14/01/2014 - 22h51
Rio de Janeiro – Estudantes da Universidade Gama Filho (UFG) e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), que foram descredenciadas
ontem (13) pelo Ministério da Educação (MEC), fizeram hoje (14) uma
manifestação no centro da cidade. A concentração foi na Igreja da
Candelária, de onde os estudantes saíram por volta de 18h30 pela Avenida
Presidente Vargas até a Central do Brasil.
Com palavras de ordem e cartazes, os estudantes diziam que o
descredenciamento não é a solução para os problemas das duas
instituições e pediam intervenção federal com possibilidade de
federalização. De acordo com a Polícia Militar, a passeata chegou a
reunir cerca de mil pessoas. Os organizadores do movimento anunciaram a
presença de 1.500 estudantes.
O coordenador-geral de Exatas do Diretório Central de Estudantes
(DCE) da Gama Filho, Anderson Diniz, aluno do curso de engenharia
elétrica, ressaltou que os estudantes pediram uma solução ao MEC, mas
entendem que o descredenciamento das duas instituições não resolve os
problemas.
“Nosso plano principal sempre foi a intervenção, sempre foi buscar a
federalização da Gama Filho, porque sabíamos que isso era possível.
Tínhamos estudos de casos, levamos para Brasília, levamos ao [ministro
da Educação Aluísio] Mercadante, que foi omisso. Ele disse que a única
intervenção que poderia fazer a mais era descredenciar, que já havia
feito o TSD [Termo de Saneamento de Deficiências], que já tinha feito o
cancelamento do vestibular, mas essa não era a intervenção que
queríamos”, reclamou Anderson.
Ele citou o exemplo da Universidade Federal do Pampa (UniPampa), com
sede em Bagé, Rio Grande do Sul, criada por lei em 2008. De acordo com
matéria publicada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do
Rio Grande do Sul (Sinpro-RS), a Unipampa surgiu do processo de
mobilização em favor da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), a
partir de 2005.
No protesto de hoje, os estudantes também refutaram o argumento do
MEC de que a qualidade do ensino nas instituições é ruim e defenderam os
professores. “O problema sempre foi o [Grupo] Galileo [Educacional –
mantenedora das instituições], o ensino da Gama Filho nunca foi
questionado, nossos professores são mestres, doutores, aqueles que não
são doutores estão buscando o doutorado. Temos excelência em engenharia,
medicina, educação física, história, toda a parte de humanas também.
Então, não tem por que fechar a Gama Filho. Porque não desfazer a
mantença e voltar para a família, que tinha investidores?”, questionou
Diniz.
O MEC, porém, diz que não há possibilidade de federalizar a UFG e a
UniverCidade e que, após todas as tentativas de resolver os problemas, o
descredenciamento foi a última opção. Agora, o MEC vai acompanhar a
transferência assistida dos alunos para outras faculdades.
Mais cedo, o presidente do Grupo Galileo Educacional, Alex Porto,
pediu que os alunos da UGF e do Centro Universitário da Cidade
(UniverCidade ) tenham “um pouco de paciência”, e pediu desculpas pelo descredenciamento.
Os estudantes marcaram para esta quinta-feira (16) um ato em frente
ao Ministério Público Federal, das 16h às 18h, para pedir a intervenção
do órgão no caso.
Agência Brasil
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