsonaro.

Partem, portanto, até para um “show de calouros”, embora este “calouro” Huck seja mais que rodado ao lado de Marinhos, Aécios, Joesley, Eikes, Cabrais…

Se o Collordoria não funcionou, mesmo tendo São Paulo como vitrine, porque o CollorHuck funcionaria?

A direita brasileira não tem um projeto de país e, portanto, não tem um projeto de governo e, portanto, qualquer um lhe serve.

Desde que não deixe o poder ser ocupado por quem tem país, projeto para ele e serve ao povo.

Como projeto de marketing da selvageria, Bolsonaro continua dando de dez.



Tijolaço

As delações premiadas

SEX, 13/10/2017 - 14:59
ATUALIZADO EM 13/10/2017 - 15:15


Esta reportagem é a primeira da série financiada através de um crowdfunding feito em parceria entre o Jornal GGN e o DCM. Outras virão. Obrigado pelo apoio. Fique ligado.


Exclusivo: Livro de Tacla Duran revela os subterrâneos da delação premiada na Lava Jato

O instituto da delação premiada é recente na história do direito penal brasileiro. E passou a ser utilizado exaustivamente na Operação Lava Jato.

Como deuses ex-machina, procuradores e juiz passaram a ter poder total sobre o futuro dos réus. O poder de fixar penas, de abrandá-las, de impor multas pesadíssimas ou irrisórias, de confiscar dinheiro ou de liberá-los, segundo critérios pessoais, indevassáveis. E contando com o apoio maciço da mídia tradicional.

Em torno do tema corrupção, criou-se uma indústria riquíssima para a advocacia, seja nos trabalhos mais sofisticados de compliance nas empresas ou no trabalho mais tosco de orientar uma delação. Especialmente em uma operação em que um mero diretor da Petrobras tinha acumulado contas de mais de uma centena de milhões de dólares no exterior.

Nesse universo pouco transparente, o vazamento do livro que está sendo escrito por Rodrigo Tacla Duran foi uma bomba. Nele, Duran denunciava uma proposta que lhe teria sido feita por advogado estreitamente ligado ao juiz Sergio Moro.

No primeiro capítulo da série, traremos um resumo do livro de Tacla Duran, com a ressalva de que se trata de uma visão parcial dele, em sua própria defesa.

A formação do mercado de doleiros

Independentemente das revelações sobre a Lava Jato, livro de Tacla Duran é um ponto de partida para a história da internacionalização do capital brasileiro, o momento em que o mercado paralelo ganha musculatura, sofisticação e passa a gerir parte relevante da poupança dos bilionários brasileiros.

A primeira investida foi nos anos 80, através da Corretora Tieppo, que quebrou por não entender adequadamente sobre os novos mercados especulativos que surgiram na esteira da liberalização cambial global.

No final dos anos 80 já havia um volume considerável de recursos estrangeiros no exterior. Depois do Plano Collor, que acabou com as contas ao portador, a migração foi maior. E se acelerou definitivamente no pós-Real com a disseminação das contas CC5, que permitiam a residentes estrangeiros abrir no país.

A CC5 foi criada no final dos anos 60, durante a ditadura, mas seu propósito inicial era, em tese, nobre. Era para facilitar a vida de estudantes, pesquisadores e funcionários de multinacionais que vinham ao Brasil para morar durante um certo tempo e, em razão disso, não tinha CPF nem outros documentos necessários para abrir conta bancária. A Carta Circular número 5 do Banco Central resolveu esse problema.

Com o tempo, no entanto, laranjas estrangeiros, que nunca moraram efetivamente no país, e offshores passaram a ser usados para movimentar conta bancária. Não eram alcançáveis pelos órgãos de fiscalização no Brasil e, em consequência disso, eram o canal perfeito para escoar dinheiro sujo.

Como se aproxima da Odebrecht

O pai de Tacla Duran tinha uma firma de serviços, que fornecia refeições para os tribunais em São Paulo, especialmente para o Tribunal de Justiça de São Paulo. Depois, entrou para a política sindical do setor, disputando a direção do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares. 

O presidente do sindicato, Nélson de Abreu Pinto, procurado para falar sobre Tacla Duran, disse que o pai dele chegou a fazer parte da diretoria no passado. Ele conheceu os dois, pai e filho, mas não que falar sobre eles. “Como são nomes envolvidos na Lava Jato, melhor não falar nada por enquanto”, disse um dos seus assessores.

Formado em direito, o primeiro emprego de Tacla foi na Federação do Comércio de São Paulo, com Ubirajara Rocha. Depois, trabalhou no Sindicato, com o notório Nelson de Abreu Pinto, um dos mais antigos líderes sindicais patronais do país.

