QUI, 08/09/2016 - 17:01
ATUALIZADO EM 08/09/2016 - 17:03
Livro imperdível da Editora Record, autor Nicholas Wapshott, com o título de KEYNES x HAYEK, uma síntese do grande choque de ideias entre os dois maiores pensadores econômicos do Seculo XX, pelo seu impacto na economia real. A abordagem do autor se dá pelo confronto das ideias, entre o Estado com maior poder de intervenção, de Keynes, e o Estado mínimo de Hayek.
Muitos dos adeptos de cada uma dessas linhas simplificam a visão subjacente à exposição de cada Escola, sem prestar atenção às nuances de cérebros sofisticados. Keynes NÃO defendia sempre a intervenção do Estado e sim quando circunstancialmente necessária e Hayek não desprezava o Estado, atribuía a este tarefas muito importantes, como a regulação, que os neoliberais de hoje desprezam.
Ambos eram muito mais que economistas, eram pensadores político-econômicos muito maiores do que economistas puros. Ambos tinham a sólida formação humanística das grandes universidades europeias e ambos lecionaram na mesma escola, a London School of Economics, portanto se cruzaram nas mesmas salas de chá das cinco.
O mais estatizante era muito mais rico do que o pró-mercado - Keynes era milionário e forte especulador de bolsa. Hayek teve um histórico de dificuldades financeiras. Ambos tiveram vidas pessoais complicadas. Keynes era homossexual mas casou-se com uma bailarina, Lydia Lokopowa, e Hayek teve um divórcio complicado por causa de uma paixão tardia. Hayek viveu bem mais que Keynes e este era bem mais velho que Hayek.
Esses dois homens legaram monumentos intelectuais únicos. Keynes foi o pai dos acordos de Bretton Woods que consagraram o dólar como moeda reserva mundial (apesar de ele ser contra), criaram o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial e o embrião da globalização no GATT, hoje OMC. Hayek é o pai do neoliberalismo dos anos Thatcher e Reagan, cujos reflexos hoje dominam a maior parte da economia mundial.
A leitura dessa livro instigante vale a pena para quem quiser ter uma noção do pensamento econômico que rege nossas vidas. Uma conclusão que fatalmente decorre de sua leitura, as ideologias econômicas são obras de circunstância, não têm nada a ver com fé ou crença numa economia definitiva. Tudo depende do ciclo, o que pode ser o necessário hoje pode não ser amanhã, nada é muito sólido e o capitalismo é apenas um modelo que funciona com um Estado forte para regá-lo.
Recomendo a leitura para aqueles economistas que vivem de cartilhas imutáveis, sempre a mesma teoria para qualquer situação, sem atentar para a circunstância. Essa deve ser a mãe de todas as politicas economicas e não a teoria imutável de um monetarismo paralisante.
Como dizia Keynes, "a história da humanidade é a história do pensamento econômico e pouco mais que isso."
Jornal GGN
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