terça-feira, 23 de maio de 2017

MALUF É CONDENADO A 7 ANOS E 9 MESES NO STF

Miro Teixeira: o clima é pela aprovação da PEC das Diretas





Nocaute

ANDREA NEVES PEDE PARA SER SOLTA E JOGA CULPA NO IRMÃO

Bob Fernandes | Criaram o Presidente-Zumbi na Farsa | Impeachment e ainda querem pilotar o futuro





Tijolaço

Auler: Delegados aecistas “não sabiam de nada” sobre seu herói



POR FERNANDO BRITO · 23/05/2017




Marcelo Auler, em seu blog, relembra detalhes do comportamento dos delegados da Operação Lava Jato – e também do juiz Sérgio Moro – diante de Aécio Neves, agora desmascarado e com um pedido de prisão pendente contra ele no STF. O policiais, tão capazes de saber de tudo e mais um pouco que pudesse ser atribuído a Lula e Dilma, não sabiam de nada sobre o senador tucano, para quem chegaram a montar um grupo de apoio eleitoral na internet.

Marcelo Auler, em seu blog

Outubro de 2014, no Facebook, acima de diversas fotos do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, rodeado de vistosas mulheres, o delegado de Polícia Federal, Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia Regional do Combate ao Crime Organizado (DRCOR) no Paraná, apontado pelo agente Dalmey Fernando Werlang como autor da ordem para instalar um grampo ilegal na cela que receberia o doleiro Alberto Youssef, postou em um grupo fechado:

“Este é o cara!”.

Dias depois, às vésperas do segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff, do PT, o delegado federal encarregado das investigações da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano, comentou a notícia na qual Luiz Inácio Lula da Silva dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Márcio Anselmo escreveu:

“O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser“.

Não demorou muito e o delegado Mauricio Moscardi Grillo, que em sindicância concluiu que o grampo na cela de Alberto Youssef era inoperante, apesar de ele ter registrado 263 horas e 41 minutos de conversas – leia em Armação Federal II: “indisciplinas” do DPF Moscardi -, também deixou sua digital na campanha de Aécio. Abaixo do comentário de Márcio Anselmo, postou uma propaganda eleitoral do tucano segundo a qual Lula e Dilma sabiam de toda a corrupção do esquema da Petrobras, acrescentando:

“Acorda!”.

As postagens vieram a público em 13 de novembro daquele ano, já com a eleição definida. Foram reveladas na reportagem de Júlia Duailibi, em O Estado de S. Paulo: Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede.

Continue lendo no blog do Marcelo Auler.



Tijolaço

LOURES, HOMEM DE CONFIANÇA DE TEMER, ENTREGA MALA DA PROPINA À PF


Deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem de confiança de Michel Temer e que foi flagrado recendo R$ 500 mil em propinas pagas pelo grupo JBS, entregou à Polícia Federal em São Paulo a mala com a qual foi flagrado transportando o dinheiro, e que estava desaparecida

23 DE MAIO DE 2017 


247 - O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem de confiança de Michel Temer e que foi flagrado recendo R$ 500 mil em propinas dentro de uma mala entregue pelo grupo JBS, entregou a mala - que estava desaparecida - à Polícia Federal em São Paulo, informa a Folha.

Em sua delação premiada, um dos donos da JBS, Joesley Batista, afirmou que Loures havia sido indicado por Temer para tratar de assuntos de interesse do grupo empresarial junto ao governo. Loures acabou sendo filmado em uma operação controlada da PF ao receber a mala e depois entrando correndo em um táxi no último dia 28 de abril.

No mesmo período, Temer foi gravado pelo empresário avalizando o pagamento de propinas para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso e condenado na Lava Jato.



Brasil 247

ESTADO ISLÂMICO REIVINDICA AUTORIA DE ATAQUE EM MANCHESTER

ÁUDIO REVELA QUE AEROPORTO DE CLÁUDIO ERA MESMO DE AÉCIO

As gravações da Polícia Federal trazem mais uma confirmação humilhante para o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG); de acordo com os grampos, o aeroporto de Cláudio (MG), construído com dinheiro público na sua gestão, servia para atendê-lo e a chave ficava com seu segurança; a informação veio em uma conversa interceptada de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, o mesmo indicado pelo tucano para receber R$ 2 milhões, solicitados pelo tucano ao empresário Joesley Batista, da JBS; o aeroporto de Cláudio foi construído em uma área que pertencia a um tio-avô de Aécio; a obra foi concluída em 2010, a um custo de R$ 13,9 milhões; a pista fica próxima a uma fazenda da família.

23 DE MAIO DE 2017 


Minas 247 - As gravações da Polícia Federal trazem mais uma confirmação humilhante para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que se licenciou da presidência do PSDB e já foi afastado do cargo de senador pelo Supremo Tribunal Federal.

De acordo com grampos da operação controlada da Polícia Federal deflagrada na semana passada, o aeroporto de Cláudio, em Minas Gerais, construído com dinheiro público durante a gestão de Aécio, servia para atender a família do tucano e a chave ficava com seu segurança, informa reportagem de Fábio Leite.

A informação veio em uma conversa interceptada de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, o mesmo indicado pelo tucano para receber R$ 2 milhões solicitados pelo senador ao empresário Joesley Batista, da JBS, segundo ele para pagar despesas do advogado no âmbito da Lava Jato.

O aeroporto de Cláudio foi construído em uma área que pertencia a um tio-avô de Aécio. A obra teve início durante sua gestão e foi concluída em 2010, a um custo de R$ 13,9 milhões. A pista fica próxima a uma fazenda da família Neves.

Confira o diálogo de Fred:

"Se o Duda tá descendo no avião alguém vai abrir o portão pra ele ou não?", pergunta o interlocutor não identificado. "Sim, já deve ter aberto... ele já deve ter saído e já deve ter fechado", responde Fred. "E quem que é essa bênção de pessoa?, continua o interlocutor. "Deve ser o segurança do Aécio", diz Fred. "Ah, ele tem a chave?", insiste o interlocutor. "Deve ter.. tô imaginando na condição de alguém for lá abri-lo...Eu não sei nem se vai, mas deve...Passa lá na porta", conclui Fred.


