sexta-feira, 23 de junho de 2017

Senadores que apoiaram golpe agora são "independentes" e ameaçam reformas de Temer

SEX, 23/06/2017 - 17:21
ATUALIZADO EM 23/06/2017 - 17:49



Senadores Ronaldo Caiado (DEM), Ana Amélia (PP) e Álvaro Dias (PV)

Jornal GGN - Diversos senadores que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff com sua saída do governo e que, até há pouco, apoiavam o mandatário Michel Temer anunciaram "independência" do governo peemedebista. Na lista, estão nomes como a inflamada adepta ao impeachment, Ana Amélia (PP-RS), o senador que chamou o governo Dilma de "incompetente", Alvaro Dias (PV-PR), o que criticou as acusações da Lava Jato no PT, Lasier Martins (PDT-RS) e o senador que apostou em um futuro com Temer, Cristovam Buarque (PPS-DF).

Em seu discurso final a favor do impeachment, no dia 30 de agosto de 2016, Ana Amélia criticou duramente o governo Dilma e Lula, afirmando que ambos "não tinham um projeto de país, mas um projeto de poder" e que o "verdadeiro golpe foi contra milhões de brasileiros desempregados".

Á época, durante a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff no Plenário do Senado, a petista afirmou que as críticas da senadora eram vazias diante do fato de que o governo então interino, de Michel Temer, chegava ao poder sem votos.




Quase um ano depois, Ana Amélia mostra-se orgulhosa de "não ter nenhum vínculo ou dependência do governo". Dizendo-se "independente", afirmou no Plenário da Casa que tem "muita tranquilidade" de anunciar o seu distanciamento de Temer, ainda que tenha o ajudado a assumir efetivamente o Planalto em agosto do ano passado.

Naquele mês, Cristovam Buarque (PPS-DF) tentava se proteger, ao afirmar no discurso favorável ao impeachment que não estava apoiando o governo do peemedebista. Mas apostava as fichas: "Espero que o presidente Temer cumpra seu compromisso de recuperar a estabilidade monetária. Eu voto não olhando o passado, mas sobretudo o futuro. Não estou mudando de lado, estou dando um passo à frente. Estou avançando. (...) Quero ajudar a recuperar as forças progressistas. Estamos fazendo o impeachment não só de Dilma, mas de uma esquerda velha."


Agora, como se seus votos não tivessem sido dados a favor de Temer, disse: "Fica este apelo de todos que falaram hoje (anteontem) aqui em plenário ao presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE): convoque uma reunião e vamos conversar sobre como sair da crise", convidando os senadores contrários ao peemedebista.

Da mesma forma, Acir Gurgacz (PDT-RO), Lasier Martins (PDT-RS), Alvaro Dias (PV-PR) e Reguffe (sem partido–DF) defenderam a queda de Dilma Rousseff, admitindo automaticamente a entrada definitiva de Michel Temer no comando do país até 2018.

"O que há é a consagração da incompetência. [...] Esse é um governo fracassado. Fracassou politicamente, fracassou administrativamente e tem que ser substituído imediamente", havia discursado Alvaro Dias, que agora se soma aos "independentes".

O enfraquecimento da base aliada do mandatário peemedebista no Congresso assumiu força após a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, há mais de um mês, abrindo inquérito contra Michel Temer por obstrução à Justiça e corrupção passiva.

Nesta semana, o relator do processo do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu o prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República apresente denúncia com indícios levantados pela Polícia Federal. O procurador, Rodrigo Janot, deve enviar a peça até a próxima quarta-feira (28).

Na lista dos partidos aliados, mas que não formavam a estrutura do próprio governo, ainda amedrontam a governabilidade do Planalto outros senadores, integrantes de partidos mais próximos e que possibilitaram a aprovação de diversas medidas econômicas de Michel Temer no Congresso.

São os chamados "insatisfeitos". Além do próprio líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que se mostrou descontente com o mandatário, desde o envio das primeiras propostas que afetam diretamente direitos sociais, surgem agora os nomes do líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), e os tucanos Eduardo Amorim (SE), Ataídes Oliveira (TO) e Ricardo Ferraço (ES).

O principal impacto dessa insatisfação deve ocorrer na reforma trabalhista. Levantamento feito pelo site Poder360, dos 23 dos 80 senadores em exercício são contra o projeto e, pelo menos, 29 querem modificações no texto que está tramitando. São apenas 30 os que disseram ser favoráveis ao projeto da reforma como está, outros 21 senadores não se manifestaram.

O envio da denúncia da PGR contra Temer até a próxima quarta pode influenciar, ainda mais, no resultado da proposta de reforma trabalhista no Senado, que terá o relatório votado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) ainda na quarta-feira.


Jornal GGN

PERÍCIA DA PF CONCLUI QUE NÃO HOUVE EDIÇÃO EM ÁUDIO DE TEMER COM JOESLEY

A perícia foi finalizada nesta sexta-feira 23 pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística); os peritos identificaram mais de 180 interrupções "naturais" no áudio da conversa entre Michel Temer e o empresário Joesley Batista nos porões do Palácio do Jaburu; a análise indica ainda que o equipamento utilizado pelo dono da JBS possui um dispositivo que pausa automaticamente a gravação em momentos de silêncio e a retoma quando identifica som; defesa de Temer questionava a legitimidade das gravações, que foram apresentadas como provas por Joesley em seu acordo de delação premiada; o advogado de Temer, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, admitiu nesta quinta que se a perícia da PF não mostrasse nada, seria preocupante; "Se a perícia não mostrar nada, fica difícil", afirmou

23 DE JUNHO DE 2017 


247 - A perícia realizada pela Polícia Federal na gravação da conversa entre Michel Temer e o empresário Joesley Batista apontou que não houve edição no áudio, aponta reportagem da Folha de S.Paulo.

A análise foi concluída nesta sexta-feira 23 pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística). Os peritos identificaram mais de 180 interrupções "naturais" no áudio, que foi gravado por Joesley nos porões do Palácio do Jaburu em março desse ano.

