Por jns
FERROVIA DA INTEGRAÇÃO - FAZENDO HISTÓRIA
A data da assinatura da ordem de serviço pelo (na época) Presidente
Lula e pelo Governador (agora reeleito) Jaques Wagner, 10 de dezembro de
2010, por si só já é motivo de grande expectativa, tanto pela
contribuição para a competitividade de vários estados quanto pelos 67
mil empregos diretos e indiretos que gerará. Uma curiosidade levantada
pelo Prefeito de Ilhéus, Newton Lima, no entanto, constitui a "cereja do
bolo" em uma história que tem tudo para dar certo: há exatos cem anos,
na mesma Ilhéus que serviu de palco para o evento que reuniu estas
autoridades por ocasião da Oeste-Leste, era inaugurada outra ferrovia,
que deu grande impulso para a região. Parece uma cena saída do filme De
volta para o futuro, mas é um recado claro dos caminhos de ferro: de
volta para o futuro sim, e de volta para ficar.
EM ORDEM DE MARCHA
Lançamento do edital para licitação dos 14 lotes da Fiol
(Ferrovia de Integração Oeste-Leste), em 16 de dezembro, consolida um
passo importante nos mais de 100 anos do ferroviarismo baiano. Com
previsão de entrega total no final do ano de 2012, a ferrovia
proporcionará a interligação do estado, fomentará indústrias em expansão
e proporcionará o resgate da produção de comunidades que há alguns anos
vêm apresentando um declínio sensível em suas atividades comerciais.
"Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o
trem." É nas palavras de um baiano que moram as rimas mais adequadas
para iniciar esta reportagem sobre o importante anúncio de que o Caminho
de Ferro Oeste-Leste sairá do papel no estado da Bahia. A primeira
frase da música "O trem das 7", do Maluco Beleza, pinta com suas letras
um quadro familiar a muitos cidadãos, que, por opção ou falta dela,
depositaram nos milhares de cavalos das locomotivas suas saudades,
esperanças e, por que não, economias.
Foi no gigantismo e força das locomotivas que, em um primeiro
momento, o Brasil se apoiou para interiorizar sua soberania, lançando as
bases para os ciclos econômicos que viriam. A visão romântica das
ferrovias, nostálgica para alguns, obsoleta para outros, cobra seu preço
em nossa matriz de transportes. Saem as caldeiras a vapor, entram os
cálculos sobre conciliações de descargas, TKUs e palavrões como
"intermodalidade" e até mesmo "intramodalidade". Vivemos o ressurgimento
do modal, com fortes investimentos tanto da iniciativa privada quanto
dos governos. A "fênix" ressurgiu da fuligem do carvão para, com efeito,
retomar sua posição de eficiência e alternativa lógica para os granéis e
imensos volumes que hoje abarrotam nossas estradas.
É neste ponto que a aguardada Oeste-Leste transforma-se em exemplo
eloquente desta retomada. Do Tocantins (Figueirópolis) até a Bahia
(Ilhéus), serão 1,4 mil km e estimados R$ 6 bilhões apenas no trecho
baiano, que interligarão os dois estados, pelo cruzamento com a
Norte-Sul, com São Paulo e Pará. A ferrovia atravessará 32 municípios,
riscando o mapa do estado de ponta a ponta. Desenvolvido pela Valec
Engenharia Construções e Ferrovias S.A., o projeto foi dividido em três
etapas. A primeira, com 530 km, fará a ligação de Ilhéus a Caetité; a
subsequente, com 413 km, levará de Caetité a São Desidério; e a terceira
e última, daí até Figueirópolis, perfazendo 547 km.
Ao que tudo indica, o dinamismo que se pretende não deverá encontrar
percalços com licenças ambientais: "A Valec tem atendido todas as
exigências ambientais feitas pelo Ibama. Com a licença em mãos e a ordem
de serviço assinada pelo Presidente, podemos colocar as máquinas para
funcionar", afirmou José Francisco das Neves, Presidente da Valec.
rodoviasevias
Blog do Luis Nassif
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