Brasil 247

Temer-JBS: a implosão do grupo do impeachment






Jornal GGN

Quanto o Joesley deu à Globo





Conversa Afiada

TEMER PODE RENUNCIAR SE TIVER GARANTIA DE QUE NÃO SERÁ PRESO

Cada vez mais acuado diante do tsunami de evidências de corrupção e sem condições de governabilidade, Michel Temer já negocia com seus principais aliados uma solução que lhe permita renunciar à Presidência, mas com garantias de que não irá para a prisão; sem condições de governar, Temer só não renunciou até agora porque precisa do foro privilegiado para não ir parar no xilindró; o peemedebista já teria concordado com a ideia, e opções como indulto ou pedido de asilo foram discutidas nas últimas horas; entre os articuladores estão José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Romero Jucá e Renan Calheiros

23 DE MAIO DE 2017 


247 - Michel Temer e o núcleo de seus aliados buscam, desde o fim de semana, uma solução para a crise que permita a renúncia e dê a ele garantias de que não irá para a prisão.

As informações são da coluna Poder em Jogo de O Globo.

Temer já teria concordado com a ideia, e opções como indulto ou pedido de asilo foram discutidas nas últimas horas. Entre os articuladores estão José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Romero Jucá e Renan Calheiros.

"O primeiro obstáculo é a escolha de um nome de consenso para substituir Temer, em eleição indireta. A ele caberia acertar uma agenda mínima para a transição até 2018 e convocar uma Constituinte. Gilmar Mendes e Nelson Jobim teriam a preferência do PMDB. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem conversado com senadores, e o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, apresentou-se ontem como o garantidor das reformas no Congresso. Há uma corrida contra o tempo: há pedidos de impeachment, as condições de governabilidade perdem força a cada minuto. E as ruas podem melar o jogo.
Roteiro na rede

O caminho negociado por PMDB e PSDB foi exposto por Renan Calheiros no Facebook: 'Precisamos construir uma saída na Constituição que garanta eleições gerais em 2018 e Assembleia Nacional Constituinte. Fora disso é o imponderável. Tenho convicção que o presidente compreenderá seu papel e ajudará na construção de uma saída."




Brasil 247

NOVA ACUSAÇÃO CONTRA LULA É FRÍVOLA E FRUTO DE TESE POLÍTICA, DIZ DEFESA

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, avalia que a denúncia apresentada nesta segunda-feira 22 pela Lava Jato contra o petista "mostra uma desesperada tentativa de procuradores da República justificar à sociedade a perseguição imposta ao ex-Presidente nos últimos dois anos, com acusações frívolas e com objetivo de perseguição política"; para o advogado, "a nota que acompanhou o documento deixa essa situação muito clara ao fazer considerações que são estranhas à área jurídica e às regras que deveriam orientar a atuação de membros do Ministério Público, como a legalidade e a impessoalidade"; Zanin diz ainda que "a peça buscou dar vida à tese política exposta no PowerPoint de Deltan Dallagnol"

22 DE MAIO DE 2017 


247 - A defesa do ex-presidente Lula definiu como "frívola e fruto de tese política" a nova denúncia apresentada nesta segunda-feira 22 contra o petista, agora sobre o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

Para o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, a denúncia "mostra uma desesperada tentativa de procuradores da República justificar à sociedade a perseguição imposta ao ex-Presidente nos últimos dois anos, com acusações frívolas e com objetivo de perseguição política".

Para o advogado, "a nota que acompanhou o documento deixa essa situação muito clara ao fazer considerações que são estranhas à área jurídica e às regras que deveriam orientar a atuação de membros do Ministério Público, como a legalidade e a impessoalidade". "A peça buscou dar vida à tese política exposta no PowerPoint de Deltan Dallagnol", acrescenta Zanin.

Leia a íntegra da nota:

Nota

A denúncia apresentada hoje (22/05) pela Força Tarefa da Lava Jato contra Lula mostra uma desesperada tentativa de procuradores da República justificar à sociedade a perseguição imposta ao ex-Presidente nos últimos dois anos, com acusações frívolas e com objetivo de perseguição política. A nota que acompanhou o documento deixa essa situação muito clara ao fazer considerações que são estranhas à área jurídica e às regras que deveriam orientar a atuação de membros do Ministério Público, como a legalidade e a impessoalidade.

A peça buscou dar vida à tese política exposta no PowerPoint de Deltan Dallagnol, para, sem qualquer prova, atribuir a Lula a participação em atos ilícitos, envolvendo a Petrobras, que ele jamais cometeu. Os procuradores reconhecem não ter qualquer prova de que Lula seja o proprietário do sítio, embora tenham repetido esse absurdo por muito tempo em manifestações formais e em entrevistas impropriamente concedidas à imprensa: "A forma de aquisição da propriedade e seu registro, mediante possíveis atos de ocultação e dissimulação, não são objeto da denúncia".

Mas recorreram a pedalinhos e outros absurdos para sustentar a tese de que Lula seria o beneficiário de obras realizadas no local e que os valores utilizados seriam provenientes de supostos desvios ocorridos em contratos firmados pela Petrobras. A afirmação colide com todos os depoimentos já colhidos em juízo, até a presente data, com a obrigação de dizer a verdade, que afastam o ex-Presidente da prática de qualquer ato ilícito.

A Lava Jato age de forma desleal em relação a Lula, com acusações manifestamente improcedentes e com a prática de atos que são ocultados de sua defesa. Hoje mesmo, o ex-Senador Delcídio do Amaral reconheceu em depoimento prestado na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba que participou no Mato Grosso de Sul de interrogatório solicitado por autoridades americanas com a participação do Ministério Público Federal e com representantes da Petrobras. O ato, embora relacionado às acusações feitas contra Lula, não havia sido revelado e os documentos correspondentes ainda são desconhecidos.

A falta de justa causa para o recebimento da ação penal proposta nesta data é flagrante e um juiz imparcial jamais poderia recebê-la.

