Deputado João Paulo do PT de Pernambuco
Sugerido por Gunter Zibell - SP
Do Terra Magazine
POR RODRIGO RODRIGUES
Assim como
aconteceu em 2012 na disputa pela prefeitura de Recife, a sucessão do
governador Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco promete ser mais uma vez
foco de problemas para a estratégia nacional do PT em reeleger a
presidente Dilma Rousseff em outubro.
Enquanto o
ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva trabalha para que os petistas
pernambucanos apóiem a candidatura do senador Armando Monteiro (PTB),
parte do diretório estadual petista insiste na necessidade do partido
lançar candidatura própria no Estado e tentar levar a disputa para o
segundo turno.
Nas contas dos
petistas pernambucanos o lançamento da candidatura do deputado federal
João Paulo seria mais competitiva para a legenda e ajudaria nos planos
da sigla de aumentar participação na Assembleia Legislativa, onde possuí
hoje apenas cinco das 49 cadeiras do parlamento. O PSB de Eduardo tem
16 deputados na casa legislativa.
Na matemática do PT
local, contudo, a candidatura de João Paulo tem mais a mostrar aos
pernambucanos que Armando Monteiro, já que o petista foi duas vezes
prefeito de Recife e fez o sucessor João da Costa, que não conseguiu ser
reeleito em virtude da briga interna do partido.
Monteiro é um
industrial que iniciou a vida política no PSDB e também já passou pelo
PMDB. Teve três mandatos como deputado federal, atualmente é senador,
mas não tem nenhuma experiência administrativa.
Xadrez
Pernambuco é
considerado lugar estratégico para o PT em 2014, em função de ser o
estado natal de Lula e onde ele e Dilma conseguiram proporcionalmente os
maiores números de votos nas duas últimas eleições presidenciais.
Embora o
“eduardismo” seja forte no Estado e reelegera o atual governador nas
últimas eleições com mais de 80% dos votos válidos, o PT acha que a
presença mais massiva de Lula na campanha poderá reverter o favoritismo
de Campos em favor de Dilma, equilibrando a contagem de votos entre os
dois candidatos em outubro.
O próprio Lula já
disse a emissários que trabalhará com afinco na terra natal para
reverter o favoritismo de Eduardo. O ex-presidente adiantou aos
petistas, porém, que não subirá em dois palanques diferentes e prefere
que o campo “lulo-dilmista” tenha apenas um representante forte contra o
“eduardismo”.
No PT, entretanto, a
avaliação é que a sigla tem reais condições de conquistar o Palácio
Campo das Princesas, já que Eduardo ainda não decidiu quem será o
candidato a sucessão e está mais fraco politicamente em virtude das
insatisfações de junho e dos tropeços do afilhado Geraldo Júlio em
Recife, enquanto Lula ainda goza de grande prestígio entre os
conterrâneos.
Histórico de brigas
Na última disputa
pela prefeitura de Recife, o então prefeito João da Costa disputava o
direito de ser candidato a reeleição com o então deputado Maurício
Rands. Com baixa popularidade e rompido com o padrinho João Paulo que o
elegeu, Costa venceu as prévias por uma diferença de 533 votos, numa
disputa que foi colocada sob suspeita, com Maurício Rands não
reconhecendo da derrota e acusando o adversário de compra de votos e
ameaçando entrar na Justiça.
Para evitar o que
seria uma catástrofe judicial ainda maior, Lula e a cúpula nacional do
PT fizeram uma intervenção no diretório, cancelando as prévias e
lançando a candidatura do senador Humberto Costa na capital.
A intervenção
desagradou as duas partes. Rands saiu do partido e hoje está filiado ao
PSB, enquanto João da Costa continuou na sigla, mas sem trabalhar com
afinco para Humberto Costa na última eleição. O racha entregou a
prefeitura nas mãos do PSB, que elegeu Geraldo Júlio ainda no primeiro
turno.
Segundo informações
de bastidores, agora João da Costa trabalha abertamente contra a
candidatura do ex-padrinho, João Paulo, dando preferência para a
candidatura do PTB.
