quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quem salvará Roma? - José Dirceu

As agências de risco estão um tanto quanto desacreditadas, mas um diagnóstico delas, uma ameaça de diminuição ou elevação da nota de um país ainda abala, ou pelo menos deixa tensos os chamados mercados.

É o que acontece agora quando a Agência Fitch Ratings divulga uma análise sobre a situação da Itália. Pior, e numa verdadeira dose cavalar ameaça com rebaixamento de nota não só Roma mas, também, outros cinco países europeus: Bélgica, Eslovênia, Espanha, Irlanda e Chipre.

Mais preocupante, ainda, para o mundo econômico-financeiro e para os globais endividados e em crise é que a Fitch reafirma - e insiste - que, para ela, a situação mais grave é a da velha Itália. Para a Agência, é o país que oferece o maior risco para o euro.

Itália é quem mais preocupa atualmente

A Itália preocupa, justifica a Fitch em meio à esta crise da dívida soberana atual, devido ao tamanho de sua carga tributária, a necessidade de o país acessar os mercados de títulos públicos e o atual custo para ela obter empréstimos.

A divisão de ratings soberanos globais da Fitch anunciou em Londres que considera "preocupante" e "alarmante" a quantidade de bônus governamentais que precisam ser pagos este ano pelas autoridades de Roma. Disse mais: a falta de acordo até agora entre os líderes europeus sobre como implementar uma "proteção" na região amplia a pressão sobre o rating do país.

A Fitch reiterou que está estudando um rebaixamento do rating A+ da Itália e que a revisão negativa de todos os ratings de bônus soberanos da zona do euro - excluída a França, que já tem uma perspectiva negativa - será concluída até o fim deste mês.

Ou a Europa acaba com as agências ou elas acabam com a Europa

Quer dizer que teremos - ou já começamos a ver - na Itália, um replay da Grécia e da Espanha, países que tiveram as notas de seus bancos e de dívida soberana rebaixadas? A primeira vive próxima de uma decretação de default; a segunda enfrenta as maiores taxas de desemprego do último meio século; e em ambas as populações tomaram as ruas em gigantescas manifestações de protesto contra a crise os pacotes econômicos impostos como solução que nada solucionaram.

Assim, quem salvará Roma? Pode até aparecer quem o faça, mas o fato é que até lá, e diante de diagnósticos de agências de riscos tão constantes e desoladores a balançar o mercado, a Itália e a Europa como um todo colocam-se ante o clássico dilema: ou acabam com as agências ou estas acabam com a Europa.

Tal como a saúva com o Brasil no começo do século passado, na esteira da frase do naturalista francês Saint-Hilaire, cunhada num dia qualquer do século XIX e que expunha o dilema: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.

Blog do Zé Dirceu

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