5 de Dezembro de 2013 | 09:14 Autor: Fernando Brito
O presidente americano Barack Obama disse ontem, em discurso, que a desigualdade social é um dos grandes entraves para o desenvolvimento dos EUA.
E propôs uma elevação de 40% no salário mínimo federal do país, de US$ 7,25 para US$ 10,10 por hora.
Só para lembrar, a inflação dos Estados Unidos, nos últimos anos, varia entre um e dois por cento anuais.
Que lindo, não é? Os nossos economistas neoliberais ou os neocovardes,
que não tem coragem de desafiar o coro da mídia e reclamam de nossa
inflação “explosiva” de 5% babam diante de um índice destes. “Estão
vendo, isso é que é governo…”
É, bebé?
Pois olhe como, com essa inflaçãozinha mixuruca as famílias
americanas estão ficando mais pobres, enquanto as nossas, devagar,
devagarinho, não melhorando de renda.
Agora compare os números dos nossos “professores” com os nossos, organizados pelo IPEA, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar do IBGE.
É claro que os nossos valores absolutos são muito menores, mas é com
cada passo que se faz a caminhada, não é? Aliás, é muito engraçado como
torcem o nariz a isso, como fez a Folha ontem, publicando que “no ritmo atual de crescimento, Brasil levará 30 anos para ficar rico“.
Todo mundo sabe que o ritmo vai se acelerar, mas ainda assim não seria mau, diante de nossas elites terem gasto 500 anos para nos tornar miseráveis…
Mas tem mais, caro leitor e arguta leitora: vocês estão lendo sobre a recuperação americana e o otimismo dos “mercados” com isso.
Todo mundo sabe que o ritmo vai se acelerar, mas ainda assim não seria mau, diante de nossas elites terem gasto 500 anos para nos tornar miseráveis…
Mas tem mais, caro leitor e arguta leitora: vocês estão lendo sobre a recuperação americana e o otimismo dos “mercados” com isso.
Pois agora olhe como está o medo do desemprego entre os americanos, segundo a mesma pesquisa.
Entre os mais pobres de lá, mais da metade – 54% -está “muito
preocupado” com perder seu posto de trabalho. E não é um fenômeno
momentâneo, mas vem num descendo deste a crise de 2008.
Sem tréguas.
E aqui no Brasil?
Bem, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, mês passado, revela que os “muito preocupados” com a possibilidade de perda do emprego são apenas 12,8% dos brasileiros.
Isso, claro, com jornais e televisões que dizem que o Brasil está mergulhando num desastre econômico.
Agora, meus caros amigos, imaginem se Dilma tivesse ido à televisão,
ontem propor, como fez Obama, um aumento de 40% no salário mínimo?
Os jornais de hoje estariam tratando de sua interdição judicial ou,
quem sabe, propondo até uma “solução” como a que foi da a Abraão
Lincoln…
Aliás, direita americana está culpando Obama e o Papa Francisco pela
“onda de agitação” trabalhista, que está levando, como você vê na foto
lá em cima, a uma greve geral nas lojas do McDonalds.
Com anos de atraso, Obama parece ter entendido como o Brasil
conseguiu furar o tsunami de 2008, que continua alagando tudo por aí.
Para saber que Lula era “o cara”, nem precisava espionar os nossos telefones.
Tijolaço
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