4 de Dezembro de 2013 | 19:12 Autor: Fernando Brito
Conheci Roberto Jefferson quando este era um jovem e obesíssimo
advogado, que fazia o tipo “prendo e arrebento” daqueles tempos de
General João Figueiredo que vivíamos no início de 1982.
Ainda um jovem repórter, trabalhando na Tribuna da Imprensa e na Última Hora, fui com Leonel Brizola ao Povo na TV, programa do qual participava, sob o comando do veterano Wilton Franco.
Jefferson não foi nada simpático e correspondeu ao aperto de mão de
Brizola com evidente cara de desagrado. Ele estava, àquela altura,
perfeitamente sintonizado com o grupo udenista que se adonara do PTB do
Rio de Janeiro, em torno da lacerdista Sandra Cavalcanti, então estrela
entre os comentaristas da Rádio Globo, no líder de audiência Haroldo de
Andrade.
Não preciso, portanto, de laudo de qualquer junta médica para dizer,
olhando seu aspecto hoje, o que o câncer de pâncreas que o acometeu fez à
sua saúde.
Quem acompanhou a agonia e morte do todo-poderoso da Apple, Steve
Jobs, sabe o que essa doença faz, mesmo quando tratada com os maiores
recursos.
Portanto, há 30 anos - e cada vez mais, à medida em que se tornou o
que se tornou – não tenho por Jefferson a menor simpatia. Mas tenho
idade e princípios para ter horrores políticos, não ódios pessoais ou
desprezo por um ser humano.
Jefferson fez muito mal ao Brasil, mas nem por isso qualquer pessoa
de bem deve, ao vê-lo condenado, deixar que, como disse ele próprio na
CPI dos Correios ao ver José Dirceu, deixar que se despertem seus
“instintos mais primitivos”.
Porque Jefferson não fará mal a ninguém mais e mantê-lo encarcerado,
nestas condições, seria apenas um exercício de crueldade mórbida.
Por isso, espero que se lhe venha a ser concedida a prisão
domiciliar, não importa se tenha simpatia ou horror ao seu papel e
comportamento.
Condena-lo à morte “informalmente”, ao mandá-lo para um lugar que –
qualquer um tem esta certeza – vai acelerar a degradação de sua
sobrevida é uma morbidez indigna.
Que bom se Joaquim Barbosa tivesse mostrado por José Genoíno o
respeito que teve aos problemas de saúde de Jefferson, esperando até
agora para definir sua prisão, não sem antes ouvir os médicos.
Tijolaço
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