Em 1999 entrou como sócio do escritório Nelson Rui Gonçalves Xavier, irmão do desembargador José Carlos Xavier de Aquino, que tinha muitos clientes do setor de telecomunicações. Aquino é um desembargador roqueiro, popular entre os colegas que, no seu perfil oficial no Facebook, se define como “o desembargador José Carlos Gonçalves Xavier de Aquino que no fim do expediente, quando pendura a toga, se transforma no irreverente Zeca Aquino”.

Tacla montou uma empresa de telemarketing que acabou prestando serviços para a Rock Star Marketing, de Adir Assad, um dos grandes doleiros de São Paulo. E o conheceu pessoalmente em uma corrida de carros em Interlagos, organizado pela Rock Star.

Aí conheceu Luiz Eduardo Rocha Soares, que o aproximou do grupo Odebrecht, pelo que diz, para ajudar o amigo Adir Assad a resolver uma pendência de US$ 10 milhões com a empresa. 

Segundo Tacla, durante algum tempo não se deu conta de que Adir não era simplesmente um homem de negócios: era um dos maiores doleiros da praça. E, àquela altura, fornecedor de dólares para o Departamento de Operações Estruturadas (DOE) da Odebrecht, a fonte central das propinas políticas.

Havia uma pendência entre o DOE, Adir e o corretor carioca Alvaro Novis, da Hoya Corretora, que Tacla foi incumbido de resolver. Logo depois, foi convidado a trabalhar para o DOE. Alvaro Novis é sobrinho de Pedro Novis, presidente da Odebrecht entre 2002 e 2009. Álvaro, da geração seguinte, se notabilizou pelas operações no mercado e por criar cavalos de raça no Jockey Club do Rio de Janeiro. Já Pedro Novis foi do movimento Tropicália na Juventude, e chegou a compor música com Caetano Veloso, Relance.

O DOE era dirigido por Hilberto Mascarenhas Silva, de família tradicional da Bahia, filho de um ex-presidente do Banco do Nordeste. Tinha pouco conhecimento da operação, que ficava sob a responsabilidade de dois executivos, Luis Eduardo Soares e Fernando Migliaccio.

Os doleiros do grupo eram os irmãos Assad, Adir e Samir. E a corretagem era feita por Alvaro Novis, da Hoya Corretora. Cada operação recebia um nome. Havia a Operação Esfiha, com os irmãos Adir e Samir Assad. E havia a Operação Kibe, que era apenas com Samir, que a escondia do irmão. Por sua vez, Samir era sócio de Hilberto em negócios ocultos.

Nos contatos visando equacionar as dívidas de Adir com a Odebrecht, deu-se conta dos vazamentos que saíam por todos os poros do DOE.


Segundo Tacla, Álvaro escondia US$ 7 milhões em uma cocheira no Jockey Club do Rio de Janeiro, dinheiro que havia recebido da Odebrecht para fazer pagamentos e havia sido desviado.

Hilberto não dominava bem as operações e, segundo Tacla, era constantemente enganado por Soares e Migliaccio. 

Como os problemas de prestação de contas continuaram se avolumando, segundo Tacla, em abril de 2011 ele foi convidado por Fernando Migliaccio a trabalhar com o grupo. 

Depois de conversar com Luiz Eduardo Soares, Migliaccio vinha com o convite para que Tacla fosse trabalhar com a Odebrecht na recuperação de ativos e no monitoramento das relações com os Assad.

A partir daí, Tacla decidiu vender as empresas de telemarketing e se concentrar no escritório de advocacia, que provavelmente já orientava investidores brasileiros pelas sendas dos paraísos fiscais. No livro, Tacla Duran diz que ganhou muito dinheiro com a intermediação de comunicações telefônicas. Ele diz que conhecia muito a Lei das Telecomunicações aprovada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e desenvolveu soluções inteligentes para buscar conexões a baixo custo. Diz que foi bem sucedido nesse mercado, mas deixou uma dívida relativamente alta com a Tele Norte e Leste (a Telemar). Uma pesquisa no Tribunal de Justiça de São Paulo mostra que uma das empresas dele, Econocel, perdeu a ação em que a Telemar cobrava R$ 2 milhões reais por serviços que teriam sido prestados e não foram pagos.

Segundo Tacla, no auge dos trabalhos, em seu escritório em Alphaville trabalhavam 18 pessoas, das quais 7 advogados. Além disso, era sócio de uma firma de advogados em Londres, situada em Woodberry Grove.

Os desvios e a Operação Dragão

Naquele tempo, o dinheiro era transportado em conteiners pela Transportadora Transnacional. Definidos valores e prazos de entrega, era remetido um e-mail para Alvaro Novis, da Hoaya, com cópia para Fernando Migliaccio, com todas as informações.