Cristiano Zanin Martins



Brasil 247

DELCÍDIO DIZ QUE FOI INTERROGADO PELO DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DOS EUA

Ex-senador contou nesta segunda-feira 22 ao juiz Sergio Moro que prestou depoimento ao Departamento de Justiça Americano (DOJ) este ano para responder questões relacionadas à Petrobras e à Operação Lava Jato; segundo ele, o depoimento foi solicitado pelo DOJ diretamente ao STJ e aconteceu em Campo Grande; Delcídio do Amaral comentou ter achado "estranho" que representantes do governo norte-americano não tenham aparecido na sessão que, estava "esvaziada"

22 DE MAIO DE 2017 


Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil

O ex-senador Delcídio do Amaral contou nesta segunda-feira 22 que prestou depoimento ao Departamento de Justiça Americano (DOJ) este ano para responder questões relacionadas à Petrobras e à Operação Lava Jato. O relato foi feito nesta tarde, durante audiência na 13ª Vara Federal de Curitiba. Delcídio depôs como testemunha de acusação em um dos processos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o ex-senador, o depoimento foi solicitado pelo DOJ diretamente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) brasileiro e aconteceu em Campo Grande. "Eu simplesmente mostrei ao longo da audiência que o processo que eu respondo é por obstrução de Justiça, então eu não tinha os detalhes que a própria Operação Lava Jato já investigou, já tomou conhecimento", relatou.

Delcídio também disse que achou "estranho" que representantes do governo norte-americano não tenham aparecido na sessão que, segundo ele, estava "esvaziada". Ele contou que o depoimento foi acompanhado apenas por um juiz, um representante do Ministério Público Federal (MPF) e por advogados da Petrobras.

Ainda segundo o ex-senador, as perguntas feitas durante o depoimento abordavam assuntos sobre os quais ele já havia respondido na delação premiada celebrada com o MPF. "Todos nós ficamos numa saia-justa danada nessa audiência, porque afinal de contas ninguém entendeu direito porque aquilo aconteceu lá em Campo Grande", afirmou.

O relato de Delcídio foi feito após a defesa de Lula perguntar se ele havia celebrado algum acordo judicial com autoridades norte-americanas. O ex-senador revelou detalhes do depoimento solicitado pelo DOJ, mas negou que tenha feito qualquer acordo.

Defesa de Lula protesta

No fim da tarde de hoje, pouco depois da audiência em Curitiba, a defesa de Lula emitiu uma nota assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins. No texto, ele afirma que as informações relativas ao depoimento de Delcídio ao DOJ estavam restritas ao conhecimento do MPF e da Petrobras. "Sonegadas, portanto, à defesa, revelando a existência de um aparente processo paralelo, que veio a público apenas em função dos questionamentos feitos", diz a nota.

Martins afirma, ainda, que a audiência de hoje "provou o caráter frívolo da acusação, que é parte de uma estratégia de lawfare com o único objetivo de prejudicar a atuação política de Lula".

O depoimento prestado pelo ex-senador Delcídio do Amaral em Curitiba é parte do processo em que o MPF acusa Lula de receber vantagens indevidas da Odebrecht. A força-tarefa afirma que o ex-presidente foi beneficiado na compra de um terreno para a construção do Instituto Lula e de um apartamento no mesmo edifício onde ele vive, em São Bernardo do Campo.

Na mesma audiência, foram ouvidas mais duas testemunhas de acusação: o ex-executivo da Toyo Setal, Augusto Ribeiro; e o ex-presidente de Engenharia da Camargo Corrêa, Dalton Avancini.



Brasil 247

JANOT RECORRE E PEDE PRISÃO DE AÉCIO E LOURES

MATANÇA NAS MARGINAIS DE DORIA SEGUE CRESCENDO

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ruína do Golpe, o juízo da História e o movimento da Elite, por Aldo Fornazieri


SEG, 22/05/2017 - 07:27


A ruína do Golpe, o juízo da História e o movimento da Elite

por Aldo Fornazieri

O arranjo do golpe ruiu. Se não vierem eleições diretas e Temer continuar no governo, o que se verá nos próximos meses será um semimorto se arrastando, com as carnes rasgadas e dilaceras, empunhando um bastão, ainda tentando fazer algum mal ao povo brasileiro.A história foi justa, rápida, implacável e severa para com os líderes do golpe e suas respectivas quadrilhas. Aécio, Temer e Cunha lideraram o impeachment para se apossar do poder, barrar a Lava Jato e continuar cometendo crimes, o último, inclusive, da cadeia.

Quis a história ou a deusa Fortuna retirar o debate acerca do caráter golpista do impeachment do terreno acadêmico e especulativo para colocá-lo no terreno dos fatos, pronunciando uma sentença irrevogável e definitiva: o impeachment foi golpe e, a cada dia que passa, novas revelações comprovam o seu caráter conspirativo. Com isso, foi julgada também a conduta de vários intelectuais, analistas consultores e jornalistas que se acovardaram diante dos acontecimentos e da pressão dos interesses opressivos e criminosos que agrediram a democracia.

A história carimbou a conduta do Supremo Tribunal Federal com a marca de omisso e conivente. A questão era simples: não se pode tirar um governo eleito, em nome do combate à corrupção, para colocar em seu lugar as piores e mais especializadas quadrilhas que vinham assaltando o poder público há décadas. Tal artimanha das elites estava destinada ao fracasso e a abrir feridas de um conflito político que se prolongará pelos próximos anos. Se quisessem uma saída razoável para os impasses do governo Dilma teriam que buscá-la em outro lugar e por outros métodos, não pela violência contra a democracia e a Constituição.

O golpe caminhou para a ruína pelas seguintes razões: ficou cada vez mais evidente o caráter delinquente do governo e dos seus principais chefes; as promessas de uma retomada rápida da economia não ocorreu, agravando o desemprego e a recessão; as contas públicas não foram saneadas; buscou-se jogar o peso brutal da crise sobre os ombros dos mais pobres e dos trabalhadores com as reformas retrógradas e conservadoras, liquidadoras de direitos; os índices de apoio a Temer caíram próximos de zero; criou-se uma cisão interna no arranjo golpista tendo, de um lado, o Partido do Estado (Procuradoria Geral da República, parte do Judiciário, PF, Lava Jato e parte da grande mídia) e, de outro, o bloco político articulado em torno do Planalto, no Congresso e em partidos, tendo apoio de outros setores da grande mídia.

