Em artigo publicado nesta terça-feira no Observatório da Imprensa, o jornalista e sociólogo Venício A. de Lima faz uma análise sobre os termos usados pela imprensa para se referir aos réus e aos desdobramentos da AP 470.
Ele faz um balanço de 2005 até agora, com detalhes muito pertinentes.
Para ele, nesse período houve “a formação de uma linguagem nova,
seletiva e específica, com a participação determinante da grande mídia,
dentro da qual parcela dos brasileiros passaram a ‘ver’ os réus da Ação
Penal nº 470, em particular aqueles ligados ao Partido dos
Trabalhadores”.
“A crise política foi se transformando no ‘maior escândalo de
corrupção da historia do país’ e confirmou-se o padrão de seletividade
(omissão e/ou saliência) na cobertura jornalística, identificado desde
2005.”
“’Mensaleiro’ passou a designar qualquer envolvido na Ação Penal nº
470, independentemente de ter sido ou não comprovada a prática criminosa
de pagamento e/ou recebimento de mensalidades em dinheiro ‘sujo’ com o
objetivo de se alterar o resultado nas votações de projetos de lei no
Congresso Nacional”, acrescenta Venício.
Ele lembra que “o escárnio” em relação aos “mensaleiros petistas”
atingiu o seu auge com a “prisão espetaculosa” de alguns dos réus.
“O que poderia ser questionado como uma prisão arbitrária (antes do
trânsito em julgado; exposição desnecessária em périplo aéreo por três
cidades do país; regime fechado para condenados em regime aberto;
substituição arbitrária do juiz da vara de execuções penais de Brasília,
etc.) foi se transformando em ‘um privilégio dos mensaleiros
petistas’.”
“O ano de 2013 certamente poderá ser lembrado como aquele em que
ocorreu o julgamento da Ação Penal nº 470 e pelo desmesurado papel que a
grande mídia desempenhou em todo o processo. Um vocabulário seletivo
específico e uma linguagem correspondente se consolidaram em relação aos
eventos nomeados pela nova palavra ‘mensalão’”, diz Venício.
Blog do Zé Dirceu
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