Seis meses depois da contratação de Tacla, foi montada a Operação Dragão, com o chinês Wu Yu Sheng, na prática visando reduzir as comissões, que eram de 5,5% com os Assad. O china cobrava 4%. A operação foi sugerida por Olívio Rodrigues, do grupo Petrópolis, irmão de Marcelo Rodrigues, especialistas em TI com passagem pelas maiores empresas do país.

Wu utilizava o Meinl Bank Antigua, cuja agência ficava na rua Helena, na Vila Olímpia, na mesma rua do consulado de Antigua e Barbuda, paraíso fiscal do Caribe. O banco era controlado por Vinicius Borin, Marco Bilinski e Luiz França, raposas velhas do mercado financeiro paulista.

Os três eram egressos do Tradebank, de Adolfo Melo, muito atuante na Bolsa de Valores de São Paulo nos anos 80, operando articulado com Naji Nahas, Mathias Machline e outros. No dia em que decidiu enfrentar Naji, Adolfo acabou se estrepando. Depois, com o Tradebank transformou-se em um dos pioneiros dos esquemas de remessa de capital da praça paulista.

Borin, Blinski e França saíram do Tradebank e foram trabalhar no AOB (Antigua Overseas Bank) estimulados por Migliaccio e Soares. Nesse período começaram os negócios entre a AOB e a Cervejaria Petrópolis. Em pouco tempo o grupo ganhou US$ 75 milhões. Em 2010, a AOB quebrou deixando a Odebrecht com um prejuízo de US$ 15 milhões.

Com a queda da AOB, o grupo se incorporou ao Meinl Bank. Sediada em Antigua, a instituição era uma filial do Meinl Bank, de Viena (Áustria) e estava inativa. 

O Meinl é uma instituição austríaca centenária. Surgiu como uma loja de café em Viena, em 1862. Orgulhava-se de ter entre seus clientes famosos Sigmund Freud.

No início do século 20 já era uma rede de 1.200 lojas e 63 fábricas. E em 1923 abriu uma cooperativa de crédito. Em 1983, através de uma série de fusões, assumiu o controle do Meinl Bank, com escritórios em sete países.

É dirigida por Julius Meinl V. Quando Soares e Migliaccio viram a oportunidade de participar da Operação Dragão, Borin, Belinski e França entraram em contato com o Meinl para assumir as operações em Antigua.


Além desse grupo de brasileiros, permaneceram acionistas os austríacos Julius Meinl e Alexander Waldstein.

A estratégia de Wu consistia em ter contas no Meinl Bank e em bancos de Hong Kong. Fazendo as transferências entre os mesmos titulares, burlava-se o controle da OFAC (Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros), agência de inteligência financeira do Departamento do Tesouro dos EUA.

Tacla acabou descobrindo que os 4% de Wu eram repartidos entre os diretores do Meinl e Soares e Migliaccio do DOE, sem o conhecimento de Hilberto, o diretor geral. E também por dois britânicos, Timothy Lynn e Nicholas James Barter, através das offshore Host Telecomuniccations, Metex, que também haviam trabalhado com o Tradebank, de Adolfo Melo.

Nos anos 90, por conta das isenções fiscais, Londres tornou-se um paraíso de bilionários brasileiros,

Com a parceria com o DOE, a operação se expandiu. Foram abertas contas de brasileiros, peruanos, dominicanos, venezuelanos e panamenhos.

Mas, antes que a Lava Jato saísse em seu encalço, o esquema já enfrentava dificuldades.

Segundo Tacla, em setembro de 2015 Luiz França viajou para Nuanu para encontrar-se com o embaixador Casroy James. Com ele acertou um pagamento de 3 milhões de euros para o primeiro ministro de Antigua e Barbuda, Gaston Browner, para controlar as informações que seriam remetidas para a Lava Jato, no acordo de cooperação.

No dia seguinte rumou para Madri, encontrando-se com Migliaccio, Luiz Eduardo Soares, Olívio Rodrigues, Borin e Bilinski, todos alojados no Hotel Intercontinental na Avenida Castelana. O grupo decidiu cobrar 12 milhões de euros da Odebrecht, ressarcindo-se dos 3 milhões pagos a Browner e ficando com os 9 milhões restantes.

A operação acabou vazando, levando o primeiro ministro a demitir James e a se comprometer publicamente a devolver os 3 milhões de euros. Mas o sistema bancário de Antigua já tinha sido contaminado levando, em fevereiro de 2017, à intervenção no Meinl Bank.

A rede de bancos

Soares montou a rede de bancos com os quais a Odebrecht operava. E Fernando Migliaccio garantia mimos adicionais, como modelos e e comprimidos para disfunção erétil para os clientes VIP.

Um dos braços de Soares era Vinicius Claret, o Juca Bala, principal doleiro do Uruguaio, patrocinador do clube Peñarol e amigo de Andre Sanguinetti, o Betingo, irmão do ex-presidente Júlio Maria Snagiunetti.

