segunda-feira, 9 de abril de 2012

Câmbio a R$ 2,00 e juros mais baixos

O artigo “Estimular a industrialização”, publicado no Estadão de domingo, de Amir Khair merece ser lido. De forma clara, o mestre em Finanças Públicas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, propõe um caminho para o fortalecimento industrial composto por duas vertentes. A primeira é estimular o crescimento econômico do país, o qual tem boas chances de ocorrer com a redução das taxas de juros bancárias. A segunda, é manter o câmbio um pouco acima de R$ 2,00 por dólar.


A propósito do câmbio, o professor lembra que o pano de fundo da atualidade é “a maior guerra comercial da história, com maior concorrência atingindo as indústrias em todos os países, não só aqui”.

Segundo ele, no Plano Real o governo optou por valorizar o real com a adoção de uma “mega taxa de juro”, a qual atrairia os especuladores externos. A medida se traduziu em uma âncora cambial com o real equivalendo a um dólar. O problema é que, assinala, Khair, em valores de hoje esse câmbio do Plano Real, considerando a inflação pelo IPCA valeria R$ 2,60 por dólar e pelo IGP-DI, R$ 3,60. Mas o que vemos é um câmbio atual a R$ 1,80, o qual mal se sustenta em face à enxurrada de dólares que está entrando no País em função do esforço internacional para salvar bancos nas economias desenvolvidas.

Pressão externa sobre a moeda brasileira

E, ainda que só uma parte insignificante desses recursos tenha, de fato, entrado no País, a pressão externa sobre a moeda brasileira permanece. Por isso, manter o câmbio em R$ 1,80, por meio da compra de dólares pelo Banco Central (BC) equivale, segundo o especialista, "a enxugar gelo". E resulta em um importante rombo nas finanças públicas: só em 2011 as operações de emissão de títulos para enxugar a liquidez advinda com a emissão monetária para efetuar a conversão superaram os R$ 100 bilhões, argumenta.

Khair propõe, portanto, o caminho da ampliação da base monetária para se chegar à cotação de R$ 2,00 o dólar. E afirma que a medida não deve causar inflação, uma que, para ele, a causa da inflação é externa e os preços internacionais estariam estagnados ou em queda em decorrência da crise.

Khair também fala da queda dos juros, quando trata do crescimento econômico. O professor credita a ele um desejável círculo virtuoso. Afinal, amplia o consumo, o que fortalece a indústria. E, com o aumento das vendas, crescem os lucros e a capacidade de expansão com novos investimentos. E faz uma última proposta: o governo deve enfrentar essa questão, entre outras medidas, regulando o porcentual de depósito compulsório dos bancos no BC de acordo com a taxa de juro praticada.

Blog do Zé Dirceu

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