quinta-feira, 6 de outubro de 2011

FHC se sai com uma emenda pior do que o soneto

Numa entrevista de meia página que obteve hoje no Estadão, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, voltando aos tempos da brilhantina, repete o bordão, tão absurdo quanto o do fim da história, de que direita, esquerda, centro, socialistas, neoliberais, “são apenas rótulos, coisas externas à vida real dos partidos”.

Diz mais: que não faz sentido pedir a um partido que vá para o centro-direita ou centro-esquerda. Faz, assim, uma afirmação que em qualquer país do mundo, vinda de um líder partidário, seria vista como um tropeção. E feio. Mas aqui...

O objetivo do ex-presidente com essa entrevista é responder à professora norte-americana Frances Hagopian (estudiosa de partidos políticos brasileiros) que, no último fim de semana, em palestra no Centro Ruth Cardoso, aconselhou o PSDB a assumir-se como um partido de centro direita. Na ocasião, FHC concordou. "Não é provocação. Ela está certa" disse ao próprio Estadão que publicou a palestra da professora. Hoje ele diz: "Centro-direita não tem a ver com o PSDB".

Europa prova fracasso da guinada da social democracia à direita

Suas declarações soam ainda mais estranhas por serem feitas exatamente quando a própria Europa, berço de inspiração política de muitos tucanos, descobre que foi exatamente a adesão da esquerda social democrata às políticas da direita conservadora que a levou à situação atual de impasse e ao beco sem saída e sem soluções para a sua crise.

Equivoca-se o ex-presidente ao querer banalizar as denominações do espectro político. Direita e esquerda expressam no mundo de hoje, contemporâneo, globalizado, exatamente dois caminhos e dois rumos para a humanidade - rumos diversos, opostos.

Expressam interesses e programas, posições antagônicas nas principais questões da atualidade, desde meio ambiente até drogas; de comércio mundial até sistema financeiro; de reforma das Nações Unidas à paz no Oriente Médio.

Desconhecer ou negar essa verdade só pode ser uma forma de não reconhecer a realidade brasileira. Ou de negar, tentar tergiversar, passar ao largo da crise da centro-direita brasileira, no seu partido e no Brasil, articulada, dirigida e acompanhada pelo mesmo FHC.

Blog do Zé Dirceu

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