Rearticulação das elites

O motivo principal da cisão foi o risco das punições de políticos, de desgraça de suas carreiras políticas, de perda de mandatos e de prisões. O bloco político do golpe começou a jogar contra a Lava Jato, retirando-lhes recursos humanos e financeiros, buscando saídas escapistas no Congresso e o controle da PGR e da PF. O capital também começou a se dividir em torno desta cisão. Os setores mais corruptos do capital - notadamente as construtoras, a JBS e ao que tudo indica o capital financeiro - temendo prisões e prejuízos, começaram a fazer acordos com o Partido do Estado.

Com estas encrencas todas, Temer foi perdendo a condição de articular uma alternativa de poder para 2018, ameaçando arrastar para o abismo o seu principal sustentáculo: o PSDB. O constante crescimento de Lula nas pesquisas, mesmo com o massacre diário contra ele, fez com que o Partido do Estado e parte das elites começassem a perceber os riscos que corriam acerca de suas ambições futuras de poder.

Lula foi se tornando um grande problema para eles. Como deixá-lo de fora das eleições liderando as pesquisas? Isto poderia convulsionar o país, ainda mais com Temer na presidência investindo contra os direitos do povo. E como condená-lo, deixando impunes figuras como Temer, alguns de seus ministros, caciques do PMDB e do PSDB, notadamente Aécio Neves? Os movimentos sociais e parcela crescente da sociedade jamais aceitariam esta solução e o Brasil agravaria seu descrédito internacional. Com as divisões internas e com a situação ameaçando fugir do controle tornou-se necessário buscar outra saída, com a degola do principal problema: Temer e seu governo.

Se Temer e o bloco político do golpe estão sendo derrotados, qual é a saída que o Partido do Estado e seus aliados constroem? Aparentemente, existem duas variáveis: 1) a escolha de um presidente pela via indireta que possa articular uma alternativa de poder para o próximo ano, inclusive, podendo ele mesmo ser esta alternativa. Para isto, as reformas da previdência e trabalhistas seriam amenizadas não se descartando, inclusive, a sua retirada de pauta. Apostar-se-ia na retomada do crescimento e do emprego, com um presidente e um ministério isentos de acusações; 2) se o presidente eleito indiretamente não vier a ser candidato, supondo-se as condições políticas e econômicas do ponto anterior, ele criaria condições para eleger um candidato novo, um Dória ou um empresário.

A questão de o que fazer com Lula ainda fica em aberto. A decisão será tomada a partir dos desdobramentos da atual crise e à luz da evolução da conjuntura. Em síntese: além das divisões internas do arranjo golpista, a tentativa de derrubar Temer visa aumentar o controle sobre o processo eleitoral de 2018. Se ele cair, tudo indica que buscarão um presidente e um ministério com perfis desvinculados de participação direta no golpe e de acusações da Lava Jato.

A crise de longo prazo e as forças progressistas

Diante deste cenário ou de outro mais convincente que se apresentar, já que este é hipotético, o que as forças democráticas e progressistas devem fazer? Não deve haver nenhuma vacilação quanto às iniciativas de colocar abaixo o governo ilegítimo de Temer, buscando acumular força. Este embate deve vir associado com a exigência de "Diretas Já" e a paralisação das reformas conservadoras. É preciso apostar todas as fichas nas mobilizações de rua, visando estabelecer uma nova correlação de forças e construindo a unidade popular e progressista a partir da luta e da definição de uma plataforma, de um programa em comum.

Note-se que a presente crise é uma crise de longo prazo, pois ela tem uma face política e outra econômica e social. A face política diz respeito a quem controlará o governo, os orçamentos, os fundos públicos e quem financiará o Estado. A face econômica e social diz respeito ao grave desequilíbrio distributivo entre o capital e o trabalho, os ricos e os pobres, a desigualdade e a justiça. Pelo fato de as duas crises se entrelaçarem, os embates e a polarizações se prolongarão no tempo.

Se Lula não puder concorrer, um possível futuro presidente conservador eleito terá que ser confrontado pela petição de ilegitimidade. Se Lula concorrer e vier a ser derrotado por um presidente conservador, este se sentirá legitimado para cometer atrocidades contra os direitos do povo e terá que sofrer dura oposição dos movimentos sociais. Se Lula concorrer e vencer, não será aceito pela direita e terá que ser defendido nas ruas. Além disso, a natureza de seu governo teria que ser disputada pelos movimentos sociais, impedindo a conciliação da era petista anterior.

Em suma: a crise e as lutas são de longo prazo porque o Brasil entrou num período de sua história no qual não haverá paz social e política enquanto o equilíbrio econômico e social, fundado na justiça e na igualdade, não for estabelecido e enquanto a democracia não se tornar efetiva. Afinal de contas o golpe ensinou que não se pode confiar nas elites que se servem do Estado pela corrupção e pela apropriação dos fundos públicos, que querem perpetuar a injustiça e a desigualdade e não titubeiam e violar a democracia.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política.



Jornal GGN

domingo, 21 de maio de 2017

Janio denuncia "métodos" da Lava Jato

Quem passou o papelzinho para o Sergio Machado? Que procurador?

publicado 21/05/2017

Na foto, Procuratores do filme "A lei é para todos menos para tucanos"!

O Conversa Afiada reproduz trecho de intrigante artigo de Janio de Freitas na Fel-lha:

(...)

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar "trabalhando nisso como um louco".

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo "mercado", pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.

Para onde vai esse desastre em sua fase judicial, continuaremos sem saber. As gravações de Joesley Batista ainda aumentam muito a obscuridade, com pequena menção que a conveniência deu por despercebida pelo pasmo.

Como queixa por perseguições a sua maior empresa, ele conta a Temer ter visto o vídeo da delação de Sérgio Machado, o ex-diretor da Petrobras que gravou Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. Esta é a cena: procuradores da Lava Jato dizem a Machado que fale sobre a JBS, Machado diz desconhecer fatos que incluam a empresa.

