quarta-feira, 18 de maio de 2016

O rato que ruge. E mia. E zurra…


POR FERNANDO BRITO · 17/05/2016



Bernardo de Melo Franco, na Folha, diz que José Serra estréia a “Diplomacia do porrete” no Itamaraty.

É muito mais do que dizem os jornais, que adoram estas bravatas contra países em desenvolvimento e as declarações subservientes aos países ricos.

É aquilo que o Chico Buarque disse sobre “falar grosso com o índio e fino com os Estados Unidos”.

Serra – e também Temer, como mostrou o Wikileaks, com os telegramas consulares norteamericanos – acha que diplomacia se faz com lanchinhos no consulado – agora, na Embaixada – dos EUA.

E acha que, depois das porretadas nos índios, vai chegar lá ronronando como um gato, que vai ganhar um cafuné nas orelhinhas.

Nem o Peter Sellers no seu famoso “O rato que ruge”, comédia dos anos 60, se prestava a tamanho ridículo.

Porque o que o antidiplomata que (não) nos representa faz mesmo tudo o que não interessa ao Brasil, e nem mesmo a suas empresas.

Já encomendou um estudo para fechar embaixadas na África e no Caribe, justamente onde podemos fazer bons negócios e obter apoio para os interesses geopolíticos do país.

Coisa de fazer revirar-se no túmulo diplomatas como Ítalo Zappa, que em plena ditadura – governo Geisel – levou o Brasil a reconhecer a independência das colônias portuguesas e abriu as portas para nosso relacionamento com os países africanos e, depois, com os do Sudeste asiático.

Zappa respondia sempre que “não era contra nem a favor aos Estados Unidos. “Sou a favor do Brasil. Os americanos cuidam dos seus interesses; nós é que não cuidamos dos nossos.”

Serra, pior ainda, cuida dos deles e cuida não dos nossos, mas dos seus, porque quer fazer da diplomacia seu passaporte para uma nova candidatura em 2018.

E está se lixando para que uma postura de “Bolsonaro do mundo” estigmatize nosso país ainda mais do que já está no exterior, por conta das peripécias golpistas.

Era melhor para o país ter ali um bobalhão, que se satisfizesse com viagens agradáveis, recepções, banquetes e o brilho dos salões e não atrapalhasse o esforço dos diplomatas profissionais.

Dava menos prejuízo.


Tijolaço

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