Após acertos de última hora, vários nomes aparecem como possíveis candidatos. Aumentar representatividade legislativa de Juiz de Fora é desafio
Por RENATO SALLES
"Ampliar a representatividade legislativa de Juiz de Fora nas
eleições do ano que vem é muito importante para o futuro de nossa
cidade." A frase dita pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB) traduz a
ambição e o principal desafio das lideranças políticas e partidárias que
atuam no município. Neste sentido, os últimos dias foram importantes
diante do fim do prazo, expirado ontem, para filiação partidária e
definição de domicílio eleitoral para aqueles que pretendem concorrer no
pleito do ano que vem. Para viabilizar nomes capazes de somar votos
suficientes e garantir chances de conquistar o maior número possível de
cadeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e no Congresso
Nacional, não faltaram conversas e articulações dos diretórios das
várias legendas, sempre trabalhando para reforçar seus quadros e
angariar novos filiados.
Entre as idas e vindas, as movimentações
que mais chamaram a atenção foram as que dizem respeito a possíveis
candidaturas à Câmara dos Deputados. Depois de ficar quase um ano e dois
meses sem partido desde que se desligou do PMBD no ano passado,
Tarcísio Delgado acertou sua filiação no PSB. Embora o ex-prefeito
reforce repetidamente que não tem anseio em disputar as eleições, seu
nome ganha força nos bastidores da legenda, e o ex-peemedebista pode ser
uma das novidades de última hora entre os candidatos locais. Se por um
lado, há quem trabalhe para resgatar uma velha liderança juiz-forana,
por outro, os esforços de vários partidos para testar nas urnas o
prestígio do reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF),
mostrou-se insuficiente para convencê-lo a preencher ficha de filiação
partidária, e Duque segue firme no objetivo de cumprir seu mandato à
frente da Reitoria até o fim.
Além das especulações em torno de um
possível resgate eleitoral de Tarcísio, outros três nomes aparecem como
potenciais candidatos a deputado federal em Juiz de Fora. Exercendo
mandatos na Câmara, Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e
Margarida Salomão (PT) sempre foram considerados postulantes naturais à
reeleição. As articulações para as composições das chapas para a disputa
do Governo de Minas, porém, afastam, pelo menos no momento, Julio e
Pestana da disputa por uma cadeira no Congresso. O tucano oficializou
sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes na última sexta-feira. Da
mesma maneira, o socialista é apontado como possível candidato ao
Palácio Tiradentes, caso o PSB resolva encabeçar uma chapa. Também há a
opção de disputar a vaga de vice-governador, caso ocorra composição com
outra legenda.
Nos bastidores, a possibilidade de dobradinha
entre PSDB e PSB se mostra efervescente. Os dois partidos já trabalharam
juntos para reeleger o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda
(PSB). Durante a semana, o governador de Pernambuco e pré-candidato à
Presidência, Eduardo Campos (PSB), deu a entender que poderia até abrir
mão da cabeça de chapa. "Gostamos de ser apoiados, mas gostamos de
apoiar também." A parceria garantiria palanque para Campos no Sudeste e
poderia ser repetida no Nordeste, abrindo alas para o senador Aécio
Neves (PSDB), pré-candidato tucano. Apesar de um possível acordo,
nenhuma das siglas firmou o pé sobre os nomes que formariam a
composição. Mesmo assim, um cenário onde Pestana e Julio sejam apontados
como candidatos a governador e vice - ou vice-versa - é tão improvável
quanto acertar sozinho todos os números da loteria.
Com a dupla
envolvida nas discussões de seus partidos para a sucessão de Anastasia,
apenas Margarida Salomão fala abertamente como pré-candidata à reeleição
na Câmara. Alias, para a eleição, já que entrou como suplente. A
deputada busca a unidade dentro do diretório local do PT e trabalhou,
inclusive, para buscar consenso em torno de um nome para dirigir a
legenda em Juiz de Fora. Apesar dos esforços, três quadros disputam a
presidência da sigla na cidade. Interlocutores petistas defendem que a
parlamentar trabalhe para ser a única candidata a deputado federal do
partido na cidade. A preocupação se justifica. Em 2010, ela e Paulo
Delgado foram os postulantes petistas e somaram mais de 120 mil votos,
marca mais do que suficiente para garantir uma cadeira. Com quase 80
mil, Margarida ficou como suplente.
Novos aspirantes à Câmara
Com
a maioria dos partidos ainda não tem definição de nomes, entre eles o
PMDB, do prefeito Bruno Siqueira, a lista de prováveis candidatos à
Câmara por Juiz de Fora ainda é pequena - mesmo nos bastidores, onde
vários nomes são especulados. Com Duque fora do páreo, a indisposição de
Tarcísio e as articulações de Julio e Pestana, Margarida é a única
praticamente confirmada. Porém, dois nomes novos no cenário político
local aparecem como prováveis postulantes. Após sua filiação ao PROS
durante a semana, o vereador Chico Evangelista deve fazer dobradinha com
seu filho Charles Evangelista. O pai deve correr pela Assembleia
Legislativa de Minas Gerais (ALMG), e o filho teria o desafio de
disputar uma vaga no Congresso. O intuito seria cacifar o nome de
Charles para o pleito municipal de 2016.
