domingo, 6 de outubro de 2013

Juiz de Fora - Filiações sinalizam disputa em 2014 - Tribuna de Minas

Após acertos de última hora, vários nomes aparecem como possíveis candidatos. Aumentar representatividade legislativa de Juiz de Fora é desafio

Por RENATO SALLES





"Ampliar a representatividade legislativa de Juiz de Fora nas eleições do ano que vem é muito importante para o futuro de nossa cidade." A frase dita pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) traduz a ambição e o principal desafio das lideranças políticas e partidárias que atuam no município. Neste sentido, os últimos dias foram importantes diante do fim do prazo, expirado ontem, para filiação partidária e definição de domicílio eleitoral para aqueles que pretendem concorrer no pleito do ano que vem. Para viabilizar nomes capazes de somar votos suficientes e garantir chances de conquistar o maior número possível de cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e no Congresso Nacional, não faltaram conversas e articulações dos diretórios das várias legendas, sempre trabalhando para reforçar seus quadros e angariar novos filiados.

Entre as idas e vindas, as movimentações que mais chamaram a atenção foram as que dizem respeito a possíveis candidaturas à Câmara dos Deputados. Depois de ficar quase um ano e dois meses sem partido desde que se desligou do PMBD no ano passado, Tarcísio Delgado acertou sua filiação no PSB. Embora o ex-prefeito reforce repetidamente que não tem anseio em disputar as eleições, seu nome ganha força nos bastidores da legenda, e o ex-peemedebista pode ser uma das novidades de última hora entre os candidatos locais. Se por um lado, há quem trabalhe para resgatar uma velha liderança juiz-forana, por outro, os esforços de vários partidos para testar nas urnas o prestígio do reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), mostrou-se insuficiente para convencê-lo a preencher ficha de filiação partidária, e Duque segue firme no objetivo de cumprir seu mandato à frente da Reitoria até o fim.

Além das especulações em torno de um possível resgate eleitoral de Tarcísio, outros três nomes aparecem como potenciais candidatos a deputado federal em Juiz de Fora. Exercendo mandatos na Câmara, Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e Margarida Salomão (PT) sempre foram considerados postulantes naturais à reeleição. As articulações para as composições das chapas para a disputa do Governo de Minas, porém, afastam, pelo menos no momento, Julio e Pestana da disputa por uma cadeira no Congresso. O tucano oficializou sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes na última sexta-feira. Da mesma maneira, o socialista é apontado como possível candidato ao Palácio Tiradentes, caso o PSB resolva encabeçar uma chapa. Também há a opção de disputar a vaga de vice-governador, caso ocorra composição com outra legenda.

Nos bastidores, a possibilidade de dobradinha entre PSDB e PSB se mostra efervescente. Os dois partidos já trabalharam juntos para reeleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Durante a semana, o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), deu a entender que poderia até abrir mão da cabeça de chapa. "Gostamos de ser apoiados, mas gostamos de apoiar também." A parceria garantiria palanque para Campos no Sudeste e poderia ser repetida no Nordeste, abrindo alas para o senador Aécio Neves (PSDB), pré-candidato tucano. Apesar de um possível acordo, nenhuma das siglas firmou o pé sobre os nomes que formariam a composição. Mesmo assim, um cenário onde Pestana e Julio sejam apontados como candidatos a governador e vice - ou vice-versa - é tão improvável quanto acertar sozinho todos os números da loteria.

Com a dupla envolvida nas discussões de seus partidos para a sucessão de Anastasia, apenas Margarida Salomão fala abertamente como pré-candidata à reeleição na Câmara. Alias, para a eleição, já que entrou como suplente. A deputada busca a unidade dentro do diretório local do PT e trabalhou, inclusive, para buscar consenso em torno de um nome para dirigir a legenda em Juiz de Fora. Apesar dos esforços, três quadros disputam a presidência da sigla na cidade. Interlocutores petistas defendem que a parlamentar trabalhe para ser a única candidata a deputado federal do partido na cidade. A preocupação se justifica. Em 2010, ela e Paulo Delgado foram os postulantes petistas e somaram mais de 120 mil votos, marca mais do que suficiente para garantir uma cadeira. Com quase 80 mil, Margarida ficou como suplente.

Novos aspirantes à Câmara

Com a maioria dos partidos ainda não tem definição de nomes, entre eles o PMDB, do prefeito Bruno Siqueira, a lista de prováveis candidatos à Câmara por Juiz de Fora ainda é pequena - mesmo nos bastidores, onde vários nomes são especulados. Com Duque fora do páreo, a indisposição de Tarcísio e as articulações de Julio e Pestana, Margarida é a única praticamente confirmada. Porém, dois nomes novos no cenário político local aparecem como prováveis postulantes. Após sua filiação ao PROS durante a semana, o vereador Chico Evangelista deve fazer dobradinha com seu filho Charles Evangelista. O pai deve correr pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), e o filho teria o desafio de disputar uma vaga no Congresso. O intuito seria cacifar o nome de Charles para o pleito municipal de 2016.

