A Equipe do Blog do ex-ministro José Dirceu registra notícia dada com
pouquíssimo destaque pelos jornais e que ele na certa publicaria aqui
se já tivesse autorização da justiça para voltar a escrever seu blog:
militantes do PSOL fizeram protesto em frente à sede do metrô paulistano
para cobrar investigação na Câmara dos Deputados e na Assembleia
Legislativa sobre o cartel do trensalão, que funcionou na área dos
transportes públicos paulistas nos últimos 20 anos de governos tucanos
de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
O cartel que teria causado irregularidades e provocado prejuízos ao
Estado no montante de até R$ 1 bilhão nesse período, à medida que mais
informações surgem, constitui-se num dos maiores escândalos do país nos
últimos anos. É objeto de investigações nos âmbitos criminal, civil e
administrativo, mas nada dessas apurações resulta de iniciativas dos
governos tucanos paulistas.
Pelo contrário, desde que o escândalo foi descoberto os tucanos no
Estado fazem de tudo para impedir toda e qualquer investigação. Os
manifestantes do PSOL, ontem, lavaram a calçada da frente da Companhia
do Metropolitano cobrando que as investigações ocorram também no âmbito
do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa. Nas duas instâncias
os governos tucanos barram a constituição de CPIs sobre o caso, como
aliás o PSDB faz no Legislativo paulista, onde nesses 20 anos em que é
governo já impediu a instauração de mais de 70 CPIs.
Governos tucanos paulistas jamais permitiram CPIs para investigar suas gestões
As denúncias no caso apontam que secretários de Estado, parlamentares
tucanos, executivos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos
(CPTM), outras autoridades e políticos do PSDB paulista receberam
propina ao mesmo tempo em que faziam vistas grossas – quando não
entravam no conluio – à montagem do cartel denunciado pela multinacional
Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Pior e mais trágico nessa história é o noticiado pela Folha de
S.Paulo recentemente: mesmo investigado por duas corregedorias por ter
engavetado dois pedidos de cooperação com a justiça da Suíça, e oito do
Ministério da Justiça do Brasil para que colaborasse com as autoridades
daquele país na investigação do caso Alstom – multi que teria
participado do cartel -, o procurador da República Rodrigo de Grandis
voltou de longas férias e reassumiu o inquérito.
Ele está sob investigação das corregedorias do Ministério Público
Federal e do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão de controle
externo sobre os atos de promotores e procuradores. Duas perguntas que o
ex-ministro José Dirceu, com certeza faria: o que esperar de apurações –
se é que será feita alguma… – comandadas por um procurador que já
engavetou documentos a respeito do caso e deu a desculpa esfarrapada de
que os “esquecera” em uma gaveta? Até quando os tucanos beneficiados
pelo cartel continuarão na mais completa impunidade?
Blog do Zé Dirceu

Nenhum comentário:
Postar um comentário