Justificativas
Na tentativa de por
panos quentes, o senador Humberto Costa diz que não existe crise do
diretório pernambucano com Lula e afirma que o estado está focado em
reeleger Dilma em 2014.
“Divergências
existem em todo partido. Mas há um esforço de todos os filiados de
reunificar as forças com o objetivo claro de garantir mais quatro anos
ao trabalho para a presidenta. Nesse contexto, é natural que o nome de
João Paulo surja, porque ele é o terceiro deputado mais bem votado do
Estado e um sujeito muito carismático, querido por todos os
pernambucanos. Mas o PT em Pernambuco está intimamente ligado ao desejo
de Dilma e não vai titubear em construir alternativas para poder
ajudá-la a continuar esse trabalho incrível que tanto tem ajudado os
pernambucanos”, diz o senador.
A nova presidente
do PT Pernambucano, Tereza Leitão, que também é deputada estadual,
admite haver novamente uma divisão na legenda, ainda refugo do
tumultuado processo de 2012. Ela diz, porém, que há também um esforço de
todas as frentes divergentes para tentar reunificar as forças e pensar
no que é melhor para a candidatura de Dilma Rousseff.
“Na eleição do PED
todos assinamos um compromisso de recolher as armas e reunificar forças
em torno do que for melhor para Dilma. O processo de 2012 prejudicou
muito o partido. Agora criamos uma comissão de tática eleitoral que vai
se reunir já no próximo dia 18 para avaliar o cenário melhor para a
presidenta. É apenas o primeiro encontro. A candidatura de João Paulo
está naturalmente apresentada por conta da força política e carisma
dele, mas ele mesmo admite abrir mão, se Lula e Dilma avaliarem que o
cenário não é positivo para a reeleição”, declara Leitão.
A nova presidente
petista diz que tem simpatia à candidatura própria por fortalecer mais o
PT num momento de fragilidade. Mas adverte que se trata de uma "opinião
estritamente pessoal", que não será levada em consideração na hora da
escolha da chapa.
"O PT quer ir
fechado para a eleição, pra mostrar a força das ruas que tem. Qualquer
opinião, de quem quer que seja, é estritamente pessoal e não é a opinião
do colegiado", desconversa.
Favoritismo
Apesar do atual
governador não gozar mais dos 82% de popularidade que o elegeu em 2010,
Campos ainda é o segundo governante estadual mais bem avaliado do país,
com 58% entre ótimo em bom, de acordo com a última pesquisa CNI/Ibope de
13 de dezembro. O primeiro é Osmar Azziz, do Amazonas, como 74% de
popularidade.
Tamanha avaliação
faz o candidato de Campos ainda ser o favorito na disputa, mesmo ele
ainda estando em dúvida se entrega a tarefa ao ex-ministro da Integração
Nacional de Dilma, Fernando Bezerra, ou a algum outro secretário
estadual, como Tadeu Alencar (Casa Civil), que disponta como favorito de
Eduardo.
Na última eleição
para a Prefeitura de Recife o prestígio de Campos ajudou a levar Geraldo
Júlio (PSB) à vitória ainda no primeiro turno. Assim como Dilma e Lula,
o prefeito recifense é até hoje considerado o “poste do Eduardo”.
Contudo, assim como
acontece em São Paulo com Fernando Haddad, entre os recifenses há certa
insatisfação com os caminhos tomados pelo afilhado político de Campos.
Para conter as sucessivas crises na prefeitura da capital, o governador
tem despachado com Geraldo Júlio pelo menos duas ou três vezes por
semana, transformando a prefeitura municipal, segundo os deputados e
vereadores de oposição, “numa secretária informal de governo”.
Para alguns membros
do PT, entretanto, os tropeços de Geraldo Júlio são sinal de que o
candidato de Campos ao governo de Pernambuco não deve ter tanta
facilidade de obter vitória nas urnas em outubro.
Pernambuco, segundo
os petistas, é o Estado chave para tentar liquidar a fatura em favor de
Dilma Rousseff ainda no primeiro turno. A avaliação é que é em terras
pernambucanas sairá a definição se Eduardo Campos enfrentará ou não
Dilma num possível segundo turno.
Blog do Luis Nassif
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