A perícia indica ainda, segundo a Folha, que o equipamento utilizado pelo dono da JBS possui um dispositivo que pausa automaticamente a gravação em momentos de silêncio e a retoma quando identifica som.

A defesa de Temer questionava a legitimidade das gravações, que foram apresentadas como provas pelo dono da JBS como provas de suas denúncias em seu acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

O advogado de defesa de Temer, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, admitiu nesta quinta que se a perícia da PF não mostrasse nada, seria preocupante. "Se a perícia não mostrar nada, fica difícil", afirmou.



Brasil 247

PRESIDENTE DO CONSELHO DE ÉTICA ARQUIVA PEDIDO DE CASSAÇÃO DE AÉCIO


O senador João Alberto Souza (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética no Senado, informou nesta sexta-feira 23 ter arquivado o pedido de cassação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), que havia sido feito pela Rede e pelo PSOL após a delação da JBS; para ele, não há "elementos convincentes para processar o senador"; "Me parece que fizeram uma grande armação contra o senador Aécio", disse

23 DE JUNHO DE 2017 


Minas 247 - O presidente do Conselho de Ética no Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), informou nesta sexta-feira 23 ter arquivado o pedido de cassação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

O pedido foi feito pela Rede e pelo PSOL após a delação da JBS, que atinge diretamente o tucano. Aécio foi flagrado em um telefonema gravado por Joesley Batista pedindo R$ 2 milhões ao empresário. Parte do dinheiro (R$ 500 mil) foi entregue ao seu primo, Frederico Pacheco, que chegou a ser preso, mas passou a cumprir prisão domiciliar nesta semana.

"Decidi arquivar porque não achei elementos convincentes para processar o senador", justificou o presidente do colegiado, segundo o G1. "Me parece que fizeram uma grande armação contra o senador Aécio", acrescentou.



Brasil 247

Além de expôr Temer e Aécio, Janot desmoralizou a Lava Jato de Moro com sua obsessão por Lula e PT. Por Kiko Nogueira



- 18 de junho de 2017

Lima, Moro e Dallagnol


Rodrigo Janot roubou a cena de Sérgio Moro. Era fatal que uma hora isso acontecesse. Cansou.

A Lava Jato de Brasília vem colocando o governo Temer, e sua quadrilha, de joelhos.

Embora o acordo de delação premiada dos irmãos Esley seja absurdo, Janot reuniu muito mais provas contra Michel, Aécio e outros pústulas em alguns meses do que o pessoal da Curitiba contra Lula em mais de três anos.

O que se apresenta contra a tropa de MT é consistente e abrangente.

O braço curitibano acabou desmoralizado em sua caçada obsessiva contra um homem e um partido só.

Você ouviu falar de algum dos “homens de Janot”? Eles aparecem de óculos escuros escoltando bandidos? Dão entrevistas coletivas? Palestras?

Não. A discrição, uma virtude que os rapazes de Moro não possuem, é que dá o tom aqui.

Quem aparece é Janot.

A primeira vez que ele causou foi com a delação da Odebrecht, em que políticos de outros partidos surgiram.

Ficaram conhecidos os apelidos ridículos dos intocáveis — até então — do PSDB, como Serra e Alckmin.

Com a delação da JBS, Janot saiu da sombra, entrou em guerra aberta com Temer e passou a escrever artigos defendendo seus atos.

No último dia 15, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da “República de Curitiba”, reclamou das pessoas que apoiavam a força tarefa “por motivos mesquinhos ou ingênuos”.

Não era verdade que “todo mal estava no governo do PT”, escreveu.

Ora, essa impressão, transformada em certeza por analfabetos funcionais, não foi formada do nada. É fruto do trabalho do pessoal de Lima.

Visto em retrospectiva, depois do que contou Joesley, o que é aquele powerpoint de Dallagnol? O que são as palestras de Deltan em que Lula é vendido como um número do repertório?

O mandato de Janot termina em setembro. Moro, Lima e equipe estão contando os dias até lá.

Seja lá quem for seu substituto, o PGR expôs, além da corja de Temer e Aécio, uma operação que desde 2014 faz carnaval na mídia em torno de um sítio, dois pedalinhos, um triplex, muita convicção, nenhuma evidência e holofotes a granel.



Diário do Centro do Mundo   -   DCM

As palestras de Moro e Dallagnol e a arte de sofismar no direito





Jornal GGN

TEMER DÁ VEXAME TAMBÉM NA NORUEGA

E o general falou... por Fernando Horta


SEX, 23/06/2017 - 08:38


E o general falou...

por Fernando Horta

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas é um grande acerto de Dilma, e só engrandece o país.

Uma vez, atendendo a um encontro no Itamaraty, tive a oportunidade de ouvir alguns dos mais importantes tomadores de decisão em Política Externa no Brasil. A certa altura do encontro, um coronel do exército brasileiro tomou a palavra e começou a falar em “dever”, “pátria”, “ideologia”, “esquerdismo”, “Venezuela” e terminava ligando “movimentos sociais” a “baderna”. Me recordo que a fala do coronel tornou a sala em que ocorria o evento, por alguns minutos, nauseabunda. Acredito que o mesmo discurso, hoje no Itamaraty, seria efusivamente aplaudido. Naquele encontro, em 2013, o breve, mas barulhento silêncio que seguiu ao coronel, foi cortado por um embaixador que disse textualmente: “Coronel, nós, democratas latino-americanos, quando vemos uma pessoa de uniforme, com este óculos “Top Gun” que o senhor tem no bolso, falar em “dever”, “ideologia” e “pátria” na mesma frase, nós temos um calafrio”. A fala do embaixador não apenas devolveu ao ambiente dinâmica como constrangeu o coronel de forma direta. O riso, mesmo contido, que tomou conta do salão ajudou a tornar o momento menos duro.

Nesta quinta feita (22), Villas Boas esteve no senado para falar sobre Relações Exteriores e Defesa Nacional. E o general não usou nenhuma das palavras acima, não usou clichês característicos das falas de oficiais mal preparados e deu um tremendo exemplo de um militar com alta capacidade analítica. O general usou conceitos como “identidade”, “imperialismo”, “anacronismo” e voltou a criticar o governo declarando que o Brasil está “à deriva, sem rumo”. O conhecimento do general a respeito de algumas questões teóricas de História impressiona tanto quanto suas posições a respeito do Brasil atual. Não me pegaria de surpresa se o comandante das forças armadas fosse substituído por Temer, pois claramente há um fosso entre o “ministério de notáveis” que cercam o vice-presidente e Villas Boas.