Os procuradores insistem em vão. Até que Machado aparece lendo um pequeno papel, decora o lido, e o recita como depoimento: é uma acusação à JBS. Não há menção a quem lhe passou o dizer exigido. Nem era necessária, para proporcionar a advogados mais um questionamento e a magistrados isentos um problema, sobre certos métodos e motivos da Lava Jato.

(...)



Conversa Afiada

Globo reconhece que não há conta de Lula e Dilma





Tijolaço

Janio de Freitas e o necrológio político de Aécio



POR FERNANDO BRITO · 21/05/2017




Janio de Freitas, hoje, na Folha de S. Paulo, faz o necrológio de Aécio Neves, o recém falecido e nada pranteado morto da política brasileira.

Aécio é apenas mais uma prova do cinismo das elites brasileiras que, como recorda nosso mestre Janio, o apresentaram como um projeto para o Brasil.

Projeto, vê-se hoje, de que tipo.

(…)não falta quem, para receber os generosos prêmios dados aos delatores, mostre mais aos brasileiros como é de verdade o seu país. Nem faltam candidatos a ver-se, de repente, passando de louvados a execrados. Como a estrela do bom-mocismo, Aécio Neves.

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar “trabalhando nisso como um louco”.

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo “mercado”, pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.

Fica o epílogo de Aécio Neves como um alerta para os áulicos de João Doria.



Tijolaço

PLANALTO TEME QUE CHIPS EM MALA PROVEM QUE PROPINA CHEGOU A TEMER



"Um dos grande temores de auxiliares de Michel Temer é que os chips na mala de dinheiro entregue a Rodrigo Rocha Loures ou o uso das notas marcadas em meio à propina compliquem a situação do presidente", diz o colunista Lauro Jardim neste domingo, 21, sobre a mala com R$ 500 mil entregue pela JBS com destino a Michel Temer; "Embora Temer siga dizendo que não recebeu propina alguma, assessores do Palácio do Planalto temem que a Polícia Federal consiga identificar que, de alguma maneira, o dinheiro chegou até ele", diz Jardim

21 DE MAIO DE 2017


247 - Entre as preocupações de Michel Temer com as revelações de que cometeu corrupção, associação criminosa e obstrução da Justiça, feitas pela JBS, está o temor de que os chips implantados na mala com R$ 500 mil em propina entregue ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) provem que ele recebeu o dinheiro.

É o que revela o colunista Lauro Jardim, do Globo, neste domingo, 21. Leia a nota:

"O medo do Planalto

Um dos grande temores de auxiliares de Michel Temer é que os chips na mala de dinheiro entregue a Rodrigo Rocha Loures ou o uso das notas marcadas em meio à propina compliquem a situação do presidente. Embora Temer siga dizendo que não recebeu propina alguma, assessores do Palácio do Planalto temem que a Polícia Federal consiga identificar que, de alguma maneira, o dinheiro chegou até ele." 

A Polícia Federal já investiga se a propina paga ao deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi repassada a Michel Temer. Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o executivo Ricardo Saud afirmou que tem "certeza absoluta" que o suborno foi destinado a Temer. Indagado pelos procuradores a confirmar a afirmação, o executivo da J&F é taxativo. "Com as minhas palavras, eu tenho certeza absoluta que nós tratamos propina com o Temer. Nós nunca tratamos propina com o Rodrigo. O Rodrigo foi um mensageiro que Michel Temer mandou pra conversar com a gente, pra resolver os nossos problemas e pra receber o dinheiro dele. "

Assista acima.



Brasil 247

Ladrão Temer se escondeu atrás da folha





Conversa Afiada

JN SE CORRIGE E NEGA CONTAS DE LULA E DILMA NO EXTERIOR




Depois de martelar anteontem,minutos a fio, que o delator Joesley Batista havia dito que havia contas de Lula e Dilma no exterior, somando US$ 150 milhões de dólares, o Jornal Nacional se “corrigiu” ontem em alguns segundos; apresentador William Waack reconheceu que não há conta dos ex-presidentes, mas apenas a alegação do dono da JBS de que teria mantido contas com finalidade de fazer frentes a gastos políticos; assista 

21 DE MAIO DE 2017


Por Fernando Brito, do Tijolaço - Depois de martelar anteontem,minutos a fio, que o delator Joesley Batista havia dito que havia contas de Lula e Dilma no exterior, somando US$ 150 milhões de dólares, o Jornal Nacional se “corrigiu” ontem em alguns segundos.

O apresentador William Waack reconheceu que não há conta dos ex-presidentes, mas apenas a alegação do dono da JBS de que teria mantido contas com finalidade de fazer frentes a gastos políticos.

Depois de espalhada a mentira, é “moleza” dizer que “não era bem assim”.

Assista videdo do minuto em que o desmentido é feito.



Brasil 247

sábado, 20 de maio de 2017

A prisão de Andrea Neves e a imprensa mineira, por Maíra Vasconcelos

SAB, 20/05/2017 - 10:01


A prisão de Andrea Neves e a imprensa mineira

por Maíra Vasconcelos

A prisão de Andrea Neves, irmã de Aécio (PSDB), teve particular repercussão em Belo Horizonte. Conhecida como “mãos de tesoura”, Andrea vigiou de perto a redação dos principais jornais da capital, cuidou de vetar informações e dirigir reuniões de pauta. Manteve as publicações jornalística seguras em mãos de cabresto, durante os anos de governo do hoje senador afastado Aécio Neves (2003-2007 / 2007-2010).

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJP-MG), reservou-se o direito de decretar o dia 18 de maio, quando Andrea foi presa em Belo Horizonte, e levada a penitenciária de mulheres, como o “dia da liberdade de imprensa em Minas Gerais”.

Houve festejo na sede do sindicato. Ontem, aconteceu o extravasamento de uma categoria impedida de abordar determinados fatos e fontes, foi o alívio do jornalismo por anos censurado, numa legítima sensação de contas acertadas com um governo específico. A festa teve o tom da consciência profissional social pela democracia do direito à informação. Ao menos é essa a postura, hoje, da direção do sindicato dos jornalistas de Minas.

