sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

TCM-SP suspende licitação dos corredores de ônibus na capital paulista



 

Aos moldes do que costumeiramente vem fazendo o Tribunal de Contas da União (TCU), paralisando obras do governo federal, agora o Tribunal de Contas do Município (TCM-SP) mandou suspender os editais da licitação abertos pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para a construção dos novos corredores de ônibus em São Paulo.

Às vésperas da licitação, o presidente do Tribunal, Edson Simões (nomeado pelo falecido prefeito Celso Pitta, PDS e depois PTB), alegou “risco ao erário”, afirmando que a prefeitura não comprovou os recursos para a realização das obras e que o projeto básico estaria incompleto.

Em jogo, então, os novos 128 km de corredores de ônibus destinados a enfrentar o gravíssimo problema de mobilidade urbana na capital paulista. A meta da prefeitura é construir, até 2016 (término do 1º mandato de Haddad), 150 km de corredores com circulação dos coletivos à esquerda, o que demanda um orçamento total de R$ 4,7 bi.

Resposta da prefeitura

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que “a decisão do Tribunal de Contas do Município em relação à licitação para os corredores de ônibus é corriqueira, já tomada anteriormente pelo menos em duas questões (licitação de uniformes escolares e contrato de auditoria de transporte coletivo)”.

“O TCM deu prazo de 15 dias para a Prefeitura responder e nós vamos explicar que os recursos são federais, provenientes do PAC Mobilidade, e que existe projeto básico de engenharia e urbanismo”, afirma o texto.

Em julho de 2013, vocês se lembram, o ex-ministro José Dirceu comemorou o repasse, pela presidenta Dilma Rousseff, de um total de verbas de R$ 8 bi da União para a capital paulista no escopo do PAC. Desse montante, R$ 3,3 bi foram destinados para a mobilidade urbana.

“A atenção ao transporte público, apontada pela própria população como prioritária, nas diversas manifestações ocorridas em junho, é um passo decisivo para começar a combater a distribuição desigual do espaço urbano e a marginalização da população que mora nas periferias”, afirmava Zé Dirceu em artigo publicado no Brasil Econômico (leia a íntegra).

Problemas inadiáveis

O ex-ministro também chamou a atenção para os problemas “que impactam diretamente o fluxo de trabalhadores e mercadorias, a produtividade, a qualidade de vida e a inovação” e para o fato de que “investir nesses avanços, tendo a cidade de São Paulo à frente, dada sua dimensão e a complexidade de seus problemas, é um desafio inadiável”.

Inadiável, certamente, para todos os que residem em São Paulo e que terão de esperar, agora, a decisão do TCM. Vale destacar que, em apenas um ano, a gestão Haddad já implantou 300 km de faixas exclusivas de ônibus (à direita das vias, com horário de funcionamento limitado). Vamos ver se o TCM vai permitir a construção dos 150 km de novos corredores exclusivos, à esquerda das vias, com funcionamento 24 horas.

Nunca é demais lembrar que o TCM é o mesmo tribunal (que não tem caráter judicial, como os demais tribunais do tipo, é órgão auxiliar do Legislativo municipal) que, por razões comprovadamente de oposição política,  reprovou as contas de outra prefeita do PT, Luiza Erundina (1988-1992), que só conseguiu aprová-las na Justiça.

Para compreender o que está por trás dessa recusa, recomendamos a leitura do artigo do jornalista Paulo Moreira Leite, que fazemos questão de disponibilizar na íntegra aqui no blog.



Blog do Zé Dirceu

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