quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Lula trabalha apoio do PT para candidato do PTB em Pernambuco


 
    Deputado João Paulo do PT de Pernambuco

Sugerido por Gunter Zibell - SP
Do Terra Magazine


POR RODRIGO RODRIGUES

Assim como aconteceu em 2012 na disputa pela prefeitura de Recife, a sucessão do governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco promete ser mais uma vez foco de problemas para a estratégia nacional do PT em reeleger a presidente Dilma Rousseff em outubro.
Enquanto o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva trabalha para que os petistas pernambucanos apóiem a candidatura do senador Armando Monteiro (PTB), parte do diretório estadual petista insiste na necessidade do partido lançar candidatura própria no Estado e tentar levar a disputa para o segundo turno.
Nas contas dos petistas pernambucanos o lançamento da candidatura do deputado federal João Paulo seria mais competitiva para a legenda e ajudaria nos planos da sigla de aumentar participação na Assembleia Legislativa, onde possuí hoje apenas cinco das 49 cadeiras do parlamento. O PSB de Eduardo tem 16 deputados na casa legislativa.
Na matemática do PT local, contudo, a candidatura de João Paulo tem mais a mostrar aos pernambucanos que Armando Monteiro, já que o petista foi duas vezes prefeito de Recife e fez o sucessor João da Costa, que não conseguiu ser reeleito em virtude da briga interna do partido.
Monteiro é um industrial que iniciou a vida política no PSDB e também já passou pelo PMDB. Teve três mandatos como deputado federal, atualmente é senador, mas não tem nenhuma experiência administrativa. 

Xadrez
Pernambuco é considerado lugar estratégico para o PT em 2014, em função de ser o estado natal de Lula e onde ele e Dilma conseguiram proporcionalmente os maiores números de votos nas duas últimas eleições presidenciais.
Embora o “eduardismo” seja forte no Estado e reelegera o atual governador nas últimas eleições com mais de 80% dos votos válidos, o PT acha que a presença mais massiva de Lula na campanha poderá reverter o favoritismo de Campos em favor de Dilma, equilibrando a contagem de votos entre os dois candidatos em outubro.
O próprio Lula já disse a emissários que trabalhará com afinco na terra natal para reverter o favoritismo de Eduardo. O ex-presidente adiantou aos petistas, porém, que não subirá em dois palanques diferentes e prefere que o campo “lulo-dilmista” tenha apenas um representante forte contra o “eduardismo”.
No PT, entretanto, a avaliação é que a sigla tem reais condições de conquistar o Palácio Campo das Princesas, já que Eduardo ainda não decidiu quem será o candidato a sucessão e está mais fraco politicamente em virtude das insatisfações de junho e dos tropeços do afilhado Geraldo Júlio em Recife, enquanto Lula ainda goza de grande prestígio entre os conterrâneos. 

Histórico de brigas
Na última disputa pela prefeitura de Recife, o então prefeito João da Costa disputava o direito de ser candidato a reeleição com o então deputado Maurício Rands. Com baixa popularidade e rompido com o padrinho João Paulo que o elegeu, Costa venceu as prévias por uma diferença de 533 votos, numa disputa que foi colocada sob suspeita, com Maurício Rands não reconhecendo da derrota e acusando o adversário de compra de votos e ameaçando entrar na Justiça.
Para evitar o que seria uma catástrofe judicial ainda maior, Lula e a cúpula nacional do PT fizeram uma intervenção no diretório, cancelando as prévias e lançando a candidatura do senador Humberto Costa na capital.
A intervenção desagradou as duas partes. Rands saiu do partido e hoje está filiado ao PSB, enquanto João da Costa continuou na sigla, mas sem trabalhar com afinco para Humberto Costa na última eleição. O racha entregou a prefeitura nas mãos do PSB, que elegeu Geraldo Júlio ainda no primeiro turno.
Segundo informações de bastidores, agora João da Costa trabalha abertamente contra a candidatura do ex-padrinho, João Paulo, dando preferência para a candidatura do PTB.