O tradicional jornal Estado de Minas, em sua edição de hoje, não publicou foto de Andrea Neves saindo da viatura, chegando ao IML para exame de corpo delito, ou aquela foto de perfil, dispensável, com o número de sua detenção. Outras mídias, tanto regionais como nacionais, abusaram da foto de Andrea enquadrada, isso que a meu ver não confere de forma alguma uma necessidade jornalística, em nenhum caso, e apenas incita o linchamento público.

Para além das euforias momentâneas, a prisão de Andrea Neves torna público e traz à tona o importante debate sobre o direito à informação e a realidade dos interesses políticos dos meios de comunicações, e como isso afeta a sua produção jornalística. A saída de Andrea Neves das redações de Belo Horizonte, o que aconteceu com o término do governo Aécio em 2010, não libertara a imprensa mineira, que segue com a linha editorial política afetada por escolhas partidárias, imersa em uma *crise alarmante e que não terá abasto com prisões e nem com mudança de governos e partidos. O jornalismo, em seu fundamento, tem essa capacidade independente de se despegar de governos. Assim, o episódio Andrea Neves apenas joga à imprensa mineira uma série de perguntas sobre o exercício da profissão e sobre a crise na qual permanece afundada.

*O jornal Hoje em Dia, cujo dono é Ruy Muniz, deu calote em 36 profissionais que foram mandados embora e não receberam o salário do mês, nem o devido acerto referente aos direitos trabalhistas.

Em homenagem aos jornalistas Ângela Carrato e Geraldo Elísio, que foram perseguidos e que se dedicam há anos a denunciar os abusos dos irmãos Aécio e Andrea Neves.



Jornal GGN

Para entender a lógica e o timing da Lava Jato, por Antonio Lassance

sAB, 20/05/2017 - 16:47
ATUALIZADO EM 20/05/2017 - 16:49

Por Antonio Lassance*

Foto: Reprodução

Os destinos do país em 2018

Primeiramente, a crise está de volta às ruas. "Fora, Temer!" e "eleições diretas, já!" são as palavras de ordem.

Para aprovar as diretas, é preciso uma proposta de emenda à Constituição. Uma PEC, mesmo que aprovada a jato, cumprindo rigorosamente a Constituição e o regimento das duas casas do Congresso, demandaria de 4 a 6 meses. A PEC do teto de gastos (PEC 55/2016), aprovada a toque de caixa e com forte pressão do governo Temer, então com amplo respaldo congressual, foi votada em 6 meses.

A organização das eleições pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ser feita em 70 dias. Esse foi o prazo informado pelo TSE, em 2013, quando se cogitou fazer, às pressas, um plebiscito da reforma política. Mas se essa organização, preventivamente, for feita de forma concomitante à tramitação da PEC das diretas, as eleições poderiam ser realizadas quase imediatamente após a promulgação da emenda. Com sorte e, principalmente, muita pressão popular, teríamos um novo presidente em dezembro de 2018. O eleito governaria por cerca de um ano.


Enquanto isso, o país seria governado por um presidente interino, por 30 dias, e, em seguida, por um presidente com mandato tampão, até dezembro de 2017 ou até que um novo presidente seja eleito, se houver emenda das diretas aprovada. Na prática, a emenda das diretas reduziria o mandato desse presidente tampão. Ele saberia que não tem legitimidade nem tempo para promover grandes reformas, principalmente, sendo escolhido pelos deputados e senadores que passarão para a história por terem elegido Cunha, derrubado Dilma, empossado Temer e sido denunciados na Lava Jato.

Como se sabe, o presidente interino, que governaria por trinta dias, pode ser, conforme a linha de sucessão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e se esse não vier a assumir, o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Maia e Eunício estão totalmente metidos em denúncias. Se um dos dois resolver pagar a aposta e assumir, pode ser rapidamente impedido, caso vire réu no Supremo. Para isso acontecer, basta o Procurador-Geral pedir e o ministro Fachin aceitar, ou levar a decisão ao pleno do STF. Fachin tem mostrado que age muito facilmente sob a pressão das ruas e da imprensa - o que for mais forte.

Caso nem Maia nem Eunício assumam, a Presidência da República seria ocupada pela atual presidenta do Supremo, Carmem Lúcia. Quem passaria a comandar o Supremo seria seu vice, Ministro Dias Toffoli, até o retorno de Carmem após a eleição indireta de um novo presidente.

Duas coalizões se digladiam pelo poder. Nenhuma delas é popular

O destino do país e da Presidência da República depende fundamentalmente do povo nas ruas, mas, neste momento, há duas coalizões principais que se digladiam na disputa pelo poder. Nenhuma delas é popular. Nenhuma cogita eleições diretas já.

Uma coalizão é a do grande acordo nacional. Essa é a coalizão comandada por Temer, que assumiu o comando do país com o afastamento de Dilma e que tem como base política o PMDB, o PSDB e o DEM, e como base jurídica o grupo do Supremo conformado por Gilmar e Alexandre de Moraes. Essa coalizão tinha como programa "estancar a sangria" dos políticos e do mercado. Estancar a sangria política seria encerrar a Lava Jato, controlar o Supremo, o Ministério Público e a Polícia Federal. Estancar a sangria econômica seria estabilizar a economia do País e aplicar um programa de reformas que transfira renda dos trabalhadores para as empresas, por meio de duras reformas.

O sonho dessa coalizão seria implantar o parlamentarismo no país. Desmoralizada perante a opinião pública, sobretudo pela presidência de Cunha e Renan, pelas reformas da Previdência e trabalhista e pelas sucessivas denúncias de corrupção, essa coalizão esperava no mínimo preparar o terreno para a eleição de um candidato em 2018 que continuasse esse programa impopular - Alckmin ou Doria.

A outra coalizão é a da Lava Jato, que tem como agenda principal fortalecer o poder do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário sobre os destinos do País. O que quer essa coalizão? O mesmo que os políticos, guardadas as devidas proporções: poder, prestígio e dinheiro. O mote principal desse projeto é o combate à corrupção, mas o interesse fundamental desses grupos é garantir o controle sobre decisões essenciais ao país e a remuneração de suas corporações em níveis que, internacionalmente, não têm paralelo.