Andre abriu contas para a Odebrecht no BPA (Banca Privada de Andorra), através do qual a Odebrecht pagou por fora para Frank Geyer Abubakir, por ocasião da aquisição da Quattor, do grupo Geyer. Por lá passaram também contas para políticas e autoridades de Angola, Equador, Panamá e Peru.

Por essas contas transitaram pagamentos ao angolano Edson N’Dalo Leite, parente do general Antônio Francia N’Dalo, considerado o general dos generais de Angola; Edwin Martin Luyo Barriento, membro da Comissão de Licitação do Sistema de Transportes de Lima, Peru; Jorhe Villacorta Camanaza, assessor do presidente do Peru Pedro Paulo Kuczynski; o Ministro de Energia do Equador, Alecksey Mosquera, entre outros.

A carta-bomba

Em 14 de março de 2014, houve uma reunião entre Soares e o advogado suíço da Odebrecht, André Amadeo Prospero. O Banco PKB queria uma carta da Odebrecht assumindo ser a beneficiária final da conta 1.1.53’532 da offshore Smith & Nash, cujo controlador era o norte-americano Berry William Herman.

Qualquer americano titular de conta teria a obrigação de informar as autoridades fiscais do Internal Revenue Service (IRS). Se não for cumprida, implica em multa e sanções contra o banco através do FTCA (Foreign Account Tax Compliance Act).

A PKB deu duas opções à Odebrecht: a carta assumindo que a conta era sua ou a retenção de um milhão de dólares para pagar a multa exigida pelo governo.

No dia 17 de março houve reunião do Diretor da PKB Hector Duarte com Luiz Eduardo Soares. Julgou-se que o simples pagamento da multa poderia alertar as autoridades norte-americanas.

O problema é que no formulário A havia sido incluído, sem autorização, o nome da Odebrecht como beneficiária final. Não havia explicações convincentes para tanto. Aparentemente, a PKB praticava evasão fiscal contra os EUA também.

No final do dia, leram no Estadão online reportagem informando sobre a detenção de Paulo Roberto Costa pela Lava Jato. Tacla Duran narra, em detalhes, como os diretores, em princípio, ficaram desesperados. Alguns tomavam calmantes para não pensar no que seria descoberto.

Dez dias depois, Tacla, Luiz Eduardo e Migliaccio encontraram-se para almoçar no restaurante Senzala em São Paulo. Lá, Tacla foi informado que Hilberto Silva havia decidido enviar a carta. Alegou que não pagaria um milhão de dólares de multa. Nem houve tempo para argumentar.

A decisão de Hilberto Silva custou a detenção de Marcelo Odebrecht, 6,5 bilhões de dólares em multa e o colapso da empresa. Talvez a Odebrecht fosse pega de outra forma — já que há um clima na Lava Jato para buscar determinados alvos —, mas a decisão equivocada complicaria a situação da empresa em um prazo muito curto.

Com os extratos da Odebrecht, apareceram fragmentos de mais de 100 milhões de dólares distribuídos pela Odebrecht para suas filiais, e pelo menos quatro pagamentos a Paulo Roberto Costa na offshore Sagar Holding e no Banco Julius Baer da Suiça.

Havia três offshores e uma conta individual que recebera 28 milhões de dólares, através dos seguintes pagamentos.


Lula da Silva, en Brasil, en 2006.


Mauricio Furies, en El Salvador.


Hugo Chavez y NicoIas Maduro, Venezuela, 2012.


Danilo Medina, Republica Dominicana, em 2012.


José Domingos Arias, Panamá, en 2014.

Consultando os arquivos, Tacla constatou que João Santana e Monica Moura eram, na verdade, os beneficiários finais dessas contas. Mas, para comprovar, teria que quebrar o sigilo bancário, o que lhe foi negado por Hilberto Silva. Silva pediu para levantar dados sobre a campanha de 2010, porque Marcelo Odebrecht pretendia pressionar Dilma Rousseff.

Rapidamente, Tacla entendeu o modelo de negócios do DOE. O casal João Santana e Mônica Moura eram pessoas da Odebrecht, e de nenhum governo em particular.

A Odebrecht procurava governos latino-americanos e oferecia o seguinte pacote: o know how do marketing político, os marqueteiros, o financiamento da campanha e a identificação de obras que tivessem bom impacto eleitoral. Vencidas as eleições, ganhavam em retribuição os contratos para as obras citadas e buscavam o financiamento em bancos de desenvolvimento, como o BNDES e o BIRD.

O fato de já trabalharem com o PT no Brasil facilitava o trabalho com os governos com afinidades ideológicas.