A grande incógnita, que
também pode ser a grande surpresa do processo eleitoral, é o bicampeão
olímpico Giovane Gávio. O ex-atleta juiz-forano se filiou ao PSDB, e os
tucanos apostam em seu nome como candidato a deputado federal. Outro
tucano que chegou a articular candidatura à Câmara é o deputado estadual
Lafayette Andrada (PSDB). A intenção, todavia, foi abortada após
conversas com seu pai, o deputado federal Bonifácio Andrada (PSDB), que
voltará a disputar uma cadeira. Em 2010, Bonifácio obteve 74.082 votos e
ficou como suplente, mas acabou assumindo seu nono mandato na Casa em
fevereiro de 2011, na vaga de Narcio Rodrigues (PSDB). Lafayette deve
tentar a reeleição na ALMG.
Nas eleições de 2010, Juiz de Fora
teve 20 candidatos a deputado federal com domicílio eleitoral na cidade.
Entre eles, Wadson Ribeiro (PCdoB) e Edmar Moreira, que trocou o PR
pelo PTB, são cotados para voltar à disputa. Outros como os vereadores
Julio Gasparette (PMDB), atual presidente da Câmara Municipal, e
Noraldino Júnior (PSC), que irá correr por uma vaga na ALMG, estão
praticamente descartados. Outro considerado fora do páreo é o empresário
Omar Peres.
Disputa maior pela ALMG
O
universo de possíveis postulantes a uma vaga na ALMG é bem maior. Na
Câmara, vários nomes são apontados como candidatáveis. A lista é grande.
Embora Bruno Siqueira dê sinais de que pode apoiar a candidatura do
vereador Isauro Calais (PMN), corrente dentro do PMDB defende que a
legenda apoie uma candidatura interna, o que abre espaço para os nomes
dos também vereadores Antônio Aguiar e André Mariano. Os petistas
Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar já mostraram disposição e
podem colocar seus blocos nas ruas. Há quem defenda que apenas um deles
dispute o pleito, visto que, em 2010, o PT lançou Flávio Cheker e
Gabriel dos Santos Rocha (Biel). Juntos, os dois somaram quase 40 mil
votos, número capaz de eleger um deputado. Entretanto, nenhum foi
eleito. Porém, assim como no caso dos nomes que correrão para a Câmara
dos Deputados, a decisão vai além do diretório local e passa também por
entendimentos estaduais.
Outros nomes podem engrossar a lista para
consolidar as composições de seus partidos. Na relação são especulados
Vagner de Oliveira (PR), Ana Rossignoli (PDT) e Jucelio Maria (PSB).
Outro que pode ser convocado para fechar chapa é José Márcio (PV), com a
possibilidade, inclusive, de ser candidato a deputado federal. Chico
Evangelista e Noraldino estão praticamente certo na disputa pela
Assembleia. Rodrigo Mattos (PSDB) sempre foi apontado como candidatável.
Todavia, deve dar ao pai, Custódio Mattos (PSDB), que, embora adaptado à
rotina de Belo Horizonte, onde ocupa o cargo de secretário Municipal de
Desenvolvimento, a vaga para se lançar candidato a deputado estadual.
Vai disputar voto na cidade com outro tucano, o deputado Lafayette
Andrada.
Eleições anteriores são referência
Se é
impossível traçar qual seria o número ideal de parlamentares para
defender os interesses de Juiz de Fora em Belo Horizonte e em Brasília, é
possível usar como norte dois momentos da história política da cidade.
Neste sentido, as lideranças partidárias têm como ponto de partida, ao
menos, repetir o desempenho das eleições de 2010, quando os eleitores
locais afiançaram votação suficiente para garantir o mandato de dois
deputados federais - Júlio Delgado (PSB) e Marcus Pestana (PSDB) - e
dois estaduais - Bruno Siqueira e Lafayette Andrada (PSDB). Dois anos
depois, o resultado das eleições municipais alterou a configuração da
representatividade parlamentar juiz-forana. Bruno assumiu a Prefeitura, e
a cidade perdeu um deputado estadual.
Em contrapartida, Margarida, que
havia ficado como suplente, seguiu para a Câmara dos Deputados para
ocupar a cadeira deixada por Gilmar Machado, eleito prefeito de
Uberlândia.
Outra referência é um pouco mais otimista. Em 1974, as
urnas deram a Juiz de Fora um número recorde de representantes nos
legislativos estadual e federal. Com votações expressivas, a cidade
elegeu três deputados estaduais e três deputados federais. Para a
Assembleia, os escolhidos foram Sérgio Olavo Costa e Amílcar Padovani
pelo MDB e Fernando Junqueira pela Arena. Os nomes que ocuparam cadeiras
na Câmara foram Sílvio Abreu Júnior e Tarcísio Delgado pelo MDB e
Fernando Fagundes Neto pela Arena. O desempenho naquele ano foi ainda
maior já que Itamar Franco se elegeu pela primeira vez para o Senado
Federal pelo MDB. Curiosamente, Itamar voltou a se eleger senador em
2010 pelo PPS, mas morreu ainda no primeiro ano de seu segundo mandato,
aos 81 anos, em julho de 2011. O empresário Zezé Perrella (PDT) herdou a
cadeira.
Tribuna de Minas
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