Ambas as coisas estão interligadas. Quanto mais poderosas essas corporações se tornam, impulsionadas pela agenda do combate à corrupção, maior a justificativa para que elas sejam muito bem remuneradas e blindadas inclusive quanto a relações promíscuas que estabelecem com o setor privado.

O caso de juízes que vendem sentenças; a prisão de um dos procuradores, descoberto por vender segredos da Lava Jato para a JBS; dos procuradores cujos parentes têm escritórios cuidando de investigados e a situação, quase inimaginável, de procuradores licenciados para advogarem para empresas denunciadas por eles mesmos demonstra o quanto o poder absoluto que o Ministério Público ambiciona abre espaço para práticas espúrias, tão corruptas quanto as que denuncia.

O mercado, comandado pelos bancos e outras grandes corporações, é sócio da maioria dos políticos. Financia suas campanhas e compra suas decisões a peso de ouro. Se alinha facilmente a qualquer grupo no poder que queira fazer política como negócio. O mercado esteve com Temer até que ele começou a falhar em entregar as reformas.

A velha mídia, cuja força hegemônica é das organizações Globo, segue a lógica do mercado, de quem faz parte. A velha mídia é composta por grandes empresas, não tão grandes quanto as que lhe financiam, e vende seus produtos (notícia e entretenimento) com base em sua audiência e na aderência à defesa dos interesses do mercado.

Para entender a lógica e o timing das revelações sobre Temer e Aécio

As revelações contra Temer e Aécio têm como propósito principal fortalecer a posição do Ministério Público e a manutenção de seu Procurador-Geral, Rodrigo Janot, no momento em que era ameaçado nas três frentes - Executivo, Legislativo e Judiciário.

Janot tem até o final deste mês para decidir se concorre ou não a um novo mandato. A votação dos procuradores deve ocorrer ao final de junho. Só faz sentido para Janot entrar na lista se for para ganhar. Para isso, precisa se manter em evidência entre os procuradores e ter força suficiente para intimidar o Congresso e o presidente da República a aceitá-lo goela abaixo.

A fratura exposta de Temer e Aécio veio, coincidentemente - se é que alguém ainda acredita em coincidências -, no dia seguinte em que o presidente revelou que não estava disposto e comprometido a indicar o primeiro da lista de procuradores para ser o chefe do Ministério Público. Ou seja, Temer insinuou que iria rifar Rodrigo Janot.

Também por coincidência, a revelação contra Aécio veio uma semana depois de Janot ter trocado farpas com o ministro Gilmar Mendes. Gilmar é quem manda hoje no Supremo, e não Carmem Lúcia, que se tornou mera figura decorativa e cujo principal papel é produzir gafes e jantares.

Mais do que isso, é público e notório, e é assim entendido no Ministério Público, que Gilmar é quem dá a linha no PSDB sobre como tourear procuradores e as demais instâncias do Judiciário. Se, como dizia Jucá, Temer é Cunha; Gilmar é Aécio. Gilmar é, no STF, a figura central do "grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo", e costurava a estratégia de recolocar o MP sob controle, como nos velhos tempos de Geraldo Brindeiro - conhecido como o engavetador-geral da República.

O PSDB, sócio principal do governo Temer e com um presidente de partido que, por baixo dos panos, costurava ativamente contra o Ministério Público, confiava em Gilmar para servir de anteparo. Esqueceram apenas de combinar o jogo com os russos, no caso, Fachin, que se indispôs com Gilmar e foi criticado por ser um juiz pouco interessado na lei e na Constituição e mais em obedecer ao MP. Fachin acabou de provar que é isso mesmo. Está lá à disposição para cumprir esse papel.

Para entender a Globo

A Globo, como ela própria confessou em editorial, era entusiasta do governo Temer por sua agenda de reformas e também, isso inconfessado, pelas generosas verbas de publicidade que Temer liberou para as mídias decadentes e que tanto precisavam de dinheiro nesse momento de crise.

A reviravolta das revelações contra Temer e a opção editorial da Globo pela renúncia ou impeachment se dá por duas razões claras. Em primeiro lugar, a Lava Jato é hoje a principal notícia do país. A Globo, desde o início, é o veículo preferencial dos vazamentos. Essas notícias rendem grande audiência e verbas que ampliam sua publicidade.

Recusar os vazamentos levaria a Globo a perder sua preciosa fonte. A entrega das informações do MP ao jornal O Globo e à emissora de tevê foi feita na ofensiva de Janot contra Temer e Aécio para derrotar esses dois adversários. Os vazamentos são inseparáveis da estratégia do Procurador-Geral, pois são por ele controlados. Para a Globo, era pegar ou largar. Ela precisava dar sustentação a Janot em sua briga ou perderia a primazia nos vazamentos.

Outro fator essencial é dado pelo mercado financeiro. A situação de Temer frustrou qualquer expectativa de que o governo consiga levar as reformas adiante. Ao contrário, já se considerava que Temer estava enfraquecido no Congresso e demonstrando grandes dificuldades na tramitação da reforma Previdenciária e mesmo em aprovar a reforma trabalhista no Senado.

Temer não interessa mais à Globo porque, no mercado, é considerado incapaz de entregar o que prometeu.

O "gran finale": condenar Lula

Outro propósito essencial das revelações é o de fazer crer que a Lava Jato é baseada em provas, e não em convicções, e que seria isenta e apartidária, atingindo a todos indiscriminadamente, sejam eles o presidente da República ou até mesmo o senador tucano queridinho de delegados da operação - aqueles que lhes fizeram declarações de amor no Facebook - e com quem Moro trocou conversas ao pé do ouvido. Esse propósito é fundamental para o passo seguinte e mais importante da Lava Jato: condenar Lula.

A convivência pacífica costurada por Lula com o mercado, em seus dois mandatos, acabou rompida no governo Dilma, quando Unibanco, Santander, Fiesp, montadoras de automóveis, os conglomerados de comunicação e tantas outras grandes corporações passaram abertamente a atacar o PT, a financiar Cunha e a conspirar pelo impeachment.