O ponto alto da fala do general, na minha opinião, é sua crítica àqueles que ainda estão na Guerra Fria. Gente que luta contra o “comunismo” e defende a “liberdade”. Este pessoal saiu de alguma “máquina do tempo que certamente foi produzida em inglês. Quem faz parte de listas de e-mails ou grupos de redes sociais envolvendo soldados, sargentos ou mesmo oficiais de baixa patente do exército brasileiro se apavora com o conteúdo. Um misto de ignorância e paranoia que ainda não conseguiu chegar ao século XXI e que refletem o atraso de pensamento destas pessoas. Dizem que durante o período de Hitler na Alemanha, a palavra “Deutschland”, dita em voz alta nas ruas, provocava minutos de histeria fascista em público. Nestes grupos, escrever “Cuba”, “Che Guevara” ou “Lula” provoca uma profusão de ofensas e agressões vexatória. Isto apenas mostra que o general é ainda mais meritório por não se deixar levar pelo “humor” da tropa, por não “jogar para a torcida”.

Villas Boas demonstra uma posição crítica e nacionalista sem cair no histerismo ufanista que durante tanto tempo caracterizou o exército brasileiro. Herança da “Escola das Américas” e do golpe de 1964. Como comandante militar da Amazônia que foi, o chefe das forças armadas brasileiras tem um “pé atrás” com ONGs, especialmente estrangeiras. Desconfiança que a esquerda responsável também partilha. O general reproduz um certo “senso comum” sobre ONGs que defendem as demarcações indígenas, mas isto não tira o acerto de sua postura. Uma das coisas mais importantes para o Brasil hoje seria uma legislação mais dura e de maior controle sobre ONGs e Think Tanks. Nisto seria proveitoso nos espelharmos nos EUA. A facilidade com que estas organizações atuam e são financiadas no Brasil é alarmante. Algumas acusadas de biopirataria, de tráfico de animais, de serem postos avançados de empresas estrangeiras, manipularem processos políticos e etc., e que continuam operando em nosso país.

Há uma boa discussão a ser feita sobre o modelo de inserção da Amazônia no país. Todavia, o general precisa e tem bagagem para ser ouvido. A ideia dele de que o “desenvolvimento” ajudaria a “proteger” a natureza ou mesmo a sua posição de que os índios são os “principais prejudicados” dentro do modelo de ação do governo para a região precisam ser aprofundadas e questionadas para chegarmos a uma postura mais sólida a respeito da afirmação de que a Amazônia valeria cerca de 23 trilhões de reais. A ideia de Temer de vender terras a estrangeiros certamente namora com este número. É mais uma das inúmeras péssimas iniciativas que o “staff” do vice-presidente tem colocado em votação.

Se, por um lado, sabemos que, para um país que não consegue disciplinar seus policiais a não matarem ou torturem seus cidadãos e que não consegue chegar a um consenso sobre a necessidade da participação popular para o retorno da democracia, exigir um “plano de inserção” para a região amazônica soa distante e quase infactível. Por outro, lado saber que existe um militar da capacidade e conhecimento de Villas Boas no comando do Exército é um alívio em tempos tão bicudos.

Durante o período da ditadura civil militar (64-85), a intelectualidade civil apelidou a “linha castelista” do exército de “pessoal da Sorbonne”. A fina ironia desnudava a total falta de capacidade técnica e conhecimento que era característica dos oficiais “de caserna” da “linha dura”. A comparação entre estes dois grupos de militares, mostrava a “linha dura” claramente despreparada para outra função que não a militar. Assim, o grupo apoiador do general Castelo Branco destacava-se do anterior de forma tão evidente que – ironicamente – parecia que eram oriundos da “Sorbonne”, a universidade ícone da intelectualidade ocidental da época. Pode-se dizer que hoje nosso general comandante tem um pensamento mais progressista, sólido e acurado que qualquer dos “notáveis” que nos governam por indicação de Temer. Em tempos em que o Papa é mais progressista que roqueiros brasileiros da década de 80, Villas Boas faz história.



Jornal GGN

Convicção não é prova, admite Lava Jato. Mas é indício e indício basta.



POR FERNANDO BRITO · 23/06/2017




A Folha publica hoje uma análise onde se indaga, no caso do julgamento do apartamento do Guarujá que a “Força Tarefa” da Lava Jato sustenta ter sido dado a Lula como “comissão” nos contratos da OAS na Petrobras, se indícios são suficientes para condenar o ex-presidente.

Vale a leitura, mas falta dizer que os indícios existem, neste caso, a partir de uma convicção que nasceu lá atrás, com aqueles três promotores paulistas que processaram a Folha por chamá-los de “patetas” – que puseram o ex-presidente no “lote” de uma denúncia de malversação de recursos no acordo que transferiu para a OAS um conjunto de prédios da cooperativa dos bancários de São Paulo.

Como se sabe, a Justiça arquivou a ação e absolveu os acusados. Menos um: Lula, sacado arbitrariamente do processo para ser submetido ao “tribunal especial” de Curitiba.

Então, as convicções foram se seguindo: se Lula visitou o apartamento, é porque ia ficar com ele. E se ia ficar com ele, claro que não ia comprar, ia ganhar da empreiteira. E se esta empreiteira tinha também contratos com a Petrobras, é lógico que isso era uma paga pelos contratos com a estatal.

E como os dirigentes que roubaram na Petrobras foram designados pelo Conselho de Administração da Empresa e o Conselho de Administração da empresa é nomeado por Lula, é lógico que ele nomeou os diretores para ganhar propina, em especial este apartamento no Guarujá.

Tudo se desenvolveu, durante mais de um ano, no terreno da hipótese e da suposição.

Não apareceu um documento que pudesse indicar que o apartamento foi ou estava sendo transferido para Lula.

