Segundo o deputado Alfredo Sirkis
(PV-RJ), a ex-senadora "comete erros de avaliação estratégica", cultiva
um processo decisório "caótico", "reage mal a críticas e opiniões fortes
discordantes" e "não estabelece alianças estratégicas com seus pares";
parlamentar afirma ainda que reprovação no Tribunal Superior Eleitoral
era previsível; "demos mole", diz ele; erros apontados por um
colaborador próximo indicam que Marina na presidência da República
talvez fosse um grande risco
247 - Depois da derrota
avassaladora no Tribunal Superior Eleitoral, por seis votos a um,
começam a emergir as divisões no grupo que pretendia fundar a Rede
Sustentabilidade. Em artigo publicado em sua página no Facebook, o
deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), um dos fundadores da nova legenda,
apontou diversas falhas na personalidade de Marina Silva. Leia abaixo:
O
Brasil da secular burocracia pombalina, do corporativismo estreito e da
hipocrisia politico cartorial falou pela voz da maioria esmagadora do
tribunal. A voz solitária de Gilmar Mendes botou o dedo na ferida na
forma do juz esperneandi. O direito de, literalmente, espernear.
Para mim não foi surpresa alguma,
nunca foi uma questão de fé --Deus não joga nesta liga-- mas de
lucidez e conhecimento baseado na experiência pregressa. Eu tinha
certeza absoluta que se não tivéssemos uma a uma as assinaturas
certificadas, carimbadas, validadas pela repartição cartórios de zonas
eleitorais íamos levar bomba.
A ministra relatoria fez uma
defesa quase sindicalistas de seus cartórios de sua “lisura” . Gilmar
Mendes mostrou claramente o anacronismo deles na era digital. Prevaleceu
a suposta “dura lex sed lex” mas que pode também ser traduzido, no
caso, pelo mote: “aos amigos, tudo, aos inimigos, a Lei”. E o PT já
tinha avisado que “abateria o avião de Marina na pista de decolagem”.
Mas não ter entendido que o jogo
seria assim e ter se precavido a tempo e horas foi uma das muitas auto
complacências resultantes de uma mística de auto ilusão.
Para ser direto em bom carioquês: “demos mole”.
Marina é uma extraordinária líder
popular, profundamente dedicada a uma causa da qual compartilhamos e
certamente a pessoa no país que melhor projeta o discurso da
sustentabilidade, da ética e da justiça socioambiental. Possui, no
entanto, limitações, como todos nós. As vezes falha com operadora
política comete equívocos de avaliação estratégica e tática, cultiva um
processo decisório ad hoc e caótico e acaba só conseguindo trabalhar
direito com seus incondicionais. Reage mal a críticas e opiniões fortes
discordantes e não estabelece alianças estratégicas com seus pares. Tem
certas características dos lideres populistas embora deles se distinga
por uma generosidade e uma pureza d’alma que em geral eles não têm.
Não tenho mais idade nem
paciência para fazer parte de séquitos incondicionais e discordei
bastante de diversos movimentos que foram operados desde 2010. A saída
do PV foi precipitada por uma tragédia de erros de parte a parte. Agora,
ironicamente, ficamos a mercê de algum outro partido, possivelmente
ainda pior do que o PV.
Quanto à Rede, precisa ser vista
de forma lúcida. Sua extrema diversidade ideológica faz dela um difícil
partido para um dia governar. Funcionaria melhor como rede propriamente
dita –o Brasil precisa de uma rede para a sustentabilidade, de fato--
mas, nesse particular, querer se partido atrapalha.
Ficarei com Marina como candidata
presidencial porque ela é a nossa voz para milhões de brasileiros mas
não esperem de mim a renúncia à lucidez e uma adesão mística
incondicional, acrítica.
Minha tendência ao
“sincericidio” é compulsiva e patológica. Nesse sentido não sou um “bom
politico”. Desculpem o mau jeito. Hoje tenho oito horas para enfrentar
um leque de decisões, todas ruins em relação ao que fazer com uma
trajetória limpa de 43 anos de vida política. Mas vou fazê-lo sem
angústia de coração leve e mente aberta.
Braslil 247
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