quarta-feira, 23 de junho de 2021

Deputado denuncia demissão do irmão da pasta da Saúde por escândalo da Covaxin: 'disse ao Pazuello que ia explodir na mídia'


O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) afirmou que o seu irmão foi demitido do Ministério da Saúde após denunciar um esquema de corrupção no processo de compra da vacina indiana Covaxin. Parlamentar procurou Eduardo Pazuello para tentar reverter a situação e avisou-o que caso iria "explodir na mídia" e o irmão foi readmitido

23 de junho de 2021

Deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), o ex-ministro Eduardo Pazuello e a vacina Covaxin (Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados | Reprodução | Edilson Rodrigues/Agência Senado)


247 - O deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) afirmou, nesta terça-feira (22), que o chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, o servidor Luís Ricardo Fernandes Miranda, foi demitido após denunciar um esquema de corrupção no processo de compra da vacina indiana Covaxin. O servidor é irmão do parlamentar. "Situação esdrúxula. Absurdo o que estavam tentando fazer. Era gravíssima a situação ali dentro", disse Luís Miranda ao jornal O Estado de S.Paulo.

Ao saber da demissão do irmão, Miranda procurou o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para reverter a decisão. "Fui despachar com o Pazuello e falei que ele (Luís Ricardo) estava sendo exonerado porque estava denunciando um esquema de corrupção. Vou explodir na mídia se fizerem isso com o garoto", afirmou o deputado, contando sua conversa com o general.

De acordo com o relato de Miranda, Pazuello reverteu a demissão. "O ministro disse: 'Luís, não estou sabendo do caso, mas, se de fato não tiverem nada, o chefe dele não tiver nada que comprove alguma coisa contra ele, vou dar sem efeito a exoneração'. E assim ele fez", afirmou o deputado.

A Covaxin foi a vacina mais cara adquirida pela gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, ao custo de US$ 15 por dose. A compra superfaturada do imunizante foi a única para a qual houve um intermediário e sem vínculo com a indústria de vacina, a empresa Precisa. O preço da compra foi 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela fabricante.

Em nota, a Precisa disse que o preço da vacina Covaxin na Índia custa, atualmente, US$ 2 para o governo federal por causa de uma antecipação de pagamento de 100 milhões de doses e pelo investimento no desenvolvimento do estudo clínico e do produto.

Para os governos estaduais da Índia, no entanto, o valor da dose foi estipulado em US$ 5,3. para os hospitais privados, US$ 16. "A empresa está à disposição dos senadores da CPI para prestar todos os esclarecimentos necessários", disse trecho do comunicado da Precisa.


Brasil 247

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