Não havia, é óbvio, qualquer proporcionalidade entre contratos de bilhões e um mero apartamento de 240 metros quadrados. Não havia qualquer ligação objetiva entre estes contratos e o benefício alegado.

O que havia, além da visita ao prédio? Recibos de pedágio mostrando que Lula foi duas ou três vezes à baixada santista em cinco anos – certamente menos do que grande parte dos moradores de São Paulo, um porteiro de comportamento esquisito que diz que “todo mundo sabia” que o apartamento era de Lula e muita, muita convicção de que “tinha da ser de Lula”.

Então, à undécima hora, achou-se uma “prova testemunhal”. O ex-executivo da empreiteira, apodrecendo na cadeia, resolve confirmar tudo, apresentando fotos onde tomava “umas cachaças” com Lula e e-mails cheios de anotações de advogados sobre o que devia destacar. Ato contínuo, pediu ao doutor juiz um “desconto” polpudo em sua pena.

Qualquer um que tenha sido repórter de polícia lembra dos tempos em que o “doutor delegado” arranjava alguém, já bem atolado em outros crimes, para “assinar” mais um.

É este o resumo da ópera da “prova indiciária” neste caso, montado desde o início para “pegar o Lula”.

Como diz o promotor aposentado e professor de Processo Penal Afrânio Silva Jardim, escolheram o criminoso e passaram a procurar o crime.

Os promotores dizem que “faltaram explicações convincentes de Lula”, exatamente como definido pelo professor de Direito Penal Nilo Batista: “para quem deseja previamente a condenação do réu, a prova do processo é um mero detalhe” e, aó, passamos à estranha situação de inversão de ônus da prova penal: eu tenho de comprovar que não matei Dana de Tefé ou Odete Roittman.

Este é um processo que tem o final pronto desde o início.

É político. não jurídico e, por isso, tem de ser enfrentado politicamente, mais que por meios jurídicos.


Tijolaço

FOLHA ADMITE QUE LULA PODE SER CONDENADO APENAS COM BASE EM INDÍCIOS

DIRCEU: “NÓS PRECISAMOS OCUPAR AS RUAS DESSE PAÍS”

PETROBRAS PROPÕE ESTUDO PARA IPO DA BR DISTRIBUIDORA

A diretoria da Petrobras espera apresentar em julho ao conselho de administração da companhia proposta de estudos para a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora, disse nesta quinta-feira o presidente da estatal, Pedro Parente, acrescentando que essa seria, na avaliação dele, a melhor forma de proporcionar mais valor à companhia; petroleiros contestam plano de venda de ativos que vem sendo tocado por Parente

23 DE JUNHO DE 2017

SÃO PAULO (Reuters) - A diretoria da Petrobras espera apresentar em julho ao conselho de administração da companhia proposta de estudos para a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora, disse nesta quinta-feira o presidente da estatal, Pedro Parente, acrescentando que essa seria, na avaliação dele, a melhor forma de proporcionar mais valor à companhia.

"Já vimos um grande número de IPOs neste ano e achamos que temos condições de mercado que são extremamente favoráveis, com múltiplos que são atraentes, para que a empresa considere esta medida", disse Parente a jornalistas, após anunciar a proposta durante evento com investidores.

Anteriormente, a Petrobras pretendia vender o controle da BR Distribuidora a investidores estratégicos, mas o processo foi suspenso por decisão judicial.

A BR Distribuidora é considerada um dos ativos de maior valor no programa de desinvestimentos da estatal, que projeta arrecadar 21 bilhões de dólares no biênio 2017/18.

Há cerca de dois anos, o UBS avaliou a unidade de combustíveis da empresa em cerca de 10 bilhões de dólares.

Parente disse que ainda não há definição sobre os percentuais da BR que Petrobras poderia incluir no IPO ou se poderia abrir mão de controle. Ele disse que essas questões devem ser discutidas pelo conselho, assim como o montante que poderia ser levantado com a eventual operação.

"(O IPO) tem muito mais a ver com que alternativa poderia proporcionar mais valor para a empresa. E, neste momento, dadas as condições de mercado, esta deve ser a alternativa que deve ser aprofundada."

IMPASSE

Questionado se uma resolução sobre a dívida da Eletrobras com a Petrobras deveria ser equacionada antes de o IPO da BR seguir adiante, ele afirmou que é prematuro falar sobre tais questões, mas que certamente elas têm que ser encaminhadas.

Ele ressaltou que a BR hoje só vende combustíveis para a unidade da Eletrobras no Amazonas com pagamento antecipado. "(Então) sob o ponto de vista da BR, (a dívida) não aumenta de tamanho, claro tem o saldo devedor para encaminhar a discussão."

A dívida bilionária da Eletrobras com a Petrobras ocorre em função do não pagamento pelo combustível fornecido para usinas térmicas. A Petrobras teve no primeiro trimestre 9,8 bilhões de reais em contas a receber junto a empresas do Grupo Eletrobras, dos quais 8,2 bilhões referentes à Eletrobras Amazonas.

(Por Laís Martins; texto de Roberto Samora)



Brasil 247

VIAGEM DE TEMER À EUROPA FOI VEXAME INTERNACIONAL PARA O BRASIL, DIZ MELLO FRANCO

ADVOGADO DE TEMER JÁ AMEAÇA JOGAR A TOALHA

"Se a perícia não mostrar nada, fica difícil", afirmou o advogado Antônio Claudio Mariz, contratado para defender Michel Temer nas investigações sobre o caso JBS; Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista dando aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha, mas sua defesa alega que os áudios podem ter sido adulterados; para a Polícia Federal e o Ministério Público, a acusação independe dessa perícia, ainda não concluída, pois existem outros elementos de prova; Mariz também protestou contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que validou as delações da JBS e manteve o ministro Edson Fachin como relator; "Hoje me preocupei muito com a decisão do Supremo ao dizer que delação premiada não pode ser anulada. Na verdade, o Supremo está se despojando de um direito-obrigação que ele tem, que é o de dizer o Direito"

23 DE JUNHO DE 2017 



247 – O advogado de Michel Temer, Antônio Claudio Mariz, já demonstra os primeiros sinais de desânimo em relação às chances de seu cliente ser salvo.

