Modelo de leilões de infraestrutura criado pela
presidente Dilma Rousseff funciona de novo; BR-163, estrada de 850
quilômetros de extensão entre Mato Grosso e Paraná, é arrematada pelo
grupo CCR com deságio de 52,7% sobre valor máximo estabelecido pelo
governo; investimentos serão de R$ 5,69 bilhões pela concessão de 30
anos; estradão vai cortar 20 cidades e dinamizar região de grãos; "De
leilões eu entendo, por isso fiz o modelo que está ai", costuma dizer a
presidente; tráfego projetado é de maioria de caminhões,; safra de grãos
poderá ser escoada a custos menores
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - A Companhia de Participações em Concessões (CCR) foi a
vencedora do leilão da BR-163, no trecho que começa na divisa de Mato
Grosso do Sul com Mato Grosso, ao norte, e corta todo o estado, passando
por 20 cidades até a divisa com o Paraná, totalizando 847,2
quilômetros. O grupo ofereceu proposta de pedágio de R$ 4,38, com
deságio de 52,7%.
O vencedor terá 30 anos para explorar o trecho, gerando investimentos
da ordem de R$ 5,69 bilhões. A empresa deve administrar a rodovia e
investir em serviços de recuperação, manutenção, conservação e
duplicação. Neste trecho serão instaladas nove praças de cobrança de
pedágio. Até o quinto ano de concessão estão previstas a implantação de
vias marginais em travessias urbanas, de interseções, passarelas,
melhorias em acessos e contornos em cidades.
Seis grupos se inscreveram para o leilão e venceu aquele que fez a
oferta com menor valor de pedágio, respeitando o teto de R$ 9,27 para a
cobrança. O leilão faz parte do Programa de Investimento em Logística
(PIL), lançado pelo governo em agosto do ano passado e que prevê a
concessão de 9 lotes num total de 7,5 mil quilômetros de rodovias
federais.
Segundo o diretor da CCR, Leonardo Viana, o pedágio deve começar a
ser cobrado quando estiverem prontos 10% da obra de duplicação e
melhorias, o que deve ocorrer em 18 meses. Viana disse que está otimista
com as expectativas de exploração da rodovia, já que estudos feitos
pelo grupo mostraram que a região está em constante crescimento. "Nossos
estudos, em mais de três anos, mostraram a evolução do tráfego e o
Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, que cresce mais que o
dobro do resto do país. É uma rodovia que tem potencial de crescimento
muito grande, diferente de outras".
O ministro dos Transportes, César Borges, disse que está muito
satisfeito com o leilão, que atingiu a modicidade tarifária ao mesmo
tempo em que terá praticamente toda a estrada duplicada. "Nessa rodovia,
60% do tráfego é de caminhões pesados. De 7 mil veículos por dia, 4,5
mil são caminhões, mostrando que ela é importante para levar a safra a
custos menores".
Borges espera que os próximos leilões tenham deságios tão bons quanto
os que já foram obtidos nos últimos certames. No próximo dia 27, o
governo leiloa o trecho da BR-040 que vai de Juiz de Fora (MG) a
Brasília. "Não tenho dúvida de que essa rodovia tem uma grande
atratividade. Está em uma região com volume médio de tráfego muito
elevado, apesar de não ter tantos caminhões como a BR-163".
Desde setembro, o governo já leiloou três trechos: da BR-050, entre
Goiás e Minas Gerais; da BR-163, em Mato Grosso, e um lote com trechos
das BRs-060/153/262, entre Brasília e Betim (MG). Nesses três, o deságio
das propostas de pedágio vencedoras ficou em 42,38% a 52,03%, 42,13%
com relação aos valores máximos fixados nos editais. A tarifa de pedágio
ficou em R$ 4,534 (BR-050), R$ 2,638 (BR-163/MT) e R$ 2,851
(BRs-060/153/262), para cada 100 quilômetros rodados.
Brasil 247
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