Sugerido por Antonio Carlos Silva - RJ
Da Gazeta Russa
Daniil Ílchenko, Rússki Reporter
Pelo menos metade do arsenal mundial
de armas nucleares está escondido em silos de submarinos nucleares, os
quais apenas seis países do mundo são capazes de construir - Índia,
China, França, EUA, Reino Unido e Rússia. Correspondente da revista
"Rússki Reporter" visitou um estaleiro secreto na cidade de Severodvinsk
para acompanhar a construção de submarinos nucleares russos.
"É como levar seu filho à escola pela
primeira vez. Por um lado, ele já é crescido, por outro, você entende
que tudo só está começando", conta Nikolai Semakov, chefe do setor de
construção naval dos estaleiros de Severodvinsk (Sevmach) onde foi
construído o primeiro porta-mísseis submarino russo de quarta geração
Iúri Dolgorúki, do projeto 955 Borei.
Para Semakov, sua construção levou 17
anos. "Essa foi uma prova de viabilidade para nossa indústria. De fato,
uma encomenda como essa envolve mais de 600 empresas, ou seja, uma
indústria inteira! Embora tivéssemos enfrentado muitos problemas durante
a construção desse submarino e tivéssemos tido de corrigir muitas
coisas após os testes, essa encomenda mostrou que a situação em nossa
indústria não era tão ruim assim. Já o segundo submarino dessa classe, o
Aleksandr Névski, foi construído em sete anos, enquanto a construção do
terceiro, o Vladímir Monomákh, foi concluída em apenas seis anos", diz
ele.
O Sevmach planeja construir, até 2020,
15 submarinos nucleares de nova geração, dos quais sete do projeto Iasen
e oito do projeto Borei. Nos últimos vinte anos, o Sevmach desenvolveu
mais de uma centena de embarcações, de rebocadores a barcaças e pontões
para a Alemanha, Suécia, Noruega e Holanda.
"Hoje em dia, a construção de um
submarino é um negócio. Pertence à história a época em que nossos
problemas eram solucionados pela liderança do partido comunista. Agora,
temos de saber negociar o preço e os prazos e sobreviver às condições de
mercado", diz a chefe do setor de testes e medições, Aleksandra
Vlásova, vencedora do prêmio nacional "Engenheiro do Ano 2012".É difícil
superestimar a responsabilidade depositada no setor chefiado por
Vlásova. À profundidade operacional dos submarinos, um jato de água
escapando de um furo de 1 cm de diâmetro tem uma força suficiente para
cortar um homem ao meio.
Trabalho profundo
O primeiro submarino nuclear soviético
Leninski Komsomol (Juventude Leninista) foi construído no Sevmach em
1957. Em 1968, foi desenvolvido no estaleiro o primeiro submarino
nuclear de titânio do mundo, cujo recorde de velocidade em imersão (84
km/h) continua insuperável. Nos anos 1980, o Sevmach criou uma família
de submarinos com o tamanho de dois campos de futebol e altura
equivalente a um prédio de nove andares. Denominados Akula (Tubarão),
esses submarinos do projeto 941 entraram para o Livro Guinnesse dos
Recordes.
De acordo com os especialistas, um
submarino não é construído, mas montado de chapas de aço soldadas. Um
submarino nuclear moderno, por exemplo, tem milhões de cordões de solda
que unem centenas de milhares de peças. Embora cada cordão de solda seja
inspecionado com Raio X e Ultra-Som em busca de fissuras microscópicas,
a responsabilidade pessoal de cada soldador melhora a qualidade de seu
trabalho.
Mas há soldas que não podem ser feitas
com a devida qualidade pelo homem, por mais experiente que ele seja.
Nesses casos, são utilizados robôs. "São casos em que precisamos de um
cordão perfeito", diz o engenheiro Serguêi Rijkov. "Pregamos os olhos em
uma pequena janela no meio de um grande barril de altura equivalente a
um prédio de 4 andares e volume de 900 metros cúbicos. Lá dentro, um
enorme braço mecânico aponta um canhão eletrônico contra as chapas
metálicas amontoadas. Um feixe de elétrons emitido pelo canhão é
aplicado às chapas a serem unidas deixando um cordão de solda perfeita.
"Todas as peças mecânicas desse robô foram fabricadas na Rússia, na
fábrica Progress, na cidade de Ijevsk. Seu canhão eletrônico pode se
mover em todos os sentidos. Esse equipamento não tem par. Os
norte-americanos, japoneses e alemães nos invejam", diz Rijkov.
Nessa câmara, a solda é feita em
condições de vácuo para evitar a dispersão do feixe de elétrons e é
aplicada às peças importantes para a diminuição do nível de ruído do
futuro submarino. A invisibilidade acústica é a principal arma de
qualquer submarino. A soldagem por feixe de elétrons resolve, em grande
parte, tal problema. O manto da invisibilidade acústica é uma das
tecnologias utilizadas nos submarinos russos e que lhes permitem ficar
despercebidos nas regiões de exercícios navais da Otan (Organização do
Tratado do Atlântico Norte), visitar às escondidas o Golfo do México e
detectar um inimigo a uma distância de mais de 200 km, assim como
colocar um ponto final na discussão de questões como por que o míssil
antinavio russo Oniks é melhor do que o Harpoon dos EUA e os mísseis de
cruzeiro russos tem um alcance duas vezes superior ao dos Tomahawk.
Blog do Luis Nassif

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