"Se a perícia não mostrar nada, fica difícil", afirmou, segundo relato da jornalista Thais Bilenky.

Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista dando aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha, mas sua defesa alega que os áudios podem ter sido adulterados.

Para a Polícia Federal e o Ministério Público, no entanto, a acusação independe dessa perícia, ainda não concluída, pois existem outros elementos de prova.

Mariz também protestou contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que validou as delações da JBS e manteve o ministro Edson Fachin como relator. "Hoje me preocupei muito com a decisão do Supremo ao dizer que delação premiada não pode ser anulada. Na verdade, o Supremo está se despojando de um direito-obrigação que ele tem, que é o de dizer o Direito", afirmou, durante palestra na Casa do Saber, em São Paulo. "Me espanta que o Supremo tenha lavado as mãos", afirmou o advogado.

O advogado de Temer também criticou a Lava Jato. "A Lava Jato vai acabar, um dia ela termina, mas o efeito imediato é terrível. Os juízes jovens querem ser os novos Moros [em referência a Sergio Moro], acham que são combatentes do crime, um grande erro", afirmou. "A sociedade precsia ser alertada de que um dia precisará de princípios."



Brasil 247

TEMER SERÁ DENUNCIADO POR CORRUPÇÃO NA SEGUNDA

A primeira denúncia contra Michel Temer, pelo crime de corrupção passiva, no caso da mala de R$ 500 mil entregue pela JBS a seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, deverá ser apresentada na segunda-feira pelo procurador-geral Rodrigo Janot; com isso, o Brasil viverá uma situação inédita: terá pela primeira vez um ocupante da presidência da República apontado como corrupto pela Polícia Federal e pelo Ministério Público; desde o estouro do escândalo JBS, a aprovação a Temer foi a quase zero – apenas 2% o aprovam; a denúncia deverá também intensificar as pressões por sua renúncia e pela formação de um pacto político em busca de uma saída para o Brasil, que se tornou um ator desmoralizado na cena internacional; em plena viagem a Noruega, Temer viu o país anfitrião reduzir em R$ 196 milhões doações para um fundo contra o desmatamento no País

23 DE JUNHO DE 2017 


247 – Michel Temer será denunciado na segunda-feira 26 por corrupção passiva pelo procurador-geral Rodrigo Janot. A denúncia será ancorada no caso de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala com R$ 500 mil em propinas, pagas pela JBS. De acordo com a empresa e com os investigadores da Polícia Federal, Temer é apontado como o destinatário final dos recursos. 

Outras denúncias contra Temer, por obstrução judicial e organização criminosa, serão apresentadas na sequência – o que obrigará a Câmara dos Deputados a votar três vezes se aceita ou não uma acusação contra ele. As informações sobre a data da primeira denúncia são dos jornalistas André de Souza, Carolina Brígido e Fernando Eichenberg, no jornal O Globo.

Com isso, o Brasil viverá uma situação inédita: terá pela primeira vez um ocupante da presidência da República apontado como corrupto pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Desde o estouro do escândalo JBS, a aprovação a Temer foi a quase zero – apenas 2% o aprovam.

A denúncia deverá também intensificar as pressões por sua renúncia e pela formação de um pacto político em busca de uma saída para o Brasil. Ontem, o PSB, ex-aliado de Temer, pediu sua renúncia e a convocação de diretas.

Desde o golpe de 2016, o Brasil se tornou um ator desmoralizado na cena internacional. Em plena viagem a Noruega, Temer viu o país anfitrião reduzir em R$ 196 milhões doações para um fundo contra o desmatamento no País, alegando que o governo atual não vem protegendo o meio ambiente.



Brasil 247

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Eu quero conversar com os militares





Conversa Afiada

Uma voz militar lúcida: Villas Bôas condena venda de terras e Exército-policial



POR FERNANDO BRITO · 22/06/2017




Ao falar, hoje, no Senado Federal, o comandante do Exército assumiu posições corajosas e lúcidas, que dão a todos a esperança de que as nossas Forças Armadas não estão dispostas a embarcar em qualquer aventura entreguista e repressiva:

Villas Bôas disse ser contrário à venda de terras nas regiões fronteiriças, ressalvando que se absteria de comentar a questão em relação a outras partes do território. Disse que vê com “preocupação” uma maior abertura para a exploração das riquezas minerais por empresas de fora. Mencionou que o Exército tem levantamentos sobre a “estranha coincidência” entre a demarcação de terras indígenas com a presença das riquezas minerais.

Que não são poucas, porque ele disse que as estimativas do Exército situam em US$ 23 trilhões os recursos naturais da Amazônica.

Para ele, as populações indígenas hoje são as principais vítimas disso, pois seriam utilizadas por interesses ligados ao ambientalismo na definição de unidades de conservação e depois “abandonados à própria sorte”

O general afirmou que o país é vítima de uma visão que opõe o desenvolvimento à preservação ambiental.

– Morei lá por oito anos e penso justamente o oposto. O que vai salvar a região amazônica, inclusive a natureza, é o desenvolvimento. É a implantação de polos intensivos para empregar aquela grande mão de obra, impedindo que ela vá viver do desmatamento extensivo – defendeu.

Mas Villas-Bôas foi além. No G1, diz que o Exército “não gosta” do uso de militares em atividades de segurança pública, que classificou como “desgastante, perigoso e inócuo”.

-Eu, periodicamente, ia até lá [Favela da Maré, ocupada pelo Exército por meses a fio] e acompanhava nosso pessoal, nossas patrulhas na rua. E um dia me dei conta, nossos soldados, atentos, preocupados, são vielas, armados, e passando crianças, senhoras, pensei, estamos aqui apontando arma para a população brasileira, nós estamos numa sociedade doente”

Numa mostra que, ao contrário dos que acham que as Forças Armadas são compostas de brutucus sem visão estratégica, o comandante do Exército fez uma definição preciosa da razão que obriga um país como o Brasil a ter um projeto próprio de desenvolvimento nacional, ao contrário dos que acham que o negócio é aderir a tudo o que vem de fora.