Estoura a Lava Jato

No dia 12 de março de 2016, Ivan Carratu – dono de uma empresa de consultoria que prestava serviços à Odebrecht e à UTC – chamou Tacla em seu escritório. Lá informou que havia um procurador, Roberson Pozzobon ameaçando Ricardo Pessoa, da UTC, de prendê-lo novamente se não abrisse informações sobre os trabalhos de Tacla. Queria saber o caminho do dinheiro.


Ivan tinha perto dos 60 anos, fora diretor do Banco Nacional na fase final que antecedeu a quebra. Saindo do Nacional, com José Anchieta Carvalho, vice-presidente do Banco BIC, criou a Factoring Francfort Fomento Mercantil e várias empresas de consultoria. Passou a oferecer assessoria financeira e de reestruturação de dívida a várias empresas, entre as quais a UTC e o Grupo Triunfo. 

Na conversa, Ivan sugeriu que contratasse algum advogado de Curitiba para fechar um acordo de colaboração. 

- Eles são do clube de Curitiba, que eles vão trabalhar para você de forma discreta, que isso não termina em nada. Afinal, todos aqui são adultos e você não precisa foder ninguém.

Ivan Carratu forneceu a Tacla uma lista de advogados do Paraná, especialistas em delação premiada e, especialmente, em Lava Jato. Carla Domenico e Tracy Renaldet, advogados de Ricardo Pessoa e de Walmir Pinheiro, diretor financeiro da UTC; Rodrigo Castor de Matos, irmão do procurador Diogo Castor; e Antônio Figueiredo Basto. 

Tacla entendeu que a intenção de Ivan era incluí-lo em um acordo para omitir os desvios da UTC praticados por ele e Walmir Pinheiro. E decidiu conversar com seu correspondente em Curitiba, o advogado Carlos Zucolotto Júnior.

No dia 15 de março, por Wick (um aplicativo que destrói as mensagens depois de lidas) Ivan disse que havia estado com Walmir Pinheiro e confirmou a oferta do “grupo de Curitiba” querendo coordenar a delação de Tacla

Ivan era homem de confiança de Ricardo Pessoa, a ponto de ter sido encarregado de administrar a vida financeira de sua amante Monica Santos.

Orientado por Walmir Pinheiro, Pessoa redigiu uma carta a Pozzebon e com acusações contra Tacla. Afirmara ter entregue dinheiro a Tacla na garagem da UTC. Mas não apresentara provas, não havia contatos de telefone, correios eletrônicos ou mensagem programando reuniões ou qualquer combinação. As garagens são monitoradas por câmeras. Mesmo assim, não havia nenhum registro.

A intenção dos procuradores era cercar Tacla para conseguir sua delação. Tinham fortes convicções de que Tacla fora o principal organizador das seis camadas de offshores por onde transitava o caixa 2 do DOE.

No dia 22 de março de 2016, Luiz Eduardo Soares, Hilberto e Olívio Rodrigues foram levados a Curitiba pela Polícia Federal, dentro da Operação Xepa.

Análises de e-mails e planilhas pelo MPF revelaram que que 14 executivos de diversos setores da Odebrecht solicitavam o “pagamento paralelo”, que era efetivado pelo DOE.

Com as informações avançando, Tacla decidiu contratar um advogado, Leonardo Pantaleão, para os contatos iniciais com os procuradores. Pretendia uma delação espontânea.

A primeira reunião foi no dia 28 de março de 2016 na sede da Procuradoria, em Curitiba. Participaram da reunião Roberson Pozzobon e Júlio Noronha. Passaram por lá Carlos Fernando dos Santos Lima, Diogo Castor e Deltan Dallagnol.

Enquanto dava declarações, Tacla reparou que os procuradores, durante todo o tempo, buscam informações em sites e trocavam impressões entre si. Tacla percebeu, então, que eles pretendiam incriminá-lo e não obter informações.

- Veio contra história ou confessar crime, indagou Diogo Castor

Até então não sabiam que ele trabalhara no DOE da Odebrecht. Quando informados, passaram a dar mais atenção. A reunião durou duas horas e terminou abruptamente quando Pozzobom interrompeu a conversa o acusando de mentir.

Tacla encerrou a reunião e saiu da sala. Foi direto para o aeroporto.

No avião encontrou Maurício Ferro, vice-presidente da Odebrecht, que o informou do acordo coletivo que estava sendo assinado com a Lava Jato.

Tacla recusou a entrar no bolo. Segundo ele, a Odebrecht teria informado a vários políticos que Tacla havia se convertido em delator. Em função disso, passou a receber ameaças anônimas que foram comunicadas ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e à Polícia Nacional da Espanha.

Uma semana depois, recebeu um telefonema de Pantaleão informando que os procuradores de Curitiba queriam uma nova reunião. Participaram dela Roberson Pozzobon, Julio Noronha, Sergio Bruno Cabral Fernandes e Marcelo Miller, os dois últimos de Brasília. Queriam saber da Odebrecht e de informações sobre políticos com imunidade parlamentar.

