Situações que despertam debate sobre intervenção
no Estado também ocorrem em outras regiões do País; crime organizado já
incendiou ônibus em São Paulo, mas governador paulista Geraldo Alckmin
recusou ajuda federal para superar crise; Comissão de Direitos Humanos
da OEA determina que governo do Rio Grande do Sul reforme Presídio
Central de Porto Alegre, considerado o pior do Brasil, assim como ONU
pede investigação sobre Complexo de Pedrinhas; PIB do Maranhão teve o
maior crescimento da região Nordeste, segundo o IBGE; salto de 10%
colocou o Estado como a 16ª economia do País, mas convencionou-se
tratá-lo como o mais pobre entre as 27 unidades da Federação; apenas
detonar a governadora Roseana e o ex-presidente Sarney encerra o
problema?
247 – Envolvido em uma crise no setor de
segurança, o Maranhão é costumeiramente chamado de Estado mais pobre e
mais atrasado do Brasil. O problema é que isso não é verdade. Segundo o
último levantamento do IBGE a respeito do crescimento dos PIBs dos
Estados, o Maranhão teve um crescimento de 10% em sua economia entre
2011 e 2012, o que o coloca como campeão de crescimento na região
Nordeste. Com uma produção de riquezas estimada em R$ 52 bilhões, o
Maranhão é, atualmente, a 16ª maior economia do País, bem distante do
último colocado, Roraima, cujo PIB está em R$ 6,9 bilhões (tabela
abaixo). No quesito PIB per capita, o menor entre todos é o do Piauí.
Antes do salto de 10%, o Maranhão já havia crescido 8,7% entre 2010 e
2011, ficando em segundo lugar entre os Estados que mais cresceram na
região Nordeste.
Neste momento, o Maranhão vai sendo apontado como o símbolo pronto e
acabado do caos no setor de segurança pública, mas esse privilégio às
avessas nem de longe é uma exclusividade. Assim como a ONU, agora, quer
uma investigação rigorosa sobre as condições do Complexo Penitenciário
de Pedrinhas, a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados
Americanos (OEA) exige providência imediatas do governo do Rio Grande do
Sul em relação ao Presídio Central de Porto Alegre, que já foi
considerado o pior do Brasil.
Em matéria de condições carcerárias, de resto, o País como um todo não tem nenhum motivo para se orgulhar.
A tática de queimar ônibus para criar uma situação de insegurança
entre a população, infelizmente, também não é utilizada pelo crime
organizado apenas no Maranhão. São Paulo, o Estado mais rico da
Federação, vive rotineiramente essa realidade. Neste ano, a capital
paulista já teve quatro coletivos incendiados em bairros da periferia.
No ano passado, o PCC, nascido nas cadeias paulistas e hoje com
presença nacional, promoveu queimas em série no ano passado em São
Paulo, combinadas com ataques a postos da Polícia Militar. A situação
levou o governo federal a oferecer ajuda ao governo paulista na forma de
tropas da Força Nacional de Segurança, mas o governador Geraldo Alckmin
recusou a oferta e buscou por seu próprios meios resolver a situação.
Não houve nenhuma cogitação de intervenção federal em São Paulo.
No Maranhão, ao contrário, situações semelhantes às vividas pelo Rio
Grande do Sul e São Paulo servem para se levantar a hipótese da
intervenção. A diferença está, sabe-se, no sobrenome da sua governadora.
Extremamente ligada ao pai, o ex-presidente José Sarney, Roseana
Sarney enfrenta hoje um quadro tão complexo quanto o enfrentado por
muitos de seus colegas governadores. Mas o peso da marca Sarney faz dela
um alvo permanente que, agora, a rebaixa à condição de Judas da vez.
Assim como fez Alckmin no ano passado, Roseana, agora, também procura
reforçar, com os meios do Estado, o setor de segurança. Neste sentido,
seu governo anunciou prisões entre os líderes da rebelião de Pedrinhas e
operou transferências de presos para cadeias federais. A exemplo de
Tarso Genro, no Sul, em relação ao presídio de Porto Alegre, também
interessa a ela uma investigação em Pedrinhas, para que as condições
melhorem e as mortes bárbaras cessem.
Mais do que um espetáculo de achincalhe público, a crise do Maranhão,
por complexa, demanda uma nova reflexão com base em dados objetivos e
não a aplicação de uma revanche.
Brasil 247
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