A condenação de Lula é líquida e certa desde quando o inquérito foi remetido a Moro. Estamos há um mês para o dia D da Lava Jato, quando ocorrerá a condenação de Lula pela suposta propriedade de um triplex, apenas com base em delações.

Em seguida, o processo seguirá para a segunda instância, dessa vez colegiada, e que selará a pá de cal sobre a candidatura Lula em 2018, tirando do páreo quem é, disparado, o candidato mais popular em todas pesquisas.

A coalizão da Lava Jato já decidiu: Lula precisa ser condenado, e o será. É uma questão de honra e de autoafirmação. A única dúvida é se ele será conduzido a um presídio ou se será determinada a prisão domiciliar e a aplicação de uma tornozeleira eletrônica. Essa segunda opção proporcionaria um ar de ponderação e isenção à Lava Jato, em vista da idade de Lula e de sua condição de ex-presidente.
O relevante para a coalilzão da Lava Jato é desmoralizá-lo e mitigar o risco de transformá-lo em vítima pelo encarceramento, cumprindo o essencial: evitar que ele dispute 2018.

Pós-Lula

Não há hoje uma coalizão democrática e popular devidamente articulada, com lideranças com suficiente protagonismo para conduzir uma solução capaz de ser institucionalizada e tornar o país mais democrático, mais justo e menos corrupto. A Lava Jato também demonstrou que não tem projeto de país e sequer é capaz de combater efetivamente as práticas corruptivas. Mesmo Cunha, preso, conforme reconhecem os procuradores, continuava atuando.

As mobilizações de rua e a articulação de movimentos populares são a única possibilidade de surgir um fermento social capaz de implodir a lógica do atual sistema político, provocar mudanças e romper com os riscos de um país tutelado por uma burocracia judicial que, se não for controlada, pode se tornar um poder autoritário e corrupto que não deixa nada a dever aos atuais partidos dominantes.

Mas as forças populares estão fracas e dispersas. Apesar do retorno das mobilizações e da unificação das lutas em torno das bandeiras do "Fora, Temer!" e "Diretas, Já!", o fato é que não há nem coalizão popular, nem comando e nem projeto devidamente coerente, consistente e articulado.

O país precisaria não só barrar a reforma da Previdência, reverter a reforma trabalhista e a PEC dos gastos. Para rivalizar com a coalizão do "grande acordo nacional", seria preciso um projeto capaz de reformar o atual sistema partidário e eleitoral e reconstruí-lo em novas bases, mais democráticas, mais participativas, de maior controle sobre os eleitos e renovação de seus quadros. 

Boa parte das lideranças sociais que despontaram na crise deveria formar uma nova geração de políticos intimamente conectados às suas bases, superando o descolamento atual que se vê nos partidos, e com uma agenda de reformas de controle social sobre a política.

Para rivalizar com a coalizão da Lava Jato, seria importante um programa para fortalecer o Estado, "desmamar" as corporações de seus privilégios e criar instrumentos para blindar o Estado rigorosamente da promiscuidade com o setor privado. Para tanto, é preciso que surja uma maior coordenação com juízes, procuradores e policiais federais que fortaleça, sem mordaça, o propósito democrático e republicano dessas corporações.

Do contrário, o país continuará à mercê de seus predadores, sejam eles políticos, empresários, burocratas ou mídia. Como se vê, o Brasil tem sido vítima da ação perversa desses quatro cavaleiros do apocalipse. Enquanto isso persistir, o poço continuará sem fim.

* Antonio Lassance é cientista político. Artigo publicado originalmente na Carta Maior.



Jornal GGN

Quem são os juízes que o Joesley comprou? Paulo Henrique Amorim





Conversa Afiada

IRRITADO, TEMER CHAMA EX-ASSESSOR DE ‘IDIOTA’ E ‘SACANA’

Após a delação da JBS, Michel Temer afirmou a interlocutores que está decepcionado com seu ex-assessor e deputado federal pelo PMDB-PR, Rocha Loures, a quem tem chamado de “imbecil”, “idiota”, “sacana”; ele tem recebido relatos de que o congressista, quando estava no Planalto, dava ordens em seu nome sem que Temer soubesse; perdendo apoio até da base e rejeitado por quase 100% dos brasileiros, Temer vê seu governo indo cada vez mais para o abismo, principalmente após o procurador Rodrigo Janot confirmar que ele e o senador Aécio Neves (PSDB) agiram para estancar a Operação Lava Jato

20 DE MAIO DE 2017 

247 - Após a delação da JBS, Michel Temer afirmou a interlocutores que está decepcionado com seu ex-assessor e deputado federal pelo PMDB-PR, Rocha Loures, a quem tem chamado de “imbecil”, “idiota”, “sacana”. Ele tem recebido relatos de que o congressista, quando estava no Planalto, dava ordens em seu nome sem que Temer soubesse. A informação é da Coluna do Estadão.

De acordo com os donos da JBS, os empresários Joesley Batista e seu irmão Wesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS).

Depois, o parlamentar foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. O empresário disse a Temer que estava dando ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?". O teor das delações foi publicado pelo colunista Lauro Jardim, do Globo.

Em nota, Temer disse que "jamais" solicitou pagamentos para obter o silêncio de Cunha e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento" para evitar delação do correligionário. 

Em delação premiada, o diretor da JBS Ricardo Saud afirmou que Temer, durante a campanha à reeleição em 2014, embolsou R$ 1 milhão de R$ 15 milhões em propina que o PT havia mandado a empresa dar para o então vice-presidente. "Michel Temer fez uma coisa até muito deselegante. Nessa eleição, eu só vi dois caras roubar deles mesmos. Um foi o (Gilberto) Kassab, outro o Temer", disse Saud, em referência também ao ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações de Temer, segundo o BuzzFeed Brasil.

Movimento para estancar a Lava Jato

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) agiram "em articulação" para impedir o avanço da Lava Jato.

"Verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio de controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos", afirma Janot, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).



Brasil 247