Segundo Tacla, em determinado momento Miller o convidou a participar de uma “ação controlada”. Quando escreveu essa parte, Tacla já sabia das suspeitas que pairavam sobre Miller, de ter atuado na operação controlada que grampeou Michel Temer.

Tacla teria se negado. Foi lhe solicitado então que participasse da reunião com Maurício Ferro e, depois, informasse os procuradores da conversa ocorrida.

Na conversa, Ferro insistiu na proposta de entrar no acordo com a Odebrecht, porque haveria validade global e a Odebrecht pagaria seus honorários por 15 anos.

Tacla teria recusado, segundo ele para não admitir crimes que não cometeu.

Uma semana depois, houve a terceira reunião com os procuradores, agora na Procuradoria do Rio de Janeiro.

Estavam presentes os procuradores Sérgio Bruno e Atayde Ribeiro Costa. Assinaram um acordo de confidencialidade. A reunião durou 10 minutos e o acordo consumiu metade de uma folha A4.

No dia 12 de maio de 2016 Tacla estava na Florida quando recebeu, por e-mail, o modelo de acordo proposto pelos procuradores. Segundo Tacla, era uma proposta indecorosa. Primeiro, deveria criminalizar sua atuação como advogado, deixando de lado as prerrogativas constitucionais. Usaram as declarações da UTC para pressioná-lo a delatar a Odebrecht.

Há um fio tênue separando as atuações do advogado.

Ajudar o cliente a regularizar seus investimentos externos é trabalho de advogado. Montar a rede de lavagem de dinheiro é trabalho de doleiro.

Tacla insistia que seu trabalho foi de consultor, como advogado. Os procuradores tinham certeza de que era trabalho de montagem das seis camadas de offshores por onde transitava o dinheiro do DOE.

A pena seria pequena, de 6 meses de prisão. Mas exigia-se que Tacla devolvesse US$ 15 milhões que recebera da Odebrecht. Todo o jogo se dava em torno desses valores.

Tacla pretendia mostrar que as informações de que dispunha valiam esse preço. Os procuradores insistiam na devolução do dinheiro.

Em conversa com Dallagnol, Tacla explicou que tinha filhos pequenos. Dallagnol ofereceu então prisão domiciliar. Tacla refugou. Dallagnol ameaçava ora com prisão em segunda instancia e com a divisão das ações para impedir a caracterização de crime continuado – que, teoricamente, reduz a pena.

Foi um jogo de blefes e apostas de ambos os lados. A esta altura, segundo Tacla, a fiscalização da Receita não haviam levantado nada de efetivo contra ele.

A ida para os Estados Unidos

Tacla desistiu e rumou para os Estados Unidos. Lá, contratou o advogado Victor Cerda para que o assessorasse em uma ida do DHS (Departamento of Homeland Security), ligado ao Departamento de Justiça, criado logo após os atentados às Torres Gêmeas para coordenar todas as ações internacionais contra o terrorismo e as organizações criminosas. Desde o caso Banestado, o DHS havia se tornado o principal interlocutor da Procuradoria Geral da República nos acordos de cooperação e, especialmente, dos procuradores de Curitiba

.Em junho de 2016, Tacla reuniu-se com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Houve sete reuniões, a primeira das quais às 13 horas do dia 20 de junho de 2016.

A reunião foi coordenada pelo procurador da FCPA (Foreign Corruption Practice Act) David Last, da Divisão Criminal. Participaram agentes do FBI e do Homeland Security, o DHS.

Antes de iniciar a reunião, foram lidos todos seus direitos, garantindo que nada seria gravado nem poderia ser utilizado como evidência contra ele. Entenderam que estava ali, espontaneamente, como colaborador.

Cerda iniciou a reunião dizendo-se surpreso pelo fato do encontro já ter sido noticiado pelo jornal O Estado de S. Paulo, citando nominalmente Tacla Duran. Para surpresa da dupla, Last já tinha uma cópia traduzida da história e do acordo de Borin em Curitiba.

Quando Tacla informou que trabalhara como advogado da Odebrecht, as conversas foram interrompidas, porque poderia contaminar a investigação. Duas pessoas foram incumbidas de avaliar se as revelações poderiam ou não contaminar as investigações.

Na terceira reunião, foi orientado para não dar nenhuma informação do trabalho como advogado que pudesse comprometer a investigação.

Havia preocupação de David Last de não criar atritos com a Lava Jato. Tentou-se avançar, então, em um acordo conjunto com Curitiba. Mas Curitiba dizia não ter nenhum interesse. E não aceitou o convite para enviar procuradores aos Estados Unidos para tratar desse assunto.

