terça-feira, 2 de abril de 2013

Protestos no Rio marcam os 49 anos do golpe militar





Minha solidariedade ao ato realizado ontem na Cinelândia, no Centro do Rio, que relembrou o golpe militar de 1964, uma das páginas mais tristes de nossa história e que completou 49 anos nesta 2ª feira. Todo apoio, também, para que mais atos dessa natureza se reproduzam em todo o país para que nossos jovens lembrem e tomem ainda mais conhecimento de que há quase meio século os militares com apoio de um grande número de civis rasgaram a Constituição e implantaram uma férrea ditadura de 21 anos no Brasil.


O ato foi promovido, dentre outras entidades, pela UNE,  PCdoB, PSTU e Tortura Nunca Mais. Cobrou punição dos crimes cometidos pelos militares e demais agentes da repressão do Estado durante o período da ditadura e a abertura dos arquivos do regime. A jornalista Hildegard Angel disse que a Cinelândia representa um "muro das lamentações", mas também "um muro da democracia brasileira".

Hilde lembrou a morte de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, e o desaparecimento de seu irmão, Stuart. "Até hoje não temos o corpo do Stuart. Vim enterrar um pouquinho os meus mortos com vocês", destacou ela, lembrando ter participado da manifestação, a exemplo do que fez no ano passado em frente ao Clube Militar, porque ainda "está viva" e para protestar contra os militares.

Lentidão da Comissão Nacional da Verdade

A jornalista criticou a Comissão Nacional da Verdade (CNV) que, segundo ela, está muito lenta em seus trabalhos. Hildegard contou que foi procurada pelos integrantes da comissão, mas não viu nenhum avanço em relação à apuração do assassinato da mãe dela e em relação ao desaparecimento do irmão. "Continuo querendo saber quem matou minha mãe e onde está o corpo do Stuart", reclamou.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, explicou que o ato foi realizado na Cinelândia porque trata-se de um lugar emblemático e porque também é um encontro com o passado. "Para conhecer o presente e o futuro, temos que conhecer nossa história", disse ele.  A UNE criou a sua própria comissão da verdade e já agora, entre os dias os dias 20 de maio e 2 de junho, no congresso nacional da entidade, em Goiás, torna público seu primeiro dossiê de investigações.

Marin, da CBF

Também ontem, no Rio, o filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura em 1975, Ivo Herzog, acompanhado pelos deputados Romário (PSB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), protocolou na portaria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cópia do abaixo-assinado com quase 55 mil assinaturas em que é pedida a saída do presidente da entidade, ex-governador paulista José Maria Marin.

Ivo Herzog deixou a cópia do abaixo-assinado na recepção da sede da CBF, já que foi informado de que Marin não estava no prédio. "Recentemente descobri documentos que mostram a participação do senhor José Maria Marin durante o período do regime militar brasileiro", afirma Herzog no documento entregue à CBF. Cópias de sua denúncia foram enviadas, também, às 27 federações estaduais de futebol e aos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

"Estão com as cópias nas mãos. Agora, ou vão se manifestar, ou vão ser coniventes", proclamou o filho de Herzog. Ele contou ter informações de que a Comissão Nacional da Verdade vai convocar Marin para depor sobre o caso. "E aí é importante que se diga: não será um convite, mas uma convocação. E ele será obrigado a comparecer", afirmou. O abaixo-assinado, segundo Ivo, conta com a assinatura  de nomes como Chico Buarque de Hollanda. "É bom que o torcedor brasileiro saiba quem está no comando da entidade maior de futebol do País", disse o ex-atacante Romário.


Blog do Zé Dirceu

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