Postado em 07 set 2013
Maristela Basso vem falando bobagens há um bom tempo.
A boa notícia, para a advogada Maristela Basso, professora de direito
internacional da USP, é que ela acaba de virar verbete na Wikipedia.
A má notícia é que o que a conduziu à Wikipedia foi uma estupidez
extraordinária na qual se misturaram arrogância, desconhecimento e um
sentimento de supremacia racial em geral associado ao nazismo.
Num trecho do Jornal da Cultura que discutia o caso do senador
boliviano Roger Pinto, Maristela disse que a Bolívia é “insignificante”.
Por isso, não haveria sentido em levar tão a sério o caso do senador.
Antes de chegar à Wikipedia, Maristela, à base de opiniões parecidas
com a que emitiu sobre a Bolívia, já se tornara uma personagem
frequente na mídia tradicional.
É um clássico do Brasil moderno: diga coisas de direita, seja bem
reacionário, e as portas da mídia se abrirão, magicamente, para você.
Foi o que aconteceu com Maristela.
Numa pesquisa rápida no Google, você pode encontrá-la em intervenções na Globonews, na Bandnews, na Folha, no Estadão etc.
Oriunda de Porto Alegre, bem apessoada na faixa dos 50, sorriso
simpático, advogada dos corintianos presos na Bolívia depois da morte
de um torcedor, ela acabou se tornando uma especialista em tudo na
mídia, embora seu campo seja o direito internacional.
Algumas semanas atrás, num programa da Bandnews, ela foi convidada a
comentar os protestos de junho. Cobrou, na ocasião, presença maior da
polícia para “conter” os manifestantes.
No canal de vídeo do Terra, ela comentou as eleições americanas.
Obama, segundo ela, tinha “posto de pé” a economia dos Estados Unidos –
uma afirmação sem nenhuma sustentação nas estatísticas. Mas que editor
se importa com isso?
Dias atrás, ela disse à Globonews que os Estados Unidos “não precisam
do apoio de nenhum outro país” para invadir a Síria pois são
“auto-suficientes militarmente”.
A Síria, pelo que entendi, é uma espécie de Bolívia do lado de lá: para que discutir tanto sobre um país tão insignificante?
Também sobre Assange Maristela já se manifestou. “Assange
acovardou-se na embaixada de um pequeno país distante”, escreveu ela num
artigo na Folha. “O caso Assange perdeu a importância. Os governos não
temem mais a divulgação de segredos de Estado e a imprensa faz o
trabalho de Assange com a mesma desenvoltura.”
Pausa para rir.
O caso Snowden, ocorrido alguns depois do artigo de Maristela na
Folha, transforma em piada este ponto. E a Folha, se olhasse para o
espelho, teria suprimido o disparate da última frase, a que dá um
caráter heroico, aspas, à imprensa.
Para Maristela e seus pares de ideologia, erros não cobram preço
nenhum. Eles continuam a ser frequentes na mídia, mesmo que suas
opiniões sejam tortas, enviesadas – ou simplesmente “insignificantes”,
para usar o adjetivo que a levou, em circunstância de honraria duvidosa,
à Wikipedia.
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