Na semana de 10 de novembro, a equipe do procurador David Last esteve no Brasil e ouviu um pedido de Pozzobon e Dallagnol para que o prendessem nos EUA. A resposta teria sido que não fariam isso, depois do que haviam acertado com Tacla.

No mesmo período, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha deram entrevista para a imprensa brasileira anunciando pedido de busca e apreensão em documentos no escritório de Tacla em Alphaville e que ele estaria foragido. Também anunciaram o pedido de prisão preventiva e o alerta vermelho para a Interpol.

Na entrevista, esconderam que havia um acordo em andamento com o Departamento de Justiça. 

Nas semanas seguintes, os procuradores apresentaram duas denúncias contra Duran. Segundo Tacla, sem nenhuma evidência de cometimento de crimes, além das declarações de Ricardo Pessoa, da UTC.

Enquanto Pozzobon e Noronha anunciavam à imprensa sua condição de fugitivo, Tacla viajava livremente dos Estados Unidos para a Espanha, com seu passaporte espanhol para atender a uma citação da Receita espanhola. Embarcou em um voo da American Airlines e desceu em Madri sem ser incomodado.

Dois dias depois, o alerta vermelho da Interpol surtiu efeito e Tacla foi detido pela polícia espanhola no lobby do hotel Intercontinental, de Madri.

No dia seguinte, foi conduzido a uma audiência com o juiz Santiago Pedraz. Lá, o procurador espanhol informou que, segundo o tratado de extradição entre Brasil e Espanha, Tacla deveria ficar detido por 80 dias, até que fossem completados todos os trâmites da extradição.

Três semanas depois, foi convocado para uma vídeo conferência com os procuradores espanhóis. Queriam saber se Tacla queria fazer alguma declaração. Informaram que nada estava sendo gravado. Tacla concordou e foi acertada uma conversa pessoal na semana seguinte no centro penitenciário.

Assim como os diretores do presídio, os procuradores espanhóis advertiram que a lei espanhola não prevê acordos de delação como os Estados Unidos ou Brasil. Um dos procuradores esclareceu que “vivemos esse tipo de situação no passado (na ditadura franquista, de 1938-1975) e aqui as delações não são aceitas como meio de prova”.

Após a reunião, seu advogado Emilio Naranjo comentou o caso do juiz Baltasar Garzón, famoso nos anos 1990, que a pretexto de investigar a corrupção começou a grampear advogados e terminou aposentado.

Os excessos do passado levaram a Justiça espanhola a favorecer as investigações, a produção de evidências físicas e o controle de seus membros.

Tacla saiu da prisão e permaneceu na Espanha, enquanto a Lava Jato tenta completar o processo de extradição. Ele responde a processos na Espanha, Estados Unidos, Reino Unido, Singapura e Brasil.

O caso do primeiro amigo

Quando Ivan Carruta indicou uma lista de advogados curitibanos para ajudá-lo na delação, Tacla achou melhor recorrer ao escritório que o representava em Curitiba, o de Carlos Zucolotto Junior. 

Em março e abril de 2016 tratou com Zucolotto. Entre os advogados sócios do escritório, havia Rosângela Maria Wolff de Quadros Moro. Segundo o que escreveu no livro, Tacla não sabia até então quem era Rosângela, nem que estava casada com Moro. 

Ao contatar Zucolotto, em maio de 2016, Tacla estava nos Estados Unidos. E as conversas se davam através do aplicativo Wick, que encripta a conversa e pode ser programado para destruir as mensagens. 

Na conversa, Tacla informou-se do que considerava tentativa de incriminação forçada sua, por parte de Walmir. Ao mesmo tempo, pediu para seu advogado, Leonardo Pantaleão, que levantasse informações a respeito para alimentar Zucolotto.

Segundo Tacla, Zucolotto teria começado uma negociação paralela sem seu conhecimento.

Nas mensagens que preservou das conversas com Zucolotto, ele teria revelado a intenção de receber os honorários por fora e utilizar parte do dinheiro para “pagar as pessoas que nos ajudarão com isso”.

Como Rosângela trabalhava no escritório, Tacla ponderou que seria considerado impedimento para o caso de ser julgado pelo juiz Moro.

Zucolotto teria explicado que a condição era não aparecer na linha de frente. Revelou ter bons contatos com a operação e que poderia tratar do assunto nos bastidores.

Tacla disse-lhe que, em uma das reuniões, os procuradores exigiram o pagamento de multa de 15 milhões de dólares por pagamentos ilegalmente recebidos da Odebrecht. Relatou a conversa que havia tido com Pozzobom. Na conversa, Tacla teria dito que os pagamentos da Odebrecht eram de 12,5 milhões de dólares. A diferença se devia a aplicações financeiras.

- Não vejo nenhuma razão para pagar qualquer multa, muito menos neste valor. Este é o resultado de anos de trabalho.