Depos de dizer que foi um equívoco o país deixar-se levar pela confrontação ideológica da Guerra Fria, que nos dividiu e levou ao abandono de um projeto nacional e evolui hoje para a “perda da identidade e o estiolamento da auto-estima”.

– Se fôssemos um país pequeno, poderíamos nos agregar a um projeto de desenvolvimento de um outro país. Como ocorre com muitos. Mas o Brasil não pode fazer isso, não temos outra alternativa a não ser sermos uma potência. Não uso esse termo na conotação negativa, relacionada a imperialismo, mas no sentido de que necessitamos de uma densidade muito grande.



Tijolaço

Acordo Globo-EUA: US$ 0,5 bi pela cabeça da juventude.



POR FERNANDO BRITO · 22/06/2017




Matéria do mais prestigioso jornal de negócios dos EUA, o Wall Street Journal, para dar a vocês a ideia de quando vale fazer a cabeça de nossa juventude:
Com o objetivo de garantir um investimento em private equity de US$ 450 milhões, a Vice Media assinou um acordo com o gigante de mídia brasileiro Grupo Globo para expandir a marca focada na juventude no maior país da América Latina, informa o site do Wall Street Journal. 

O acordo dá à Globo – por meio de sua subsidiária de cabo e satélite, a Globosat – uma participação minoritária significativa em uma joint venture recém-formada abrangendo as operações de produção editorial brasileira da Vice Media e a agência de criação interna, Virtue, disseram as empresas.

O acordo do Brasil é o mais recente em um amplo impulso internacional para a Vice, que assinou uma variedade de acordos de parceria similares em mercados estrangeiros ao redor do mundo. No Brasil, o acordo resultará em blocos de programação da Viceland aparecendo nos canais Globosat, que atingem 53 milhões de telespectadores no país.

Na época da Guerra do Vietnã, surgiu um filme chamado “Corações e mentes” sobre a dominação que vinha junto com as bombas incendiárias. As novas bombas não jogam napalm sobre a copa das árvores das florestas.

Jogam-no sobre nossos neurônios, porque coração sem mente é sempre selvagem.

PS. A propósito, um negócio de quase meio bilhão de dólares não sai nos jornais daqui…


Tijolaço

ANDREA NEVES, IRMÃ DE AÉCIO, DEIXA A PRISÃO

Xadrez de como a Globo caiu nas mãos do FBI




Peça 1 – a corrupção histórica da FIFA



No dia 23 de maio passado, a edição em inglês do El Pais noticiava a prisão de Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona de 2010 a 2014, ex-executivo da Nike (https://goo.gl/R9W6yx).




Era uma notícia curiosa. O Ministério Público da Espanha prendeu Rosell e desvendou uma organização criminosa cujo epicentro estava no Brasil.

Preso na Espanha, Sandro Rosell foi quem trouxe a Nike para a Seleção brasileira.. Quando foi preso, El Pais, ABC e Publico manchetaram que “esquema brasileiro cai na França”.

As investigações mostraram que Rosell atuava em parceria com o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira através da empresa Alianto.

Em um boxe destacado, a reportagem informava que “os negócios da Rosell no Brasil há muito tempo estão no radar das autoridades”. Mas quem estava investigando era exclusivamente o Ministério Público da Espanha, em cooperação com o FBI e com a colaboração do Ministério Público da Suíça. E o nosso bravo MPF?

Desde 2008 pairavam suspeitas sobre a dupla, devido a um amistoso entre a Seleção Brasileira e a de Portugal.

Em outubro de 2010, a BBC divulgou um documento da ISL, empresa de marketing esportivo que faliu, sobre supostos subornos a três membros do Comitê Executivo da FIFA: Nicolas Leoz, presidente da Conmebol, Ricardo Teixeira, presidente da CBF e Issa Hayatou. O foco da corrupção eram esquemas de revenda de ingressos em várias edições da Copa do Mundo.

Em maio de 2011, David Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol, em depoimento na Câmara dos Comuns, denunciou Jack Warner, Nicolás Leoz e Ricardo Teixeira de tentarem suborna-lo em troca de votar na Inglaterra para sede da Copa de 2018.

Em julho de 2012, a FIFA divulgou que a ISL pagou suborno a João Havelange, ex-presidente da FIFA, da CBD, e para seu genro Ricardo Teixeira entre 1992 e 1997. Aí já se entrava na seara dos direitos de transmissão dos eventos.

Em 27 de maio de 2015, o FBI cercou um hotel em Zurique, e levou presos para ao Estados Unidos 7 dirigentes da FIFA, sob a acusação de organização mafiosa, fraude maciça e lavagem de dinheiro. Entre eles, o presidente da CBF, José Maria Marin. Ou seja, cidadão brasileiro, preso na Suíça e julgado nos Estados Unidos, meramente devido ao fato de parte do dinheiro da propina ter transitado por bancos norte-americanos. O poder do império nunca foi tão ostensivo.

Em 25 de fevereiro de 2016, as investigações sobre a FIFA abriram uma nova linha de escândalos, agora diretamente ligado ao Brasil (https://goo.gl/x9cUwv): o desvio de dinheiro de patrocínios de jogos da Seleção Brasileira, envolvendo Rosell, Teixeira e Havelange.

Estimava-se que de cada US$ 1 milhão de cachês recebidos pela Seleção, US$ 450 mil íam direto para o bolso de Teixeira. E Rosell ainda recebia uma comissão de intermediação.

Nesse período todo, o MPF iniciou uma investigação no Brasil, atendendo a pedido de cooperação do FBI. Foi impedido de remeter os dados para o Departamento de Justiça dos EUA por uma liminar concedida por uma juíza de 1ª instância. Uma corporação que ajudou a derrubar uma presidente da República foi incapaz de derrubar a liminar.

Pior que isso, não continuou a investigar as denúncias no Brasil, apesar dos suspeitos serem brasileiros e do crime ter sido cometido no Brasil, com empresas e confederação brasileiras.

O que explicaria essa atitude?

