Heloisa Cristaldo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Congresso Nacional devolveu nesta quarta-feira (18),
simbolicamente, o mandato presidencial de João Goulart, destituído do
cargo em 1964. A sessão solene, proposta pelos senadores Pedro Simon
(PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), anulou a sessão que declarou
vago o cargo de presidente da República, que possibilitou o afastamento
de Jango. O argumento para perda do mandato foi que o presidente havia
fugido do país.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), destacou a
devolução do cargo ao ex-presidente, afirmando que o ato do Congresso
declara que Jango foi uma vítima que tentou resistir ao golpe militar,
não um fugitivo. “Como presidente do Senado Federal e do Congresso
Nacional, em nome da instituição, peço desculpas pela inverdade
patrocinada pelo Estado contra um ilustre brasileiro, um nacionalista,
patriota, reformista, e que, talvez, tenha conseguido reunir uma das
melhores equipes de governo na história do Brasil”, ressaltou.
Para o filho de Jango, João Vicente Goulart, a destituição do cargo
não foi um ato direto contra a figura do presidente, mas contra as
reformas trabalhistas enviadas ao Congresso Nacional no ano do golpe. “A
história de Jango hoje se coloca acima dos partidos políticos. Repito
as palavras que disse quando me despedi pela segunda vez, em São Borja,
do meu pai, Jango, a democracia venceu”, disse ao receber o documento de
devolução simbólica do mandato de João Goulart.
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), destacou
que a sessão solene é um resgate da histórica política do país. “A
importância da iniciativa do Congresso deve ser vista também como uma
forma de mostrar às novas gerações o que de fato aconteceu no Brasil em
1964, para que não haja “melancólica repetição”, destacou. A presidenta
Dilma Rousseff também participou da cerimônia.
Na última sexta-feira (6), os restos mortais do ex-presidente João
Goulart, foram levados a Brasília para exames no Instituto Nacional de
Criminalística (INC) do Departamento da Polícia Federal, e depois
levados de volta para São Borja (RS), onde foram enterrados com honras
militares.
O exame vai esclarecer se o ex-presidente foi vítima de um ataque
cardíaco, em 1976, quando vivia no exílio, na Argentina, ou se foi
assassinado pela ditadura militar. O exame foi solicitado pela família
de João Goulart depois que um ex-agente da repressão uruguaia disse que,
na verdade, Jango havia sido envenenado.
Agência Brasil
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