- Não importa, teria respondido Pozzobon. Recebestes da Odebrecht e este é um dinheiro que você tem e pode resolver seu problema aqui.

Depois de algumas prospecções, Zucolotto teria levado o seguinte diálogo com Tacla:

Carlos Zucollot – Amigo, tem como melhorar esta primeira... Não muito, mais um pouco.

Duran – Não entendi.

Zucolotto – Há uma forma de melhorar esta primeira proposta. Não muito. Está interessado?

Duran – Como seria?

Zucolotto – Meu contato conseguiria que DD entre na negociação.

Duran – Certo. E o que ele pode melhorar?

Zucolotto – Vou insistir para que troque a prisão por prisão domiciliar e reduzir a multa, ok?

Duran – Para quanto?

Zucolotto – A ideia é reduzir a um terço do solicitado. E você pagaria um terço de honorários para resolver.

Duran – Ok. Pago a você os honorários?

Zucolotto – Sim, mas por fora, porque tenho que cuidar das pessoas que ajudaram com isto. Faremos como sempre. A maior parte, você me paga por fora. 

Duran - Ok.

Zucolotto – Lhe enviaremos um modelo com um valor alternativo, caso o valor no exterior esteja bloqueado. E você paga um terço em R$, quando você ver, você vai entender.

Segundo Tacla, os procuradores Pozzobon e Júlio Noronha enviaram por e-mail um modelo de acordo com as condições alteradas, como informara Zucolotto em suas mensagens. 

Tacla recebeu a proposta no dia 27 de maio de 2016. Deveria estar no Brasil no dia 30 de maio (no livro, ele escreve março, mas deve ser erro de digitação) para assinar o acordo. Sozinho, em sua casa na Flórida, Tacla diz ter desistido, porque não poderia admitir os crimes que não havia cometido. Decidiu não assinar nem voltar para o Brasil.

Pediu ao advogado Pantaleão para representá-lo na reunião de segunda-feira. A partir daí os procuradores encerraram as negociações.

Assim que vazaram as denúncias contra Zucolotto, antes mesmo que ele se pronunciasse, o amigo Sérgio Moro saiu em sua defesa.

Conclusão

Permanece o mistério. As afirmações de Tacla não podem ser levadas ao pé da letra sem a apresentação de provas. No livro, ele afirma ter os registros das conversas travadas com Zucolotto, por Wick.

Zucolotto é um advogado trabalhista e Tacla não tinha atuação destacada nessa área. Ele diz que já tinha contratado Zucolotto no passado para ser correspondente, mas em razão da qualificação técnica dele. Tacla Duran não diz em que situações Zucolotto trabalho, mas parece inverossímil imaginar que Zucolotto tinha apenas o trabalho de extrair cópias de processo, como o juiz Sergio Moro, na defesa do amigo, chegou a declarar.

No fundo, havia um jogo de pôquer entre Tacla e os procuradores, e esse jogo parece se estender agora para o amigo do juiz.

De seu lado, Tacla pretendia que seu trabalho fosse considerado como de advogado. Com isso, preservaria o dinheiro pago pela Odebrecht. Já a Lava Jato tem convicção que ele foi peça central na montagem dos esquemas do DOE.

Há uma ampla discricionariedade na aplicação das penas. O que está em jogo é a relevância das informações do candidato a delator e, na outra ponta, a solidez (ou não) das provas levantadas contra ele.

Tacla supõe que suas informações são valiosas e que as provas contra ele são precárias. Os procuradores acreditam na relevância das informações, têm certeza sobre o papel de Tacla no DOE, mas não teriam evidências maiores, segundo Tacla. Teriam alguma carta debaixo da manga?

É essa discricionariedade que levanta discussões sobre a transparência dos acordos de leniência. E permite incluir um novo componente no jogo: o da possibilidade da venda de facilidades. Especialmente devido aos superpoderes da Lava Jato, depois que a mídia transformou a operação em uma luta do bem contra o mal. Não é uma certeza, mas é uma possibilidade.

Afinal, como lembrou Montesquieu , um dos pais das modernas democracias e do princípio de separação de poderes, os homens não são virtuosos, as instituições é que tem que ser virtuosas. 

Ele definiu bem três formas de governo.

O Republicano é aquele em que o povo, ou parte dele, governa. Por isso, é governador pelo princípio da Virtude. A Monarquia, quando um homem governa segundo suas leis fixas e estabelecidas. O Despotismo, quando há um governo sem leis e sem regras, decidindo tudo com base em seu desejo.

A Lava Jato precisa decidir em que regime se enquadra. Superpoderes já transformaram santos em pecadores. Mas não se sabe de nenhum caso em que pecadores tenham conquistado a santidade.



Jornal GGN - DCM