Peça 2 – como o MP (da Espanha) descobriu uma organização criminosa (no Brasil)

As investigações espanholas baseavam-se em reportagens de 2013 do Estadão, de autoria do correspondente em Genebra Jamil Chade. No início, em cima de um amistoso da Seleção Brasileira com a portuguesa. Depois, se expandiu.

No dia 23 de maio último a operação Rimet – como foi batizada - avançou. Segundo The Guardian (tps://goo.gl/c6aP4o), a polícia invadiu escritório, casas e empresas em Barcelona, prendeu Rosell e, com ele, dados sobre pagamentos ilegais recebidos por ele e Teixeira, entre outros, na promoção de jogos no Brasil, Argentina, no Comenbol entre outros torneios. Havia suspeitas de que quase 15 milhões de euros tivessem sido lavados através de paraísos fiscais.

A operação era uma colaboração entre o MP espanhol, o suíço e o FBI. No centro das acusações, o grande parceiro de Rosell, Ricardo Teixeira.

A reportagem dizia que o FBI esperava que, além do MP Espanhol, também o brasileiro e a Polícia Federal, atuassem paralelamente no Brasil, especialmente nos negócios envolvendo a Seleção brasileira e a Nike. Além de presidente do Barcelona, Rosell havia sido executivo da Nike.

O MPF e a PF brasileiro se mantiveram mudos e quedos. Como entender esse anomia?

Peça 3 – o know how brasileiro e a Globo


A FIFA é um escândalo tipicamente brasileiro, know how tupiniquim, desenvolvido pela Rede Globo, em parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e levado por João Havelange para a FIFA.

Cria-se uma empresa laranja, que adquire os direitos de transmissão por um preço mínimo. Depois, a laranja vende para as emissoras de TV, que faturam várias vezes mais com a venda do patrocínio. Parte da diferença fica com os laranjas, que repassarão para os dirigentes esportivos.

Confira na tabela um exemplo hipotético de como funciona o esquema. Usei percentuais aleatórios, pelo fato das investigações ainda não terem consolidado os números reais.

Compras
Patrocínio da transmissão
Emissoras
Laranja
CBF + clubes
Dirigentes
Sem corrupção
100
20
0
80
0
Corrupção com laranja
100
70
10
10
10
Corrupção sem laranja
100
80
0
10
10


Nos campeonatos brasileiros, o laranja era a empresa Traffic Group, do ex-jornalista J. Hawilla. Na Argentina, o Torneios y Competencia. Na FIFA, a ISL, que quebrou em 2001. Nos negócios de Rosell, a Alianto.

Os grupos de midia acertavam os acordos com os dirigentes de federações, mas o contrato era fechado com os laranjas. Era da parte dos laranjas que saiam as propinas para os dirigentes. E se fosse muito grande a diferença entre o valor recebido pelas emissoras na venda de patrocínios, e aqueles pagos aos laranjas, tratava-se de negócio privado entre privados. Crime perfeito!

As investigações apontaram corrupção na venda dos jogos da Copa do Mundo, das Eliminatórias, da Copa das Américas e da Libertadores.

Na FIFA, as investigações rapidamente descobriram as relações entre o ILS e os dirigentes, incluindo os brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira. No Brasil, nada foi feito. Embora, na FIFA, Teixeira fechasse os negócios diretamente com a Globo – outras emissoras precisavam passar pelos intermediários – a emissora passou relativamente incólume pelas primeiras etapas da investigação.

O jogo passou a ficar pesado para a Globo agora, quando o FBI e o Ministério Público da Espanha identificaram pagamento de propinas na venda dos direitos de transmissão da Copa Brasil. Ali, não houve intermediários: a Globo comprou diretamente da CBF, através de seu diretor Marcelo Campos Pinto. Foi propina na veia, sem os cuidados da intermediação.

A Globo entrou definitivamente na mira do Departamento de Justiça dos EUA, do FBI e da cooperação internacional.

Esse fato explica muito dos episódios recentes da política brasileira, como se verá a seguir.

Peça 4 – a situação das investigações

A situação de três presidentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é insólita. O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, está preso nos Estados Unidos há dois anos. Outro ex-presidente, Ricardo Teixeira, não pode sair do Brasil. J. Hawilla também está preso. E o atual presidente, Marco Polo Del Nero, não pode viajar.

Marin é secundário. Ficou pouco tempo na presidência da CBF e ganhou participação minoritária no esquema. As três pessoas-chaves são Ricardo Teixeira, Del Nero e o diretor da Globo Marcelo Campos Pinto, que negociava os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Em dezembro de 2014, J. Hawila confessou sua culpa à Justiça norte-americana. Não se sabe o que resultou da sua delação.

Nota do Departamento de Justiça informou que Hawilla concordou com o confisco de US$ 151 milhões de seu patrimônio. Nos dez últimos de atuação, a Traffic faturou em torno de US$ 500 milhões (https://goo.gl/2vYbwM). Por aí, dá para se ter uma pálida ideia do montante que circulava pela organização criminosa.

Quando o escândalo esquentou, a Globo aposentou Marcelo, que está girando por aí sem ser incomodado pelo MPF ou pela Polícia Federal.

Peça 5 – a parceria Ministério Público – Globo

Vamos conferir uma pequena cronologia, que ajudará a entender muitos dos episódios políticos recentes.

17 de maio de 2017 – O Globo dá início à fritura de Michel Temer, publicando com exclusividade o furo da delação dos irmãos Batista, da JBS, e hipotecando apoio total ao PGR Rodrigo Janot..


Foi uma cobertura atabalhoada, na qual todos os veículos da Globo caíram de cabeça, no início de uma forma atabalhoada, como se infere da primeira cobertura do Jornal Nacional. A partir daí, se tornaria o assunto diário dominante em toda a imprensa e nos blogs.

21 de maio de 2017 (http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/ex-presidente-da-cbf-ricardo-teixeira-negocia-delacao/) – quatro dias depois, Teixeira planta uma nota na seção Radar, da Veja, informando que estava se preparando para um acordo de delação nos Estados Unidos.

Era um recado claro: ou me protegem, ou vamos todos para o buraco. Nos EUA, o delator se obriga a confessar os crimes, não pode faltar com a verdade e não pode esconder informações. As penas para as faltas são superiores àquelas previstas para o crime.


