terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O que esperar de inquérito com procurador que engavetou documentos sobre cartel?

A Equipe do Blog do ex-ministro José Dirceu registra notícia dada com pouquíssimo destaque pelos jornais e que ele na certa publicaria aqui se já tivesse autorização da justiça para voltar a escrever seu blog: militantes do PSOL fizeram protesto em frente à sede do metrô paulistano para cobrar investigação na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa sobre o cartel do trensalão, que funcionou na área dos transportes públicos paulistas nos últimos 20 anos de governos tucanos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

O cartel que teria causado irregularidades e provocado prejuízos ao Estado no montante de até R$ 1 bilhão nesse período, à medida que mais informações surgem, constitui-se num dos maiores escândalos do país nos últimos anos. É objeto de investigações nos âmbitos criminal, civil e administrativo, mas nada dessas apurações resulta de iniciativas dos governos tucanos paulistas.

Pelo contrário, desde que o escândalo foi descoberto os tucanos no Estado fazem de tudo para impedir toda e qualquer investigação. Os manifestantes do PSOL, ontem, lavaram a calçada da frente da Companhia do Metropolitano cobrando que as investigações ocorram também no âmbito do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa. Nas duas instâncias os governos tucanos barram a constituição de CPIs sobre o caso, como aliás o PSDB faz no Legislativo paulista, onde nesses 20 anos em que é governo já impediu a instauração de mais de 70 CPIs.

Governos tucanos paulistas jamais permitiram CPIs para investigar suas gestões

As denúncias no caso apontam que secretários de Estado, parlamentares tucanos, executivos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), outras autoridades e políticos do PSDB paulista receberam propina ao mesmo tempo em que faziam vistas grossas – quando não entravam no conluio – à montagem do cartel denunciado pela multinacional Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Pior e mais trágico nessa história é o noticiado pela Folha de S.Paulo recentemente: mesmo investigado por duas corregedorias por ter engavetado dois pedidos de cooperação com a justiça da Suíça, e oito do Ministério da Justiça do Brasil para que colaborasse com as autoridades daquele país na investigação do caso Alstom – multi que teria participado do cartel -, o procurador da República Rodrigo de Grandis voltou de longas férias e reassumiu o inquérito.

Ele está sob investigação das corregedorias do Ministério Público Federal e do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão de controle externo sobre os atos de promotores e procuradores. Duas perguntas que o ex-ministro José Dirceu, com certeza faria: o que esperar de apurações – se é que será feita alguma… – comandadas por um procurador que já engavetou documentos a respeito do caso e deu a desculpa esfarrapada de que os “esquecera” em uma gaveta? Até quando  os tucanos beneficiados pelo cartel continuarão na mais completa impunidade?



Blog do Zé Dirceu

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