quarta-feira, 4 de abril de 2012

De volta o velho "faça o que eu digo, não o que faço"


A campanha eleitoral ainda nem começou e já temos cenas explícitas dos sempre aguçados cinismo e hipocrisia tucanos nessa matéria. Nesta 3ª feira, o candidato a prefeito da capital paulista pelo PSDB, ex-governador José Serra participou nesta 3ª feira de evento oficial com seus companheiros de tucanato, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD).

Os três foram ao lançamento de uma unidade do Poupatempo (órgão que centraliza a prestação de serviços públicos estaduais) no bairro da Lapa. Confrontados pelos jornalistas com a verdade - se não estaria havendo uso da máquina em campanha - Alckmin e Kassab, cada um deu uma explicação. José - que já perdeu duas outras eleições para prefeito de São Paulo, em 1988 e 1996 e duas vezes para presidente da República, em 2002 e 2010 - não julgou necessário.

O governador afirmou que José estava presente porque como governador (janeiro de 2007-abril de 2010) viabilizou a construção daquele Poupatempo; Kassab classificou como uma espécie de homenagem ao ""nosso sempre prefeito". Frase, aliás, que ele repetiu várias vezes no discurso referindo-se a José Serra que elegeu-se prefeito da capital em 2006 e renunciou logo depois, antes de chegar a metade do mandato.

E FHC, que já falou contra uso da máquina na cmapanha de Haddad?


A questão toda se resume a: e aquela frase do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que no dia 25 de março, ao votar na prévia que escolheu José Serra candidato do PSDB, disse que "se o governo entrar na campanha do Fernando Haddad vai quebrar", insinuando que seria uso da máquina e uma ilegalidade?

Pois é, hoje o noticiário da conta de que José Serra decidiu colar sua agenda de candidato à de eventos a que compareça o governador Alckmin. É a pura e simples comprovação do cinimo e da hipocrisia tucanos. Dos que atacavam o presidente Lula e o PT durante a pré-campanha eleitoral de 2010 pelo fato de o presidente e membros do partido - como a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - comparecerem a atos públicos.

Dilma era ministra, integrava o governo. José Serra nem integra o governo paulista. Vários tucanos criticaram o presidente Lula por comparecer a eventos em São Paulo durante a campanha de 2010 como se fosse a presença do governo federal, mesmo o presidente comparecendo fora de seu horário de trabalho.

Este ano eles, tucanato todo, já começam inaugurando obras e programas com José Serra presente ao lado do governador e do Prefeito, seus principais aliados na disputa eleitoral. Que, aliás, já gestaram sua candidatura no centro da máquina, dentro do Palácio dos Bandeirantes e da Prefeitura. Onde estão a justiça eleitoral e os juízes e procuradores eleitorais tão presentes na mídia quando se tratava do PT em 2010 como alvo daquelas acusações?

Blog do Zé Dirceu

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