seg, 14/04/2014 - 15:58
- Atualizado em 14/04/2014 - 16:14
Jornal GGN – A presidente Dilma Rousseff participou, na manhã desta segunda (14), da viagem inaugural do navio Dragão do Mar e do batismo do navio Henrique Dias, no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. Na ocasião, a chefe do Executivo destacou os investimentos feitos pelo governo federal na indústria naval brasileira desde que seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o Palácio do Planalto. Segundo ela, não fossem as políticas desenvolvidas a partir de 2003, o setor continuaria estagnado.
“Nós fomos a segunda maior indústria naval nos anos 1980 no mundo,
mas entramos numa reta inclinada para baixo e perdemos a importância,
porque não havia incentivo, não faziam políticas industriais e não tinha
política de compra. Nós [gestão Lula e Dilma] reconstruímos a indústria
naval com projetos. E começamos mudando radicalmente a política de
compra, que é comprar aquilo que o seu país pode produzir”, disse a
presidente.
Segundo Dilma, incentivando a produção nacional, o governo parou “de
exportar o que o Brasil tem de mais preciso, que é emprego para cada
família brasileira”. “[Na última década] multiplicamos os empregos no
setor por 10. Era algo perto de sete mil empregos, e hoje estamos perto
de 80 mil empregos”, sustentou.
Dilma ainda frisou que o projeto de ampliar a frota de navios
petroleiros saiu do papel com seu esforço pessoal, enquanto comandante
do Ministério de Minas e Energia, e da atual presidente da Petrobras,
Graça Foster. “[Quando o governo sinalizou que queria produzir mais
navios petroleiros] disseram que a gente não ia conseguir nem produzir
os cascos”, contou a petista. “Mas como eu e a Graça somos incrédulas
quando se trata de rebaixar a competência brasileira, nós insistimos”,
completou.
Em seu discurso, Graça Foster reforçou que o Prominp e o Promef são
“programas que nasceram por decisão do governo federal, não só para
[beneficiar] a Transpetro ou a Petrobras”, fundamentais para a expansão
da indústria naval. A dirigente acrescentou que União se comprometeu a
investir, entre 2013 e 2020, “100 bilhões de dólares na indústria naval
offshore”. Ainda de acordo com Graça, o Dragão do Mar é motivo de
orgulho para a Nação, pois tem capacidade para transporta 1 milhão de
barris do petróleo, o que equivale à metade da produção diária da
Petrobras no Brasil.
Retomada do setor
A indústria naval brasileira passou quase 20 anos em crise, sem
qualquer política de incentivo à construção naval. Mas a partir da Lei
do Petróleo, assinada em 1997, o governo FHC junto com a Petrobrás
instauraram no país uma série de medidas para substituir as importações e
induzir a produção de conteúdo local. Em 2003 e 2004, dois programas, o
Promef e o Pomimp, concretizaram o objetivo da Lei do Petróleo e o país
que tinha 1910 trabalhadores no setor em 2001, hoje conta com 78.136
empregos diretos.
Prominp
O Programa de Mobilização da Indústria nacional de Petróleo e Gás
Natural foi instituído em 2003, coordenado pelo Ministério de Minas
Energia. Juntou-se a Petrobrás, o Instituto Brasileiro de Petróleo com
diversos fornecedores de bens e serviços no Brasil, a indústria naval e
diversas associações, sindicatos e instituições, como o BNDES, entre
outras.
A indústria do petróleo representa mais de 10% do PIB do Brasil e o
aumento da produção impulsiona o crescimento brasileiro, já que graças
ao Promimp toda a cadeia produtiva está unida e mobilizada nesse
sentido. A demanda e o fornecimento da bens e serviços pra indústria
naval estimula a produção nacional de diversos produtos.
A Petrobras desenvolveu, em conjunto com o Prominp e os seis maiores
bancos do País, o Programa Progredir, que tem como objetivo viabilizar a
oferta de crédito em volume e condições competitivas para toda a cadeia
de suprimento (fornecedores e subfornecedores) da Petrobras, melhorando
a liquidez e a robustez financeira dessas empresas nas suas operações.
Promef
O Programa de Modernização e Expansão da Frota foi criado em 2004 com
o objetivo a construção de navios no Brasil, com um índice de
nacionalização dos bens e serviços utilizados de 65% na primeira fase e
70% na segunda fase. Está prevista a construção de 26 navios na primeira
etapa e 23 na segunda. Três estaleiros foram construídos nos últimos
anos só para atender às demandas do Promef: O Estaleiro Atlântico Sul e
Vard Pomar, ambos no Complexo Industrial Portuário do Suape; o estaleiro
Rio Tietê, em Araçatuba e o estaleiro de Mauá, em Niterói que foi
reativado.
Até o momento, oito navios produzidos no Brasil estão em operação.
Além do Dragão do Mar, Irmã Dulce, Celso Furtado, João Candido, Rômulo
de Almeida, Sérgio Buarque de Holanda, Zumbi dos Palmares e José Alencar
já foram lançados ao mar. Em construção nos estaleiros brasileiros
seguem o Henrique Dias, Oscar Niemeyer e Anita Garibaldi.
Dragão do Mar
O navio suezmax Dragão do Mar, lançado nesta segunda (14), possui 274
metros de comprimento, 51 metros de altura, 48 metros de largura,
capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo e calado de
17 metros, compatível com a passagem do Canal de Suez. Sua entrega
técnica foi realizada no dia 16 de dezembro de 2013.
Blog do Luis Nassif
Nenhum comentário:
Postar um comentário