qui, 09/01/2014 - 07:32
- Atualizado em 09/01/2014 - 08:24
Há dois fenômenos impedindo avaliações mais isentas da economia. O
primeiro, a guerra política das empresas de mídia do eixo Rio-São Paulo,
cujo maior sacrificado foi a notícia. O segundo, a consolidação das
redes sociais como centros preferenciais da disputa política.
Hoje em dia, locais como Facebook, Twitter e demais redes sociais
abriram espaço para uma radicalização inédita, envolvendo portais, blogs
e sites em geral, tornando difícil a consolidação da espaço de mediação
- nos quais o jornalismo pudesse cumprir melhor sua missão.
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Aliás, a explosão midiática, com a Internet, TVs a cabo
(especialmente nos EUA) e outras formas de comunicação, criou uma
barafunda informacional. Na maioria das vezes, os consumidores de
notícias não escolhem os veículos que entreguem a melhor informação, mas
aqueles que tragam notícias com as quais eles concordem, o chamado
exercício de pregar para convertidos.
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O ponto central de confusão é que a maior parte da manipulação não se
dá no vazio, mas superdimensionando fatos concretos. O contraponto deve
ser o devido dimensionamento do problema, não a sua negação.
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Dito isso, vamos a alguns dos pontos centrais de exploração de fatos:
Inflação - há bons
problemas estruturais, de melhoria de renda pressionando os serviços.
Nada que indique a inflação saindo de controle. E maus problemas
conjunturais, com a compressão das tarifas públicas - especialmente dos
combustíveis - com implicações negativas sobre o caixa da Petrobras,
biocombustíveis e outros, em um momento em que ela demanda muitos
recursos para investimentos.
Contas públicas -
há problemas de contabilização, com o rescaldo da tal "contabilidade
criativa" do Tesouro e um enorme burburinho em torno das agências de
risco e o suposto rebaixamento da nota brasileira. Há muito mais fumaça
do que fogo. Primeiro, porque as agências estão vendo de modo mais
otimista os últimos sinais do governo, preparam-se para um 2014 sem
grandes novidades, mas sem grandes loucuras, e um 2015 de ajustamento.
Mesmo que houvesse um rebaixamento, o impacto sobre o mercado de taxas
já foi antecipado nos últimos meses.
Concessões e gestão pública
- foi um duro aprendizado, que poderia ter sido abreviado se houvesse
mais planejamento da parte do governo. Mas acertou-se a mão com os
últimos leilões. Houve o custo do atraso, mas já foram feitas correções
de rumo relevantes, como a criação da EPL (Empresa de Planejamento e
Logística) visando planejar o setor a médio prazo. A saída da
Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann (que deverá concorrer ao
governo do Paraná) e sua substituição por Aloizio Mercadante poderá
trazer um componente de conhecimento e bom senso que faltou na fase
anterior. Restam muitos problemas, como aquele criado no sistema
elétrico, com a supressão intempestiva de fundos do setor, deixando um
vácuo. Há problemas concretos no modo de gestão de Dilma que não foram
resolvidos.
Câmbio comprimido –
além de compressão das tarifas públicas, há a nítida compressão do
câmbio, com problemas nas contas externas, administráveis do curto
médio, mas inadministráveis no médio. Em algum momento do futuro haverá
ajuste controlado ou não. Nada que ameace diretamente 2014.
Blog do Luis Nassif
Blog do Luis Nassif

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