quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os fatos reais e os fantasmas da economia

Há dois fenômenos impedindo avaliações mais isentas da economia. O primeiro, a guerra política das empresas de mídia do eixo Rio-São Paulo, cujo maior sacrificado foi a notícia. O segundo, a consolidação das redes sociais como centros preferenciais da disputa política.
Hoje em dia, locais como Facebook, Twitter e demais redes sociais abriram espaço para uma radicalização inédita, envolvendo portais, blogs e sites em geral, tornando difícil a consolidação da espaço de mediação - nos quais o jornalismo pudesse cumprir melhor sua missão.
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Aliás, a explosão midiática, com a Internet, TVs a cabo (especialmente nos EUA) e outras formas de comunicação, criou uma barafunda informacional. Na maioria das vezes, os consumidores de notícias não escolhem os veículos que entreguem a melhor informação, mas aqueles que tragam notícias com as quais eles concordem, o chamado exercício de pregar para convertidos.
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O ponto central de confusão é que a maior parte da manipulação não se dá no vazio, mas superdimensionando fatos concretos. O contraponto deve ser o devido dimensionamento do problema, não a sua negação.
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Dito isso, vamos a alguns dos pontos centrais de exploração de fatos:
Inflação - há bons problemas estruturais, de melhoria de renda pressionando os serviços. Nada que indique a inflação saindo de controle. E maus problemas conjunturais, com a compressão das tarifas públicas - especialmente dos combustíveis - com implicações negativas sobre o caixa da Petrobras, biocombustíveis e outros, em um momento em que ela demanda muitos recursos para investimentos.
Contas públicas - há problemas de contabilização, com o rescaldo da tal "contabilidade criativa" do Tesouro e um enorme burburinho em torno das agências de risco e o suposto rebaixamento da nota brasileira. Há muito mais fumaça do que fogo. Primeiro, porque as agências estão vendo de modo mais otimista os últimos sinais do governo, preparam-se para um 2014 sem grandes novidades, mas sem grandes loucuras, e um 2015 de ajustamento. Mesmo que houvesse um rebaixamento, o impacto sobre o mercado de taxas já foi antecipado nos últimos meses.
Concessões e gestão pública - foi um duro aprendizado, que poderia ter sido abreviado se houvesse mais planejamento da parte do governo. Mas acertou-se a mão com os últimos leilões. Houve o custo do atraso, mas já foram feitas correções de rumo relevantes, como a criação da EPL (Empresa de Planejamento e Logística) visando planejar o setor a médio prazo. A saída da Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann (que deverá concorrer ao governo do Paraná) e sua substituição por Aloizio Mercadante poderá trazer um componente de conhecimento e bom senso que faltou na fase anterior. Restam muitos problemas, como aquele criado no sistema elétrico, com a supressão intempestiva de fundos do setor, deixando um vácuo. Há problemas concretos no modo de gestão de Dilma que não foram resolvidos.
Câmbio comprimido – além de compressão das tarifas públicas, há a nítida compressão do câmbio, com problemas nas contas externas, administráveis do curto médio, mas inadministráveis no médio. Em algum momento do futuro haverá ajuste controlado ou não. Nada que ameace diretamente 2014.



Blog do Luis Nassif

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