A grande incógnita, que também pode ser a grande surpresa do processo eleitoral, é o bicampeão olímpico Giovane Gávio. O ex-atleta juiz-forano se filiou ao PSDB, e os tucanos apostam em seu nome como candidato a deputado federal. Outro tucano que chegou a articular candidatura à Câmara é o deputado estadual Lafayette Andrada (PSDB). A intenção, todavia, foi abortada após conversas com seu pai, o deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB), que voltará a disputar uma cadeira. Em 2010, Bonifácio obteve 74.082 votos e ficou como suplente, mas acabou assumindo seu nono mandato na Casa em fevereiro de 2011, na vaga de Narcio Rodrigues (PSDB). Lafayette deve tentar a reeleição na ALMG.

Nas eleições de 2010, Juiz de Fora teve 20 candidatos a deputado federal com domicílio eleitoral na cidade. Entre eles, Wadson Ribeiro (PCdoB) e Edmar Moreira, que trocou o PR pelo PTB, são cotados para voltar à disputa. Outros como os vereadores Julio Gasparette (PMDB), atual presidente da Câmara Municipal, e Noraldino Júnior (PSC), que irá correr por uma vaga na ALMG, estão praticamente descartados. Outro considerado fora do páreo é o empresário Omar Peres.

Disputa maior pela ALMG

O universo de possíveis postulantes a uma vaga na ALMG é bem maior. Na Câmara, vários nomes são apontados como candidatáveis. A lista é grande. Embora Bruno Siqueira dê sinais de que pode apoiar a candidatura do vereador Isauro Calais (PMN), corrente dentro do PMDB defende que a legenda apoie uma candidatura interna, o que abre espaço para os nomes dos também vereadores Antônio Aguiar e André Mariano. Os petistas Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar já mostraram disposição e podem colocar seus blocos nas ruas. Há quem defenda que apenas um deles dispute o pleito, visto que, em 2010, o PT lançou Flávio Cheker e Gabriel dos Santos Rocha (Biel). Juntos, os dois somaram quase 40 mil votos, número capaz de eleger um deputado. Entretanto, nenhum foi eleito. Porém, assim como no caso dos nomes que correrão para a Câmara dos Deputados, a decisão vai além do diretório local e passa também por entendimentos estaduais.

Outros nomes podem engrossar a lista para consolidar as composições de seus partidos. Na relação são especulados Vagner de Oliveira (PR), Ana Rossignoli (PDT) e Jucelio Maria (PSB). Outro que pode ser convocado para fechar chapa é José Márcio (PV), com a possibilidade, inclusive, de ser candidato a deputado federal. Chico Evangelista e Noraldino estão praticamente certo na disputa pela Assembleia. Rodrigo Mattos (PSDB) sempre foi apontado como candidatável. Todavia, deve dar ao pai, Custódio Mattos (PSDB), que, embora adaptado à rotina de Belo Horizonte, onde ocupa o cargo de secretário Municipal de Desenvolvimento, a vaga para se lançar candidato a deputado estadual. Vai disputar voto na cidade com outro tucano, o deputado Lafayette Andrada.


Eleições anteriores são referência

Se é impossível traçar qual seria o número ideal de parlamentares para defender os interesses de Juiz de Fora em Belo Horizonte e em Brasília, é possível usar como norte dois momentos da história política da cidade. Neste sentido, as lideranças partidárias têm como ponto de partida, ao menos, repetir o desempenho das eleições de 2010, quando os eleitores locais afiançaram votação suficiente para garantir o mandato de dois deputados federais - Júlio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB) - e dois estaduais - Bruno Siqueira e Lafayette Andrada (PSDB). Dois anos depois, o resultado das eleições municipais alterou a configuração da representatividade parlamentar juiz-forana. Bruno assumiu a Prefeitura, e a cidade perdeu um deputado estadual. 

Em contrapartida, Margarida, que havia ficado como suplente, seguiu para a Câmara dos Deputados para ocupar a cadeira deixada por Gilmar Machado, eleito prefeito de Uberlândia.
Outra referência é um pouco mais otimista. Em 1974, as urnas deram a Juiz de Fora um número recorde de representantes nos legislativos estadual e federal. Com votações expressivas, a cidade elegeu três deputados estaduais e três deputados federais. Para a Assembleia, os escolhidos foram Sérgio Olavo Costa e Amílcar Padovani pelo MDB e Fernando Junqueira pela Arena. Os nomes que ocuparam cadeiras na Câmara foram Sílvio Abreu Júnior e Tarcísio Delgado pelo MDB e Fernando Fagundes Neto pela Arena. O desempenho naquele ano foi ainda maior já que Itamar Franco se elegeu pela primeira vez para o Senado Federal pelo MDB. Curiosamente, Itamar voltou a se eleger senador em 2010 pelo PPS, mas morreu ainda no primeiro ano de seu segundo mandato, aos 81 anos, em julho de 2011. O empresário Zezé Perrella (PDT) herdou a cadeira.



Tribuna de Minas

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