23 de maio de 2017 – o escândalo estoura na Espanha, com a prisão de Rosell e tem ampla repercussão na imprensa europeia. No Brasil, apenas uma cobertura pontual e sem desdobramentos, com exceção do correspondente do Estadão em Genebra, Jamil Chade..

26 de maio de 2017 – Reportagem de Chade (https://goo.gl/t4QFzN) informando que documentos de posse da Procuradoria Geral da República, enviados pelo FBI e pelo MP da Espanha, indicavam que Ricardo Teixeira usou conta dos Estados Unidos para movimentações financeiras, enquanto presidia a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

As transferências se deram através de contas do Banestado e do Banco Rural.

Levantamentos da COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) identificaram remessas de R$ 229 milhões entre 2007 e 2012. Desse total, segundo Chade, R$ 149 milhões estariam sob suspeita.

No período, Teixeira recebeu R$ 13 milhões do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, R$ 5 milhões da FIFA, R$ 4,4 milhões do Comitê Organizador da Copa de 2010 e R$ 3,5 milhões da CBF.

Em outra reportagem, publicada no mesmo dia 26 de maio (https://goo.gl/ZyYBFb), Chade revela que Teixeira utilizou uma rede de empresas de fachada e contas em seis paraísos fiscais para desviar cerca de R$ 30 milhões da seleção brasileira e lavar dinheiro. Por essas contas passaram mais R$ 90 milhões de origem suspeita. De cada US$ 1 milhão que a seleção ganhava em cachês, Teixeira ficava com US$ 450 mil, sem contar as comissões que iam para Rosell. Nos documentos, uma informação que colocava a Globo no epicentro do escândalo: a compra dos direitos de transmissão da Copa Brasil diretamente da CBF.

Importante: segundo Chade, o MPF já tinha recebido todas as informações do FBI e do Ministério Público espanhol.

Peça 6 – juntando as peças do jogo MPF+Globo

Janot tinha perdido todo o protagonismo da Lava Jato para a força tarefa de Curitiba. Estava enfraquecido perante seus pares. E a manutenção da presidência com Michel Temer era sinal forte de que seu grupo perderia espaço na escolha do novo PGR.

Já tinha informações sobre a Operação Rimet antes de se tornar pública.

De certo modo, foi apanhado no torvelinho das delações da JBS, sendo empurrado para o centro do tablado.

Mesmo assim, o material da JBS lhe foi duplamente benéfico. De um lado, lhe devolveu o protagonismo junto à categoria; de outro feriria de morte o governo Temer. E a Operação Rimet lhe deu o aliado dos sonhos, a própria Globo.

A Globo foi informada que a Operação Rimet estava prestes a explodir. Precisaria com urgência de um tema suficientemente bombástico para matar a cobertura que se seguiria.

O caso JBS explode no dia 17 de maio, uma semana antes da Operação Rimet vir a público, dois dias antes de Teixeira passar recibo sobre ela. A Globo entra de cabeça no tema e, nas semanas seguintes, o tema JBS se sobrepôs a todos os demais, inclusive à Operação Rimet, que recebeu uma cobertura burocrática dos jornais – com exceção do bravo Jamil Chade.

Instala-se, então, a guerra mundial entre Janot e Temer, com abundância de combustível sendo levado à imprensa, especialmente aos veículos das Organizações Globo.

Ao mesmo tempo, na disputa da lista tríplice aparecem três favoritos – Raquel Dodge, Mário Bonsaglia e Ela Wiecko -, ameaçando deixar de fora o candidato de Janot, Nicolao Dino.

No dia 19 de junho, matéria de O Globo tentava queimar dois dos favoritos à lista tríplice. Segundo a matéria, Raquel Dodge seria a candidata de Gilmar Mendes e dos caciques do PMDB; já Mário Bonsaglia seria o preferido de Temer.

No mesmo dia, à noite, cobertura de O Globo para os debates dos candidatos, insistiu na tese de que Raquel era a favorita do PMDB.

No dia 20 de junho, matéria do G1 insistindo na tese de que Raquel era a candidata do Palácio.

Na miscelânea em que se tonou o jornalismo online, imediatamente várias outras publicações endossaram a tese.

Quem acompanha por dentro o MPF sabe que as informações eram falsas, visando manipular as eleições para a lista tríplice. Contrariamente ao que a Globo esperava, a manipulação está fortalecendo as duas candidaturas. A manutenção do grupo de Janot seria a garantia de que o assunto FIFA-Copa Brasil-Globo continuaria intocado pelo MPF. Nâo por cumplicidade, mas por falta de coragem de enfrentar o imp~erio midiático.

Peça 7 – a atrofia do futebol brasileiro

A falta de atuação do MPF em relação ao grupo CBF-Globo é a principal responsável pela fragilidade do futebol brasileiro, pelo fato de ter transformado a pátria do futebol em um mero exportador de jogadores, alimentando o submundo da lavagem de dinheiro internacional.

Só depois que estourou o caso FIFA, e J. Hawila foi preso, houve algum questionamento do poder da Globo sobre as transmissões, através da TV Record. A disputa levou a Globo, pela primeira vez, a oferecer luvas decentes para os clubes de futebol.

Os clubes de futebol bem administrados poderiam ter se convertido em Barcelonas, Real Madri, Internacional de Milão. Mas a corrupção na venda de direitos de transmissão exauriu os clubes, impedindo o fortalecimento e a própria profissionalização do futebol brasileiro, que se tornou um dos pontos mais evidentes de corrupção e lavagem de dinheiro no comércio de jogadores.

A única operação no setor, tocada pelo procurador Rodrigo De Grandis – que emperrou as investigações sobre a corrupção da Alstom em São Paulo – foi contra um empresário russo, porque havia a suspeita de que José Dirceu pudesse estar por trás dele. A suspeita jamais foi confirmada, mas forneceu a motivação para o MPF se interessar pelo tema.

Do lado da mídia, esmeraram-se até encontrando parentes de políticos petistas trabalhando na arena do Corinthians. Mas fecharam os olhos para o maior episódio de corrupção da história, depois da Lava Jato.



Jornal GGN