É o que acontece agora quando a Agência Fitch Ratings divulga uma análise sobre a situação da Itália. Pior, e numa verdadeira dose cavalar ameaça com rebaixamento de nota não só Roma mas, também, outros cinco países europeus: Bélgica, Eslovênia, Espanha, Irlanda e Chipre.
Mais preocupante, ainda, para o mundo econômico-financeiro e para os globais endividados e em crise é que a Fitch reafirma - e insiste - que, para ela, a situação mais grave é a da velha Itália. Para a Agência, é o país que oferece o maior risco para o euro.
Itália é quem mais preocupa atualmente
A Itália preocupa, justifica a Fitch em meio à esta crise da dívida soberana atual, devido ao tamanho de sua carga tributária, a necessidade de o país acessar os mercados de títulos públicos e o atual custo para ela obter empréstimos.
A divisão de ratings soberanos globais da Fitch anunciou em Londres que considera "preocupante" e "alarmante" a quantidade de bônus governamentais que precisam ser pagos este ano pelas autoridades de Roma. Disse mais: a falta de acordo até agora entre os líderes europeus sobre como implementar uma "proteção" na região amplia a pressão sobre o rating do país.
A Fitch reiterou que está estudando um rebaixamento do rating A+ da Itália e que a revisão negativa de todos os ratings de bônus soberanos da zona do euro - excluída a França, que já tem uma perspectiva negativa - será concluída até o fim deste mês.
Ou a Europa acaba com as agências ou elas acabam com a Europa
Quer dizer que teremos - ou já começamos a ver - na Itália, um replay da Grécia e da Espanha, países que tiveram as notas de seus bancos e de dívida soberana rebaixadas? A primeira vive próxima de uma decretação de default; a segunda enfrenta as maiores taxas de desemprego do último meio século; e em ambas as populações tomaram as ruas em gigantescas manifestações de protesto contra a crise os pacotes econômicos impostos como solução que nada solucionaram.
Assim, quem salvará Roma? Pode até aparecer quem o faça, mas o fato é que até lá, e diante de diagnósticos de agências de riscos tão constantes e desoladores a balançar o mercado, a Itália e a Europa como um todo colocam-se ante o clássico dilema: ou acabam com as agências ou estas acabam com a Europa.
Tal como a saúva com o Brasil no começo do século passado, na esteira da frase do naturalista francês Saint-Hilaire, cunhada num dia qualquer do século XIX e que expunha o dilema: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.
Blog do Zé Dirceu
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