Justificativas
Na tentativa de por panos quentes, o senador Humberto Costa diz que não existe crise do diretório pernambucano com Lula e afirma que o estado está focado em reeleger Dilma em 2014.
“Divergências existem em todo partido. Mas há um esforço de todos os filiados de reunificar as forças com o objetivo claro de garantir mais quatro anos ao trabalho para a presidenta. Nesse contexto, é natural que o nome de João Paulo surja, porque ele é o terceiro deputado mais bem votado do Estado e um sujeito muito carismático, querido por todos os pernambucanos. Mas o PT em Pernambuco está intimamente ligado ao desejo de Dilma e não vai titubear em construir alternativas para poder ajudá-la a continuar esse trabalho incrível que tanto tem ajudado os pernambucanos”, diz o senador.
A nova presidente do PT Pernambucano, Tereza Leitão, que também é deputada estadual, admite haver novamente uma divisão na legenda, ainda refugo do tumultuado processo de 2012. Ela diz, porém, que há também um esforço de todas as frentes divergentes para tentar reunificar as forças e pensar no que é melhor para a candidatura de Dilma Rousseff. 
“Na eleição do PED todos assinamos um compromisso de recolher as armas e reunificar forças em torno do que for melhor para Dilma. O processo de 2012 prejudicou muito o partido. Agora criamos uma comissão de tática eleitoral que vai se reunir já no próximo dia 18 para avaliar o cenário melhor para a presidenta. É apenas o primeiro encontro. A candidatura de João Paulo está naturalmente apresentada por conta da força política e carisma dele, mas ele mesmo admite abrir mão, se Lula e Dilma avaliarem que o cenário não é positivo para a reeleição”, declara Leitão.
A nova presidente petista diz que tem simpatia à candidatura própria por fortalecer mais o PT num momento de fragilidade. Mas adverte que se trata de uma "opinião estritamente pessoal", que não será levada em consideração na hora da escolha da chapa.
"O PT quer ir fechado para a eleição, pra mostrar a força das ruas que tem. Qualquer opinião, de quem quer que seja, é estritamente pessoal e não é a opinião do colegiado", desconversa. 

Favoritismo
Apesar do atual governador não gozar mais dos 82% de popularidade que o elegeu em 2010, Campos ainda é o segundo governante estadual mais bem avaliado do país, com 58% entre ótimo em bom, de acordo com a última pesquisa CNI/Ibope de 13 de dezembro. O primeiro é Osmar Azziz, do Amazonas, como 74% de popularidade.
Tamanha avaliação faz o candidato de Campos ainda ser o favorito na disputa, mesmo ele ainda estando em dúvida se entrega a tarefa ao ex-ministro da Integração Nacional de Dilma, Fernando Bezerra, ou a algum outro secretário estadual, como Tadeu Alencar (Casa Civil), que disponta como favorito de Eduardo.
Na última eleição para a Prefeitura de Recife o prestígio de Campos ajudou a levar Geraldo Júlio (PSB) à vitória ainda no primeiro turno. Assim como Dilma e Lula, o prefeito recifense é até hoje considerado o “poste do Eduardo”.
Contudo, assim como acontece em São Paulo com Fernando Haddad, entre os recifenses há certa insatisfação com os caminhos tomados pelo afilhado político de Campos. Para conter as sucessivas crises na prefeitura da capital, o governador tem despachado com Geraldo Júlio pelo menos duas ou três vezes por semana, transformando a prefeitura municipal, segundo os deputados e vereadores de oposição, “numa secretária informal de governo”. 
Para alguns membros do PT, entretanto, os tropeços de Geraldo Júlio são sinal de que o candidato de Campos ao governo de Pernambuco não deve ter tanta facilidade de obter vitória nas urnas em outubro.
Pernambuco, segundo os petistas, é o Estado chave para tentar liquidar a fatura em favor de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno. A avaliação é que é em terras pernambucanas sairá a definição se Eduardo Campos enfrentará ou não Dilma num possível segundo turno.



Blog do Luis Nassif

Nenhum comentário:

Postar um comentário