Condenado
por corrupção ativa no processo do “mensalão”, o ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu afirmou, nesta terça-feira 9, que vai acatar a decisão
do Supremo Tribunal Federal, mas prometeu “lutar” até provar sua
inocência. “Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.”
A mensagem foi postada em seu site cerca de uma hora após o ministro
do STF Marco Aurélio Mello considerar que o ex-ministro do governo Lula
era responsável por “homologar” os acordos para cooptar o apoio de
aliados ao Planalto. (leia mais AQUI)
Foi o sexto voto em favor da condenação, contra apenas dois pela
absolvição (apresentados pelo revisor, Ricardo Lewandowski, e pelo
ministro Antonio Dias Toffoli).
Para Dirceu, o Suprema votou “sob forte pressão da
imprensa” ao condená-lo como corruptor, tomando assim uma decisão
contrária, segundo ele, do que consta dos autos do processo.
“O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.”
Dirceu disse que foi transformado em inimigo público número 1 a
partir da cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados, em dezembro
de 2005, graças a uma “ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao
PT e seu governo”.
“Me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de
inocência”, escreveu.
Leia a abaixo íntegra do documento:
Ao povo brasileiro
No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX
Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de
estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele
evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão
firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada,
uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se
opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1
e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe
de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da
imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos,
que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a
minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios
constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou
acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar
minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a
vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram
contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.
Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu
José Dirceu
Carta Capital
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